Joesley Day completa quatro anos. Estas são as 3 lições que o dia deixou

Há quatro anos, no dia 17 de maio de 2017, o cenário político brasileiro era abalado por um áudio divulgado por Joesley Batista, dono da JBS.

Investigado na operação Lava Jato, Joesley gravou uma conversa com o então presidente Michel Temer no palácio do Planalto, em março de 2017, e o conteúdo foi divulgado pela imprensa na noite daquela quarta-feira de maio.

O áudio fazia parte de uma delação premiada acordada entre Joesley e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para reduzir a pena do empresário.

Você certamente lembra daquela edição especial do Jornal Nacional, que foi ao ar logo após a divulgação dos áudios pelo colunista Lauro Jardim. 

Com teor possivelmente bombástico, a conversa monopolizou as atenções naquela noite e caiu como um torpedo sobre a credibilidade de Temer.

No áudio, Temer diz “Tem que manter isso, viu?”, o que foi interpretado pela imprensa como um apoio do presidente ao silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, que estava preso à época e, segundo Joesley, recebia dinheiro para não contar o que sabia.

Com as informações circulando à noite, o dia seguinte foi caótico na Bolsa de Valores brasileira, a B3. 

Neste artigo, vamos lembrar dos impactos do Joesley Day, como o evento ficou conhecido, e selecionar algumas lições que extraímos da data, olhando em perspectiva, quatro anos depois daquela noite de maio.

Vamos lá?

O impacto do Joesley Day na Bolsa de Valores

Se a noite do dia 17 foi agitada na imprensa e nos bastidores de Brasília, o dia 18 ficou marcado pelo caos na Bolsa de Valores brasileira.

A data causou um impacto tão grande nos mercados que recebeu um nome próprio: Joesley Day.

Para entender o efeito do áudio gravado por Joesley nas expectativas dos investidores, é preciso lembrar que, naquela ocasião, o Brasil vivia uma transição entre a agenda econômica do Governo Dilma, que sofreu o impeachment no fim de agosto de 2016, e a agenda de Temer, que assumiu a presidência.

O Brasil havia passado pela maior recessão das últimas décadas e via indicadores econômicos preocupantes além do PIB: a inflação havia fechado 2015 na casa dos dois dígitos e o número de desempregados vinha em aceleração desde 2014, chegando a 13,2 milhões de pessoas em 2017.

Essa combinação de recessão econômica (quando o PIB cai) com inflação tem nome: estagflação. Trata-se de um dos piores cenários que uma economia pode enfrentar.

Foi nesse contexto que Temer assumiu, e logo tratou de montar um governo com uma agenda econômica mais liberal, o que atraiu a atenção dos investidores.

Propondo reduzir os gastos públicos e conter a trajetória da dívida brasileira, Temer e seu ministro da Economia, Henrique Meirelles, levaram a campo uma agenda que sinalizava mais responsabilidade fiscal.

No mercado financeiro, as propostas foram recebidas com entusiasmo. Até hoje, o mercado cobra a aprovação de reformas que tornem a máquina pública mais leve e abram espaço para o crescimento da economia, como a reforma administrativa e a reforma tributária.

Com alguns projetos já aprovados, como a PEC do Teto de Gastos e a reforma trabalhista, o mercado precificava uma retomada do crescimento, enquanto o Congresso se preparava para votação da reforma da previdência.

Neste momento, o áudio de Joesley se tornou público.

A reação do mercado financeiro foi imediata — como costuma ser em momentos de caos.

Com incerteza pela frente, já que ninguém sabia qual seria o impacto real do áudio sobre Temer e seu governo, parte dos investidores decidiu se desfazer de suas posições, temerosos pelo futuro.

Será que Temer termina o mandato? Existe a chance de impeachment? Ele pode renunciar? O que acontece se ele for investigado? Como fica a articulação no Congresso?

A força vendedora formada por essas dúvidas derrubou o índice Ibovespa naquele dia 18 de maio de 2017.

O índice chegou a cair -10,47% no dia, o que acionou o primeiro circuit breaker da Bolsa desde a crise de 2008. 

No fim do dia, o tombo foi de -8,8%, a maior queda em um único dia desde outubro de 2008.

Já o dólar disparou mais de 8%, com a fuga de capital estrangeiro do país diante da turbulência política.

Abaixo, você confere uma relação das empresas listadas na Bolsa que mais se desvalorizaram no fatídico Joesley Day:

EmpresaCódigoVariação no Joesley Day
RossiRSID3-23,28%
TriunfoTPIS3-21,85%
RandonRAPT4-20,18%
BanrisulBRSR6-20,15%
GolGOLL4-20,10%
Banco do BrasilBBSA3-19,91%
CemigCMIG4-19,78%
LightLIGT3-19,57%
DirecionalDIRR3-19,38%
SpringsSGPS3-18,98%
HelborHBOR3-18,77%
EvenEVEN3-18,53%
JHSFJHSF3-17,97%
GerdauGGBR4-17,09%
EletrobrasELET6-16,96%
RumoRAIL3-16,94%

Como se vê, foi um dia de sangue na Bolsa brasileira, que deixou muitos investidores com posições em renda variável de cabelo em pé.

Olhando em perspectiva, no entanto, é possível enxergar algumas lições do evento.

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Três lições que ficam, quatro anos depois do Joesley Day

Reunimos algumas das principais lições que o Joesley Day deixou para os investidores a seguir:

1. Ruídos não sobrevivem ao foco no longo prazo

Aqui na Warren, nosso CEO, Tito Gusmão, bate com frequência na tecla do longo prazo. 

Se você já assistiu a alguma live do Tito no Instagram, é possível que tenha decorado o discurso: “invista para ficar rico daqui quinze, vinte, trinta anos, e não para ficar rico amanhã”.

A lógica por trás desse pensamento é simples: a renda variável já se provou o melhor investimento para quem deseja acumular riqueza e construir patrimônio de olho no futuro.

Como os riscos são maiores, o retorno esperado no longo prazo também é. 

Você decide se expor ao risco e, em troca, pode ser recompensado com retornos muito superiores ao da renda fixa no futuro.

Além disso, é no longo prazo que os juros compostos fazem sua mágica.

Olhando em perspectiva, o Joesley Day nada mais é do que um ruído na trajetória do índice Ibovespa.

Nesses quatro anos, o índice subiu mais de 100%, mesmo considerando toda a crise provocada pelo Covid-19. 

O índice saiu da casa dos 60 mil pontos para os atuais 121 mil pontos.

Embora quatro anos ainda não possam ser considerados longo prazo, isso mostra que é recompensado quem tem paciência e enxerga, na Bolsa de Valores, uma oportunidade para lucrar se tornando sócio de boas empresas.

LEIA TAMBÉM | Investir em ações no curto prazo: é possível ganhar dinheiro? 

2. Só a diversificação salva

Quem tinha todo patrimônio alocado em ações brasileiras pode ter suado frio naquela quarta-feira em que a Bolsa despencou. 

Mas, para os que faziam uso da diversificação, como recomendamos aqui na Warren, é possível que o Joesley Day não tenha passado de um solavanco na trajetória.

Ao diversificar os seus investimentos entre diferentes classes de ativos e, melhor ainda, ativos descorrelacionados, você não coloca todos os seus ovos na mesma cesta. 

Em caso de um imprevisto que afete uma dessas empresas, título ou classe de ativos, os outros podem performar melhor, suavizando a queda.

Por isso, a diversificação é extremamente recomendada, seja qual for o seu perfil de investidor.

Na nossa carteira moderada, por exemplo, pelo menos 60% do portfólio é alocado em ativos de renda fixa, como títulos públicos e crédito privado.

Também temos, na nossa plataforma, opções para quem deseja se expor a fundos cambiais e ao ouro, além de Bitcoin.

Tudo isso permite compor um portfólio diversificado, que vai passar por esses períodos de turbulência sem causar pânico aos investidores.

3. Se as crises vêm e vão, é preciso aceitar a volatilidade

Engana-se quem pensa que investir é ver o dinheiro render todos os dias, sem percalços no meio do caminho.

A volatilidade, nome dado à flutuação do preço dos ativos, é inerente à renda variável

Por isso, quem deseja investir na Bolsa em busca de ganhos reais — acima da inflação — precisa aceitar que, por alguns dias, semanas, meses ou até anos, o seu investimento pode ficar negativo. 

Mais: dada a frequência com que as crises ocorrem no Brasil, é muito provável que isso venha, sim, a acontecer no futuro.

Desde o Joesley Day, os investidores brasileiros passaram pela greve dos camioneiros, um processo eleitoral com a prisão de um candidato, uma tentativa de homicídio de outro candidato, ruídos políticos constantes e uma pandemia. 

Não faltou volatilidade, assim como não faltaram oportunidades

Há, inclusive, uma frase que se atribui ao financista londrino Nathan Rothschild, que diz: “Compre ao som de canhões, venda ao som de trombetas”. 

O trocadilho dá a entender que é nos momentos de crise e incerteza que surgem as melhores oportunidades, porque investidores apressados tendem a se desfazer de suas posições a preços muito baixos.

Portanto, suportar a volatilidade ao investir em ações é parte essencial do processo de amadurecimento de qualquer investidor.

Mas isso não significa que quem não tem esse perfil de investimento em ativos de risco ou investe para o curto prazo não tem lugar no mercado financeiro.

Perfis desse tipo podem ficar confortáveis na renda fixa. É uma opção em que você abre mão das maiores possibilidades de retorno, em troca da segurança.

E você, quer ficar preparado para o próximo Joesley Day? Abra sua conta na Warren e descomplique os investimentos em renda variável com a gestão ativa dos nossos gestores.

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