Antifrágil: como montar um portfólio de investimentos que se beneficia do caos

Nos últimos anos, o conceito de antifrágil se popularizou no mercado financeiro, principalmente pela influência do escritor e investidor Nassim Taleb.

Cada vez mais, investidores têm procurado montar portfólios e carteiras de investimento que recebam o selo de antifragilidade

Mais do que ser forte e resistente, essa estratégia preza pela capacidade de se beneficiar das adversidades e da própria volatilidade do mercado financeiro.

Mas como fazer isso na prática?

Neste artigo, você vai entender o que é necessário para que o seu portfólio de investimentos seja antifrágil — e se beneficie do caos.

Um spoiler: o conceito é simples, mas a execução pode ser trabalhosa. 

Vamos entender?

Antifrágil significado

Entenda o significado de antifrágil, ilustração

A palavra antifrágil é o oposto de frágil. Por isso, representa algo forte e resistente, difícil de quebrar. No entanto, o significado de antifrágil vai além da resistência. Um objeto — ou investimento — antifrágil é aquele que se beneficia do caos.

Ou seja: ele fica melhor do que era, porque é capaz de se adaptar e se transformar. Não basta, portanto, ser forte e resistente: é necessário crescer com as adversidades.

Apesar de estarmos nos referindo aos investimentos, ser antifrágil pode extrapolar esse ambiente. Ela também pode abranger ideias e comportamentos.

O que é ser antifrágil?

Ser antifrágil é ter a capacidade de lidar com as adversidades e sair delas em melhor situação do que a inicial. Portanto, é uma forma de se tornar ainda mais forte com o tempo, usando as dificuldades a seu favor, como um catalisador de mudanças que vão trazer benefícios.

Mas como ser antigráfil no mundo dos investimentos?

Um bom exemplo do nosso mercado de ações foram as decisões da empresa WEG durante a pandemia do novo Coronavírus.

Como uma empresa pode ser antifrágil?

A WEG normalmente trabalha com a produção de motores, geradores, itens de automação e controle industrial e painéis elétricos, entre outros.

Durante a crise, a WEG precisou interromper a produção e diminuir o número de funcionários, como boa parte das indústrias. Mas ela não ficou parada. Como organismo vivo que é, ela se ajustou ao novo cenário e começou a produzir, por exemplo, respiradores.

Para isso, fez adaptações nas plantas e assinou um acordo de transferência de tecnologia com uma fabricante de equipamentos médico-hospitalares.

Assim, em poucas semanas, começou a fabricar os respiradores e a comercializá-los para o governo.

Nos investimentos, a ideia é semelhante. Basicamente, é usar o “limão para fazer uma limonada”.

Em outras palavras, mesmo que você enfrente uma crise ou imprevisto que impacta os seus rendimentos, analisar o cenário e tomar a melhor decisão é ser antifrágil.

Se a sua carteira de investimentos não sofre em momentos de dificuldade do mercado, porque está exposta a elementos descorrelacionados e diversificados, ela também recebe o selo de antifragilidade.

Portanto, ser antifrágil é diferente de evitar o caminho das pedras. 

A ideia desse comportamento é reconhecer os riscos e encará-los de frente para evoluir e obter o melhor retorno possível.

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Livro “Antifrágil: coisas que se Beneficiam com o Caos”

O conceito que estamos trazendo neste artigo foi criado pelo professor de riscos do Instituto Politécnico da Universidade de Nova York, Nassim Nicholas Taleb, autor do livro Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o caos.

Editado pela Best Business, o livro tem 664 páginas e é uma verdadeira bíblia para os amantes do conceito da antifragilidade. Taleb, como outros especialistas do mercado financeiro, possui uma legião de fãs apaixonados pelas suas ideias. 

Outro best seller que Taleb escreveu foi A Lógica do Cisne Negro, em que ele explica que o termo se refere a um acontecimento improvável, mas que, depois de finalizado, é colocado como mais previsível do que realmente era.

Além de ter se formado e obtido o mestrado pela Universidade de Paris, Taleb conseguiu um MBA pela Wharton School, da Universidade da Pensilvânia.

Além disso, tem PhD pela Universidade de Paris. Taleb ainda trabalhou no Credit Suisse, Banque Indosuez, BNP Paribas, Bolsa Mercantil de Chicago e outras empresas reconhecidas no mercado.

Independência financeira aos 27 anos

Toda essa vivência e estudos fizeram com que ele alcançasse sua independência financeira em 1987, com apenas 27 anos. O motivo foi o crash financeiro daquele ano — ou seja, ele foi antifrágil diante do evento e conseguiu se beneficiar.

A partir disso, ele percebeu que é preciso resistir aos impactos externos, mas também se beneficiar da situação problemática.

No mercado financeiro, o objetivo é crescer a partir de crises, eventos aleatórios e volatilidade, situações que são relativamente comuns quando falamos da Bolsa de Valores, por exemplo.

Na prática, o investimento frágil é afetado pelas crises e instabilidades e tem sua rentabilidade prejudicada.

Na estratégia antifrágil, é o oposto. Ou seja, a carteira de investimentos se beneficia com o estresse e isso tende a elevar a rentabilidade.

Dentro dessa ideia de Taleb, as ações de empresas estão enquadradas na categoria de antifragilidade. 

Isso porque as empresas são organismos vivos, como a WEG, capazes de se adaptar e gerar renda mesmo em momentos considerados caóticos.

O autor reforça que todo sistema pode ser classificado como:

  • Robusto: perde e ganha na mesma quantidade
  • Frágil: perde mais do que ganha com a volatilidade gerada em situações de estresse
  • Antifrágil: ganha mais do que perde com a volatilidade gerada em situações de estresse

Trajetória de Nassim Taleb

Nassim Taleb é libanês e teve acesso à educação de qualidade na infância. 

Com a experiência na carreira, ele conseguiu ter bons ganhos com a crise de 1987, com a bolha das “pontocom”, em 2000, e com a crise do subprime, em 2008.

Ele abandonou o mercado financeiro ainda em 2006 e passou a se dedicar à carreira acadêmica. Taleb já trabalhou nas universidades de Massachusetts Amherst, Oxford e de Nova York.

Ele também já lançou diversos livros, que são conhecidos pela linguagem fácil de entender.

Além de “Antifrágil”, de 2012, ele também escreveu:

Lições do livro Antifrágil

A grande sacada de Nassim Taleb é o fato de ter criado a Estratégia Barbell, como é denominada sua abordagem.

Essa estratégia especifica o que fazer no mercado financeiro. Segundo ela, uma alternativa interessante é alocar:

  • De 60% a 90% do capital em ativos extremamente seguros, como ações de empresas consolidadas e investimentos em renda fixa.
  • De 10% a 30% deve ser alocado em títulos mais arriscados, a exemplo de opções de pequenas companhias.

Essa seria a carteira recomendada segundo a Estratégia Barbell. Assim, boa parte do patrimônio é protegido, mas existe a oportunidade de ganhar mais com os imprevistos.

Essa é uma das principais lições da obra de Taleb. A pessoa com esse comportamento tem conhecimento da existência dos fatores externos e inesperados.

Isso significa que, quando eles acontecem, a reação é mais natural e o foco é a busca do aperfeiçoamento.

Esse processo acontece até mesmo dentro do nosso organismo. Os agentes estressores ajudam a nos deixar atentos.

Por isso, o autor escreveu: “Se pela manhã você souber com precisão como será o seu dia, você está meio-morto — quanto mais precisão, mais morto você está”.

Outras frases desse livro são:

  • “Se você tem a sensação de que não leu muito, é porque não leu o suficiente”
  • “A incerteza é algo presente, desejável e necessário para a evolução”
  • “Minha ideia do sábio estoico moderno é alguém que transforma medo em prudência, dor em informação, erros em começos e desejos em realizações”
  • “Essa é a ilusão central da vida: que aleatoriedade é um risco, que é uma coisa ruim”
  • “A dificuldade é o que desperta o gênio”

Como ser antifrágil nos investimentos?

Aprenda a ser antifrágil nos investimentos, ilustração

O brasileiro vem buscando investir mais. Ainda assim, o percentual de pessoas que aplicam seu dinheiro é baixo no País.

O estudo Raio X do Investidor Brasileiro de 2019 mostrou que 56% da população não tinha nenhuma aplicação financeira em 2018.

Essa situação é derivada da falta de educação financeira, que faz com que muitas pessoas não saibam alocar seu capital.

Você já está em outra situação, pois busca conhecimento. No entanto, sempre há mais a aprender.

O conceito antifrágil ajuda exatamente nisso, já que você aprende a proteger seus investimentos, ao mesmo tempo que aloca parte do capital em ativos arriscados, desde que estejam adequados ao seu perfil de investidor.

Mas como aplicar, de fato, essa ideia na sua estratégia de investimentos? Vamos dar algumas dicas. 

1. Estude sobre o mercado financeiro

Apesar de ser utilizado em qualquer aplicação financeira, até mesmo em investimento para iniciantes, o conceito de Taleb exige certo conhecimento.

Você precisa entender o que é volatilidade, quais são as principais categorias de ativos, quais se encaixam na ideia do antifrágil e muito mais.

Por isso, estudar sempre é o caminho para o sucesso. Vale a pena ler os livros do próprio Nassim Taleb para entender o conceito a partir da fonte.

2. Seja humilde perante a incerteza

Sabe aquela máxima “só sei que nada sei”? A frase de Sócrates registra bem o que Taleb pensa.

Em determinadas situações do livro, ele retrata a importância de ler, informar-se e ter conhecimento.

Ao mesmo tempo, destaca que é preciso fazer boas análises para tomar as decisões certas. Por isso, é preciso entender que as incertezas existem, vão acontecer de forma inevitável e isso é normal.

Aqui, a recomendação central é nunca acreditar que você está com a situação totalmente sob controle. 

Por isso, mantenha os agentes estressores no nível máximo e seja humilde para enfrentar os desafios, reconhecendo que você não pode controlar tudo e precisa preparar os seus investimentos para a incerteza.

3. Invista na diversificação para sua carteira antifrágil

Já ficou claro que a estratégia de Taleb consiste em diversificar os investimentos

Tudo vai depender, é claro, do seu perfil e das suas estratégias de curto, médio e longo prazo.

Mas, seja qual for o seu perfil — arrojado, moderado ou conservador —, a diversificação é sempre uma boa pedida para proteger o seu patrimônio de riscos específicos e permitir que ele cresça de forma mais consistente no longo prazo.

Além da divisão tradicional entre ativos de renda fixa e renda variável, é preciso olhar além.

Nesse cenário, duas boas alternativas são os fundos de ouro e de dólar. Eis dois exemplos de investimentos que podem aumentar seus rendimentos na crise, porque são considerados reserva de valor.

O fundo de ouro é uma aplicação financeira com títulos lastrados nos contratos de ouro. Por isso, é a opção mais fácil para investir nesse ativo.

Por outro lado, o fundo de dólar — também chamado de cambial — está atrelado à moeda americana.

Ambas as opções são válidas para diversificar a carteira e proteger o patrimônio em caso de desvalorização do real.

Eles também têm um gestor com a responsabilidade de alcançar o melhor resultado possível. Por isso, ainda que sejam mais arriscados, têm a garantia desse profissional.

4. Foque o longo prazo

Ganhar na crise prevê a manutenção do olhar no longo prazo. Ter uma postura antifrágil significa não se apavorar diante das incertezas, certo?

Por isso, é preciso desenvolver sua capacidade de análise e observar as tendências do que está por vir.

Caso algo aconteça de imprevisível, atente ao que pode ser feito para você aproveitar o cenário.

Contudo, resista à tentação de resgatar os valores de forma antecipada sempre que houver uma instabilidade. Quando você foca o curto prazo, tende a ganhar menos e a pagar mais tributos e encargos. É no longo prazo que a mágica acontece e os juros compostos jogam a seu favor de fato.

SAIBA MAIS | Investir em ações no curto prazo: é possível ganhar dinheiro?

Diversifique seus investimentos na Warren

Para ter uma atitude antifrágil no mercado financeiro, você precisa investir e diversificar sua carteira. Com a Warren, você pode fazer isso com a nossa plataforma de investimentos.

Assim que você abre sua conta, já descobre qual o seu perfil de investidor. A partir daí, nossa plataforma sugere as melhores alocações para o seu perfil de risco e para cada um dos seus objetivos criados.

sete fundos de investimento disponíveis, que vão da renda fixa mais sólida — como os títulos públicos e privados — até ações americanas.

Dessa forma, há garantia de que as aplicações estarão diversificadas a um custo muito baixo, que pode ser, em média, três vezes menor do que o cobrado em outras corretoras.

Além disso, também há ofertas de fundos de proteção cambial (dólar) e de ouro.

Dessa forma, você tem chance de ser antifrágil com os fundos de investimento e alinhar seus objetivos para aumentar seu potencial de retorno no longo prazo.

Está pronto para começar? Descubra por que a Warren é a melhor opção para os seus investimentos.

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