O investimento em criptomoedas e o fear of missing out: uma análise de Jurandir Sell

Esta semana, estava chegando ao supermercado quando estacionou ao meu lado uma Ferrari amarela belíssima. 

Mesmo não sendo um apaixonado por carros, não pude deixar de prestar atenção. Quando já estava desviando meu olhar, escutei o motorista chamar pelo meu nome.

Custei a reconhecê-lo. Tínhamos iniciado a universidade juntos, porém ele logo ficou para trás.

Segundo soube, depois de 12 anos na universidade, ele havia sido jubilado. Sempre foi um péssimo aluno e, além de limitado cognitivamente, extremamente malandro.

Perguntei se ele tinha ganhado na loteria, mas com um sorriso irritante me disse que não, que tinha ficado rico operando Bitcoin

Fiquei curioso e perguntei como funcionava. Ele me disse que o Bitcoin estava ultrapassado, agora o negócio era Dogecoin. 

Como aquele cara de tão limitada inteligência e pouca disposição para o trabalho tinha ganhado tanto dinheiro, enquanto eu fiquei totalmente de fora desse investimento?

Entenda o fear of missing out (FOMO)

Essa história é totalmente fictícia. Eu a utilizei para falar de um fenômeno chamado FOMO (fear of missing out), ou medo de ficar de fora. 

O FOMO é a ansiedade que uma pessoa sente em função da percepção de que outras pessoas estão se divertindo, aproveitando a vida ou fazendo investimentos lucrativos enquanto ela está de fora.

O termo FOMO foi cunhado por Patrick J. McGinnis, em um artigo de 2004 da revista The Harbus da Harvard Business School

Se o nome é novo, o fenômeno é antigo. 

E o que deu uma enorme amplitude para essa ansiedade foram as redes sociais. Antes delas, era preciso ter proximidade com as pessoas ou situações que despertavam o medo de ficar de fora. 

Agora, podemos ver o tempo todo o que milhares de amigos ou conexões nas redes sociais estão fazendo, como estão se divertindo ou ganhando dinheiro.

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Por dentro do mimetismo mulleriano

As redes sociais são campo fértil para o mimetismo mulleriano, cujo nome é uma homenagem ao grande naturalista Fritz Muller

Muller observou que vários animais utilizam de estratégias que alteraram seu aspecto para impressionar ou assustar os observadores.

Com as redes sociais, tornou- se muito simples parecermos alguém que tem mais sucesso do que realmente temos. 

E o mundo dos investimentos é cheio de mimetistas, que vendem sucesso para atrair seguidores e, assim, empurrar produtos que prometem gerar tanto sucesso quanto teoricamente o mimetista mulleriano tem.

O FOMO é um fenômeno muito mais instintivo do que racional, porém as pessoas também têm racionalidade. 

Então, se alguém disser que comprou uma Ferrari vendendo cachorro-quente na esquina, vai gerar enorme desconfiança. 

Afinal, a maioria das pessoas sabe que a lucratividade desse negócio não é tão elevada. 

Assim, se o dono do carrinho de lanches oferecer um curso “Como ficar milionário com hot dog” terá grande dificuldade de angariar alunos. 

Quando existe uma tecnologia nova, como as criptomoedas, e as pessoas ainda não entendem muito bem como ela funciona, cria-se um campo fértil para atrair vítimas do FOMO.

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É um bom negócio investir em Bitcoin e outras criptomoedas?

Antes de responder essa pergunta, vamos conhecer um pouco mais sobre o tema. A criação do Bitcoin é cercada de mistérios. 

Em tese, essa criptomoeda foi criada por uma pessoa ou grupo de pessoas sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto. 

Ela trouxe em sua gênese uma invenção absolutamente revolucionária, o blockchain

O blockchain é uma cadeia de blocos criptografados que se comporta como um livro razão de transações públicas. 

Cada pessoa que transaciona um Bitcoin ou uma fração dele registra um carimbo digital no bloco.

Antes de prosseguir, vamos voltar alguns milênios até o surgimento da moeda

Em seus primórdios, ela surgiu como um objeto físico, geralmente metálico, que representava valor. Como uma representação de valor, passou a simplificar as trocas. A riqueza também passou a ser facilmente guardada

Na sua evolução, a moeda passou para o papel, representando a posse de algo físico, ouro em sua maioria, que ficava em um banco. 

Posteriormente o metal deixou de ser lastro, e o valor da moeda passou a ser dado pela credibilidade do emissor.

Hoje a maior parte da moeda é digital, representando o papel físico. 

Quando fazemos ou recebemos um DOC, TED ou PIX, sempre contamos com a intermediação de uma instituição financeira que vai dizer que uma determinada quantidade de moeda saiu de A para B.

Quando compramos uma ação, precisamos registrar junto à B3 que a propriedade saiu de Maria para João. 

Lá ficam registrados a transação e o novo dono daquele título que representa uma parte de uma empresa. 

Quando compramos um carro ou uma casa, precisamos registrar em um cartório que a propriedade daquele bem saiu de Paulo para Carina.

Deixando de lado a figura do intermediador

A grande inovação do blockchain é que a figura do intermediador pode deixar de existir. 

Se a ação, o documento do carro ou a escritura da casa fossem baseados em blockchain, a transferência da propriedade poderia ser comprovada sem a intermediação do cartório ou da B3. 

O mesmo ocorre com as criptomoedas: o intermediário financeiro pode ser descartado, pois a autenticidade das transações é dada pela cadeia de blocos digitais criptografados que compõe cada unidade da moeda.

Como todas as grandes inovações tecnológicas, o blockchain vai fazer parte do mundo no futuro – e muito provavelmente as moedas serão baseadas nessa tecnologia. 

A pergunta é se todas as cripto moedas que existem atualmente vão conviver, se apenas algumas sobreviverão ou se novas moedas baseadas em blockchain serão lançadas por um ou muitos bancos centrais.

O Bitcoin, por ter uma autenticação em blocos de forma descentralizada, já se mostrou pouco útil como moeda de trocas. 

No entanto, dado que em sua arquitetura há um número máximo de unidades criadas ou a serem criadas, parece ser uma boa forma de reserva de valor.

Para investidores mais propensos ao risco, ter uma fração muito pequena do seu patrimônio baseado em criptomoeda ou em fundos de cripto pode ser uma boa opção.

Agora, investir apenas pelo medo de ficar de fora é quase a receita certa do fracasso

Tome muito cuidado com as promessas daquele consultor de enorme sucesso que pode fazer o milagre de multiplicar seu dinheiro, afinal, ele pode ser apenas um mimetista mulleriano querendo chamar sua atenção.

Antes de investir em criptomoedas ou em fundos que investem nesses ativos, converse com seu assessor de investimentos da Warren. 

Temos pessoas dedicadas a esse tema e podemos lhe oferecer uma assessoria de qualidade sem conflito de interesses.

Além disso, a Warren tem parceria com a Elliot, para quem deseja comprar e vender criptomoedas por conta própria.

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