Comecei a jogar tênis há cinco meses. E estas foram as 4 coisas que aprendi sobre investir

Ao recolher duas bolinhas no saibro e me deslocar para o fundo da quadra, disposto a confirmar o saque e empatar o set naquela manhã de sábado, várias coisas passaram pela minha mente.

Era apenas minha segunda partida em um torneio como tenista amador, e eu havia perdido o primeiro game sem fazer um ponto sequer.

Ainda atônito com o nível do meu adversário, eu tentava encontrar algum ponto frágil para explorar, buscando me adaptar a uma velocidade de jogo desconhecida por mim até então.

Devo sacar no backhand dele, correndo o risco de errar e cometer uma dupla falta? Ou vou para um saque seguro, mais fraco, e tento me manter no ponto?

Dentre todas as coisas que me afligiam naquele momento, porém, em nenhum momento eu cogitei o que aconteceria no minuto seguinte.

Antes de ver, eu ouvi.

Uma das cordas centrais da raquete se partiu durante o ponto, antes que eu conseguisse marcar o primeiro ponto da partida.

Jogo encerrado? Não, porque eu tinha outra raquete na mochila. Mas, ao mesmo tempo, não tinha. 

Como assim?

Vou explicar na sequência deste artigo, mas, antes de continuar, me permita contextualizar.

Sou produtor de conteúdo aqui na Warren, e comecei a jogar tênis há cinco meses, buscando uma alternativa de esporte seguro em tempos de pandemia. 

Neste período, aprendi muito sobre o esporte, mas também encontrei lições sobre outros aspectos da vida — incluindo os investimentos.

A seguir, vou abordar quatro aprendizados relacionados a investimentos que obtive nas quadras de tênis. 

Acho que a leitura pode ser produtiva para você, mesmo que você não seja um fã do esporte. Este é um convite para que você leia e tire suas próprias conclusões a respeito das lições elencadas. 

Raquetes em punho? Boa leitura!

1. A diversificação não é um fim em si mesmo

Naquela manhã de sábado no município de Portão, na região metropolitana de Porto Alegre, eu tinha uma raquete sobressalente na mochila, mas ela não era igual à que eu estava usando. 

Tamanho diferente, peso diferente, características diferentes.

Se você nunca jogou tênis, devo explicar que a raquete é uma extensão do braço, e cada mínimo detalhe exerce uma grande diferença sobre o jogo, porque o tênis é um esporte que exige precisão e motricidade fina, mesmo no nível amador.

De que adianta treinar e praticar por alguns meses com uma raquete se, na hora do campeonato, eu preciso usar outra completamente diferente?

Não é por acaso que tenistas profissionais carregam até sete raquetes idênticas na mochila, encordoadas horas antes do jogo: eles precisam garantir que terão, à disposição, o equipamento com o qual treinaram, capaz de potencializar o próprio jogo.

Alexander Zverev, Stefanos Tsitsipas, Roland-Garros 2021,
Alexander Zverev e Stefanos Tsitsipas com suas raqueteiras, antes de entrar em quadra para a semifinal de Roland Garros em 2021

No tênis profissional, os tenistas chegam a trocar de raquete diversas vezes por jogo, porque as cordas vão perdendo tensão durante a partida, o que impacta a potência e o controle.

Ao trocar de raquete naquele jogo que começava com o pior prenúncio possível, eu simplesmente não consegui executar nada do que vinha treinando nas semanas anteriores. 

Eu seguramente perderia a partida de qualquer forma, porque meu adversário era superior, mas perderia conseguindo colocar em prática o que treinei, e não jogando metade das bolas na rede e a outra metade para fora.

Mas o que isso tem a ver com investimentos?

Aqui, a lição é sobre diversificação

Diversificação, como você sabe, significa não colocar todos os ovos na mesma cesta. 

Uma carteira de ações diversificada, por exemplo, evita que uma oscilação atípica de uma única empresa venha a dilapidar o seu patrimônio.

Há especialistas que dizem que a diversificação é o único almoço grátis do mercado financeiro, porque ela permite reduzir o risco, sem necessariamente reduzir a expectativa de retorno. 

Mas, para isso, você precisa saber diversificar — exatamente o que eu não soube fazer.

Assim como de nada adianta ter uma raquete inadequada na mochila quando a sua raquete falhar, não faz sentido diversificar apenas em ativos correlacionados e da mesma classe.

Imagine, por exemplo, um investidor que tem cinco fundos de investimento em ações no Brasil e dez empresas com grande participação no Ibovespa na carteira, sendo cinco de commodities e cinco de consumo.

Quando um fato externo atingir o mercado de renda variável no Brasil, esse investidor estará diversificado?

Dentro da mesma classe de ativos, como ações, é recomendável que você diversifique entre empresas descorrelacionadas, de setores diferentes. 

Isso significa incluir na carteira empresas que se beneficiem da valorização do dólar e outras adequadas para surfar a retomada da economia no Brasil, por exemplo.

Energia elétrica pode ser um bom setor. Em geral, as empresas desse segmento são perenes, têm contratos longos, sobrevivem a períodos de crise e têm geração de caixa recorrente. Mas uma mudança na regulação do setor pode afetar a geração de lucro de todas ao mesmo tempo.

Além disso, é inteligente diversificar entre classes de ativos, respeitando o seu perfil de investidor, a sua tolerância ao risco e os seus objetivos de curto, médio e longo prazo.

Você diversifica na renda variável, diversifica na renda fixa e se expõe a ativos estrangeiros, seja através de fundos cambiais, ETFs ou BDRs

Há, ainda, a possibilidade de incluir aplicações focadas em ouro na carteira, além do Bitcoin e outras criptomoedas

Todas essas são maneiras de construir um portfólio sólido e diversificado, focado não apenas na rentabilidade do seu patrimônio, mas na preservação do valor com foco no longo prazo.

Na prática, é isso que a Warren faz por você quando você abre uma conta e define objetivos: selecionamos os melhores ativos para o seu perfil, com uma diversificação inteligente, conduzida pela nossa equipe de gestão.

E o melhor de tudo: por meio de um único aporte e pagando uma única taxa, você obtém toda essa diversificação.

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2. O nome do jogo é capacidade de adaptação

Nesse curto período em que estou aprendendo a jogar, enfrentei adversários de diversos níveis. Desde iniciantes, como eu, até jogadores mais experientes, com anos de prática. 

Foi ficando cada vez mais claro, nesse tempo, que o jogo de tênis exige uma constante capacidade de adaptação.

Adaptar-se ao adversário, ao clima, à bolinha e à quadra. Parece óbvio, mas essas mudanças nem sempre são triviais.

Na verdade, são elas que tornam o tênis um esporte tão apaixonante e multifacetado.

Enfrentar um adversário canhoto, por exemplo, é muito diferente de enfrentar um adversário destro. Há jogadores que preferem jogar no fundo da quadra, enquanto outros se sentem à vontade na rede. Há adversários que têm um saque potente como característica, enquanto outros não desistem de nenhum lance.

Todas essas características precisam ser levadas em consideração no momento do jogo, e quem não faz isso se torna uma presa fácil para os adversários.

No primeiro jogo deste mesmo torneio, enfrentei um adversário também iniciante, que tinha muita dificuldade em bater o backhand (o golpe com a mão não dominante).

Rapidamente, adaptei meu jogo e passei a explorar isso, mirando sempre à direita da quadra. É uma das estratégias mais simples do tênis, mas funcionou. 

Agora, vou desdobrar alguns dos detalhes não triviais que exigem adaptação dos tenistas:

O poder das bolinhas

Você sabia que, durante uma partida de tênis profissional, as bolinhas são trocadas a cada 9 games

Você já deve ter visto, antes de um saque, que o tenista pede algumas bolinhas aos boleiros e coloca várias na mão, para escolher a ideal. Mas você entende por que ele faz isso? Afinal, qual é a ideal?

escolhendo as bolinhas no tênis, foto
Escolher as bolinhas faz parte do ritual, mas há motivos para isso

Conforme o jogo avança e as bolas se desgastam devido ao impacto com as raquetes, que arremessam as bolas a uma velocidade de 200 km/h, o feltro vai se soltando da camada de borracha, e a bola, que é pressurizada, vai perdendo pressão.

Por isso, o sacador costuma escolher a bolinha mais nova — e mais rápida — para o primeiro saque, porque ela sofre menos resistência do ar e dificulta a devolução.

Para o segundo saque, quando ele erra o primeiro, a opção é pela bolinha mais lenta, porque ele não pode correr o risco de errar novamente.

Detalhes pequenos, mas com impactos enormes sobre o jogo. Se você não se adaptar, o adversário se adaptará, e você estará em desvantagem.

Talvez o fator que mais chame a atenção, quando falamos de adaptação, está relacionado às quadras.

O circuito profissional de tênis é disputado em três tipos de superfície: 

  • Saibro: a terra batida, formada por pó de tijolo, que tem o torneio de Roland Garros, em Paris, que Guga venceu três vezes, como Grand Slam
  • Grama: o mais antigo piso das quadras de tênis, é raridade no circuito atualmente, com destaque para o torneio mais tradicional do mundo, o Grand Slam de Wimbledon, em Londres
  • Quadra dura: piso emborrachado ou de cimento, que domina o circuito hoje, pela facilidade de manutenção. São dois Grand Slams de quadra dura: o Australian Open, em Melbourne, e o US Open, em Nova York.

Todos esses pisos exercem uma diferença enorme sobre o jogo. 

Simplificando, porque talvez você não esteja tão interessado assim nesse tema: na grama, o jogo se torna mais rápido, porque o atrito com a bolinha é menor e ela dispara quando toca as folhas. Já o saibro é a quadra mais lenta entre as três, porque a quadra é mais pesada, com mais atrito sobre a bola. A quadra dura é mais rápida que o saibro e mais lenta que a grama.

Rafael Nadal, com 13 títulos em Roland Garros, é considerado o melhor jogador no saibro da história do tênis.

Na grama, quem mais venceu foi Roger Federer, com oito títulos de Wimbledon.

Das quatro ocasiões em que eles se enfrentaram na grama de Wimbledon, Federer venceu três. Nos seis encontros no saibro de Roland Garros, Nadal conquistou a vitória.

Há algumas possíveis explicações para isso: Federer tem um dos melhores saques da história do tênis, e se aproveita disso muito bem em um piso rápido como a grama, em que a bola quase não perde velocidade ao quicar. 

Já Nadal é um dos tenistas capazes de gerar mais spin da história. Spin é o nome dado para a rotação da bolinha no ar. Quanto maior a velocidade desse giro, mais “pesada” a bola se torna para devolver, e mais para o fundo da quadra é possível empurrar o adversário. No saibro, quem não consegue gerar tanto spin não agride os adversários, porque a superfície é mais lenta. Por isso, entre outros fatores, Nadal se sobressai.

Novak Djokovic Rafael Nadal Roland Garros 2021
Rafael Nadal e Novak Djokovic na semifinal do saibro de Roland Garros, neste ano

A adaptação ao clima

Antes de avançar para falar de investimentos, me permita um último exemplo, que colhi na autobiografia de Andre Agassi, que, ao lado de Nadal, é o único tenista da história a vencer os quatro títulos de Grand Slam e também receber o ouro olímpico.

Em seu livro, Agassi relata as dificuldades para se adaptar ao saibro. Ele, que foi criado nas quadras duras dos Estados Unidos, sempre confiou no seu saque potente e em uma devolução da bola na subida, atacando os adversários. 

Mas, no saibro, essa característica não gera tanta vantagem.

Principalmente, e aqui vem o grande exemplo que quero mostrar, quando o dia é úmido ou frio. 

Capacidade de adaptação, lembra?

Ao chegar em Paris para o Roland Garros de 1999, Agassi trazia dois vice-campeonatos na bagagem, nos anos de 1991 e 1990. 

Ele também desembarcava com a missão de conquistar o último Grand Slam que faltava para chegar ao seletíssimo grupo de tenistas que venceram os quatro torneios mais importantes do tênis pelo menos uma vez.

Na final, Agassi enfrentou o ucraniano Andrei Medvedev, e começou o jogo em apuros. Muito por conta dos seus próprios erros e da parte mental, mas também por falta de adaptação ao pesado saibro parisiense naquele dia nublado.

Agassi perdeu o primeiro set por 6/1 em apenas 19 minutos. No segundo set, a chuva começou e o jogo foi interrompido. A quadra foi coberta por uma lona, mas o clima continuou úmido, assim como o saibro e as bolinhas. 

Em seu livro, ele fala sobre essa dificuldade: “Agora o dia ficou muito nublado, úmido, e essas condições atmosféricas parecem deixar Medvedev ainda mais forte. Ele joga de um ritmo cadenciado. É um elefante irado, aproveitando bem o tempo, com calma, me esmagando sob suas patas”, relata. Resultado: segundo set perdido por 6/2.

Como os Grand Slams são disputados em melhores de cinco sets, Agassi precisava vencer os próximos três sets para alcançar o sonho de vencer Roland Garros.

Eis que ele, tão adaptado ao tênis veloz, é beneficiado pelas condições de tempo, porque o sol reapareceu, secando o saibro e deixando o jogo mais rápido. “O vento soprou e as nuvens se afastaram. O sol secou o saibro, ele ficou duro de novo, e o ritmo agora está rápido como um relâmpago. Flagro Medvedev dando uma espiadinha aflita para o céu, quando voltamos para nossos lugares na quadra. Ele quer que as nuvens de chuva voltem. Ele não quer aquele sol de rachar de jeito nenhum”, conta Agassi.

Com o saibro seco, o jogo fica do jeito que Agassi prefere: “Faço o cara correr de um lado para o outro, bato na bola sem dó”, relata o americano, que acabaria vencendo os três últimos sets por 6/4 6/3 6/4, alcançando a glória eterna dos quatro títulos de Grand Slam.

Os melhores momentos da partida entre Agassi e Medvedev, e o saibro de Paris mudando de cor com o clima

Outro exemplo quase assustador de como o clima afeta o jogo: em 2019, o torneio de Roland Garros foi disputado em outubro, e não no final de maio e início de junho, como tradicionalmente ocorre, devido às restrições provocadas pela pandemia.

Neste ano, o torneio voltou ao calendário normal e uma comparação pôde ser feita entre dois jogos idênticos que ocorreram em 2020 e 2021, entre o espanhol Rafael Nadal e o argentino Diego Schwartzman. 

No outono de Paris, o clima ficou mais frio, com temperatura média na casa dos 15ºC. Em 2021, a temperatura média foi de 27ºC. Resultado: como o calor infla a bolinha e o clima frio e úmido a deixa mais pesada, a bola quicou, em média, 15 cm mais alto no jogo de 2021, na comparação com 2020.

a diferença no forehand de nadal, ilustração
A diferença de altura no forehand de Rafael Nadal em 2020 e 2021

Seus investimentos estão adaptados ao seu perfil? 

Contei esse exemplo de Andre Agassi e de Rafael Nadal para mostrar como o clima pode interferir em uma partida de tênis. 

Você deve ter notado que tudo diz respeito à capacidade de adaptação

E isso que não mencionei outras condições: em cidades mais altas, onde o ar é mais rarefeito, a bolinha sofre menos resistência e deixa o jogo mais veloz. O contrário ocorre ao nível do mar.

Todos esses exemplos devem ter cansado você, mas agora explico o motivo de tudo isso.

O tênis, assim como os investimentos, é repleto de nuances, que exigem constante capacidade de adaptação dos atletas e dos investidores.

Em uma conversa recente com o professor e doutor em finanças comportamentais Jurandir Sell, ele me contou que recebe, com frequência, perguntas sobre o melhor tipo de investimento, ou a melhor ação para investir.

Ele costuma rebater com um exemplo hipotético. Imagine que um cliente chegue à farmácia e diga à atendente: “Quero o melhor remédio que vocês têm”. Que tipo de resposta ele espera ouvir? 

É simplesmente impossível determinar o melhor remédio, porque isso depende de cada pessoa e do que ela está sentindo.

Com investimentos, ocorre o mesmo fenômeno. 

O melhor investimento para mim talvez não seja o melhor para você. Uma das primeiras regras dos investimentos é respeitar o perfil de risco e, mais do que isso, os objetivos de cada investidor.

A melhor aplicação para aquele dinheiro que você precisa com liquidez diária, na reserva de emergência, não será a mesma para o montante que você investe para construir patrimônio de longo prazo.

A melhor ação para quem tem 70 anos e perfil conservador não será a mesma para quem tem 20 anos e perfil arrojado.

Essa compreensão, embora seja básica, ainda faz falta a muitos investidores. E aqui surge, novamente, um diferencial da Warren.

Quando você abre sua conta com a Warren e começa a investir, a Warren identifica o seu perfil de investidor e oferece as melhores aplicações com base no seu perfil e nos seus objetivos.

A tão sonhada adaptação a poucos cliques de alcance.

3. Ser resiliente às vezes vale mais do que ser brilhante

Outra característica que torna o tênis um esporte tão dinâmico é o seu mecanismo de pontuação. Reviravoltas são extremamente comuns — dentro do mesmo game, do mesmo set e do mesmo jogo.

Imagine um cenário em que o jogo está 2/1 para você no primeiro set, e você saca em 40/30, a um ponto de avançar para 3/1. Mas você comete uma dupla falta e seu adversário vence os outros dois pontos. Resultado: 2/2.

Você esteve a um ponto de chegar a 3/1, mas perdeu três pontos e acabou empatando em 2/2. 

Esse tipo de dinâmica é muito comum e exige o melhor dos tenistas nestas horas mais decisivas, principalmente no tiebreak, quando dois pontos podem ser a diferença entre estar a um ponto de ganhar a partida ou a um ponto de perdê-la.

É preciso saber sofrer, e aqui está o segredo de outro tenista, do qual ainda não falei neste artigo: Novak Djokovic.

Djokovic não tem o forehand de Nadal, tampouco o saque de Federer. Ele não é carismático como o espanhol, ou elegante como o suíço. Mesmo assim, Djokovic tem números superiores a Federer e Nadal em muitos quesitos, e está a um Grand Slam de se igualar a eles, que possuem 20 títulos mais importantes do tênis cada um.

O segredo de Djokovic está no fato de ser um jogador extremamente completo, sem pontos fracos, e muito, mas muito consistente. 

Djokovic exige que seus adversários joguem o melhor tênis possível em cada ponto, o que o torna um oponente muito difícil de vencer.

Ele é consistente mesmo nos momentos de maior dificuldade, quando está pressionado e não pode errar. Nestas horas, para salvar um set point ou match point, por exemplo, Djokovic cresce, quando muitos tenistas sucumbem. 

Entre outros recordes, Djokovic ostenta o fato de ser o tenista que terminou mais semanas na liderança do ranking mundial. Ao longo desse período, ele enfrentou dezenas de tenistas que se provaram brilhantes em alguns games, sets ou mesmo partidas, enquanto ele manteve sua consistência e regularidade por tanto tempo.

dkokovic em wimbledon 2021, foto
Novak Djokovic jogando mesmo caído na sua estreia em Wimbledon, em 2021

A resiliência dificilmente salta aos olhos ou é apontada como a habilidade que mais chama atenção em um jogador, mas talvez o seu poder esteja, também, no fato de que é subestimada.

Nos investimentos, não é diferente, e isso tem tudo a ver com a missão de longo prazo, da qual tanto tratamos aqui na Warren.

Nosso CEO, Tito Gusmão, sempre reforça a mensagem de que você vai ficar rico com o fruto do seu trabalho e os investimentos vão potencializar e preservar isso no longo prazo.

Quem investe achando que vai ficar rico rápido, com apenas algumas aplicações certeiras, não é um investidor, mas um apostador.

Para ganhar dinheiro rápido, você precisa correr muitos riscos e ter uma habilidade muito acima da média do mercado. Dificilmente dá certo e a estatística diz que vai dar errado com você também.

Nos investimentos, ser consistente significa investir todos os meses, na alta ou na baixa. Significa suportar a volatilidade do mercado de ações, mesmo quando alguns circuit breakers batem à porta. Significa comprar quando todos estão vendendo. Significa ter uma visão de longo prazo, para daqui 10, 20 ou 30 anos, quando os juros compostos provocam um efeito de bola de neve na sua carteira.

LEIA MAIS | Você é um trader ou um investidor? Um conselho de Tito Gusmão 

4. O maior adversário pode ser você mesmo

Mais do que um esporte individual, o tênis é um esporte solitário. Profundamente solitário. 

No circuito profissional, não é permitido ao atleta se comunicar com o treinador, a família ou qualquer outra pessoa durante a partida. Mesmo entre os dois adversários, a orientação é nunca discutir. Se algo precisa ser dito, deve ser dito ao árbitro.

Por isso, é muito comum ver atletas conversando sozinhos, seja para se auto-motivar ou para chamar a própria atenção. 

É um fenômeno até certo ponto bizarro, mas também bastante compreensível.

O lado mental do tênis é fruto de estudos frequentes e exige preparação dos tenistas de todos os níveis. Há especialistas e jogadores profissionais que garantem: o tênis é, antes de tudo, um esporte mental.

Por isso, os atletas treinam a própria mente para lidar com as situações de desconforto dentro da partida. No livro “Winning Ugly: Mental Warfare in Tennis–Lessons from a Master”, o ex-tenista Brad Gilbert, que venceu 20 títulos na carreira e chegou ao 4º lugar no ranking mundial, explora com detalhes os aspectos mentais da partida.

Entre as lições, está forçar um estado máximo de atenção e concentração, mentindo a si próprio em relação ao placar em momentos chaves do jogo, e criar rituais para executar entre os pontos, a fim de limpar a mente e evitar um fluxo negativo de pensamentos.

Esses rituais podem ser simples, como caminhar até um ponto no fundo da quadra, olhar para um determinado local na rede, secar a testa com a toalha ou ajustar as cordas da raquete.

Roger Federer String Tension, foto
Roger Federer ajustando as cordas da raquete entre os pontos

Tudo isso ajuda a trazer a mente de volta para o presente, focando no próximo ponto, que é, de fato, a única coisa que importa dentro de uma partida.

Outra recomendação comum entre tenistas profissionais é deixar a emoção e os julgamentos de lado ao analisar um lance cometido.

Ao jogar uma bola na rede, a orientação não é xingar a si próprio, ficar revoltado ou se punir mentalmente. Mas sim analisar o lance de um ponto de vista puramente técnico, sem colocar emoções no julgamento. 

A bola foi na rede porque o movimento foi executado pela metade? Faltou um posicionamento melhor dos pés para completar o movimento? É necessário baixar mais a cabeça da raquete antes do contato? 

Todos esses são artifícios para controlar a própria mente, criando uma atitude positiva, capaz de colocar em quadra o melhor tênis possível.

No mundo dos investimentos, a mente também pode ser uma ótima aliada — assim como o seu principal adversário.

Não é de hoje que estudiosos e especialistas começaram a descrever os vieses cognitivos que afetam os investidores e prejudicam a tomada de decisão ao investir.

Em seu artigo aqui no blog da Warren, o doutor em finanças comportamentais Jurandir Sell explica que vieses cognitivos são “uma tendência sistemática de violar os axiomas da racionalidade ampla”.

Conhecer esses vieses é fundamental para controlá-los e reconhecer quando ocorrem, para se proteger deles.

A boa notícia é que, nos investimentos, uma estratégia simples pode ser bem-sucedida, caso você consiga controlar sua mente e suas emoções para tomar decisões que sigam o plano.

Em seu livro “A Psicologia Financeira”, Morgan Housel afirma: “O seu sucesso financeiro tem pouco a ver com o quão esperto você é, e muito a ver com como você controla o seu comportamento”.

Na minha curta experiência como tenista amador e como investidor, noto como seguir um plano é vital para saber o que fazer e como reagir em cada situação. 

Muitas vezes, seguir um plano nos investimentos significa não fazer nada — é a decisão consciente de não tomar decisões por impulso.

No tênis, pode significar montar uma estratégia e segui-la enquanto estiver dando resultados.

Fato é que, tanto no tênis como nos investimentos, sai na frente quem entende o poder da mente e se dispõe a controlá-la.

A lição que fica de tudo isso

Como você deve ter notado, eu mergulhei no universo do tênis nos últimos meses, buscando entender cada vez mais desse esporte tão fascinante.

Mas esse aprendizado também serviu para encontrar lições para outros elementos da vida, como os investimentos.

Um aprendizado final que posso citar, aqui, tem a ver com a compreensão da nossa própria ignorância e da necessidade de estarmos em constante evolução.

Eu acompanhava o tênis de longe há alguns anos, mas não fazia ideia do nível de detalhe por trás de cada decisão dentro da quadra. 

Nos investimentos, é semelhante: quanto mais aprendo, mais fico impressionado com o quanto há para aprender.

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