“Disseram que eu precisava ser malvada para trabalhar no mercado financeiro”


E se você, ao começar a trabalhar no mercado financeiro, recebesse o conselho de que “precisa aprender a ser malvado”? Foi o que aconteceu com a Daniela Audino, Head Comercial da Warren e responsável pela estrutura de relacionamento com os nossos clientes. O mundo dos investimentos é assim tão agressivo?

A Daniela tem mais de 16 anos de experiência neste mercado e já trabalhou em bancos e outras corretoras. Ao longo dos anos, percebeu que, talvez, a agressividade do mercado possa ter afastado o público feminino.

Com toda esta bagagem, resolvemos conversar com ela para produzir o primeiro conteúdo de #Equals para conhecer a trajetória dela no mundo dos investimentos e entender como ela percebe a transformação do mercado financeiro brasileiro.

Daniela Audino, Head comercial da Warren Brasil no escritório da empresa em Porto Alegre.

A entrada no mercado financeiro

Ao longo dos estudos na universidade, Daniela soube que queria trabalhar com pessoas e com dinheiro. E o primeiro passo profissional foi dado em um banco. Segundo Daniela, fazia sentido trabalhar onde o dinheiro estava para conquistá-lo.

Mas conforme o tempo passava trabalhando em uma instituição financeira tradicional, ficou claro para ela que o mercado financeiro ia além do que imaginava inicialmente. É muito mais sobre a perspectiva das pessoas dentro deste universo do que transações de dinheiro puramente.

“O que me encantou no mercado financeiro foi a possibilidade de transformar a minha vida e a vida das pessoas através do dinheiro”, explicou.

E com o entendimento de que o que importava era trabalhar a relação das pessoas com dinheiro que Daniela se viu incomodada com o modelo de negócio dos bancos.

Os bancos e o modelo de negócio desalinhado

O modelo de negócios desalinhado dos bancos, ilustração.

Em um determinado momento, o choque do modelo de negócio em que trabalhava com os valores pessoais dela falou mais alto e ela entendeu que precisava mudar.

“Eu achava que eu fazia o bem. Quando adquiri mais conhecimento e maturidade, entendi que os produtos não eram os melhores, eu oferecia porque tinha um meta para bater, não porque eram adequados para as pessoas”, sentenciou.

A busca por trabalhar com propósito fez Daniela acabar indo trabalhar em uma corretora. O ano era 2009 e Daniela fez parte do grande boom do mercado de investimentos no Brasil. Sobre aquele momento, apontou a dificuldade de desenvolver a cultura de investimentos em um país que não estava – e ainda não está totalmente – acostumado com estes processos.

“Não havia, realmente, uma percepção do brasileiro sobre estes processos”, explicou.

Além disso, foi preciso buscar muitas referências fora do Brasil e realizar um trabalho forte de conscientização do brasileiro sobre a sua relação com o dinheiro. Conforme Daniela, isso passa pela educação financeira, que é quase inexistente no país.

“O grande trabalho para isso está na educação. Ainda existe um trauma na sociedade brasileira em relação à tomada de riscos.”, aponta.

O desafio do mercado de investimentos no Brasil

O desafio do mercado de investimentos no Brasil, ilustração

O movimento clássico da maioria dos investidores é sair do banco para ganhar mais dinheiro em outras instituições. E isso faz sentido pois o ser humano é ambicioso. Mas exatamente pelo mercado estar crescendo e mais corretoras estarem surgindo, Daniela entende que a transformação do mercado de investimentos no Brasil vai além da busca por melhores produtos.

Conforme Daniela, a transformação passa pelo fato do cliente não ser mais enganado e usufruir de um serviço alinhado e transparente que possibilite com que se confie na empresa com a qual se  está investindo.

“A percepção da mudança passa pelo propósito. É isso que vai causar a virada de chave no mercado financeiro. E foi exatamente por esse motivo que eu decidi não trabalhar mais no banco”, conclui.

E a inserção das mulheres no mercado financeiro?

a inserção das mulheres no mercado financeiro, ilustração

Como falamos no início deste texto, é um mercado que possui uma história calcada em competição. E competição, muitas vezes, pode ser encarada com agressividade.

“O ambiente é hostil e, de fato, agressivo. Por anos foi um mercado de corpo a corpo e, sim, podemos dizer que é um ambiente masculino neste sentido”, contou Daniela.

Mas, segundo Daniela, essa percepção parte muito do fato do mercado financeiro ser muito competitivo e demandar uma certa intimidação na atuação. O cenário atual ainda é de menos público feminino atuando profissionalmente neste mercado. Mas pondera que é um mercado muito jovem e que ainda está se desenvolvendo.

“Não vejo o mercado financeiro, hoje, como excludente. Acho que, sim, as mulheres ainda estão se empoderando e usando cada vez mais a sua força para trabalhar em qualquer setor e em finanças não é diferente. Acredito que se pode buscar mais equidade de gênero e que toda mulher que quiser trabalhar com isso, vai trabalhar com isso”, conclui.

Warren Equals como um agente da transformação

Warren Equals como um agente da transformação, ilustração

O avanço pode parecer pequeno: hoje apenas 22% dos CPFs cadastrados na Bolsa são de mulheres. Mas este número é nove vezes maior do que era há 15 anos, conforme dados da B3. Ainda não se atingiu equidade em posições antes ocupadas majoritariamente por homens, mas já existem mulheres em cargos de liderança no mercado financeiro – e a Daniela é um delas!

Entendemos que a falta de conhecimento afasta não só uma gama de clientes do mercado financeiro, mas também a atuação profissional de mais mulheres neste meio. E isso, como já falamos no lançamento da iniciativa do #Equals,  é um trabalho que precisa ser feito continuamente.

A transformação passa por falarmos mais de finanças, mais de investimentos, mais de comportamento financeiro. Tem alguma dúvida ou sugestão de assunto para o próximo conteúdo? Deixe nos comentários ou envie um email para raquel.saliba@warrenbrasil.com.br.

Até a próxima!