Educação financeira dos filhos para os pais: 7 dicas de Jurandir Sell

Nas mais diversas tradições humanas, a educação foi uma atividade descendente: os pais ensinavam os filhos; os mais velhos ensinavam os mais novos.

Recentemente, o mundo entrou em um processo tão veloz de transformação que esse fluxo secular foi flexibilizado.

As transformações por que o mundo vem passando nos últimos dois séculos, e mais intensamente nas últimas três décadas, após a popularização da internet e dos computadores, foram tão disruptivas que a educação passou a ser uma via de muitas mãos.

Ainda me lembro de meu avô materno me contando do espanto que ele teve quando, aos 16 anos, passou a ensinar seu pai a dirigir um caminhão que tinha sido comprado para a pequena empresa da família de imigrantes italianos no interior de Santa Catarina. 

Mas, para uma criança ou um jovem da atualidade, ensinar seus progenitores é uma coisa absolutamente comum.

A educação financeira de filhos para pais

Isso não é diferente na educação financeira. 

No primeiro dia de aula da disciplina de Finanças Pessoais na Universidade Federal de Santa Catarina, pergunto a todos os alunos os motivos pelos quais eles se inscreveram nessa disciplina optativa. 

Um dos motivos mais apontados é a vontade que eles têm de ajudar suas famílias a melhorar a relação com o dinheiro.

Alguns alunos apontam que gostariam de tirar seus pais de problemas relacionados ao endividamento, outros dizem que o dinheiro é fonte constante de conflitos familiares, e uma parte bastante significativa diz que gostaria de direcionar as economias da família para investimentos melhores que a velha caderneta de poupança.

Mas qual o motivo para que tantos alunos queiram ajudar seus pais com as finanças? Para entender isso, precisamos considerar a história recente do nosso país. 

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Uma geração que viver sob hiperinflação

O Brasil viveu várias décadas sob um intenso processo inflacionário que praticamente inviabilizava o controle financeiro. 

A inflação longa e elevada desorganizava o sistema de preços. Assim, manter um orçamento sob controle, anotar os gastos e projetar uma planilha financeira não fazia sentido.

Na época, o importante era transformar o mais rapidamente possível o dinheiro em alimentos, bens móveis ou imóveis, ou seja: o dinheiro era algo que derretia na mão das pessoas. 

A única forma de investir era por meio de agências bancárias, que cobravam tarifas elevadas e prestavam um serviço sofrível a quem tinha poucos recursos. 

Para as pessoas comuns, restava a caderneta de poupança como único investimento acessível.

O Plano Real conseguiu domar a inflação. E, com um mercado mais estável, veio também o desenvolvimento. 

Nos últimos 20 anos, vivemos uma verdadeira revolução no setor financeiro. 

Surgiram os bancos digitais e as corretoras, como a Warren, que colocaram ao alcance das pessoas comuns instrumentos sofisticados de investimentos.

Os jovens que nasceram após o Plano Real aprenderam que é possível manter um orçamento sob controle, aprenderam as vantagens de saber a origem e o destino exatos de cada centavo. 

Nesse meio tempo, surgiram e foram adotados pelas gerações nativas digitais vários aplicativos que possibilitam controlar o orçamento de forma prática e simples.

Os aplicativos de bancos e corretoras também passaram a ser intensamente utilizados pelos jovens, que mesmo com pouco dinheiro têm hoje tratamento personalizado e disponibilidade de opções de investimentos, coisas que sequer podiam ser sonhadas pela geração de seus pais.

Assim, estamos vivendo mais uma das transformações na direção da educação: agora são os filhos que estão ensinando finanças pessoais aos pais. 

São os jovens que levam para as famílias as vantagens de manter um bom controle de orçamento e ensinam como utilizar o crédito de forma correta. 

São netos que ensinam avós a abandonar a velha caderneta de poupança e aplicar em produtos melhores. 

Ensinam que a solidez de um banco ou de uma corretora não tem nada a ver com agências e prédios.

Muitos jovens já experimentaram as vantagens de investir por meio de corretoras, já se acostumaram a ter acesso a produtos de investimentos de qualidade e custos baixos. 

Por isso, não aceitam pagar os custos elevados e as indicações de investimentos cheias de conflitos de interesses que existem por aí.

São esses jovens que estão levando a educação financeira para suas famílias e, assim, preenchendo a lacuna que a elevada e longa inflação deixou nas gerações passadas.

Pluralidade cada vez maior

Outro ponto fantástico nesse caminho é a entrada das mulheres no mundo das finanças. 

Até pouco tempo, o mercado financeiro era um universo quase todo masculino, muitas mulheres das gerações passadas aprenderam de forma totalmente errada que dinheiro era coisa de homem.

Quando lancei a disciplina de Finanças Pessoais em 2003, a maioria das matrículas era de alunos homens. 

Neste segundo semestre de 2021, as mulheres já representam 49% dos alunos matriculados. 

De forma alvissareira, estamos quebrando o velho tabu de que dinheiro é assunto de homem.

Dicas para falar sobre educação financeira com os pais

Dicas para falar sobre educação financeira com os pais, ilustração

Para guiar os jovens na tarefa de ajudar suas famílias no caminho da educação financeira, tenho algumas dicas que podem otimizar o processo:

Seja paciente e tolerante

Os jovens precisam entender que a dificuldade das pessoas mais velhas em lidar com o dinheiro tem várias causas: longos anos de inflação, tablitas, troca de moedas, planos econômicos malucos e um congelamento forçado de poupança. 

Portanto, é preciso ser muito tolerante e paciente para vencer resistências.

Comece combatendo o endividamento

No período anterior ao Plano Real, o crédito para pessoas físicas era inacessível para a maior parte da população. 

Quando o crédito se popularizou, muita gente não sabia como utilizar e acabou fazendo mau uso. 

Então a primeira coisa a fazer é se ver livre dos créditos caros e de curto prazo, para só então começar a investir. 

Vencer o endividamento precede os investimentos.

Começar é o mais importante

O passo mais difícil de uma longa caminhada é o primeiro. 

Assim, recomendo que o jovem apresente a seus pais as novas tecnologias, o mundo das corretoras e convide-os a investir um pequeno valor para conhecer. 

Dessa forma, lentamente as resistências vão sendo vencidas.

Respeite e reconheça o perfil de investidor dos mais velhos

É muito importante os jovens entenderem que existem diferentes perfis de investidores. 

Provavelmente as pessoas mais velhas devem ter uma carteira de investimentos mais conservadora do que a deles próprios.

Não tome decisões pelos outros

Os jovens podem ajudar os mais velhos a conhecer novas formas de investir, porém a decisão de investimentos deve ser sempre de quem é dono do dinheiro. 

A decisão deve ser sempre pessoal e intransferível.

Risco e retorno andam juntos

Em quase 40 anos como investidor, aprendi que os mercados são imprevisíveis e que risco e retorno andam juntos. 

Quem é avesso ao risco deve sempre investir em ativos com baixa volatilidade como os fundos DI e o Tesouro Selic

Porém, todos nós temos medo daquilo que não conhecemos, assim, a melhor forma de perder o medo é conhecer o novo

Mostre a segurança do mundo digital

Para quem se criou em um mundo analógico em que solidez eram prédios de tijolo com fachadas bonitas, não é simples entender o mundo digital. 

Então, os jovens devem mostrar aos mais velhos que prédios e agências têm um custo elevado – e quem paga por essas estruturas são os clientes. 

Mostrar a segurança do mundo digital é um ótimo começo de jornada.

Na Warren, ficamos muito felizes em ver nossos jovens clientes trazendo seus familiares para nossa plataforma de investimentos.

 Nos orgulhamos de fazer parte dessa jornada e esperamos todas as famílias para investir conosco, aproveitando nosso modelo de negócios sem conflito de interesses.

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