7 Aprendizados em meio à crise que vão impactar seu patrimônio

Por Daniel Pinheiro, Consultor de Investimentos da Warren Curitiba

Quando a realidade se mostra tão delicada, a experiência é posta à prova. É aí que as calejadas mentes de grandes gestores, invólucras de tantos pormenores históricos, têm ainda mais valor. 

Durante a quarentena, conversar com esses gestores e ter acesso às suas visões tem sido uma das minhas atividades favoritas. O motivo é simples: há muito o que aprender sobre o que estamos passando e como isso vai impactar os próximos anos.

Para que você também forme uma visão mais robusta sobre o que está acontecendo e se prepare para o que vai acontecer, trouxe aqui os 7 aprendizados em meio à crise das últimas semanas, que transmiti aos investidores que atendo.

Aprendizado 1: é necessário ajustar seu horizonte

É necessário compreender, de verdade, que o horizonte de investimentos precisa ser ajustado. Na prática, precisamos readequar os portfólios, pois os juros baixos vieram para ficar. A SELIC, que já estava baixa, tende a baixar ainda mais. Logo, a dicotomia retorno x risco ao longo do tempo pesará cada vez mais nas tomadas de decisões. 

Em outras palavras, para ter alguma rentabilidade com seus investimentos será necessário entender que o nível de risco das aplicações e o prazo delas precisam mudar. Ambos devem aumentar.

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Aprendizado 2: será difícil fugir da volatilidade, aprenda a usá-la

O curto prazo está deixando de entregar retornos reais e em boa parte dos produtos tidos como “conservadores” o investidor também enxergará volatilidade.

Com o agravamento da crise desencadeada pelo COVID-19, fundos que historicamente nunca apresentaram volatilidade ou rentabilidade inferior ao CDI entregaram rentabilidade negativa. Boa parte desses fundos devem recuperar a desvalorização de suas cotas, mas o aprendizado fica. Manter recursos de longo prazo em ativos conservadores pode ser mais perigoso do que assumir maior risco nos investimentos.

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Aprendizado 3: paciência se torna ainda mais importante

A “receita” para sairmos de momentos de crise melhor do que entramos é, com alguns ajustes, a mesma: paciência e escolha de bons ativos.

Em tempos de crise temos o costume de olhar nossos investimentos várias vezes ao longo do dia. Evidente que não tem problema acompanhá-los frequentemente, porém, isso não vai mudar o retorno deles. O que acontece quando se faz isso é que muitas vezes ficarmos p**** da vida, seja porque o saldo caiu ou porque aumentou quase nada. Dificilmente seremos surpreendidos com uma alta expressiva no curto prazo.

Retorno de investimentos vem com o tempo e assim como a escolha de bons ativos, a paciência é fundamental.

Aprendizado 4: seu patrimônio precisa ser organizado em carteiras independentes

De tempos em tempos haverá uma realização no mercado. Nesse momento, as coisas mudam e você precisa estar preparado para aproveitar isso. Na média, essas realizações acontecem a cada oito anos e costumam durar alguns meses entre o momento inicial até o pico de interesse (Bloomberg).

Portanto, o melhor que se pode fazer para seu patrimônio desde já é definir a que se destina cada parte dele: reserva de emergência, capital de oportunidade, curto, médio e longo prazo. Uma vez definido esse plano, é necessário seguir o plano. Se as coisas mudarem no meio do caminho e ajustes eventualmente forem necessários, cada decisão deve ser tomada com cuidado. Afinal, surpresas fazem parte no mundo dos investimentos. Ter seu patrimônio dividido de forma clara e um plano concreto para potencializá-lo ajuda você a manter os pés no chão e evitar que a emoção do mercado domine sua razão de investir.

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Aprendizado 5: não dá para fugir da crise, mas dá para surfar a onda

Outro fato curioso é que geralmente nos anos em que a Bolsa teve um movimento brusco de queda ela também apresentou rendimento acumulado positivo ao longo dos vinte e quatro meses subsequentes.

Na primeira imagem abaixo você pode ver a evolução do índice Ibovespa durante a crise de 2008 e na sequência a evolução do IBOV entre 2009 e 2020:

Significa que desta vez a bolsa também vai se recuperar no mesmo espaço de tempo? Não. Mas passamos por todas as crises e por essa não será diferente. Obs.: cada candle (vermelho e verde) representa um mês de negociação, sendo o candle vermelho a representação de rentabilidade negativa em relação ao mês anterior.

Isso nos leva ao Aprendizado 6.

Aprendizado 6: é preciso ter sangue frio

Nota-se que nos períodos de bear market anteriores, o mercado caiu por vários meses antes de voltar a subir. A queda de 2008 (figura 1), por exemplo, representou uma desvalorização maior do que a de 2020. Porém, o mercado caiu por seis meses enquanto a crise atual atingiu o fundo em cerca de 20 dias. 

O ponto de interrogação na segunda imagem, acima, representa o momento atual. Se o mercado vai subir ou vai cair ninguém sabe. Mas no longo prazo dificilmente ele não subirá. É o que eu acredito e o que os experientes gestores acreditam também.

Vale a pena mencionar que praticamente todos os fundos de ações e multimercados aumentaram posição em renda variável no início do ano, antes da crise, e muitos deles tiveram desvalorização grande de suas cotas. O que seus gestores fizeram? Aumentaram posição.

O motivo disso é matemático e talvez assunto para outro momento. Todavia, além de estar preparado financeiramente é preciso ter sangue frio para lidar com momentos de crise.

Aprendizado 7: vamos ter que nos readaptar como sociedade

Para uma das gestoras, o maior problema do Brasil continua sendo o fiscal. Antes da crise, nossa dívida bruta/PIB possuía uma inclinação negativa. Ou seja, a dívida fiscal do país deveria diminuir, graças principalmente à reforma da previdência.

Com a crise, em apenas dois anos toda a economia que teríamos com a reforma da previdência será consumida com os pacotes de estímulos econômicos adotados pelo Banco Central.

Isso parece ruim (de fato, bom não é!), porém é necessário. Além disso, existe uma possibilidade de que com juros baixos a dívida bruta/PIB seja drasticamente reduzida ao longo dos próximos anos. D

e acordo com a projeção apresentada por uma das gestoras com a qual conversei, em 2030 o resultado dessa equação, dívida/PIB, seria o mesmo projetado antes da crise causada pelo COVID-19. 

Você já deve imaginar o quanto isso pode nos impactar como cidadãos brasileiros, certo? 

Conclusão

A realidade do Brasil em relação a investimentos mudou muito e muito rápido. Com isso, o brasileiro precisa mudar sua forma de investir e de lidar com investimentos. Assumir volatilidade nos investimentos passa a ser necessário caso tenhamos interesse em ter uma qualidade de vida melhor no futuro.

São nesses momentos de incerteza que somos empurrados na direção de grandes aprendizados – e a crise do COVID-19 tem se revelado como uma catalizadora deles. Inclusive para os mais experientes.

Isso não afasta, porém, a necessidade de sermos cautelosos em nossas decisões e, por consequência, extremamente meticulosos em nossas análises. É nesses momentos que as tomadas de decisões feitas de cabeça fria e alinhada com nossa estratégia inicial fazem diferença.

Se você ainda não possui uma estratégia de investimentos definida a partir do seu planejamento financeiro ou ainda não investe com acompanhamento de um profissional, sugiro a procura de um. Oportunidades existem, mas sem planejamento dificilmente se chega a um bom lugar.

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