Como demorei tanto tempo para perceber o óbvio?

Em meados dos anos 1980, consegui realizar um velho sonho: comprar minhas primeiras ações. Nessa época, eu era bastante influenciado pelas ideias do economista Milton Friedman, que afirmava que a responsabilidade social afeta negativamente o desempenho financeiro de uma empresa.

A duras penas, aprendi a importância da governança corporativa, coisa rara no Brasil do século passado. Governança corporativa é quando uma empresa respeita seus acionistas, de modo que o menor e o maior deles têm tratamento idêntico.

Em 2001, fui fazer o sanduíche do meu doutorado em Montreal. Um dia, andando na livraria da universidade, me deparei com um livro de título estranho: Cannibals with forks: the triple bottom line of 21st century business

Para o autor de “Canibais com garfo”, John Elkington, as empresas deveriam se preocupar com os fatores financeiros, ambientais e sociais, o que ele denominou como triple bottom line.

Esse assunto não saiu mais da minha cabeça. Logo depois, fiquei sabendo de um grupo em Londres que demonstrou a existência de uma correlação positiva entre empresas que respeitam o triple bottom line e o retorno financeiro de suas ações, em uma clara oposição ao que aprendi com Friedman.

Em 30 de novembro de 2005, a então Bovespa, atual B3, criou o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), agregando empresas que, além da eficiência econômica, buscam equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa. Desde então, o desempenho do ISE é 32% superior ao do Ibovespa.

Em todo o mundo, os dados são impressionantes: empresas que olham além do lucro têm obtido desempenhos superiores aos das empresas da velha escola. 

Assim, atualmente, um dos mantras dos investidores é a sigla ESG (Environmental, Social, Corporate Governance), que designa empresas preocupadas com o meio ambiente, a sociedade e a governança corporativa. 

Quando olho para trás, me pergunto como demorei tanto tempo para perceber o óbvio. 

Hoje, além de olhar com extrema atenção para a governança corporativa, busco empresas que respeitem os outros critérios ESG.

Neste ano, me tornei cliente da Warren e escolhi colocar o Warren Green na minha carteira de longo prazo. Assim, estou fazendo bem para o meu bolso e ajudando a entregar um mundo melhor para meus filhos e netos.

Quer saber mais? Leia a Warren Magazine. A edição mais recente foi especial Warren Green. Clique para ler ou, caso prefira baixar o PDF da revista, acesse aqui.

Se você quiser ler outros artigos do Jurandir, acesse:


abra sua conta trade warren