A Bolsa voltou aos 100 mil pontos: é hora de investir?

Depois de cair para 63 mil pontos, no mês de março, em meio ao pânico generalizado causado pela disseminação do novo Coronavírus, a Bolsa voltou aos 100 mil pontos na manhã desta quinta-feira, durante o pregão do dia 09 de julho.

Foi mais um beliscão do que qualquer outra coisa, porque ela acabou recuando ao longo do pregão, em linha com o humor dos investidores no exterior, e fechou o dia a 99.160 pontos.

De qualquer forma, essa barreira psicológica mexe com o imaginário dos investidores, e a aceleração dos últimos meses inspira muitos questionamentos.

Basta notar que, de março pra cá, o índice Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores, acumula uma valorização superior a 55%.

Mas você entende por que isso está acontecendo?

Em boa parte, é um movimento contra-intuitivo: a rentabilidade expressiva em pouco mais de três meses vai na contramão da propagação do Covid-19 no Brasil.

Em março, quando ainda não tínhamos nenhuma morte no país, a Bolsa já estava em queda livre, tendo passado por dois circuit breakers.

Agora, o Brasil vive o luto causado por mais de 67 mil mortes, mas o mercado financeiro está vivendo a segunda “festa dos 100 mil pontos”.

Há dois grandes motivos por trás dessa ascensão: a injeção de liquidez nos mercados e a Selic em 2,25% ao ano, seu menor patamar histórico, que provoca um fluxo de investidores saindo da renda fixa para a bolsa de valores.

Neste artigo, você vai entender em detalhes por que a Bolsa voltou aos 100 mil pontos, e vai descobrir a visão da Warren para o cenário de renda variável no Brasil.

Mais do que isso: vamos explicar o racional dos nossos gestores e analistas para os próximos meses.

Antes de continuar, um spoiler que já responde à pergunta do título: sim, é hora de investir na bolsa.

Vamos juntos?

O que significa a bolsa nos 100 mil pontos?

O que significa a bolsa nos 100 mil pontos, ilustração

Antes de avançar, é importante pontuar o que significa, de forma prática, a Bolsa nos 100 mil pontos.

O primeiro passo é compreender que o índice Ibovespa (Ibov) é o principal mecanismo utilizado pelo mercado financeiro para medir o desempenho da bolsa de valores no Brasil.

Formado pelas principais ações brasileiras, esse índice foi criado em 1968 e funciona como uma carteira teórica, composta por cerca de 60 ativos, que representam aproximadamente 80% do volume de negócios da bolsa.

Entre as empresas com maior representatividade no Ibovespa, estão gigantes como Petrobras, Vale e Ambev.

O Ibovespa mostra, portanto, um desempenho médio das empresas mais negociadas na Bolsa, motivo pelo qual serve como benchmark para diversos tipos de fundos de investimento, em especial os fundos de renda variável.

A exemplo de outros indicadores, como o S&P 500 e o Dow Jones, os principais do mercado de ações norte-americano, o Ibovespa recebeu uma pontuação de base 100 quando foi criado.

A partir daí, essa pontuação oscila de acordo com o desempenho das empresas no dia. Trata-se de uma carteira teórica com cerca de 60 ações representadas, de acordo com o seu valor de mercado. Quando a maior parte dessas ações se valoriza, o Ibov acompanha com a mesma variação percentual — e a mesma coisa acontece nas quedas.

Ao longo do tempo, a pontuação foi ajustada para atenuar os efeitos da hiperinflação. Mas o fato da Bolsa atingir 100 mil pontos, como ocorreu pela primeira vez em março de 2019, é um simbolismo para quem vive o mercado financeiro no dia a dia.

Muito mais do que um acontecimento com consequências diretas para a estratégia dos investidores, alcançar esse número simboliza o bom humor dos agentes financeiros e o otimismo com o cenário da renda variável no Brasil.

Para você ter uma ideia, em 2016, no auge da recessão econômica, o Ibovespa bateu em 38 mil pontos. O crescimento até os 100 mil pontos, portanto, foi motivo de comemoração, porque foi um marco histórico da retomada desse mercado no país. 

banner blog 1

Por que a Bolsa voltou aos 100 mil pontos?

Por que a bolsa voltou aos 100 mil pontos, ilustração

Agora que você já sabe o que significa — ou simboliza — a bolsa em 100 mil pontos, pode ter uma ideia de como esse número mexe com o imaginário dos traders, investidores, gestores e agentes financeiros.

Agora, para entender como a bolsa voltou de forma tão rápida aos 100 mil pontos, em pleno cenário de pandemia, depois de cair para 63 mil pontos e passar por seis circuit breakers no intervalo de oito pregões, é preciso retroceder alguns passos.

Na avaliação de Igor Cavaca, analista de renda variável da Warren, há dois grandes motivos, relacionados entre si, que ajudam a explicar essa retomada: a redução drástica da queda de juros e o fluxo de pessoas saindo da renda fixa rumo à renda variável.

Vamos aos detalhes?

Injeção de dinheiro para enfrentar a pandemia

Igor começa lembrando que, para garantir liquidez financeira às empresas em meio às restrições e ao isolamento social imposto para conter a propagação do vírus, as autoridades monetárias intervieram com injeção de dinheiro, facilitando o acesso a crédito.

“Com a pandemia do Coronavírus, ocorreram diversas medidas políticas tanto do Governo, como das autoridades monetárias, que fizeram com que a liquidez no mercado global fosse muito grande. E aí a gente teve uma redução drástica da taxa de juros em todos os países. Quando tem essa redução, a gente vê uma saída do fluxo de capital dos ativos de renda fixa, para renda variável”, explica o analista. 

“Uma parte da recuperação que a gente está vendo vem de fato dessa mudança do fluxo de ativos. Antes, a renda fixa pagava uma taxa de juros média, mas, com a redução expressiva da taxa, eu não consigo aferir aquele retorno, dado aquele nível de risco. Se eu sou um investidor que precisa de um retorno acima do que está sendo ofertado, eu vou mudar minha estratégia de investimentos”, pontua.

Esse movimento vale tanto para os Estados Unidos, onde o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), cortou a taxa de juros para 0,25% em março, e já aprovou a injeção de 2,9 trilhões de dólares no segundo semestre de 2020, como para o Brasil, onde o Banco Central reduziu a Selic para 2,25%, em junho, no seu menor patamar histórico. Durante o período de maior estresse do mercado, em março, o Copom também convocou reuniões extraordinárias para rever a política monetária. 

Veja, no gráfico, como a Selic atingiu sua mínima histórica:

taxa selic ao ano, gráfico

Fluxo de pessoas físicas investindo na bolsa

Uma das consequências da redução da taxa de juros, fenômeno que o brasileiro vem observando desde 2016, quando a Selic alcançou 14,25%, é o aumento do apetite dos investidores pelo risco.

Além da oscilação do índice Ibovespa, outro indicador que mostra essa mudança de comportamento do brasileiro é o número de pessoas que investem diretamente na bolsa de Valores.

Todos os meses, a B3, empresa responsável pela bolsa de valores, divulga o número de pessoas físicas com dinheiro aplicado em ações. Entre 2007 e 2017, esse número oscilou entre 400 mil e 600 mil CPFs, sem grandes alterações.

A partir de 2018, no entanto, o que se percebeu foi uma explosão. Atualmente, já há 2,6 milhões de pessoas investindo na bolsa, em números referentes a junho de 2020. Perceba esse crescimento no gráfico abaixo:

numero de investidores na bolsa, gráfico

Isso, por si só, já pressiona o preço dos ativos e permite o viés otimista para a bolsa, na avaliação do analista. 

Mas, antes de falar sobre o futuro, vale a pena compreender por que o mercado se antecipa a esses movimentos e parece desconectado da realidade vivenciada na economia real. 

LEIA MAIS: Investimento em renda variável: o que é e como funciona

O mercado de ações precifica o futuro

Como as ações representam uma pequena parcela das empresas, e as empresas são precificadas pelo mercado de acordo com a sua capacidade de gerar caixa no futuro, é natural que o mercado se antecipe aos movimentos da economia.

Isso explica por que a bolsa desabou quando o Coronavírus ainda estava começando a se propagar pelo Brasil, e também por que a bolsa bateu 100 mil pontos neste que é considerado um dos piores momentos da pandemia.

O foco dos agentes financeiros está em antecipar os movimentos futuros e as tendências que a economia apresenta, como explica Igor: “O mercado se move mais em cima das expectativas, do que da ocorrência dos eventos. O que a gente vê é que tivemos uma queda muito grande no período de março, diante da expectativa de que o mercado iria sofrer bastante pelo Coronavírus. E de fato vai sofrer”.

A partir dessa precificação, porém, os investidores ajustam suas expectativas conforme novas informações são inseridas ao cenário, como as previsões para o PIB, a taxa de desemprego, a confiança dos empresários e dos consumidores, os níveis de atividade da indústria e do varejo, entre tantos outros dados. 

“As expectativas em relação à retomada estão muito otimistas. A gente sabe que vai ter uma pressão muito forte nas receitas e nos balanços das empresas, mas, dado que eu já sei isso e já estou esperando, o mercado está esperando o futuro. O que vai acontecer a partir disso?”, reflete Igor, salientando que o mercado está especialmente otimista com empresas que estão passando por um processo de transformação digital, o que fica claro na valorização das empresas que têm foco no e-commerce e estão se tornando ainda mais eficientes durante a pandemia, como Lojas Americanas, Via Varejo e Magazine Luiza.

Gosta do mercado financeiro? Assine a Warren Pills e receba uma newsletter inovadora com conteúdo leve e informativo todas as semanas.

Sim, é hora de investir na bolsa aos 100 mil pontos

É hora de investir na bolsa aos 100 mil pontos, ilustração

É hora de investir na bolsa, mesmo nos 100 mil pontos? Para Tito Gusmão, CEO da Warren, sempre é. “Se você investe parte do dinheiro para o curto prazo, é 100% renda fixa. Mas, mesmo se você for conservador, se tiver objetivos de longo prazo, todo brasileiro tem que aprender a entrar no mundo da renda variável. É a pimenta no portfólio para ter mais performance”, comparou Tito em uma live realizada nesta semana para comentar o desempenho dos mercados em junho.

Ao lado do nosso CIO, Thomaz Fortes, Tito analisou o panorama do mercado de ações em 2020, e também projetou os próximos meses, reforçando o otimismo no longo prazo.

Respondendo ao questionamento de um espectador, Tito refletiu sobre o movimento agressivo do mercado em março, e discordou da tese de que há euforia na retomada. 

“O mercado naquele momento estava precificando as informações de curtíssimo prazo. E, sim, existe ali um movimento de fluxo, que é um movimento natural de pânico, que aconteceu desta vez e sempre vai acontecer. Nesses momentos de tensão, cegueira, pânico, o mercado não vê nada. E realmente entra uma onda de turbilhão de fluxo de venda, eventualmente áreas de risco têm que vender, as pessoas se apavoram e os gringos saem”, recordou Tito.

Analisando a retomada do mercado, Tito não enxerga euforia, embora reconheça que o movimento de recuperação tenha sido rápido. Entre os motivos para não considerar euforia, Tito citou a queda do Ibovespa no ano, que era de mais de 15% no dia da Live, e também o fato de muitas empresas estarem sub precificadas, com destaque para os bancos.  

Tito repete o mesmo argumento sempre que alguém questiona se é hora de investir na bolsa de valores. “Se você tem pensamento de longo prazo, quer ficar rico no longo prazo, em dez, quinze anos… sim, segue sendo um momento de investir em ações. De novo: com esse pensamento de longo prazo. Invistam com pensamento de ficar ricos no longo prazo”, orienta.

LEIA MAIS: Fundo de renda variável: como e por que investir

O que esperar da bolsa de valores para os próximos meses?

O que esperar da bolsa para os próximos meses, ilustração

Para os próximos meses e anos, os gestores da Warren estão otimistas com o movimento transformacional que está ocorrendo no país, com a taxa de juros se estabilizando nesses patamares.

Tito destaca o “fluxo comprador de bolsa”, caracterizado pelos novos CPFs que a B3 divulga todos os meses, mas vai além. 

“Quando tivermos mais estabilidade na política, o que esperamos que aconteça em algum momento, tomara que em breve, e principalmente se a gente tiver uma sinalização boa sobre reforma tributária, vamos ter um fluxo de entrada de gringos também. Eles saíram fortemente do brasil, mas quando tivermos águas mais calmas, certamente eles vão voltar, porque o que não falta no Brasil é oportunidade”, analisa Tito.

O CIO da Warren, Thomaz Fortes, responsável pela gestão dos fundos de investimento, concorda: “O que a gente tá vendo é que as pessoas que estão entrando na bolsa já estão diversificando a carteira. Antigamente, a pessoa física tinha uma ação, duas ações na carteira, e hoje já tem bem mais. Mostra um investidor que está amadurecendo bastante. Além disso, o volume financeiro muda. Pessoal vai entrando com volumes pequenos, está democratizando mesmo a renda variável no brasil, o que a gente considera muito bom.”

Ele continua, afirmando que o Brasil deve viver, ao longo das próximas décadas, um movimento semelhante ao que ocorreu em mercados desenvolvidos. “Estamos começando a entrar num caminho, que é o dos Estados Unidos, onde a maioria da população investe em ações. Eu tenho uma visão extremamente otimista, que eu acho realista, para renda variável no Brasil, porque o Brasil vai seguir os passos dos mercados mais maduros. Nos próximos 30 ou 40 anos, estar posicionado em renda variável, até para uma previdência, é excepcional”, avalia Thomaz.

Em um cenário de curto prazo, os gestores analisam com especial atenção os índices de confiança do consumidor, o saldo de empregos com carteira assinada e o fluxo de capital estrangeiro.

LEIA MAIS: Os três pilares básicos para investir em renda variável

Diversifique seus investimentos com a Warren

Antes de sair vendendo o carro para comprar ações porque a bolsa voltou aos 100 mil pontos, é importante lembrar que você precisa, em primeiro lugar, criar a sua reserva de emergência, que equivale a um valor entre seis e doze meses do seu custo de vida mensal.

Depois, é necessário conhecer o seu perfil de investidor, para entender o seu nível de tolerância ao risco. Além disso, é preciso definir os seus objetivos para o dinheiro e o prazo das aplicações.

As ações, por terem muita volatilidade, não são recomendadas para investimentos de curto prazo, mas tendem a oferecer ótimos retornos no longo prazo. É por isso que Tito sempre ressalta a importância da mentalidade de longo prazo. 

Se você está interessado em investir na bolsa de valores e deseja contar com a ajuda de profissionais, a Warren é o lugar certo.

Abrindo uma conta com a Warren, você tem acesso a uma análise do seu perfil e a sugestões de investimentos com base nos seus objetivos. A Warren oferece uma plataforma com uma solução de diversificação completa, em que seu patrimônio fica distribuído entre renda fixa e renda variável.

São quatro fundos de ações, sem taxa de administração ou taxa de performance, o que torna o investimento, em média, três vezes mais barato do que em outras corretoras:

  • Warren Ações BR: investe em ações brasileiras, em uma estratégia que foca nas grandes, nas pequenas e nas boas pagadoras de dividendos;
  • Warren Ações USA: investe na carteira teórica do S&P 500, um dos principais índices do mercado norte-americano;
  • Warren Green: investe apenas em empresas com boas práticas sociais, ambientais e de governança;
  • Warren Equals: investe apenas em empresas destacadas por suas políticas de equidade de gênero.

Ao abrir uma conta, a Warren sugere a alocação ideal dentro de cada um desses fundos, de acordo com os seus objetivos e o seu perfil de risco. Além disso, o rebalanceamento a cada aporte fica por nossa conta.

Confira, no vídeo abaixo, as diferenças entre investir diretamente na Bolsa ou comprar ações:

Em breve, também será possível comprar ações diretamente pela Warren, quando o Warren 3.0 estiver acessível a todos. Por enquanto, a plataforma está sendo liberada para os primeiros clientes na fila de espera.

E aí, pronto para começar? Agora que você já sabe por que a bolsa voltou aos 100 mil pontos, está preparado para colocar os dois pés no mundos dos investimentos. Abra sua conta na Warren e descubra o jeito eficiente de investir.