Vale a pena investir na Pfizer? Analista de investimentos da Warren pesa prós e contras

Pfizer, Moderna, Astrazeneca, Johnson & Johnson, BioNTech, Instituto Butantan… 

Entre as inúmeras transformações causadas pela pandemia de Covid-19, a alta visibilidade das empresas do setor farmacêutico é certamente uma das principais.

Em poucos meses, nos acostumamos a ver o nome destas companhias no noticiário, acompanhando de perto a corrida em busca de imunizantes capazes de frear o contágio e trazer de volta a normalidade de um mundo sem coronavírus.

Para quem investe, esta também foi uma oportunidade para acompanhar mais de perto a performance do setor de saúde e das empresas que protagonizam a luta contra a pandemia.

Naturalmente, uma pergunta em comum surgiu na cabeça de muitos investidores: vale a pena investir nas empresas que estão produzindo e distribuindo vacinas?

Neste artigo, conversei com Iago Souza, Analista de Investimentos da Warren, sobre o assunto. 

Abordamos a Pfizer, a empresa de maior destaque entre as farmacêuticas no contexto das vacinas anti-coronavírus e também a primeira, junto com a BioNTech, a conquistar a aprovação completa do FDA, o órgão que regula questões de saúde e alimentação nos EUA.

Abaixo, você vai conhecer um pouco mais sobre a Pfizer e descobrir os prós e contras por trás da resposta à pergunta: vale a pena investir na Pfizer?

Pfizer: um breve panorama da empresa

A Pfizer já carrega mais de um século de história. Criada em 1849 em Nova York, seus fundadores foram os alemães Charles Pfizer e seu primo Charles F. Erhart.

O primeiro produto de sucesso da companhia foi um medicamento dedicado ao combate de infecções parasitárias. Em seguida, a expansão veio por conta do desenvolvimento de ácido cítrico, que deu tração suficiente ao negócio para crescer e expandir seus laboratórios em NY.

Durante a 2ª Guerra Mundial, a Pfizer também teve um papel estratégico como uma das principais empresas a produzir em escala a penicilina, um antibiótico crucial no tratamento de soldados ao redor do mundo.

A partir dos anos 1950, a Pfizer investiu cada vez mais em pesquisa e no desenvolvimento de novos medicamentos

O resultado disso é uma série de produtos que, ano a ano, contribuíram na expansão da receita e na solidificação da Pfizer como uma referência em seu segmento.

Entre estes produtos está o Feldene (piroxicam), um anti-inflamatório produzido nos anos 1980 que se tornou o primeiro produto da companhia a alcançar uma receita de US$ 1 bilhão. 

Há, também, o Viagra. Em 1989, dois cientistas da companhia pesquisavam a criação de um medicamento para tratar a pressão alta. A criação do Viagra falhou para o objetivo proposto, mas um efeito colateral inusitado nos pacientes fez com que a Pfizer desenvolvesse um dos estimulantes sexuais mais famosos do mundo. 

Outro medicamento de grande importância na história da companhia é o Zoloft (sertralina), um dos antidepressivos da categoria SSRI mais populares no mundo. 

No ano anterior à expiração da patente do medicamento, em 2005, o Zoloft já era utilizado por mais de 100 milhões de pessoas, trazendo para a Pfizer uma receita anual de US$ 3 bilhões.

Em 2020, em parceria com a empresa alemã de biotecnologia BioNTech, a Pfizer desenvolveu sua vacina contra a Covid-19, a Comirnaty. 

Comirnaty, Vacina da Pfizer e BioNTech

Os testes clínicos começaram em abril e em dezembro começaram as aplicações no Reino Unido, o primeiro país a autorizar a aplicação emergencial do imunizante.

Em março de 2021, a Pfizer e a BioNTech declararam a expectativa de encerrar 2021 tendo produzido 2,5 bilhões de doses do seu imunizante. Em agosto, a vacina conquistou a aprovação plena do Food and Drug Administration (FDA), o departamento responsável pela vigilância sanitária dos EUA. 

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Os números mais recentes da Pfizer

Na hora de investir, é essencial que o investidor acompanhe como vai a empresa, e nada melhor do que acessar os resultados corporativos divulgados trimestralmente.

Divulgados em 28 de julho de 2021, os resultados da Pfizer mais recentes, referentes ao segundo trimestre de 2021, revelaram o seguinte:

  • Receita de US$ 19 bilhões, o que representa 86% de crescimento ano a ano. Excluindo o efeito da vacina contra a Covid-19 nos números da empresa, a receita apresentou 10% de crescimento, fechando em US$ 11,1 bilhões.
  • Lucro líquido de US$ 5,5 bilhões, o que representa alta de 59% na comparação anual.
  • No setor de vacinas, o 2° trimestre de 2021 gerou receita de US$ 9,2 bilhões, enquanto o mesmo período em 2020 (ainda sem a vacina anti-Covid na equação) havia fechado em US$ 1,2 bilhão.

Abaixo, montamos um gráfico para você visualizar como ficou distribuída a receita da Pfizer levando em conta os dois primeiros trimestres de 2021.

Fontes de receita da Pfizer no primeiro semestre de 2021
Fontes de receita da Pfizer no primeiro semestre de 2021

Como investir na Pfizer pela bolsa brasileira?

A Pfizer é uma empresa de capital aberto nos Estados Unidos. Sua ação PFE é negociada na NYSE desde 1942.

Mas isso não significa que você precise abrir conta uma corretora estrangeira caso queira investir em uma empresa de fora do Brasil.

A B3, a bolsa de valores brasileira, possui diversos BDRs disponíveis para negociar. Um BDR é um título que replica a performance de uma ação estrangeira, descomplicando o investimento em empresas que não têm capital aberto no Brasil.

Sendo assim, para encontrar a Pfizer na B3, o ticker a ser usado é o PFIZ34.

E na hora de escolher a plataforma para negociar BDRs, faça questão de abrir sua conta em uma corretora descomplicada, sem conflito de interesses e que não cobra taxa de corretagem, como a Warren.

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Investir na Pfizer vale a pena? 

Para responder a esta pergunta, conversamos com Iago Souza, Analista de Investimentos CNPI-T na Warren, e elencamos alguns pontos, tanto positivos quanto negativos, a serem levados em consideração.

Iago Souza, Warren
Iago Souza, Analista de Investimentos CNPI-T na Warren

Solidez

“A Pfizer é uma farmacêutica global, presente em mais de 125 países do mundo, e já está listada em bolsa há mais de 70 anos. A Pfizer traz uma história de solidez, já passando pelo ‘time test’

E o que eu chamo de ‘teste do tempo’? Bom, basicamente, ela já esteve presente em ciclos de alta, de baixa, de bonança, das vacas magras… e conseguiu superar todos esses momentos.”

Portfólio diversificado

“A companhia tem vários braços de atuação: medicina interna, oncologia, hospital, inflamação e imunologia, vacinas e doenças raras. Com uma volatilidade controlada, que é uma qualidade atraente dentro de uma carteira, a Pfizer possui um portfólio diversificado de medicamentos estabelecidos.

Isso significa que os investidores podem contar com uma empresa consistente, independentemente da demanda da vacina. As novas variantes também podem significar que as pessoas precisem repetir a vacinação para aumentar a eficácia, o que pode manter a demanda estável do imunizante por anos.”

Inovação

“A Pfizer é uma empresa muito inovadora, possuindo grandes investimentos em R&D (pesquisa e desenvolvimento) e buscando liderar a corrida digital através do uso de “big data” e “machine learning”. 

Além disso, comparada a outras empresas do setor, a Pfizer negocia atualmente com múltiplos atrativos, a 3,6x P/L de 2022.”

Um alerta: regule suas expectativas

Para finalizar, Iago Souza deixa um alerta para os investidores:

“Os negócios da Pfizer foram positivamente impactados pela Covid-19. Podemos ver que o crescimento de suas ações era bastante ‘monótono’ até que o catalisador da notícia da vacina o impulsionou para cima. 

Mas vale lembrar que essa é uma ação de empresa não-cíclica, que entrega retornos e dividendos consistentes. Não invista na Pfizer se você acha que essa é uma ação que vai quadruplicar de tamanho nos próximos meses. As chances dela repetir o desempenho superior ao seu médio prazo não são grandes. 

A mentalidade aqui deve ser de ‘value investing‘. O principal risco de investimento é, portanto, o crescimento mais lento do que o esperado para ciclos de produtos novos ou existentes.

Esperamos que com este artigo você saia mais bem informado na hora de considerar investir na Pfizer. 

Cabe ressaltar que a escolha é sua e deve fazer sentido com o seu perfil de risco, seus objetivos e suas expectativas no longo prazo!

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