Como as bolsas americanas têm lidado com a volatilidade dos mercados em meio à pandemia?

Afinal, como as bolsas americanas têm lidado com a volatilidade em meio à pandemia?

Este foi o assunto da nossa Live com o Alex Ibrahim, chefe da área de Mercados de Capitais Internacional da NYSE, a bolsa de Nova York, que ocorreu na primeira quinzena de agosto.

Embora o índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas listadas no mercado acionário norte-americano, tenha retornado às máximas históricas do meses pré-pandemia, não faltou volatilidade para as bolsas americanas nesse período.

É bem verdade que o mercado norte-americano não passou por tantos circuit breakers como a Bolsa de Valores brasileira, mas isso ocorre, também, por conta da diferença no valor de mercado e no volume negociado.

O mercado financeiro norte-americano é o mais desenvolvido do mundo. As empresas listadas por lá representam quase metade do valor de mercado de todas as empresas em nível global — enquanto, no Brasil, esse número não chega a 2%.

Nesse cenário de números tão significativos, qualquer oscilação dos preços pode provocar calafrios, concorda? Mas como foi lidar com a volatilidade lá dentro, nos bastidores?

A partir de agora, vamos contar a você os pontos altos desse bate-papo.

Por dentro da NYSE, a Bolsa de Valores de Nova York

Fundada em 1792, a New York Stock Exchange, também chamada por NYSE, tem um diferencial “humano”. 

Alex explicou que não ser completamente digital e ainda contar com pessoas no trader floor é o que agrega mais valor à bolsa. As transações são mais eficientes, a volatilidade nas negociações é mais sutil e a compra e venda, mais apertada. 

E isso o negociador de mercado de cada empresa pode proporcionar ao trabalhar diretamente com as negociações. 

“Você quer que um IPO tenha pouca volatilidade para que a compra seja mais segura. O investidor quer entrar a sair com mínima variação de valor. E o CFO da empresa quer um produto que atraia mais investidores. Isso só se consegue na negociação ao vivo”, comentou Alex.

Até que, em março de 2020, chega a pandemia e foram quase dois meses sem atividades no andar mais barulhento de Nova York. Diferente do que todos pensavam, o mercado começou a se recuperar rápido e as atividades da Bolsa não pararam nenhum dia.

E agora, em agosto, a NYSE lançou o maior IPO do mercado americano em 2020: mais de US$ 2 bilhões.

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Falando em bilhões, o primeiro semestre deste ano teve mais movimentação que o mesmo período de 2019.

Foram US$ 76 bilhões em ofertas, tanto IPOs como em Follow-ones. Nessa quantia, 26% são em novas empresas vendendo ações. Ou seja, a flexibilização do público que começa a procurar carteiras mais variáveis e com melhor retorno agita (e muito) o mercado global.

E isso inclui o Brasil. A NYSE tem 31 empresas brasileiras com capital aberto e, consequentemente, mais oportunidades para investidores mundiais que procuram o setor de tecnologia e varejo. 

Mas o segredo, diz Alex, é olhar para o futuro através das SPACs. A “special-purpose acquisition company”, é um tipo de investimento em setor e não em produto. Investidores captam fundos para depois realizar uma ou mais compras de títulos, porém no montante. 

“Esse ano as SPACs começavam em 200 milhões de dólares e já subiram para 300. Este é um produto bem interessante”, destacou.

Novidades são ótimas para o mercado, mas incertezas não. Alex relembra que as eleições americanas para presidente, em novembro, tendem a deixar a Bolsa mais lenta e, quem sabe, trazer ainda mais volatilidade. Porém, “logo voltamos com tudo”. 

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Investir é um grande aprendizado e nunca é tarde para buscar entender as entrelinhas.

Hoje, são 3 milhões de brasileiros investindo na bolsa, cerca de 200 mil CPFs por mês e, com esse fluxo intenso e em grande crescimento de novas pessoas se informando sobre renda variável, o mercado brasileiro tem um futuro animador. 

“Olhando o mercado brasileiro daqui, vemos um volume negociável na Bolsa do Brasil crescendo bastante. E isso é muito importante para que empresas brasileiras possam fazer captação”, disse Ibrahim. Para ele, esse é o momento em que o país está em terceiro lugar como mercado a ser observado e investido.  

Ainda assim, 90% dos brasileiros mantêm seu dinheiro em bancos e apenas 10% em corretoras. O movimento é completamente inverso com os norte-americanos e a maior dica para quem está começando a investir em ações, segundo Ibrahim, é fazer o tema de casa.

“Conheça a empresa que você quer investir, fique colado a sua estratégia, entenda seus movimentos. Só assim você vai entender se vale a pena comprar ou vender uma ação referente a ela.”

Quer assistir a live completa? Veja aqui no link abaixo:

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