Ações da Tesla acumulam alta de 275% em 2020: entenda os motivos e como investir

Sinônimo de disrupção e inovação, a Tesla é uma das empresas mais badaladas dos últimos meses no mercado financeiro internacional. 

Apenas em 2020, as ações da Tesla acumulam alta de 275%, o que transformou a montadora norte-americana, que concentra seus esforços em carros elétricos e energias renováveis, na mais valiosa marca automotiva do planeta.

A empresa é liderada por Elon Musk, considerado por muitos o maior gênio e visionário de sua geração. 

Ele também é fundador e CEO da SpaceX, empresa criada para tornar o transporte aeroespacial mais acessível, com o objetivo de colonizar Marte. Neste ano, ela se tornou a primeira empresa a enviar uma nave tripulada ao espaço.

Da inteligência artificial à redução do aquecimento global, não faltam motivos para a Tesla ser uma das mais promissoras — e comentadas — empresas do mundo. 

Mas você sabe o que está por trás dessa valorização recente?

Falando em linhas gerais, os investidores estão cada vez mais otimistas que a empresa consiga tornar a sua operação realmente sustentável, com uma maior capacidade de produção de veículos e geração de lucro.

Até pouco tempo, todos os esforços estavam concentrados em criar novas tecnologias, inovar e fomentar pesquisas relacionadas à capacidade de armazenamento de energia, eficiência e autonomia dos veículos. 

Faltava, ao mercado, uma sinalização de que a empresa é capaz, sim, de se tornar um player lucrativo, que gere valor aos acionistas de forma consistente.

Isso vem mudando ao longo dos últimos meses, e a divulgação dos resultados do segundo trimestre, nesta quarta-feira à noite, pode ser a prova final que o mercado aguardava: a empresa reportou lucro pelo quarto trimestre consecutivo, o que a torna elegível, inclusive para compor o índice S&P 500.

Neste artigo, você vai entender alguns dos motivos pelos quais as ações da Tesla se valorizaram tanto nos últimos meses, vai compreender suas linhas de negócios e a expectativa que o mercado tem sobre a empresa.

Além disso, vamos detalhar a divulgação de resultados da Tesla e como isso pode impactar a ação nos próximos meses.

Juntos, passaremos pelos seguintes tópicos.

  • O que a Tesla faz e qual o seu propósito?
  • Carros da Tesla
  • Elon Musk, o gênio bilionário que é a cara da empresa
  • Valor de mercado da Tesla
  • Resultados da Tesla no 2T20: Tesla no S&P 500?
  • Como comprar ações da Tesla
  • Como investir nas ações da Tesla
  • Com ações da Tesla, Fundo Warren Green se destaca

Vamos juntos?

O que a Tesla faz e qual o seu propósito?

Entenda qual é o propósito da Tesla, ilustração

Fundada em 2003 pelos engenheiros Martin Eberhard e Marc Tarpennin, a Tesla é uma empresa americana que se dedica, segundo o próprio site oficial, a acelerar a transição mundial para energias sustentáveis.

Ambiciosos, concorda?

Focada principalmente nos veículos elétricos e nas energias renováveis, a Tesla afirma ter quebrado diversas barreiras tecnológicas em sua história, para conseguir entregar carros elétricos de alta performance. 

Hoje, os veículos elétricos da Tesla são os mais vendidos do planeta — e a empresa também afirma que os três modelos vendidos atualmente (Model S, Model X e Model 3) são os mais eficientes e seguros carros do mundo.

Mas, por trás desses esportivos elétricos de alto desempenho, está um propósito muito maior, como o próprio Elon Musk, CEO da empresa, expôs no Master Plan da empresa, divulgado em 2006: viabilizar uma economia que se baseie na energia fotovoltaica, gerada a partir de painéis solares. “Eu acredito que essa é a principal — mas não a única — solução sustentável”, escreveu Musk.

Para fazer isso, Musk recorreu a um modelo de negócios inspirado na indústria da tecnologia, em que cada etapa serve de sustentação à próxima.

Vamos entender melhor?

A Tesla é uma montadora com DNA tecnológico

Em seu Master Plan, Musk escreve que o objetivo de longo prazo da Tesla é construir uma ampla gama de carros elétricos, incluindo modelos de entrada, com preços acessíveis, focados nas famílias. 

Mas, para fazer isso, a empresa precisava começar por um esportivo de alto desempenho e com um preço superior. O objetivo era de que as vendas desse veículo, batizado como Tesla Roadster, permitissem a otimização tecnológica, para dar origem a um carro mais acessível — e a assim sucessivamente.

“A estratégia da Tesla é entrar no ponto mais alto do mercado, onde os clientes estão preparados para pagar um prêmio pelo veículo e, em seguida, descer o mais rápido possível para os outros segmentos, para aumentar o volume unitário e baixar os preços com cada modelo”, detalhou Musk. 

O primeiro carro da Tesla, portanto, foi o Roadster, que conseguia atingir 100 km/h em apenas 3,9 segundos.

Primeiro veículo elétrico fabricado pela Tesla, o esportivo Tesla Roadster

Mais tarde, ele justificaria a escolha por um esportivo pelo fato de que os clientes aceitariam pagar mais caro por um esportivo, se soubessem que estavam ajudando a financiar projetos de energia sustentável e avanços tecnológicos, mas seria muito mais difícil fazer isso vendendo carros básicos a custos mais altos.

O Master Plan original da empresa, portanto, foi resumido em quatro tópicos de fácil compreensão:

  • Construir um carro esportivo;
  • Usar esse dinheiro para produzir um carro mais acessível;
  • Usar esse dinheiro para produzir um carro ainda mais acessível;
  • Ao fazer tudo isso, também oferecer opções de geração de energia elétrica com zero emissões.

Dez anos depois, em 2016, Musk escreveu um novo Master Plan, comentando os resultados obtidos até então e traçando novos objetivos para os anos seguintes.

Musk explicou que o objetivo do Master Plan original era ser transparente e mostrar que as ações da Tesla nos anos seguintes não seriam aleatórias. Haveria uma consistência em nome do objetivo maior. Na oportunidade, Musk reiterou a necessidade de o planeta alcançar uma economia baseada em energia sustentável

“Ou ficaremos sem combustíveis fósseis para queimar, e a civilização entrará em colapso. Dado que devemos retirar os combustíveis fósseis de qualquer maneira e que praticamente todos os cientistas concordam que aumentar dramaticamente os níveis de carbono atmosférico é algo insano, quanto antes alcançarmos a sustentabilidade, melhor”, escreveu.

Para viabilizar um futuro no qual a economia será sustentada em energia fotovoltaica, Musk resumiu os próximos passos da Tesla em quatro pontos:

  • Criar painéis solares em telhados com armazenamento e baterias totalmente integrados;
  • Expandir a linha de produtos elétricos para atender todos os principais segmentos;
  • Desenvolver um recursos de direção autônoma dez vezes mais seguro que o manual, por meio do aprendizado maciço da frota (os veículos da Tesla mapeiam as vias);
  • Permitir que o seu carro gere dinheiro enquanto você não estiver usando.

Como se vê, o foco agora é construir carros autônomos, dentro dos quais você poderá dormir, ler, estudar ou trabalhar, enquanto se desloca para o destino. Ao chegar lá, ainda será possível emprestar o carro para que ele se torne parte da malha viária, gerando receita enquanto outros o utilizam.

Surreal, concorda? Pois é o que a Tesla tem no seu Master Plan para os próximos anos.

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Carros da Tesla

Além do Roadster I, que já foi descontinuado, atualmente a Tesla produz outros três veículos elétricos: Model S, Model X e Model 3

A seguir, vamos falar resumidamente de cada um deles, e também falar das novidades já anunciadas pela empresa, como o Tela Semi, um caminhão elétrico, e o Cybertruck, um veículo com formato futurista, projetado para ser extremamente resistente.

Os três carros que atualmente são produzidos, e o caminhão já anunciado

Tesla Roadster

Como explicamos, o Roadster foi o primeiro esportivo fabricado pela Tesla, para viabilizar a otimização da tecnologia. Ele foi produzido entre 2008 e 2012 e se tornou não apenas o primeiro carro esportivo elétrico da história, mas também o primeiro carro totalmente elétrico com uma autonomia superior a 320 quilômetros.

Model S

Após o Roadster, a Tesla colocou no mercado o Model S, que permanece sendo fabricado. Trata-se de um sedan esportivo totalmente elétrico, lançado em 2012. Ao ser lançado, ele bateu o recorde de autonomia de qualquer carro elétrico do planeta, podendo rodar mais de 420 km com uma única carga. Em sua atualização mais recente, ele passou a ser o carro mais rápido do mundo, indo de zero a 100 km/h em apenas 2,4 segundos.

Model X

Em seguida, surgiu o Model X, o primeiro SUV da Tesla. Ele foi apresentado em 2012, mas efetivamente lançado em 2015, com espaço para 5, 6 ou 7 passageiros.

Model 3

Considerado um divisor de águas para a Tesla, o Model 3 é a terceira geração de carros da Tesla, considerado um Sedan médio. Concluído em 2017, ele já possui um hardware de direção autônoma e se tornou no carro elétrico mais vendido da história nos anos seguintes, ultrapassando 500 mil unidades.

Dessa forma, ele se tornou o carro a gerar a maior receita em vendas dos Estados Unidos em 2019, como o gráfico abaixo, retirado de uma apresentação da empresa, deixa claro:

Model 3 é o carro que gera a maior receita em vendas dos Estados Unidos

Ele também é o sedan mais vendido dos Estados Unidos atualmente, à frente de todos os competidores somados.

Tesla Semi

O Tesla Semi é o caminhão da Tesla, revelado em 2016, mas que deve começar a ser entregue aos compradores apenas em 2021. Será o primeiro caminhão totalmente elétrico produzido, com autonomia que varia de 480km a 800km por carga.

Musk na apresentação do Tesla Semi, em 2016T

Tesla Cybertruck

Revelado em novembro de 2019, o Cybertruck é uma espécie de camioneta ultra resistente com design angular e vidros praticamente inquebráveis. O veículo também deve chegar a 100 km/h em 2,9 segundos, e a a Tesla deve iniciar sua produção em 2021. 

Musk ao lado do Cybertruck durante a apresentação, em 2019

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Valor de mercado das ações da Tesla supera todas as montadoras

Segundo dados apurados pelo Finviz, a Tesla já é a 17ª maior empresa do mundo em valor de mercado, valendo algo em torno de US$ 290 bilhões.

Com a valorização recente de suas ações, ela ultrapassou todas as montadoras e se tornou a mais valiosa marca automotiva do planeta, à frente de todas as empresas que lideram as vendas no Brasil, como GM, Ford, Fiat, Volkswagen e Toyota.

Na 17ª posição, a Tesla também está à frente de outros conglomerados gigantes, empresas que certamente vêm à cabeça quando alguém fala nas maiores companhias do mundo, como Netflix, Coca-Cola, Nike, MCDonald’s e Uber.

Se você está impressionado, segure-se na cadeira. O IPO da Tesla ocorreu em 2010, a um preço de US$ 17 por ação. Isso significa que aqueles que investiram no IPO obtiveram um retorno de aproximadamente 93 vezes o valor investido — caso tenham mantido as ações até hoje.

Ou seja: se você colocou US$ 10 mil no IPO, hoje é dono de uma fortuna de US$ 930 mil, ou mais de R$ 4,7 milhões.

LEIA MAIS | Como e por que investir em ações americanas?

Resultados da Tesla no 2T20: Tesla no S&P 500?

Após ver as ações valorizarem mais de 275% nos primeiros meses do ano, a Tesla apresentou os tão aguardados resultados do segundo trimestre de 2020 na noite desta quarta-feira, 22 de julho de 2020.

Os resultados foram superiores ao que o mercado e analistas estavam prevendo, com a empresa reportando lucro pelo quarto trimestre consecutivo pela primeira vez na história. Como resultado, as ações dispararam 7% após o fechamento do mercado.

A receita entre os meses foi de US$ 6,04 bilhões entre os meses de abril e junho, superando estimativas dos analistas, que esperavam cerca de US$ 5,4 bilhões. 

Já o lucro no trimestre foi de US$ 104 milhões, 550% a mais do que o trimestre anterior. Além disso, o lucro apresentou um crescimento estrondoso em relação ao mesmo trimestre de 2019, quando a empresa teve prejuízo de US$ 408 milhões.

Divulgação de resultados da Tesla, com os lucros dos últimos quatro trimestres assinalados

No relatório divulgado aos investidores, a Tesla afirmou que, mesmo com a paralisação da produção da fábrica no Estados Unidos em meio à pandemia, a empresa mostrou resiliência e superou as estimativas de entrega de veículos.

A empresa disse, ainda, que tem capacidade para produzir mais de 500 mil veículos em 2020, o que seria inédito na história da empresa, garantindo ainda mais ganho de escala aos veículos. 

A empresa também afirmou que as obras para construção das suas fábricas fora dos Estados Unidos, em Shanghai e em Berlim, estão evoluindo de forma satisfatória. Ambas vão produzir o Model 3, para distribuição na Ásia e na Europa, respectivamente.

Os resultados da Tesla eram especialmente aguardados pelo mercado financeiro por duas razões.

Primeiro, para confirmar se o crescimento de 275% das ações possui algum lastro na realidade e nas expectativas da empresa para o futuro. 

Como a companhia reportou lucros superiores ao trimestre anterior e também ao mesmo trimestre do ano passado, o sinal foi positivo, porque a empresa passa a mensagem de que está conseguindo tornar a sua operação realmente sustentável.

Em segundo lugar, ao reportar lucro pelo quarto trimestre consecutivo pela primeira vez na história, a Tesla passa a ser elegível para compor o índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas dos Estados Unidos. Entre as condições impostas para fazer parte do índice, está a inexistência de prejuízos nos quatro últimos trimestres. 

Se realmente fizer parte do S&P 500, a Tesla muda de patamar e se torna alvo de centenas de fundos passivos, que perseguem a carteira teórica do índice. É garantia de ainda mais liquidez e interesse pelas ações da empresa.

Como comprar ações da Tesla

Para comprar ações da Tesla diretamente, você precisa abrir conta em uma corretora norte-americana e enfrentar a burocracia que todo brasileiro enfrenta ao tentar acessar o mercado mais desenvolvido do mundo.

Há algumas corretoras que já oferecem serviços personalizados aos brasileiros, mas vale lembrar que uma ação da Tesla, hoje, custa mais de US$ 1580. Vale a pena priorizar, portanto, as corretoras que trabalham com lote fracionado.

Outra opção para quem deseja investir na Tesla é olhar para os fundos brasileiros que investem no exterior, como o Warren Green, que performou muito bem recentemente, catapultado pela empresa.

Com ações da Tesla, Fundo Warren Green se destaca

Com o objetivo de aliar o retorno à ética, o Fundo Warren Green investe apenas em empresas sustentáveis no Brasil, Estados Unidos e Canadá, priorizando rentabilidade, responsabilidade social e ambiental.

Em geral, 70% do patrimônio do Warren Green é investido no mercado brasileiro. Além disso, 20% são aplicados em Ações e ETFs do exterior e 10% em BDRs (Brazilian Depositary Receipt).

Para uma ação brasileira entrar na carteira do fundo, é necessário que a ação esteja simultaneamente em três rankings:

  • ISE (sustentabilidade empresarial)
  • IGC (governança corporativa) 
  • ICO2 (carbono eficiente). 

Para as empresas estrangeiras, como a Tesla, selecionamos ações com alto score no Environmental, Social e Governance (ESG) da Reuters, somados aos critérios dos ETFs internacionais

E foi assim que a Tesla se tornou uma das maiores posições do fundo. Perceba, no gráfico abaixo, a rentabilidade do fundo comparada ao índice Ibovespa.

A seguir, separamos as posições do fundo, dividindo pelas empresas brasileiras e americanas, em dados recentes. Confira, começando pelas brasileiras:

TickerEmpresa% Ações
CMIG4CEMIG10,90%
NTCO3GRUPO NATURA8,71%
WEGE3WEG7,83%
BBAS3BRASIL7,33%
ITSA4ITAUSA6,81%
TIMP3TIM PART S/A6,62%
BBDC3BRADESCO6,34%
LREN3LOJAS RENNER5,91%
LAME4LOJAS AMERIC4,82%
BBDC4BRADESCO3,48%
LAME3LOJAS AMERIC3,15%
ITUB4ITAUUNIBANCO2,74%
CMIG3CEMIG2,30%
KLBN11KLABIN S/A2,21%
CIEL3CIELO1,08%
WIZS3WIZ S.A.0,63%

 agora, as ações americanas, onde a influência da Tesla fica evidente:

TickerEmpresa% Ações
TSLATesla Motors9,42%
BYNDBeyond Meat INC3,90%
ETSYETSY INC2,28%
VEGNUS VEGAN CLIMATE ETF2,04%
PZDINVESCO CLEANTECH ETF1,32%
CRBNISHARES MSCI ACWI LOW CARBON1,05%
XENiShares Jantzi Social Index ETF0,33%

Como se vê, o Fundo Warren Green surfou nesse movimento de alta da Tesla. entregando resultados bastante superiores ao Ibovespa do período.

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