Estes são 4 hábitos da cultura japonesa. E é assim que eles farão você investir melhor

Sede dos Jogos Olímpicos de 2020, Tóquio deve monopolizar as atenções dos apaixonados por esportes nos próximos dias.

Adiada em um ano por conta da pandemia, a Olimpíada terá sua cerimônia de abertura nesta sexta-feira, quando as delegações serão apresentadas e o mundo poderá assistir ao evento preparado pelos japoneses.

Tradicionalmente, a cerimônia de abertura é uma oportunidade para o país-sede dividir alguns traços de sua cultura e mostrar sua hospitalidade aos milhares de visitantes.

Não raro, o evento acaba emocionando quem participa — e também quem assiste. Como esquecer, por exemplo, do ursinho Misha, mascote das Olimpíadas de Moscou, em 1980? 

Mas a troca cultural não é exclusiva das cerimônias de abertura e de encerramento. Para muitos, o esporte acaba sendo quase um pretexto para conhecer outro país, seja presencialmente, para quem viaja, ou mesmo a distância, para quem assiste às competições em casa.

Com a primeira opção limitada por conta da pandemia, já que a maioria das competições ocorrerá sem a presença de público, resta torcer e acompanhar de longe.

Isso não significa, porém, que você não terá nenhuma troca cultural durante esse período.

Neste artigo, reunimos alguns hábitos marcantes da cultura nipônica, que sempre chamam a atenção de quem viaja para o país.

Mais do que isso: mostramos como se inspirar nesses hábitos pode melhorar a sua estratégia de investimento com foco no longo prazo.

Ficou curioso? Continue a leitura para entender!

4 hábitos dos japoneses que podem fazer você investir melhor

4 hábitos dos japoneses que podem fazer você investir melhor, ilustração

Com cerca de 126 milhões de habitantes, o Japão é o 10º país mais populoso do mundo. Já o PIB nominal da economia japonesa é o terceiro maior do planeta.

Único país asiático do G7, o Japão tem um padrão de vida muito alto, com o 17º maior IDH do mundo. 

Esses dados básicos sobre o Japão mostram a força econômica japonesa, mas não traduzem as peculiaridades culturais da Terra do Sol Nascente.

Confira, a seguir, alguns hábitos dos japoneses que chamam a atenção do resto do mundo.

1. A disciplina como um pilar do comportamento

Entre outros aspectos, os japoneses são conhecidos pela sua disciplina inigualável. 

E quando falamos em disciplina, não estamos falando apenas da capacidade de cumprir regras ou leis, mas também de pequenos hábitos no cotidiano, como a pontualidade inegociável.

Essa disciplina também tem efeitos positivos sobre as finanças pessoais de milhões de japoneses.

Sim, estamos falando do Kakebo, um método japonês para economizar dinheiro e controlar as finanças.

Na prática, trata-se de uma agenda financeira, física ou digital, na qual você registra todas as suas despesas diariamente ou semanalmente.

Esse controle rígido sobre o orçamento permite que você consiga economizar, no início do mês, um valor para investir no seu “eu do futuro”, como nosso CEO, Tito Gusmão, gosta de se referir.

A lógica é simples e, se você acompanha os nossos conteúdos aqui no blog ou nas redes sociais, talvez já tenha se deparado com ela: o objetivo é poupar — e investir — um montante da sua renda no início do mês, e não no final, como é o hábito de alguns investidores.

Tratando as suas aplicações como prioridade, você adapta o orçamento para o restante do mês, sem cair em tentações de fazer compras desnecessárias simplesmente porque há dinheiro disponível.

Você já ouviu falar em “pague-se primeiro”? É exatamente isso.

Mas você só conseguirá definir um valor que pretende economizar se souber, em detalhes, quanto ganha todos os meses e para onde vai esse dinheiro.

É aí que surge a importância do Kakebo e, é claro, da disciplina. É preciso disciplina não apenas para registrar religiosamente as suas despesas nas categorias exatas, mas também para cumprir o que foi projetado, sem cair em tentações ou desviar o foco do seu objetivo final.

Não é preciso dizer que utilizar o método Kakebo pode trazer benefícios imediatos para a sua busca pela independência financeira, certo?

Se você quer aprender mais sobre o Kakebo, há literatura disponível tanto em português, como em inglês. Separamos dois livros que estão entre os mais bem avaliados da Amazon para você consultar: 

Se você quer começar a controlar o orçamento agora mesmo, faça o download da nossa Planilha de controle financeiro.

2. Um crime chamado desperdício

Por diferentes razões, os japoneses aprendem a combater qualquer tipo de desperdício desde muito cedo.

A explicação mais óbvia para essa filosofia reside no fato de que o país sempre enfrentou escassez de recursos. 

O Japão é assolado com frequência por fenômenos naturais imprevisíveis, como terremotos e tsunamis, tem pouquíssimas terras cultiváveis e ainda enfrentou duas grandes guerras mundiais.

Nesse cenário, o combate ao desperdício acaba não sendo uma escolha, e sim uma imposição.

Tanto é verdade, que existe inclusive um nome para esse conceito: Mottainai

Não há tradução literal para o termo, que remete a uma filosofia de vida, e não a uma palavra.

Na prática, porém, a palavra é composta por dois termos:

  • Mottai”, que significa “digno” 
  • Nai”, que significa “negação”

Portanto, a palavra é usada na cultura japonesa para dizer que alguém “não está sendo digno” ao fazer determinado desperdício.

A ideia do Mottainai é que todos os objetos e recursos devem ser utilizados por todo o tempo possível de sua vida útil.

Vale lembrar, porém, que o significado remete não apenas ao desperdício material, mas também a padrões de pensamento que levam a ações e geram desperdícios de outras naturezas, incluindo aí o âmbito emocional e espiritual.

Complexo, né?

Isso significa que os japoneses também buscam ao máximo a eficiência em suas rotinas, buscando otimizar esforços e pensamentos.

O exemplo de urbanismo de Tóquio

Tóquio é a maior região metropolitana do mundo, com cerca de 39 milhões de habitantes em uma área de 13.572 km². Isso significa que há 2.800 pessoas por km², uma densidade demográfica muito superior a São Paulo, por exemplo.

O Japão é um país pequeno e, com tantas pessoas ocupando o mesmo espaço, seria natural que o custo da moradia estivesse entre os mais altos do mundo, certo?

Errado.

Um estudo realizado pela Demographia prova que Tóquio tem o menor múltiplo de preço entre todas as mega-cidades — aquelas que possuem mais de 10 milhões de habitantes. 

De acordo com Luiz Eduardo Peixoto, que escreveu sobre a densidade demográfica de Tóquio no portal Caos Planejado mostrando que a capital japonesa é sete vezes mais acessível que São Paulo, a explicação está no modelo de desenvolvimento urbano adotado pelos japoneses.

Na contramão dos modelos hiper regulados dos ocidentais, com leis de zoneamento muito rígidas, Tóquio tem padrões extremamente flexíveis, que permite que “qualquer um construa o que quiser”. 

O resultado é um altíssimo aproveitamento dos espaços, o torna a cidade mais acessível para todos.

A parte inferior dos viadutos quase sempre é ocupada em Tóquio, imagem
A parte inferior dos viadutos quase sempre é ocupada em Tóquio

Em última análise, isso também ajuda a explicar a obsessão pela ocupação de espaços em Tóquio, a sede dos jogos olímpicos, que já foi notícia pelos apartamentos minúsculos, onde pessoas vivem com o mínimo possível no menor espaço possível.

Abaixo, você pode assistir a um vídeo de uma moradora de Tóquio que mora em um apartamento de 8m².

Para ler mais sobre o urbanismo de Tóquio, recomendamos o Especial Tóquio, de Anthony Ling, que detalha como a cidade aposta em espaços compartilhados, viadutos úteis e terrenos pequenos para aproveitar ao máximo o pouco espaço disponível.

Evitando desperdícios no seu cotidiano

Mas há outras implicações no cotidiano — deixar comida no prato, por exemplo, é visto como uma grave forma de desrespeito. 

Em muitos casos, o Mottainai também é visto como um sinônimo de sustentabilidade, já que a pauta costuma ser muito semelhante, ao pregar o uso consciente dos recursos. 

Há, inclusive, quem atribua a origem dos 4 Rs da sustentabilidade, que surgiram na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992, a esse conceito chinês. 

Os 4 Rs são os seguintes:

  • Repensar
  • Reduzir
  • Reutilizar
  • Reciclar

No Brasil, a principal entusiasta desse conceito é Tiemi Yamashita, que concede entrevistas, dá palestras e participa de congressos difundindo a ideia de combate ao desperdício.

Reduzir o desperdício pode trazer inúmeros benefícios para a sua vida financeira. E não é necessário ser radical. 

Cortando pequenos desperdícios nos seus gastos do dia a dia em itens supérfluos, por exemplo, você pode fazer sobrar mais para investir. 

Não é necessário fazer voto de pobreza ou virar o que se conhece por “mão de vaca”, abrindo mão do lazer.

O objetivo é gastar bem, de forma inteligente, em produtos e serviços que façam sentido para você.

A organização dos seus gastos diários em uma planilha, aplicativo ou agenda, como mencionamos no tópico anterior, pode ser útil para identificar quais gastos você deseja ter, e quais pode cortar.

Além disso, você também pode trazer o combate ao desperdício para outros fatores da sua vida pessoal, profissional e financeira

Será que vale a pena dedicar tanta atenção a informações sobre o mercado que não vão impactar a sua estratégia de investimento? O que é ruído, e o que é fato? 

Será que faz sentido dedicar tanta atenção às redes sociais e abrir mão de tempo de qualidade com a sua família?

Será que faz sentido comprar relatórios, assinar casas de análise, participar de fóruns e perseguir dicas de investimento para não ganhar mais do que a média do mercado? Seu tempo — e dedicação — não poderiam estar empregados naquilo que gera mais valor para você?

Você realmente precisa participar de tantas reuniões durante o dia de trabalho? Não seria possível substituir alguma delas por um e-mail ou conversa por aplicativo de mensagens? Essa é a melhor maneira de alocar o seu tempo — e de todos os outros envolvidos?

Como se vê, a lista é longa e pode fazer você repensar diversos aspectos da sua rotina

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3. Adaptação aos riscos com cultura da prevenção

O Japão é formado por um arquipélago com 6.852 ilhas expostas a uma enorme variedade de fenômenos naturais impossíveis de prever e de controlar, como terremotos, tsunamis, maremotos e tufões.

O país também faz parte do Círculo de Fogo do Pacífico, uma região responsável por cerca de 50% dos vulcões existentes em todo o planeta. 

Há mais de 200 vulcões em território japonês, e mais de 100 deles seguem ativos até hoje. 

Além disso, o país enfrentou duas grandes guerras, sendo bombardeado com bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki ao final da Segunda Guerra, neste que é, até hoje, o único momento da história em que armas nucleares foram utilizadas contra civis.

Esse contexto de intempéries fez do Japão um país com uma fortíssima cultura de prevenção, com adaptação total aos riscos aos quais está exposto.

Desde a idade escolar, a população é treinada para agir em situações de emergência.

O Governo também se encarrega de treinamentos focados em terremotos e distribui manuais de sobrevivência para toda a população. 

O Tokyo Earthquake Simulation Center permite aos visitantes simular a experiência de um terremoto e concede treinamentos à população

No dia 1º de setembro de cada ano, há eventos de grande escala com o auxílio do corpo de bombeiros, para treinar evacuação de edifícios e repassar as principais orientações de sobrevivência.

Foi nessa data que, em 1923, um terremoto deixou mais de 140 mil mortos no Japão, sendo um ponto de partida para todas as adaptações que vêm ocorrendo desde então.

Um hábito que todos seguem, por exemplo, é armazenar em casa um kit terremoto, com lanternas, água e comida desidratada, para a possibilidade de ficar preso em casa por dias.

Já os edifícios são construídos com estruturas flexíveis, que amortecem as vibrações. Há um trabalho robusto de engenharia para construir arranhas-céus à prova de desastres naturais, como você pode ver no vídeo a seguir:

Todos esses esforços mostram a atenção que o Japão dá aos riscos, e você deveria fazer o mesmo na sua estratégia de investimentos.

Aqui, é importante entender que classes de ativos diferentes possuem riscos diferentes — a renda fixa é mais previsível que a renda variável, por exemplo — e saber ajustar a sua exposição a esses ativos com base no seu perfil de investidor.

Esse planejamento é vital para qualquer investidor, mas continua sendo negligenciado por muitas pessoas.

Não faz sentido, por exemplo, um jovem com perfil de risco agressivo e metas de longo prazo possuir a maior parte do patrimônio em ativos de renda fixa com vencimento de curto prazo e liquidez diária. 

É um risco muito baixo para as pretensões desse jovem, e ele acaba abrindo mão de rentabilidade em nome de uma segurança que não condiz com o seu perfil de risco.

Da mesma forma, não faz sentido um idoso conservador com metas de curto prazo possuir a maior parte do seu patrimônio em renda variável, cuja extrema volatilidade pode causar estragos muito grandes no curto prazo. 

Fica claro que esse investidor precisaria de uma alocação mais conservadora, com uma exposição maior a ativos de renda fixa.

Assim, da mesma forma que não faz sentido investir em edifícios à prova de terremotos no Brasil e é temerário negligenciar os tufões no Japão, você deve entender o seu perfil de investidor, analisar o seu grau de aversão ao risco e montar uma alocação que faça sentido para os seus objetivos de vida.

Correr riscos desnecessários pode ser fatal para a sua carteira de investimentos, e evitar correr qualquer tipo de risco vai lhe impedir de conquistar os seus objetivos.

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4. Respeito ao próximo e à privacidade

Quem viaja para o Japão costuma relatar que os japoneses são extremamente educados, a ponto de chamar atenção dos viajantes. É um festival de “bom dia”, “com licença”, “obrigado” e “por favor” por qualquer lugar que você passe. 

Mas, ao mesmo tempo, os japoneses valorizam muito a individualidade das outras pessoas e respeitam a privacidade de cada um.

Não é difícil encontrar relatos de quem diga que se sentiu muito à vontade no Japão, porque percebia que “ninguém estava cuidando da minha vida”. 

No transporte público, existe uma etiqueta de comportamento que leva todos os japoneses a ficarem em silêncio, conversando em voz baixa. Dessa forma, o espaço do outro é respeitado por todos.

Essa lição talvez não tenha uma relação direta com investimentos, mas pode sugerir um comportamento mais inteligente para quem insiste em comparar os próprios investimentos com os de outras pessoas.

As pessoas têm objetivos diferentes, perfis diferentes e diferentes graus de aversão ao risco

Não faz sentido comparar a sua realidade com a do vizinho, e muito menos medir rentabilidade, para descobrir “quem ganhou mais”. 

Além de não agregar em nada, essa comparação ainda pode levá-lo a cometer erros, seja adquirindo ativos que não compraria de outra forma, porque não cabem na sua estratégia de investimento, ou assumindo riscos que não condizem com o seu perfil. 

A jornada rumo à sua independência financeira não é uma competição com o seu amigo, e sim com você mesmo. Focar no que importa e no que você consegue controlar pode ser o melhor caminho para chegar lá.

Neste artigo, mencionamos alguns hábitos marcantes da cultura japonesa, para que você conheça um pouco mais do país que sedia os Jogos Olímpicos de 2020. 

Mais do que isso, esperamos que o conteúdo tenha ajudado a inspirar você em sua busca pela independência financeira.

De nossa parte, achamos que os japoneses têm muito a ensinar — e o nosso desafio é aprender o máximo possível com eles.

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