Coronavírus: O impacto que epidemias causam nas bolsas

Quando o mundo enfrenta uma epidemia, sentimos medo e isso gera efeitos em diversos âmbitos da nossa vida, inclusive no mercado financeiro.

Esse reflexo, principalmente no mercado acionário, é absolutamente natural, pois as bolsas de valores costumam refletir todos os principais acontecimentos que impactam a rotina da humanidade de alguma forma.

Mas, afinal, existe uma relação direta entre o surgimento de surtos virais, como o coronavírus, e a curva das bolsas de valores pelo mundo?

Como ponto de partida desta reflexão, é importante pontuar que os mercados são impactados por fatores dos mais diversos tamanhos e segmentos, desde tweets de líderes globais até hábitos de consumo na China que impactam no mercado no Brasil – você notou que o seu churrasco ficou mais caro no fim do ano passado, não é?

Nosso especialista em Investimentos, Bruno Panerai, explica:

“Em situações específicas que abalam economias, o mercado tende a reduzir a exposição a cenários de maior risco e isto leva com que mais investidores vendam suas posições meramente pela desvalorização momentânea”, aponta.

Casos específicos de surtos de doenças

O mundo já viveu situações semelhantes ao Coronavírus, como em 2003 com a SARS, as gripes aviária e suína em 2006 e 2009 e o Zika, em 2016. Conforme Panerai, os mercados reagiram de forma não habitual no primeiro mês mas, conforme o risco de pandemia foi reduzindo e os impactos nas economias abrandados, voltaram a basear a sua análise nos fundamentos dos ativos e, assim, tiveram recuperação e valorização.

A Charles Schwab analisou o desempenho de ações ao redor do mundo, pontuando os maiores surtos virais das últimas décadas. Confira, no gráfico abaixo, como a recuperação veio nos períodos que se sucedem ao controle das doenças:

Gráfico de recuperação das epidemias - coronavírus, gráfico
Fonte: Charles Schwab/Market Watch


Para evidenciar as curvas de crescimento no intervalo médio de seis meses entre o surgimento do surto e a contenção do vírus, pinçamos os dados das bolsas globais e você pode conferir, no detalhe do gráfico abaixo, como em quase todos os casos o mercado subiu no período de seis meses.

Gráfico de epidemias


Outro ponto é que existem empresas e segmentos que acabam se beneficiando economicamente em situações como estas e os laboratórios farmacêuticos são o nicho mais óbvio a se citar. Panerai aponta um dado curioso em relação ao coronavírus:

“As ações da Netflix subiram devido à expectativa de que os chineses ficarão mais em casa para assistir filmes e, com isso, um maior número subscrições são esperadas pelo mercado”, exemplifica.

Parece insensível o mercado mostrar curvas positivas em momentos trágicos, como é o caso de uma epidemia global, não é mesmo? Entretanto, o fato que queremos nos referir é que as bolsas de valores são impactadas por questões das mais diversas naturezas. E que isso influencia tanto negativamente em momentos de incertezas quanto positivamente em oportunidades econômicas que surgem durante ou depois de crises pontuais.

Conclusão

Esta reflexão toda tem o intuito de acalmar os ânimos do investidor que está assustado com a queda nas bolsas.

Queremos frisar que o investidor de renda variável precisa estar focado no longo prazo e que momentos como este vão acontecer muitas vezes. Como pontuamos durante este texto, vários fatores influenciam o mercado, portanto é muito importante ter paciência, não sofrer com as oscilações de curto prazo e manter a sua estratégia de investimentos.

Repetimos o mantra: a Bolsa recompensa quem tem paciência!

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