Efeito coronavírus: impactos e estratégias para recuperação das economias

Sabemos que os impactos do coronavírus nas economias tem sido um tema recorrente aqui no blog. Mas não poderia ser diferente, afinal, esta é uma crise global diferente de outras passadas pela humanidade. 

Para entendermos melhor esta crise e, também, as estratégias que os governos têm traçado para minimizar os impactos dela, conversamos com André Moreira Cunha, doutor em Economia e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

É a maior das crises?

Conforme apontou Moreira Cunha, a crise do mercado imobiliário americano, em 2008 – que foi um evento de impacto mundial, também – deixou algumas ‘heranças’ que estão auxiliando neste momento. Na ocasião, para evitar que os mercados quebrassem como na famosa crise de 1929, os bancos centrais adotaram políticas para conter o impacto da crise e, de lá para cá, em apenas dez anos, os quatro maiores bancos centrais (Estados Unidos, China, Japão e área do Euro) ampliaram a base monetária em aproximadamente US$ 15 trilhões.

Medidas semelhantes estão sendo adotadas agora, como a baixa das taxas de juros para patamares ainda mais baixos do que já estavam – alguns mercados chegando a quase zerar. Entretanto, há peculiaridades nesta crise que nunca foram vividas antes.

“Há alguns parâmetros que podemos estudar com aprendizados de outras crises, sim. Mas há outros que não. O fechamentos das fronteiras dos países, por exemplo, rompe um padrão de consumo, afeta indústrias e causa um efeito em cadeia nas economias”, explica.

O sistema de consumo colapsou com o isolamento necessário para conter o avanço da pandemia. A quarentena está afetando serviços de entretenimento, beleza, transporte, turismo, entre outros. E, no longo prazo, isso ainda será perceptível.

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As ações para conter a crise

Em função disso, é preciso adotar ações econômicas ainda mais contundentes, como os anúncios de grandes quantias para serem divididas em linhas de crédito em bancos para empresas manterem seus negócios, valores emergenciais para pessoas em estado de vulnerabilidade, entre outros.

Moreira Cunha acredita que é preciso ficar atento na divisão que estes altos valores terão para suavizar os impactos e, efetivamente, auxiliar na recuperação equilibrada das economias.

“Na economia americana, por exemplo, o pacote de incentivos chega na casa dos trilhões de dólares. São US$ 2,2 trilhões, ou, 10% do PIB americano. O tamanho deste valor está OK, o que não estaria OK é a distribuição dele, que poderia ser mais equilibrado entre pessoas físicas e empresas”, afirmou.

O professor apontou como bom exemplo o governo inglês. No pacote de incentivos da Inglaterra, há valores emergenciais mais condizentes com a média de salários da população, além da criação de um fundo para garantir que o sistema bancário continue bancando linhas de créditos.

A recuperação virá quando?

Não há como fazer uma previsão certa. A pandemia ainda não atingiu seu pico em todo o mundo, não há uma vacina e é um choque de realidade social.

“Quais são os países que conseguem se organizar para garantir que as famílias se alimentem e que as cadeiras de serviço funcionem? Quais são os governos que transmitem, efetivamente, confiança para sua população?”, questionou o professor.

A percepção de Moreira Cunha é de não deve ser uma questão de disputa política, mas de eficiência de resposta e no trabalho conjunto das lideranças internas dos países. Apontou a dificuldade que o governo americano está tendo em função de conflitos internos entre o governo central e os governos estaduais.

Estamos perdidos, então?

Não! Não é momento para desespero. A situação é difícil, sim, e ainda não há um prazo para a crise acabar. Porém, há setores que estão sendo muito importantes para a recuperação, tanto das economias quanto da sociedade no geral.

“A China é um país muito tecnológico. Internet em alta velocidade e sistemas de monitoramento são ferramentas que o país utilizou para auxiliar na contenção. Houve uso de drones para conferir se as pessoas estavam na rua, por exemplo”, contou.

E a tecnologia está sendo uma grande aliada para que serviços continuem funcionando. Trabalho remoto, serviços virtuais  como alimentação, indústria farmacêutica, atendimento médico, educação, entretenimento, etc. Padrões de consumo já estão mudando e ainda devem continuar transformando-se pelos próximos meses.

Ao fim de tudo isso, teremos um cenário econômico diferente e pode ser, sim, um cenário de oportunidades.

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