A Bolsa vai chegar a 120 mil pontos ainda em 2020? Entenda o que está no radar dos investidores

Se os escritórios da Faria Lima estivessem densamente habitados, um novo número mágico estaria circulando pelos corredores e pautando a pausa do cafezinho: a Bolsa vai chegar a 120 mil pontos ainda em 2020?

Entre investidores, analistas e gestores do mercado financeiro, o tema já é discutido abertamente nas redes sociais e nas reuniões virtuais, enquanto as casas de análise, bancos de investimentos e corretoras revisam — mais uma vez — suas projeções para o índice Ibovespa ao fim do ano. 

Na semana passada, a Bolsa voltou a 100 mil pontos, superando essa espécie de barreira simbólica que mexe com o imaginário dos investidores. Mas ainda há muito espaço a percorrer para voltar ao patamar pré-crise. Basta lembrar que, em janeiro, o índice alcançou 119,5 mil pontos

Depois disso, você já sabe: a Bolsa desabou com uma sucessão de más notícias que levaram pânico ao mercado financeiro: da guerra no preço do petróleo ao avanço da pandemia, os agentes financeiros precificaram o caos ao redor do mundo. 

Como resultado, houve empresas cujas ações caíram mais de 70%, e o próprio Ibovespa despencou 46% em relação às máximas, acionando o circuit breaker em sucessivos pregões.

Mas tudo isso ficou para trás. 

Como sempre, o mercado financeiro está de olho no futuro. Os resultados das empresas no segundo trimestre, que serão divulgados nos próximos dias, devem ser muito ruins, mas, para os analistas, isso já está no preço dos ativos. A atenção está voltada para os eventos e condições que vão confirmar — ou não — o otimismo recente.

A taxa de juros básica da economia, a Selic, sofrerá mais um corte? Como as eleições americanas vão impactar o mercado financeiro global? É possível sonhar com uma vacina contra o Covid-19 ainda no primeiro semestre? O investidor estrangeiro vai mudar sua percepção sobre o Brasil? O governo vai emplacar a agenda de reformas no segundo trimestre?

Para conversar sobre tudo isso, nós convidamos o analista de renda variável aqui da Warren, Igor Cavaca, que detalhou os eventos que estão no radar dos investidores nos próximos meses, e podem acabar levando a Bolsa aos 120 mil pontos.

Vamos entender melhor?

Há espaço para a Bolsa chegar a 120 mil pontos?

Antes de desmembrar os eventos que podem levar a Bolsa aos 120 mil pontos, vale a pena conhecer a opinião do CEO da Warren, Tito Gusmão, sobre esse assunto.

De forma resumida, Tito entende que há, sim, espaço para que a Bolsa atinja 120 mil pontos ainda este ano. Em uma live no início da semana, ele comentou sobre o assunto, mesmo fazendo a ressalva de que se trata de uma opinião pessoal

“Acho que vai ser importante a gente ver os resultados das empresas neste trimestre sendo divulgados, porque os balanços que vão pegar o trimestre cheio com impacto do Coronavírus. Mas acho que tem espaço para isso acontecer, sim”, afirmou Tito na live. 

Em seguida, Tito lembrou que a renda variável, na prática, é imprevisível: “Não peguem isso que eu acabei de falar para fazer um trade para tentar ganhar 20% ainda esse ano, porque pode ser que a bolsa caia, amanhã, 20%. Ninguém sabe o que vai acontecer no próximo dia, na próxima semana e até o final do ano. Mas quem investe bem em ações há bastante tempo, sabe que, no longo prazo, boas empresas entregam bons resultados”, concluiu.

Perdeu a live? Você pode assistir à transmissão completa abaixo:

Mas o que pode influenciar o humor dos investidores para que a Bolsa permaneça na sua trajetória ascendente?

Na prática, o mercado financeiro busca respostas para uma série de perguntas. 

E é isso que vamos tratar a partir de agora, passando pelos seguintes tópicos:

  • Para onde vai a taxa de juros?
  • O fluxo de investidores para a Bolsa vai se manter?
  • Teremos uma vacina disponível em pouco tempo?
  • As eleições americanas vão impactar a Bolsa?
  • O investidor estrangeiro vai voltar a investir?
  • Reformas e privatizações vão sair do papel?
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Para onde vai a taxa de juros?

Analista de renda variável da Warren, Igor Cavaca também entende que há espaço para o índice Ibovespa se valorizar a 120 mil pontos ainda em 2020, influenciado por diversos fatores.

Para ele, o principal é a política monetária adotada pelo COPOM. No dia 17 de junho, o Comitê cortou a taxa Selic para 2,25%, renovando o seu menor valor histórico. No comunicado divulgado ao mercado financeiro, o Banco Central deixou em aberto a possibilidade de um novo corte, na reunião do próximo dia 4 de agosto.

“Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual”, diz a nota assinada pelos membros do Comitê, com a ressalva de a equipe segue atenta a revisões do cenário econômico e de expectativas de inflação para tomar suas decisões.

A redução vertiginosa da taxa básica de juros é apontada como um dos principais motivos para o otimismo com a Bolsa de Valores nos últimos meses, já que os investimentos em renda fixa acabam se tornando menos atraentes aos investidores. Confira, no gráfico abaixo, como a Selic se comportou nos últimos anos:

Taxa Selic, gráfico

“O que vai ser mais importante é a questão da política monetária. Existe a probabilidade de uma redução. O Banco Central deixou isso em aberto na última reunião. É possível que tenha mais fluxo de capital vindo para a Bolsa”, projeta Igor, lembrando que foi a injeção de dinheiro na economia a principal responsável pela recuperação rápida do índice nos últimos meses.

O fluxo de investidores vindo para a Bolsa vai se manter?

Desde meados de 2016, a Bolsa de Valores brasileira, B3, tem notado um crescimento no número de investidores pessoa física.

A cada mês, a Bolsa divulga dados sobre os CPFs cadastrados em corretoras de valores e com posições no mercado acionário.

De acordo com o informativo mais recente há mais de 2,6 milhões de pessoas investindo diretamente na Bolsa, e o número vem crescendo na casa de 200 mil a 400 mil pessoas por mês.

Numero de investidores na bolsa, gráfico

Veja, no gráfico, o crescimento vertiginoso nos últimos anos:

Se esse fluxo se mantiver, há expectativa de que a Bolsa possa manter a tendência positiva ao longo dos próximos meses, já que, cada vez mais, o investidor brasileiro está adquirindo autonomia para andar por conta própria neste terreno.

Teremos uma vacina disponível em pouco tempo?

Vacina do COVID-19 levará quanto tempo, ilustração

Se você costuma acompanhar os movimentos do índice Ibovespa, comparando-o com as notícias diárias, talvez note que há uma correlação entre as informações positivas relacionadas ao desenvolvimento de vacinas contra o Covid-19 e o otimismo dos investidores.

Isso acontece, segundo Igor, porque o mercado já sabe que o planeta conviverá com o isolamento social enquanto a pandemia perdurar. A dúvida, aqui, é sobre quando a doença será superada pela imunização em massa, que só pode ser causada pelas vacinas. 

“O que o mercado está vendo: já está posto que nós vamos conviver com o Covid-19 ao longo de um tempo. Essas medidas, seja remédio ou vacina, o mercado tende a ver de forma muito positiva, porque podem encurtar esse tempo e levar a uma retomada mais forte da economia e dos lucros das empresas”, explica Igor.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), há pelo menos 141 candidatas a possíveis vacinas contra o Covid-19. Destas, 13 já se encontram em fase clínica: sendo testadas em seres humanos.

Entre as vacinas em estágio mais avançado e que estão sendo testadas no Brasil, é possível destacar a vacina de Butantan/Sinovac e a vacina de Oxford. Nesta semana, a empresa americana Moderna divulgou que a vacina que a empresa está desenvolvendo produziu anticorpos em todas as 45 pessoas testadas.

Ainda não se sabe, porém, quando estas vacinas estarão disponíveis e quando serão produzidas em escala global. Os mais otimistas falam ainda em 2020, mas é possível que a imunização em massa ocorra apenas em 2021.

As eleições americanas vão impactar a Bolsa?

Faltando menos de quatro meses para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, o mercado financeiro acompanha as pesquisas de intenção de voto e tenta prever como a reeleição de Trump ou a eleição do pré-candidato democrata, Joe Biden, podem impactar o preço dos ativos.

Uma pesquisa divulgada nesta semana pela emissora NBC News mostrou que Biden está 11 pontos percentuais à frente de Trump, mas reforçou a avaliação positiva dos americanos para a situação econômica do país: 54% dos eleitores aprovaram a política econômica de Trump

Para Igor, o cenário é incerto, e não há como prever como as eleições impactarão o Brasil. Ele lembra, contudo, que o presidente Jair Bolsonaro tem mantido relações mais próximas com Trump, o que pode causar algum tipo de impacto na hipótese da eleição de Biden.

“Biden publicou um plano econômico que ele visa para os EUA, se for eleito, e o plano de fato tem uma série de novas medidas fiscais e monetárias que tendem a gerar um aumento de liquidez ainda maior, que pode ajudar o Brasil. Porém, hoje nós temos uma relação comercial mais próxima pela proximidade entre Trump e Bolsonaro. No caso da troca desse comando, a nossa política que vem sendo implementada pode não ser bem vista. Isso pode fazer com que o governo venha a criar alguma barreira, e os EUA hoje são um dos principais parceiros brasileiros. Eles podem se aliar à visão da zona europeia, com alguns países questionando o tratado Euro-Mercosul”, explica Igor, mostrando cautela em analisar esse cenários hipotéticos.

O investidor estrangeiro vai voltar a investir?

O investidor estrangeiro voltará, ilustração

Outro fator apontado como determinante para empurrar a Bolsa aos 120 mil pontos é a retomada do investimento estrangeiro.

Desde janeiro, o fluxo de capital estrangeiro tem sido negativo na B3, e junho foi o primeiro mês em que o saldo do mês ficou positivo, em mais de R$ 343 milhões. O acumulado do ano, porém, ainda é negativo em R$ 64,3 bilhões.

Além de questões globais como o aumento da tolerância ao risco entre investidores internacionais, o que levaria a um investimento maior em ativos de riscos de países emergentes, como o Brasil, outro fator que Igor aponta como determinante para a retomada do investimento gringo é uma sinalização de controle fiscal mais forte por parte do Governo.

Reformas e privatizações vão sair do papel?

Na sexta-feira (17), a Bolsa fechou no valor máximo dos últimos quatro meses, a 102,8 mil pontos, uma alta de 2,32%.

O otimismo foi atribuído, em parte, à sinalização do ministro Paulo Guedes de que a reforma tributária será enviada ao Congresso na próxima semana. 

Recentemente, Guedes também manifestou o desejo do Governo Federal em privatizar quatro estatais no período de 90 dias.

Igor entende que as duas medidas atendem aos desejos dos investidores. “Privatização é uma sinalização do Governo para conseguir recursos para reduzir a dívida ou sustentar o nível de gastos. Significa que não vai precisar recorrer a financiamento externo ou interno, pode perdurar por mais tempo a taxa de juros nesse patamar. E a reforma tributária tende a reduzir o peso tributário sobre as empresas. As empresas têm mais capital para fazer novos investimentos, isso dá incentivos para as empresas produzirem mais, o que impacta a renda e o consumo”, resume o analista de renda variável da Warren.

Resta saber qual será a receptividade do Congresso Nacional ao pacote — ainda desconhecido — que será enviado pelo Governo. Atento, o mercado financeiro tenta antecipar os movimentos, e a retomada do diálogo entre Guedes e Rodrigo Maia, presidente da Câmara, também foi vista com bons olhos.

Longe de querer prever o futuro, a conclusão possível é de que, se a Bolsa realmente chegar a 120 mil pontos em 2020, esses elementos listados, de forma combinada ou isolada, devem impactar no humor dos investidores.

Se você também está interessado no futuro da Bolsa no curto prazo, recomendamos que esses temas abordados — entre tantos outros — não saiam do seu radar.

Investindo na Bolsa com a Warren

Quer investir na Bolsa pela Warren? A principal opção que a Warren oferece para quem deseja se expor à Bolsa de Valores brasileira é o fundo de investimento Warren Ações BR

A estratégia do fundo é investir em boas oportunidades entre as maiores empresas brasileiras, small caps e boas pagadoras de dividendos, com o objetivo de superar o índice Ibovespa.

A exemplo dos outros fundos de investimento da Warren, o fundo não cobra taxa de performance, nem taxa de administração.

Abaixo, separamos a lista com as ações de maior posição no fundo, de acordo com formulário divulgado em junho. Mas vale lembrar que esses valores podem mudar de acordo com a estratégia adotada pelos gestores: 

AtivoPeso no fundo
BBDC3 – BRADESCO10,96%
BBAS3 – BANCO DO BRASIL5,07%
CMIG4 – CEMIG4,57%
CSMG3 – COPASA4,28%
SAPR11 – SANEPAR3,98%
VVAR3 – VIAVAREJO3,97%
CPFE3 – CPFL ENERGIA3,88%
BRSR6 – BANRISUL3,74%
COGN3 – COGNA 3,51%
CIEL3 – CIELO3,46%
IRBR3 – IRB BRASIL3,25%

A lista completa, no entanto, possui mais de cem ações, o que significa que você estará posicionado de forma bastante diversificada para superar o Ibovespa.

Confira, abaixo, a rentabilidade do fundo compara ao Ibovespa, retirada do material de divulgação do fundo no mês de junho: 

Prefere comprar as ações e montar sua carteira por conta própria? Não tem problema! O Warren 3.0 vai permitir que você escolha suas ações no home broker

A plataforma está sendo liberada para os primeiros clientes que estavam na fila de espera, e deve ficar à disposição de todos os usuários nas próximas semanas.

E aí, você acha que a Bolsa atinge 120 mil pontos ainda em 2020? 

Seja qual for a sua opinião, você pode ter acesso aos fundos da Warren e ao nosso trabalho de gestão ativa com wealth management ao abrir uma conta agora mesmo. 

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Para concluir, deixamos um vídeos do Igor, respondendo à pergunta: com a Bolsa em alta, é momento de investir mais?

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