Geeked Week: como a Netflix vai usar o evento para continuar crescendo

Maior plataforma de streaming do mundo, a Netflix iniciou, nesta segunda-feira, um evento virtual batizado de Geeked Week.

Até sexta-feira, dia 11 de junho, a empresa, cujo BDR é negociado na Bolsa de Valores brasileira pelo código NFLX34, vai transmitir programas ao vivo em suas redes sociais para abastecer os fãs e assinantes da empresa com novidades de suas produções.

Os fãs podem esperar anúncios exclusivos, informações sobre lançamentos, novos trailers e entrevistas de celebridades para tratar de séries, filmes, animações, quadrinhos, jogos, zumbis, fantasia, monstros e ficção científica, entre outros assuntos.

É impossível negar que a sequência de lives é um prato cheio para os assinantes da plataforma e para os fãs do universo Netflix.

Mas o evento de cinco dias, que será totalmente gratuito e está em sua primeira edição, também mostra aos investidores da empresa o caminho que a Netflix está seguindo para manter sua trajetória de crescimento.

Listada na Nasdaq, uma das bolsas de valores dos Estados Unidos, desde 2002, quando ainda era apenas uma empresa de aluguel de DVDs por correspondência, a Netflix tem, hoje, mais de 208 milhões de assinantes espalhados por 190 países.

O número é expressivo e explica por que a gigante de tecnologia com mais de 9,4 mil funcionários tem valor de mercado avaliado em US$ 219 bilhões.

Mas, muito mais do que o retrato atual, os investidores de longo prazo olham para o futuro e acompanham o crescimento da empresa de perto.

Para usar um trocadilho que aproveita o assunto: eles estão interessados no filme, e não na foto.

Afinal, a Netflix tem espaço para continuar crescendo? A que ritmo? 

No seu resultado mais recente, a empresa reportou crescimento de 3,98 milhões na base de assinantes, contra 6,29 milhões esperados como consenso pelo mercado. 

É esse ritmo de crescimento que coloca um ponto de interrogação na cabeça do investidor de longo prazo da empresa, que olha para a concorrência acelerando e fica com uma visão nebulosa em relação ao futuro.

Neste artigo, você vai entender como a Geeked Week pode ser uma estratégia da Netflix para contornar estes desafios, e também vai entender quais são os três vetores de crescimento que a Netflix observa para os próximos anos. 

Vamos juntos? Boa leitura!

O que é a Geeked Week

O que é a Geeked Week, ilustração

A Geeked Week é um evento online criado pela Netflix em 2021 para repercutir e divulgar os conteúdos do universo Netflix, com uma enxurrada de notícias exclusivas, trailers inéditos, participações de celebridades, vídeos, bastidores, entrevistas, leitura de roteiros e shows ao vivo.

Como assistir à Geeked Week

A programação ocorre de segunda (07 de junho) à sexta (11 de junho), sempre às 13h (horário de Brasília), nas redes sociais da Netflix: Youtube, Facebook, Twitter, Twitch e TikTok.

Importante dizer que o evento é completamente gratuito. Ou seja: não é necessário ser assinante da Netflix para acompanhar os conteúdos. 

Atrações que serão pauta da Geeked Week

De acordo com a Netflix, mais de 50 atrações da Netflix serão pauta durante os cinco dias de evento, com destaque para Cobra Kai e Resident Evil, cujas continuações estão deixando os fãs ansiosos.

A seguir, reunimos uma lista com algumas das principais atrações que serão abordadas ao longo desses cinco dias: 

  • The Sandman
  • The Umbrella Academy
  • The Witcher
  • Gunpowder Milkshake
  • Cuphead – A Série
  • Arcane
  • Lucifer
  • Trilogia Rua do Medo
  • Castlevania
  • Mestres do Universo: Salvando Eternia
  • La Casa de Papel
  • Resident Evil
  • Cowboy Bebop
  • Cobra Kai
  • Godzilla Ponto Singular
  • Sweet Tooth

Agora que você já sabe o que esperar e como assistir à Geeked Week, chegou a hora de entender o papel do evento no embate dos streamings e na luta da Netflix para continuar crescendo.

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O papel da Geeked Week no embate dos streamings

A Geeked Week pode parecer apenas mais um evento para manter a base de fãs da Netflix engajada, mas é possível enxergar uma ação estratégica da empresa por trás dessa enxurrada de conteúdos.

Para desenvolver essa análise, precisamos entender, antes, a competição entre as empresas de streaming.

Líder global no segmento, a Netflix viu a sua base de usuários crescer vertiginosamente nos últimos anos. O gráfico abaixo deixa isso claro:

número de usuários da netflix, gráfico

Atualmente, a empresa possui mais de 208 milhões de assinantes que pagam para assistir aos conteúdos da empresa. Eles geraram uma receita de US$24,99 bilhões em 2020, um ano que ficou marcado pela ascensão da empresa em plena pandemia.

Para muitos analistas, a Netflix representou uma posição estratégica em tempos de isolamento social, já que a empresa acabou se beneficiando das restrições de circulação utilizadas para conter a pandemia. 

A lógica é simples: quando as pessoas precisam se entreter dentro de casa, a Netflix cresce como uma das principais opções.

Os números também mostram que, entre 2018 e 2020, a Netflix conquistou nada menos do que 100 milhões de clientes.

Mas o ritmo desse crescimento começou a diminuir, e é isso que causa preocupação entre os acionistas da empresa.

Market share em queda é motivo de preocupação

No primeiro trimestre de 2021, a Netflix adicionou apenas 3,98 milhões de clientes, frustrando a previsão da própria empresa de obter um crescimento de pelo menos 6 milhões de assinantes na base.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, já impactado pela pandemia, os números são ainda mais frustrantes: foram 15,77 milhões de clientes conquistados no primeiro trimestre de 2020.

O gráfico abaixo mostra o crescimento da base de usuários da Netflix ao longo dos últimos anos, deixando claro como o crescimento de 2021 está inferior. 

crescimento dos usuários da netflix, gráfico

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Ao mesmo tempo em que vê o crescimento de usuários diminuir, a Netflix percebe a concorrência crescendo a sua participação no mercado.

De acordo com relatório recente da Ampere Analysis, o market share da Netflix foi reduzido em 30% nos últimos meses: a fatia que a empresa tem do mercado caiu de 29% para 20%.

Isso se deve, em grande parte, ao crescimento da concorrência.

A plataforma HBO Max, que pertence à AT&T, alcançou 41 milhões de assinantes nos Estados Unidos dois anos após a sua criação. 

Já a Disney+, que figura como uma das maiores competidoras da Netflix, chegou a 100 milhões de assinantes em todo o mundo em março deste ano.

Ou seja: com apenas um ano e meio de vida, a plataforma já chegou à metade do número de assinantes da Netflix.

Quem também concorre nesse cenário é a Amazon, por meio da plataforma Amazon Prime Video. Neste caso, o serviço inclui vantagens no e-commerce e uma série de outros benefícios, além do acesso à plataforma de streaming. 

Mesmo assim, se sabe que a empresa possui mais de 200 milhões de assinantes do Prime, e a Amazon anunciou, recentemente, a aquisição do estúdio MGM, o que deve impulsionar o portfólio de vídeos na plataforma.

O cenário é desafiador e a competição é feroz, mas como isso se relaciona com a Geeked Week? A resposta está nas alavancas que a Netflix possui para continuar crescendo, como veremos a seguir.

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Como a Netflix vai continuar crescendo?

Em artigo recente, o analista Neil Patel, da The Motley Fool, elencou três triggers que a Netflix pode — e deve — utilizar para manter a sua trajetória de crescimento da base de assinantes e, consequentemente, da receita.

1. Conteúdo próprio e de qualidade

É aqui que Geeked Week entra como uma estratégia da Netflix para manter a audiência fiel, engajada e interessada pelos conteúdos da plataforma.

A Netflix surgiu como uma empresa que provocou uma disrupção na maneira como as pessoas assistem a séries e filmes pela televisão.

O formato “on demand” rompeu com a programação linear. Com a internet, o público passou a escolher o que assistir, quando assistir e onde assistir, sem ficar dependente da grade de programação. 

Não há dúvida que essa revolução já foi incorporada à rotina de milhões de pessoas ao redor do planeta, mas agora a Netflix deixa de ter o domínio sobre os conteúdos disponíveis na plataforma, e precisa competir com outras empresas e estúdios.

A saída? Produzir conteúdo próprio e de qualidade. 

Para muitos analistas, esse vai ser o diferencial da Netflix para manter a base de assinantes e continuar atraindo outros usuários: a exclusividade na distribuição de seus conteúdos próprios.

Investimento em conteúdos próprios cresce todos os anos

Não é de hoje que a empresa virou a chave e passou a investir pesado na produção de conteúdos próprios. 

Em 2020, a empresa investiu US$ 17,3 bilhões na produção de conteúdo, um aumento de 18,41% na comparação com 2019.

Entre 2016 e 2020, a taxa de crescimento do investimento da Netflix em conteúdos próprios foi de 28,93%, em média.

Quer mais uma amostra dessa mudança de estratégia? 

O volume de conteúdo original (em horas) produzido pela Netflix em 2018 e 2019 foi duas vezes maior do que todo o conteúdo lançado pela Netflix entre 2012 e 2017.

A tática vem dando certo. Na tabela a seguir, você confere as séries originais produzidas pelas plataformas de streaming que foram mais populares em janeiro nos Estados Unidos.

Série (Plataforma)Minutos assistidos nos EUA (em milhões)
Bridgerton (Netflix)1,386
Cobra Kai (Netflix)1,005
Night Stalker: The Hunt for a Serial Killer (Netflix)867
Lupin (Netflix)494
Chilling Adventures of Sabrina (Netflix)442
Wandavision (Disney+)434
Disenchantment (Netflix)401
The Crown (Netflix)394
Virgin River (Netflix)340
The Mandalorian (Disney+)339

A qualidade do conteúdo também é atestada pelas indicações ao Oscar: a Netflix recebeu 35 indicações para a cerimônia de 2021.

Em 2021, a previsão da Netflix é investir US$ 17 bilhões na produção de conteúdo, o que deve ajudar a sustentar o crescimento da base de assinantes da plataforma.

Neste contexto, a Geeked Week permite manter a audiência atualizada sobre todos os lançamentos e novidades que a Netflix está preparando para os próximos meses. 

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2. Expansão global

Atualmente, mais de 64% da base de assinantes da Netflix está em países fora dos Estados Unidos e do Canadá, o que indica que a empresa deve continuar sua expansão no exterior.

Nesse cenário, a Índia apresenta um enorme potencial de crescimento, porque a Netflix tem apenas 5 milhões de usuários no país, de acordo com a empresa de consultoria Media Partners Asia.

Para acelerar o crescimento, a Netflix deve lançar 40 produções locais na Índia apenas neste ano. A empresa já revelou que vê, na Índia, um potencial enorme para crescer a sua base de usuários.

Recentemente, a empresa também anunciou a sua primeira produção local na Rússia: ANNA K., uma adaptação do clássico de Tolstói.

Na América Latina, a Netflix possui 37,5 milhões de usuários. Somos responsáveis por 18,43% da base de assinantes da empresa. 

No momento, a Netflix tem conteúdos distribuídos em mais de 30 idiomas ao redor de 190 países. 

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3. Novas fontes de receita

Finalmente, outro vetor de crescimento da Netflix é um campo ainda pouco explorado pela empresa. 

Estamos falando de outras fontes de receita, além da assinatura mensal que os clientes pagam.

A Netflix já anunciou que nasceu sem anúncios e deve permanecer assim, mas há outros meios de monetizar o conteúdo produzido por ela.

Uma das alternativas está em migrar para o mundo dos games, mesmo que de forma modesta neste primeiro momento. Hoje, a empresa já faz o processo reverso — produz séries e filmes a partir dos games, como ocorreu com Resident Evil.

Não se sabe se a Netflix vai licenciar suas séries e filmes originais para a indústria de games, ou produzir por conta própria, mas os investidores estão de olho nesses movimentos, que podem significar uma receita adicional à empresa. 

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Netflix garante que há espaço para todos e mira longo prazo 

Em seu site de relacionamento com os investidores, a Netflix reconhece que a concorrência no mundo dos streamings aumentou, mas observa que há espaço para o mercado crescer de forma conjunta.

“Nós competimos por uma parcela do tempo gasto pelos nossos clientes em entretenimento, contra a rede de televisão tradicional, televisão a cabo, redes sociais, videogames, revistas, pirataria e muito mais. Ao longo dos próximos anos, a maioria dessas formas de entretenimento vai melhorar”, escreve a empresa.

“Como a indústria de entretenimento é tão ampla, várias empresas podem obter sucesso. Por exemplo: ABC e NBC têm competido historicamente por audiência. mas também coexistiram com sucesso por muitas décadas. Da mesma forma, no mundo do streaming e do entretenimento, a HBO está crescendo mais rápido do que nos anos anteriores, enquanto nossos negócios também estão se expandindo. Muitas pessoas assinam a HBO e a Netflix, porque temos diferentes conteúdos exclusivos”, afirma a empresa.

Além disso, a companhia sempre faz questão de lembrar que está em um jogo de longo prazo, em que o “on demand” deve substituir a programação de televisão tradicional. 

“Mudanças dessa magnitude são raras. O rádio foi a mídia dominante por quase 50 anos, até que a TV assumiu o controle nos anos 1950 e 1960. A programação de TV foi um grande avanço em relação ao rádio, e empresas muito grandes surgiram para atender aos desejos dos consumidores nos últimos 60 anos”, avalia a empresa.

“A nova era de streaming de entretenimento, que começou em meados dos anos 2000, provavelmente será muito longa e duradoura, dada a flexibilidade e onipresença da Internet em todo o mundo. Esperamos continuar sendo uma das empresas líderes da era do entretenimento por streaming”, concluem, indicando para os investidores que, apesar dos desafios de curto prazo, o foco está nos próximos anos e nas próximas décadas.

Como investir na Netflix

Você acha que a Netflix cabe na sua estratégia de investimento de longo prazo e gostaria de investir na companhia?

Uma das opções mais simples para fazer isso é investir no BDR da empresa, negociado na Bolsa de Valores pelo código NFLX34.

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Outra opção, para quem não deseja investir por conta própria e prefere ter a gestão de especialistas por trás, é investir no nosso fundo Warren Tech, que investe na empresa, ou no fundo Warren USA, que busca exposição ao S&P 500, índice do qual a Netflix faz parte.

Neste ano, as ações da Netflix nos Estados Unidos estão em queda de aproximadamente 10%. Em 2020, as ações da empresa cresceram mais de 100%.

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