Ibovespa desaba mais de 4% com todas as ações no vermelho: o que aconteceu?

No início desta semana, a bolsa brasileira parecia já anunciar o que podia vir por aí. Navegando em terreno negativo desde a segunda-feira (26), o Ibovespa tomou um banho de água fria nesta quarta-feira (28), amargando a pior queda diária desde abril.

Todas as 77 ações do índice iniciaram e encerraram o dia no vermelho, com o Ibovespa caindo 4,25%. 

Se você não sabe por que isso aconteceu, fique ligado em nosso resumo deste pregão aqui no Blog.

Alerta mundial: segunda onda de Covid-19

O mercado financeiro acordou pegando fogo nesta quarta-feira (28). O recente aumento dos casos de coronavírus levou alguns países a restabelecer certas medidas de distanciamento social.

Europa

A Europa enfrenta o ressurgimento das infecções por Covid-19. Com o número de novos casos aumentando a uma taxa alarmante e, também, acompanhando um aumento na taxa de hospitalização, vários países europeus vêm anunciando, ao longo da semana, medidas de restrições mais duras, como a França e Espanha.

Hoje, Angela Merkel, chanceler alemã, relatou que a Alemanha vai começar um “leve” bloqueio durante a próxima semana, a partir do dia 2 de novembro. As medidas serão aplicáveis ​​a todo o país e serão revistas em duas semanas, relata a Reuters.

A notícia abalou o sentimento de preocupação do mercado, porque o país parecia estar relativamente no controle da situação. O Stoxx 600, índice de empresas europeias, caiu para seu nível mais baixo desde maio, encerrando o dia com queda de 3,1%.

O FTSE 100, índice de 100 ações representativas da bolsa de valores de Londres, encerrou o dia com queda 2,5%, a 5.582 pontos. Este é o menor fechamento do índice desde 6 de abril, nas primeiras semanas da pandemia.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, os casos de coronavírus aumentaram em uma média diária recorde de quase 72 mil na semana passada. É o que mostram os dados compilados pela Universidade Johns Hopkins.

Os investidores seguem temerosos de que os EUA possam seguir o mesmo exemplo de restrições feitas na Europa. Conhecido por ser o índice do medo, o VIX saltou mais de 20% nesta quarta-feira, atingindo o nível mais alto desde junho, 40 pontos.

Intensificando o cenário pessimista, foi confirmado que não haverá um pacote de estímulos nos EUA antes das eleições presidenciais. O presidente Donald Trump reconheceu essa situação. A atualização não foi um choque total, pois as esperanças estavam desaparecendo dia após dia.

Veja como encerraram os principais índices norte-americanos nesta sessão:

  • S&P 500: -3,53% | 3.271 pontos
  • Dow Jones Industrial Average: -3,43% | 26.520 pontos
  • Nasdaq Composite Index: -3,73% | 11.005 pontos

Brasil

O forte movimento de “sell off” no mercado internacional não deixou de fora a bolsa brasileira. Em sua quarta queda consecutiva, o Ibovespa encerrou o dia com uma queda de 4,25%, descendo para o patamar dos 95 mil pontos.

Com o coronavírus costurando o pano de fundo desse movimento de venda, as ações aéreas e de turismo foram as que mais sofreram no dia. A menor baixa do dia ficou com a unit da Taesa (TAEE11), que caiu 1,25%. Por se tratar de um setor defensivo, ela costuma ser uma das ações mais procuradas em dias de aversão a risco.

Veja as 10 maiores baixas do Ibovespa no dia:

AçãoVariaçãoÚltimo preço
CIEL3-11,66%R$ 3,41
CVCB3-9,88%R$ 12,77
AZUL4-9,58%R$ 23,40
IRBR3-9,51%R$ 6,09
GOLL4-9,03%R$ 16,92
COGN3-8,01%R$ 4,25
HGTX3-7,84%R$ 17,05
USIM5-7,74%R$ 10,84
PRIO3-7,21%R$ 32,14

Para quem investe para o longo prazo, as oscilações diárias podem ser, inclusive, uma oportunidade para rebalancear a carteira de ações e comprar as mesmas empresas a preços mais baratos.

Isso, claro, se os seus objetivos forem de longo prazo e a sua exposição à renda variável for condizente com o seu perfil de investidor.

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