Circuit Breaker na Bolsa: o que é e como funciona


Circuit breaker na bolsa de valores é um mecanismo utilizado para interromper as negociações quando o mercado passa por uma queda acentuada.

Acionado nos dias em que o pânico toma conta dos investidores, o circuit breaker tem o objetivo de reduzir a volatilidade dos preços e acalmar os ânimos de todos os agentes envolvidos.

Você certamente lembra: em março de 2020, o circuit breaker ganhou os holofotes quando a bolsa desabou devido à crise provocada pelo novo Coronavírus e às restrições de circulação para conter a pandemia.

Foram seis circuit breakers em apenas oito pregões – algo inédito na história da bolsa de valores.

Mas você sabe como essa paralisação funciona na prática, e por que ela protege os investimentos de quem tem ações na bolsa?

É o que você vai descobrir neste artigo. A partir de agora, você vai entender tudo sobre esse mecanismo, passando pelos seguintes tópicos:

  • O que é circuit breaker na bolsa de valores
  • Por que o circuit breaker é acionado
  • Como funciona o circuit breaker na bolsa
  • Circuit breaker na bolsa em 2020
  • Circuit breaker na história
  • Circuit breaker nos Estados Unidos

Vamos juntos?

O que é circuit breaker na bolsa de valores

O que é circuit breaker na bolsa de valores, ilustração

O circuit breaker é um mecanismo da bolsa de valores que interrompe todas as negociações de compra e venda de ações quando o mercado passa por uma queda acentuada.

O primeiro circuit breaker é acionado quando o índice Ibovespa, o principal índice de bolsa de valores brasileira, a B3, tem uma queda de 10% em relação ao fechamento do pregão anterior.

Quando o mecanismo é acionado, ninguém pode comprar ou vender ativos. O mercado fica congelado, forçando os investidores, gestores e agentes financeiros a interromperem suas ordens.

Por que o circuit breaker é acionado

Por que o circuit breaker é acionado, ilustração

Falando de forma simplificada, o circuit breaker é acionado para reduzir a volatilidade da bolsa de valores, já que uma queda acentuada no valor de mercado das empresas que compõem o índice mostra irracionalidade dos agentes financeiros.

Em geral, quedas acentuadas ocorrem em momento de pânico e descontrole, quando a incerteza toma conta e há um movimento generalizado do mercado para vender seus ativos.

Assim, ao interromper as negociações, a bolsa de valores dá tempo para que os agentes possam refletir sobre suas ações e sobre os efeitos de todos acontecimentos, em uma tentativa de trazer racionalidade de volta ao mercado.

Uma analogia possível ocorre com os esportes coletivos: no basquete, no vôlei e no futebol americano, por exemplo, os treinadores podem interromper a partida pedindo um tempo técnico.

Não é raro que esses tempos sejam acionados quando a equipe está sendo envolvida pelo adversário, como uma medida para paralisar o jogo e revisar as estratégias.

Você lembra daquela fatídica tarde no Mineirão, quando o Brasil perdeu por 7 a 1 para a Alemanha, na Copa do Mundo? Talvez o “apagão” sofrido pela Seleção não fosse tão prejudicial se o técnico Luiz Felipe Scolari pudesse interromper a partida ao tomar o terceiro gol, por exemplo.

O circuit breaker tem exatamente o mesmo propósito: paralisar as negociações para minimizar as perdas e eliminar a disfuncionalidade do mercado.

Imagine, por exemplo, o que poderia acontecer se o circuit breaker não fosse acionado. Em meio ao caos de acontecimentos cujo impacto é difícil de mensurar, o pânico generalizado poderia levar a uma queda muito expressiva das ações, já que haveria um enorme volume de vendedores e pouca gente comprando. 

Como resultado, empresas perderiam um percentual muito relevante de valor de mercado em questão de horas, e os investidores veriam seus investimentos ruírem em um mercado disfuncional, sem que houvesse, de fato, motivo para isso. Por isso, o circuit breaker pode ser interpretado como um mecanismo de proteção para os investidores. 

Mas você sabe como esse mecanismo funciona na prática? São três estágios de acionamento automático, como veremos a seguir.

Como funciona o circuit breaker na bolsa

Como funciona o circuit breaker na bolsa, ilustração

O circuit breaker na bolsa de valores brasileira é acionado em três estágios. A seguir, vamos abordar cada um desses gatilhos:

Queda de 10% do Ibovespa

O primeiro circuit breaker é acionado quando o índice Ibovespa cai 10% em relação ao valor de fechamento no pregão anterior. Neste momento, todas as negociações de compra e venda na B3 são paralisadas por 30 minutos.

Queda de 15% do Ibovespa

Depois da pausa de 30 minutos, a bolsa reabre para negociações, com a expectativa de que os ânimos estejam mais calmos e o pânico tenha passado. Mas o primeiro circuit breaker não impede que o Ibovespa siga caindo na reabertura do mercado. 

Se isso ocorrer e o índice bater 15% de queda, o mecanismo é acionado pela segunda vez. Neste caso, ninguém pode comprar ou vender ações pelo período de uma hora. 

Queda de 20% do Ibovespa:

O terceiro e último circuit breaker é acionado em casos extremos, quando o índice Ibovespa cai 20% em relação ao fechamento anterior. Se o índice fechou o dia anterior aos 100 mil pontos, por exemplo, ele teria que chegar a 80 mil pontos para que o mecanismo seja acionado pela terceira vez. 

Neste caso, as negociações ficam paralisadas por tempo indeterminado, e cabe à B3 decidir quando o mercado reabrirá. Isso pode significar que a bolsa ficará fechada até a abertura no pregão do dia seguinte

Resumindo, portanto, temos: 

  • Primeiro circuit breaker: queda de 10% do Ibovespa: pausa por 30 minutos
  • Segundo circuit breaker: queda de 15% do Ibovespa: pausa por 1 hora
  • Terceiro circuit breaker: queda de 20% do Ibovespa: pausa por tempo indeterminado (usualmente, até o dia seguinte)

Circuit breaker na bolsa em 2020

Circuit breaker na bolsa em 2020, ilustração

O ano de 2020 ainda não chegou à metade, mas já é possível prever que ele ficará marcado na história como o ano em que o Coronavírus paralisou o mundo.

Já são mais de 8 milhões de casos confirmados em todo planeta, com 440 mil mortes – em números de 18 de junho de 2020. No Brasil, o Covid-19, doença causada pelo vírus, já deixou mais de 45 mil mortos.

Sem tratamento, sem cura e sem vacina, mas com alto nível de contágio e mortalidade dez vezes superior à gripe comum. A única alternativa para frear a disseminação e garantir atendimento a todos é por meio do isolamento social – as famosas quarentenas. Com essas restrições de circulação e a incerteza sobre o futuro, o impacto sobre as ações negociadas na bolsa de valores foi enorme.

E nem poderia ser diferente, com muitas empresas fechadas por tempo indeterminado, desemprego crescente e uma pandemia de consequências imprevisíveis. O resultado foi a queda de generalizada na bolsa de valores: apenas no mês de março, o índice Ibovespa despencou 30%, a maior queda mensal em 22 anos. 

Como a queda ocorreu de forma expressiva em alguns poucos pregões, o circuit breaker foi acionado diversas vezes. Seis, no total. Relembre os dias na tabela abaixo: 

DataCircuit breakerFechamento do Ibovespa
09/03/20201º circuit breaker-12,17%
11/03/20202º circuit breaker-7,64%
12/03/20203º circuit breaker-13,91%
12/03/20204º circuit breaker-13,91%
16/03/20205º circuit breaker-13,92%
18/03/20206º circuit breaker-10,35%


Note que, no dia 12/03/2020, o mecanismo foi acionado duas vezes. Na primeira, com a queda de 10% e, na segunda, com a queda de 15%. Mas o índice se valorizou e fechou o dia a -13,91%.

Circuit breaker na história

Antes da pandemia do Coronavírus, o circuit breaker foi acionado em 18 ocasiões na bolsa brasileira. 

A mais recente foi em 17 de maio de 2017, quando a bolsa despencou devido ao contexto político conturbado no Brasil. No dia anterior, foi divulgada a gravação do então presidente Michel Temer por Joesley Batista, um dos executivos da JBS na época. 

Havia risco de que Temer deixasse o cargo ou sofresse impeachment, e a incerteza derrubou a bolsa de valores. O político do MDB vinha implementando uma agenda de reformas estruturais com o apoio do Congresso Nacional, que animaram o mercado depois da recessão vivida em 2015 e 2016. 

Nesse contexto, a delação de Joesley caiu como um meteoro sobre as expectativas dos investidores. Entre os agentes financeiros, o dia ficou conhecido como Joesley Day.

Na maior parte das vezes em que o mecanismo foi acionado, no entanto, os motivos foram externos. Como em 2008, na crise do subprime, também chamada de bolha imobiliária americana, quando o mecanismo também foi acionado por seis vezes. 

Em 1997 e 1998, o circuit breaker foi acionado pelo cenário conturbado em nível global, devido à crise asiática e à crise russa. Foram três vezes em 1997 e cinco vezes em 1998. 

Já em 1999 a paralisação ocorreu por razões locais, devido à transição entre regimes cambiais. Em 13 e 14 de janeiro de 1999, a interrupção ocorreu em um cenário de desvalorização do real e crescimento da dívida brasileira, quando o Banco Central passou a adotar o regime de câmbio flutuante.

Em resumo, portanto, temos seis grandes eventos que provocaram os 24 circuit breakers da história da bolsa de valores brasileira:

  • 1997: crise asiática
  • 1998: crise russa
  • 1999: câmbio flutuante
  • 2008: crise do subprime nos EUA
  • 2017: Joesley Day (divulgação de áudio do então presidente Michel Temer)
  • 2020: coronavírus e queda no preço do Petróleo

Como se vê, o mercado de ações é repleto de volatilidade, o que exige estômago forte e conhecimento para operar por conta própria. Também é por isso que muitos investidores preferem deixar a gestão do dinheiro na renda variável na mão de gestores especialistas no assunto. 

De acordo com dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em maio de 2020, há mais de 6 milhões de brasileiros com contas em fundos de investimento em ações. Essa é uma das maneiras mais simples e práticas de se expor ao mercado de ações.

Aqui na Warren, você encontra quatro opções de fundos de ações sem nenhuma taxa específica. É isso mesmo: você não paga taxa de administração ou taxa de performance — algo extremamente raro nesse segmento, que costuma cobrar pelo menos 2% de taxa de administração e 20% de performance. A única cobrança é a taxa de gestão do patrimônio, cobrada pela Warren para fazer a gestão do seu patrimônio e a alocação do portfólio. Essa taxa varia de 0,5% a 0,7%, dependendo do valor do seu patrimônio investido. Confira os fundos e suas estratégias:

  • Warren Equals: investe apenas em empresas destacadas por suas políticas de equidade de gênero. O referencial para seleção de ações internacionais nesse fundo é o Bloomberg Gender-Equality Index. Saiba mais.
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  • Warren Green: inclui ações de empresas com boas práticas sociais, ambientais e de governança.

Além desses quatro fundos geridos pela Warren, temos à disposição, na nossa plataforma, mais de 300 produtos das principais gestoras do país, com a diferença de que não recebemos comissão por indicar qualquer um desses produtos. 

Os valores que viriam para a Warren, neste caso, voltam para a sua conta. É por isso que a Warren garante o que nenhuma outra corretora consegue: alinhamento total com o investidor. 

Legal, né? Antes de concluir, vale a pena entender como o circuit breaker funciona lá nos Estados Unidos.

Circuit breaker nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, as duas bolsas de valores, NYSE e Nasdaq, também contam com circuit breakers. 

Por lá, o mecanismo ficou mais de 20 anos sem ser acionado, desde outubro de 1987, quando foi criado. Na ocasião, o índice Dow Jones caiu 23% em um único pregão.

Coube ao Coronavírus, com um empurrão da disputa pelo preço do petróleo, provocar o primeiro circuit breaker do século por lá, no dia 9 de março.

Nos Estados Unidos, porém, o mecanismo tem gatilhos um pouco diferentes:

  • Primeiro circuit breaker: queda de 7% no índice S&P 500
  • Segundo circuit breaker: queda de 13% no índice S&P 500
  • Terceiro circuit breaker: queda de 20% no índice S&P 500

Não há tempo de pausa nas negociações pré-definido, mas ele não pode ser inferior a 15 minutos. Quando o terceiro circuit breaker é acionado, as negociações só retornam no pregão do dia seguinte. 

Com a crise provocada pelo Coronavírus, o circuit breaker foi acionado 4 vezes em oito pregões nas bolsas americanas – duas vezes a menos que no Brasil. Mas não custa lembrar que, por lá, o mecanismo é acionado antes, na queda de 7%, já que as bolsas americanas negociam a volumes diários muito mais elevados do que a bolsa brasileira.

Circuit breaker na bolsa: um resumo

Resumo sobre o circuit breaker, ilustração

E aí, gostou do texto? Neste artigo, você descobriu como funciona o circuit breaker na bolsa de valores.

Na prática, o investidor fica de mãos atadas, sem poder agir durante a paralisação. Mas, dependendo do seu perfil de investidor, esse momento pode ser encarado até como uma oportunidade. 

Para quem investe com foco no longo prazo, com a mentalidade de se tornar sócio das empresas, a queda generalizada de preços permite comprar ações das mesmas empresas por um preço menor.

Mas é claro que você só deve fazer isso se possuir uma estratégia consolidada e conhecer bem os fundamentos das empresas que está investindo. A especulação pura e simples pode ser desastrosa se você não souber o que está fazendo.

A seguir, listamos um resumo do que você aprendeu, com os principais tópicos abordados:

  • Circuit breaker é um mecanismo que paralisa as negociações da bolsa quando o mercado cai de forma acentuada
  • Ele é acionado em três gatilhos: 10% (30 minutos de pausa), 15% (1 hora de pausa) e 20% (geralmente pausa até o dia seguinte)
  • O circuit breaker tem o objetivo de reduzir a volatilidade do mercado, acalmar os ânimos e proteger o investidor
  • Apenas em 2020, o circuit breaker foi acionado 6 vezes em 8 pregões
  • Em toda a história, ele foi acionado 24 vezes 
  • Nos Estados Unidos, os circuit breakers ocorrem quando o mercado cai 7%, 13% e 20%,

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