O que a nota de R$ 200 significa para os seus investimentos

Poucos minutos depois de o Banco Central anunciar, no fim desta quarta-feira, que colocará em circulação uma nova nota de R$ 200, já era possível observar todo tipo de reação na internet.

Da curiosidade pela estampa com o personagem lobo-guará à indignação de quem já prevê dificuldades para trocar a nota de R$ 200 no comércio, as redes sociais foram tomadas por comentários — e, claro, pelos habituais memes.

As notas entrarão em circulação a partir do final de agosto, e o Banco Central prevê colocar 450 milhões de unidades da nova cédula na economia até o final de 2020, o que totalizará R$ 90 bilhões. 

Mas que mensagem o Banco Central passa ao expandir a “família Real”?

A justificativa está na pandemia causada pelo novo Coronavírus, que provocou um aumento na demanda por dinheiro em espécie. Não se trata, segundo o Banco Central, de uma política monetária com efeitos sobre a inflação.

Vamos entender melhor?

Efeitos da pandemia explicam a nota de R$ 200 

A justificativa do Banco Central para a criação da nova nota gira em torno dos efeitos da pandemia. A entidade informou que, em março, a quantidade de dinheiro vivo com a população era de aproximadamente R$ 216 bilhões. Desde então, o montante começou a subir rapidamente, até atingir R$ 277 bilhões.

Papel moeda em poder público, com dados do Banco Central

O aumento da circulação do dinheiro nas mãos dos brasileiros nos últimos meses foi causado, principalmente, pelo entesouramento, nome dado pelo Banco Central para a prática de guardar dinheiro em casa, a famosa “reserva debaixo do colchão”. Assim, o dinheiro em circulação acaba diminuindo.

Além da redução da atividade econômica, que motiva esse entesouramento, também há a tendência de parte da população recorrer a saques para formação de reservas. 

O chefe do departamento de estatísticas do Bacen, Fernando Rocha, pontua um terceiro motivo para esse crescimento do dinheiro guardado em casa: os beneficiários do auxílio emergencial que receberam o benefício em espécie não colocaram o dinheiro na economia com a velocidade esperada pelo Banco Central.

Trata-se, portanto, de uma medida preventiva, como afirmou a Diretora de Administração do Banco Central, Carolina Barros, no comunicado divulgado pelo Banco Central: “Com a produção da nova cédula, o Banco Central atua preventivamente para o caso da população demandar ainda mais dinheiro em espécie”.

Segundo ela, o Banco Central não tem como prever por quanto tempo o hábito de aumentar as reservas financeiras em dinheiro vivo vai perdurar. “Como o dinheiro ainda é base de nossas transações, entendemos que o momento é oportuno para o lançamento da nova cédula”, disse.

Na justificativa, o Banco Central também divulgou alguns dados que mostram que o dinheiro ainda é protagonista no dia a dia de boa parte dos brasileiros.

Formas de recebimento mais frequentes, com dados do Banco Central

O fantasma da inflação está de volta com a nota de R$ 200?

O Banco Central deixou claro, no seu comunicado, que a criação de uma nova cédula não tem relação com a inflação, até porque ela segue dentro da meta estipulada na política monetária.

De acordo com o boletim Focus mais recente, divulgado na segunda-feira (27/07) com as expectativas do mercado para a economia, o IPCA deve fechar o ano na faixa de 1,66%. 

É devido ao controle da inflação, inclusive, que o Copom reduziu a taxa Selic para 2,25% ao ano em junho, renovando o seu menor patamar histórico.

De fato, o fantasma da hiperinflação que aterrorizou os brasileiros no início da década de 1990 parece distante. A entrada em circulação do Real em 1º de julho de 1994 mudou o cenário de uma inflação que, segundo o Banco Central, chegou a 4.922% em junho de 1994, no acumulado em doze meses, às vésperas do lançamento da nova moeda.

Mas também é impossível negar que o Real enfrentou uma desvalorização acentuada desde então. A nota de R$ 100, por exemplo, valeria menos de R$ 15 em valores da época de lançamento do Real. Isso porque, desde o início do plano, a inflação soma mais de 500%. Já a recém anunciada nota de R$ 200 seria o equivalente a menos de R$ 30 em valores de 1994.

Vale lembrar, também, que a criação de uma nova nota não significa, por si só, que o Banco Central vai emitir mais dinheiro. A quantidade de dinheiro em circulação, guiada pela política monetária, não mudou. O que mudou foi apenas a maneira de disponibilizar esse montante.

Como ilustração, vale comparar as moedas mais altas de outras economias, corrigidas pelo dólar.

Fonte: Banco Central

A nota de R$ 200 será equivalente, portanto, a US$ 39, enquanto países mais desenvolvidos contam com notas com peso maior. 

A comparação nos mostra, também, que a vizinha Argentina, por exemplo, tem sua maior cédula como de 1.000 pesos argentinos, o que equivale a apenas US$ 14. É uma amostragem de como a inflação pode corroer o poder de compra e o valor da moeda local na comparação com o dólar, a moeda mais forte do mundo.

Como se proteger contra a inflação

Se você está preocupado com a inflação e deseja proteger o seu patrimônio — ou parte dele — contra a desvalorização do real, há algumas opções.

Uma das alternativas mais indicadas, para começar esse assunto, é procurar investimentos que proporcionem um ganho real: acima da inflação do período.

Com a Selic nas mínimas históricas, o juro real negativo virou uma realidade que está batendo à porta dos brasileiros. Isso explica, também, a migração de pessoas físicas para ativos de risco, como investimentos de renda variável, com destaque para a Bolsa de Valores e o mercado acionário.

LEIA MAIS: Fundo de renda variável: como e por que investir

Mas também há quem encontre ganhos reais com a renda fixa. Essa é a missão, por exemplo, do Fundo Warren Crédito Privado, que investe em títulos privados, como LCI, LCA e debêntures.

Para quem deseja ir além, ainda podemos citar outras três opções que vêm se tornando cada vez mais comuns: o investimento em ouro, dólar ou criptomoedas, ativos que são considerados, por alguns investidores, uma reserva de valor na comparação com o real.

Como a nota de R$ 200 repercutiu no mercado financeiro

Entenda como foi a reação do mercado sobre a nota de R$ 20,00, ilustração

Economista e analista de renda variável da Warren, Igor Cavaca entende que a criação da nota de R$ 200 possui uma forte relação com a inflação acumulada desde 1994. “Com a inflação, o que vemos é que a moeda vai perdendo valor, de modo que precisamos carregar mais moeda com o tempo, tornando mais custoso o processo de transação”, diz. 

“Quando isso acontece, buscando facilitar esse processo, os Banco Centrais vão criando moedas para com valores mais altos para atender essa demanda e reduzir a necessidade de se carregar um grande número de cédulas. Com a inflação desde a criação do real, R$ 100 em 1994 é equivalente a R$ 621 de hoje. Então essa nova moeda vem para atender essa demanda”, conclui Igor.

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Por que o lobo-guará?

Mas por que a nota de R$ 200 será estampada com a figura do lobo-guará?

Mamífero do cerrado brasileiro, o lobo-guará está na fila para estampar uma nota de real desde 2001. Naquele ano, o Banco Central conduziu uma pesquisa para escolher os espécimes da fauna brasileira que seriam inseridos nas novas notas do Real.

Os dois animais mais votados, à época, foram a tartaruga marinha e o mico-leão-dourado. A tartaruga ficou com a nota de R$ 2,00, e o mico-leão-dourado estampou a nota de R$ 20,00. Terceiro mais votado, o lobo-guará ficou aguardando na fila, até hoje. Agora, ele entra para a seleta lista de animais homenageados. 

A lista completa ficará assim:

  • R$ 1,00: Beija-flor-de-peito-azul (descontinuada);
  • R$ 2,00: Tartaruga marinha;
  • R$ 5,00: Garça;
  • R$ 10,00: Arara;
  • R$ 20,00: Mico-leão-dourado;
  • R$ 50,00: Onça Pintada;
  • R$ 100,00: Garoupa
  • R$ 200,00: Lobo-guará.

Se você está preocupado com o seu poder de compra e quer fazer o seu dinheiro render acima da inflação, a Warren está te esperando com uma diversificação completa para os seus investimentos, respeitando o seu perfil de investidor e os seus objetivos. 

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