A conta de luz vai ficar mais cara: o que vem por aí e como se preparar

Setembro começa com uma notícia pouco agradável para os brasileiros: a sua conta de luz vai ficar ainda mais cara

Enquanto o país enfrenta a maior crise hídrica em quase cem anos, o custo da energia elétrica aos consumidores vem subindo acima da inflação nos últimos meses.

Na terça-feira, 31, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) criou a “bandeira tarifária escassez hídrica“, que adiciona R$ 14,20 às faturas para cada 100 kW/h consumidos.

Na prática, a sua conta de luz deve subir quase 7% a partir deste mês de setembro.

A novidade indigesta deve se estender até o fim de abril de 2022, e é mais um elemento que pressiona o orçamento familiar.

Você já deve ter notado os efeitos da inflação nos alimentos e nos combustíveis, principalmente. Agora, é a conta de energia elétrica que vai sofrer os maiores impactos. 

Mas como se planejar para esses próximos meses?

Por mais que a conta fique mais cara, você ainda tem algumas alternativas para atenuar o impacto para o seu bolso.

Neste artigo, vamos contextualizar o aumento da energia elétrica e explicar o que está ao seu alcance para absorver a nova bandeira tarifária.

Apague as luzes e boa leitura!

Por que a energia elétrica vai ficar mais cara?

Por que a energia elétrica vai ficar mais cara, ilustração

O Brasil está passando pela maior crise hídrica desde 1930. Com a falta de chuvas nos últimos anos — e em especial nos últimos meses —, o nível dos reservatórios baixou.

Segundo o Operador Nacional do Sistema, os reservatórios das hidrelétricas do Centro-Oeste e Sudeste estão no menor patamar para o mês de agosto dos últimos 20 anos.

Esses reservatórios representam cerca de 70% da energia elétrica gerada no país, e estão com apenas 21,57% da capacidade.

O motivo é a falta de chuvas que o Brasil enfrentou nos últimos meses — e nos últimos anos.

Para quem estuda o assunto, há três motivos que explicam a diminuição das chuvas nos anos recentes:

  • Aquecimento global
  • Desmatamento da Amazônia
  • La Niña

Não é do nosso interesse, aqui, nos aprofundarmos nos motivos que levaram à crise hídrica, já que o foco do artigo é mostrar aquilo que está ao seu alcance.

Mesmo assim, vale contextualizar um pouco a geração de energia elétrica no Brasil.

Como você provavelmente sabe, a maior parte da energia elétrica gerada no país é de fonte hídrica

Durante a temporada de chuvas, as reservas enchem e acumulam água, que é utilizada para gerar energia nos meses de menos chuvas.

Quando os reservatórios estão em níveis muito baixos, como ocorre agora, é preciso acionar outras fontes de geração de energia, como as usinas termelétricas.

Nas termelétricas, o custo de produção é mais caro, e esse custo acaba sendo repassado aos consumidores.

A principal maneira encontrada para fazer isso é por meio das bandeiras tarifárias, como veremos a seguir.

Entenda como funcionam as bandeiras tarifárias

Quando as usinas termelétricas são ligadas, as bandeiras tarifárias são adicionadas à conta de luz.

Esse sistema foi criado em 2015, justamente para custear as despesas da energia elétrica gerada pelas termelétricas, adicionando uma taxa extra à conta de luz dos consumidores. 

As bandeiras tarifárias seguem uma escala: quanto mais cara for a geração de energia, maior será o valor da bandeira.

Funciona assim:

Cor da bandeiraTaxa adicionada a cada 100 kWh 
Bandeira verdeSem taxa
Bandeira amarelaR$ 1,343
Bandeira vermelha patamar 1R$ 4,169
Bandeira vermelha patamar 2R$ 9,49
Bandeira de escassez hídricaR$ 14,20
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Qual vai ser o impacto para o seu bolso?

Qual vai ser o impacto do aumento da energia para o seu bolso, ilustração

A bandeira de emergência hídrica não existia e foi criada porque a situação é emergencial, com os reservatórios em níveis críticos.

A diferença para a bandeira vermelha patamar dois é 49,6%, mas, segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento na tarifa média será de 6,78%.

Para entender esse impacto na prática, fizemos algumas simulações que você confere abaixo:

ConsumoValor em agostoValor em setembro
135 kWhR$ 128,65R$ 133,36
150 kWhR$ 141,89R$ 146,60
200 kWhR$ 195,51R$ 204,93

Embora o número não pareça tão alto olhando isoladamente, esse aumento pode ser bastante significativo para quem tem um alto consumo de energia, principalmente quando analisamos sob perspectiva de médio prazo, dentro dos oito meses que a bandeira ficará vigente.

Além disso, esse aumento de quase 7% gera um efeito cascata na economia, o que acaba tornando quase tudo mais caro.

Para piorar, ele chega em um momento em que as famílias já estão com orçamentos apertados, por conta do aumento do custo de vida provocado pela inflação.

De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), ­­­­­­­­o reajuste acumulado da conta de luz foi cerca de 20%. 

Esse valor é mais de duas vezes superior à inflação do período, calculada em 7%. 

Entre os economistas e estudiosos do assunto, o preço da energia, assim como dos combustíveis, é considerado um formador de preço.

Ou seja: como ninguém vai deixar de produzir ou prestar serviços, todos consideram o gasto com energia nos custos e tendem a incorporá-lo ao preço final.

Na prática, isso significa que você vai pagar o aumento do preço da energia mais de uma vez. Vai pagar quando receber a conta de luz, sim, mas também quando for consumir, porque a tendência é de repasse generalizado.

A previsão dos economistas ouvidos pelo Boletim Focus é de que a inflação fique em 7,27% em 2021, e 3,95% em 2022.

Nos últimos doze meses, a taxa foi de 8,99%, a mais alta desde 2016.

A inflação, como você sabe, é o nome dado ao aumento generalizado de preços, que faz o seu dinheiro valer menos e reduz o seu poder de compra.

LEIA TAMBÉM | A taxa Selic e a inflação: descomplicamos tudo que você precisa saber 

Como se preparar para o aumento da energia?

Como se preparar para o aumento da energia, ilustração

Agora que você já sabe por que a luz vai ficar mais cara e quanto isso vai custar na prática, vale a pena pensar um pouco no seu planejamento dos próximos meses, para que o aumento desse custo fixo não acabe interferindo em outros aspectos do seu orçamento.

Entre as primeiras etapas de qualquer planejamento pessoal, está a contabilização de todos os seus gastos e receitas.

Em geral, os gastos são muito mais difíceis de monitorar, porque as pessoas tendem a ter poucas fontes de receitas, mas diversas despesas.

Por isso, anotar essas despesas, seja em um caderno, aplicativo ou planilha, é importante para você obter uma noção do todo e identificar para onde seu dinheiro está indo no fim do mês.

Acredite: por mais que você se considere um bom administrador do próprio orçamento, manter os gastos anotados costuma revelar algumas surpresas.

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Depois de anotar os gastos, vale a pena dividi-los entre gastos fixos e variáveis.

Os gastos fixos são despesas que você terá todos os meses, seja qual for o seu consumo. Entram aqui as parcelas de financiamento, o aluguel, o condomínio, os planos de celular, mensalidade da academia, Netflix e outras em geral.

Já os gastos variáveis são aqueles cujo valor depende do quanto você consome. Alimentação e vestuário são dois grandes exemplos, assim como — adivinhe! — a conta de luz.

De posse dessas informações, você vai poder entender se a maior parte dos seus gastos ocorrem em despesas fixas — mais difíceis de mexer — ou variáveis, que você consegue diminuir com algumas priorizações e mudanças de hábitos, por exemplo.

Analisando a sua conta de luz 

Depois disso, vale a pena buscar as suas faturas recentes da conta de luz e comparar. 

Aqui, não olhe para o valor, que oscila com base nas bandeiras, e sim para o consumo.

Qual foi o mês que você mais consumiu? E qual foi o mês em que houve menos gastos de energia?

Em geral, fatores que impactam essa análise são viagens em que a casa fica vazia, quando o consumo diminui, ou períodos do ano de muito frio ou muito calor, que acabam levando a um consumo diferenciado de aparelhos eletrônicos como ares-condicionados, aquecedores e chuveiros elétricos.

Essa análise da sua conta de energia pode entregar alguns insights importantes para reduzir o consumo e manter o orçamento sob controle, sem prejudicar outras esferas, principalmente quando você tem um gasto de energia elevado. 

LEIA MAIS | O que é bem-estar financeiro? Conheça um conceito essencial para as suas finanças 

Como economizar energia no dia a dia?

Como economizar energia no dia a dia, ilustração

Aqui, é improvável que você se depare com alguma novidade, porque as dicas tendem a ser óbvias: você vai gastar menos com a conta de luz economizando energia.

Mesmo assim, neste momento de bandeira de escassez hídrica, vale relembrar e reforçar algumas dicas simples para você poupar energia — e também o seu bolso. 

Vamos a elas?

  • Tente tirar os aparelhos eletrônicos da tomada antes de sair de casa por períodos relativamente longos. Por mais que o consumo seja mínimo, tirar da tomada ajuda a economizar
  • Prefira iluminação de LED nos ambientes, porque elas são mais eficientes do que as fluorescentes e incandescentes
  • Procure utilizar ao máximo a iluminação natural nos cômodos. Instalar telhas ou tetos transparentes em determinados locais pode ajudar a fazer a luz entrar
  • Revise os seus ares-condicionados para entender se eles estão adequados ao ambiente. Caso haja algum dimensionamento incorreto, eles podem gastar muito mais energia do que a necessária
  • No inverno, tente tomar banhos em períodos de temperatura mais amena, como o fim da manhã ou início da tarde. Isso permite que você tome banho com a água em uma temperatura menor, gastando menos energia. Lembre-se também de tomar cuidado para não perder muito tempo no banho
  • Repense hábitos como manter a televisão ligada enquanto faz outras coisas e não pode dedicar atenção
  • Evite abrir o refrigerador com frequência e mantenha a limpeza, sem superlotar o espaço
  • Considere atualizar seus aparelhos eletrônicos para itens de maior eficiência energética, principalmente os grandes eletrodomésticos.

Colocando essas dicas simples em prática, é possível que você consiga contornar a nova bandeira de escassez hídrica sem ver um impacto tão grande na conta de luz.

Se você já coloca todas em prática, vale ficar atento às próximas contas de energia para entender se isso vai exigir alguma mudança de hábito para você.

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