Os resultados trimestrais de Apple, Amazon, Alphabet e Facebook

No meio de uma das maiores crises da história, com perda de receita e lucratividade na maior parte das empresas do mundo, vemos uma tendência completamente distinta no setor de tecnologia

A crise trouxe mais uma oportunidade de lucrar. E mais, acelerou todo o processo de modernização do consumo. O setor está surfando na mudança de comportamento do consumidor e absorvendo a maior parte do consumo mundial. Isso é refletido nos resultados melhores que o esperado de todas essas empresas.

Juntas, Apple, Amazon, Alphabet (a holding do Google) e Facebook representam 20% da composição do S&P 500, um dos principais índices da bolsa de valores americana. 

E todas elas estão presentes no fundo de ações americanas da Warren.

Ainda não é cliente da Warren? Comece agora!

Apple: crescimento de 12% do lucro

O segundo trimestre da maçã mais famosa do mundo superou todas as expectativas do mercado e confirma, mais uma vez, a relevância que a empresa apresenta no setor de tecnologia. 

A divulgação dos resultados aponta um aumento de arrecadação em todos os setores da Apple. 

Com uma receita de US$ 59,7 bilhões entre abril e junho deste ano (11% a mais que no mesmo período do ano anterior) e um lucro líquido de US$ 11,3 bilhões (12% a mais que em 2019), a empresa liderada por Tim Cook vê suas ações chegarem próximo ao valor de US$ 400. 

Por isso, anunciou um desdobramento de 4 para 1 nos seus papéis, o que irá possibilitar ao investidor a compra de um papel da empresa por aproximadamente US$ 100. 

As vendas de iPhone e Mac continuam muito bem, obrigada, assim como outras verticais da companhia, como mostramos abaixo:

  • iPhone: US$ 26,4 bilhões (+1,7%)
  • Mac: US$ 7,1 bilhões (+21,6%)
  • iPad: US$ 6,6 bilhões (+31%)
  • Vestíveis, Casa e Acessórios: US$ 6,5 bilhões (+16,7%)
  • Serviços: US$ 13,2 bilhões (+14,8%)

No relatório divulgado, a Apple comentou também o esperado lançamento do iPhone 12. A ideia é que a próxima geração do smartphone seja o primeiro 5G da gigante da tecnologia, que vinha sendo criticada por demorar a colocar no mercado uma edição com este tipo de conexão à internet. 

Após a divulgação do balanço, as ações da Apple tiveram uma alta de 6,25% no after market.

Amazon: lucro 7 vezes maior que o esperado

Outra gigante que está rindo à toa com os resultados é a Amazon, que obteve um lucro 7 vezes maior que esperado no segundo trimestre do ano. 

A empresa de Jeff Bezos registrou um lucro por ação de US$ 10,30, quando a análise feita pela Bloomberg mirava um lucro de US$  1,51.

Mesmo gastando mais de U$$ 4 bilhões com custos relacionados ao Covid-19, a receita da Amazon ficou em US$ 88,9 bilhões, contra os US$ 81,24 bilhões esperados pelo mercado. 

“Criamos mais de 175 mil novos empregos desde março e estamos no processo de colocar 125 mil destes funcionários em cargos regulares e em período integral”, afirmou o CEO Jeff Bezos em comunicado.

O impulso foi dado pelo fluxo de caixa operacional, que subiu para US$ 51,2 bilhões nos últimos 12 meses. Uma alta de 42% em comparação com o mesmo período do ano anterior. 

Isso é o reflexo claro e cristalino do comportamento dos consumidores durante a pandemia: as compras online dispararam desde o início do ano. 

Após a divulgação do balanço, as ações da Amazon subiram 0.6%, mas no after market da Bolsa americana, a valorização era de 4,89%.

Alphabet: queda inferior à projeção do mercado

Os resultados trimestrais da Alphabet, controladora do Google, caíram pela primeira vez nos 16 anos que a empresa está listada na Bolsa americana. Mas este resultado não desanimou o mercado, já que a queda foi  2% menor do que o esperado pelos especialistas.

Embora a pandemia tenha feito com que as pessoas ficassem mais em casa e, por consequência, passado mais tempo navegando pela internet, quem tomou o pênalti foram os anunciantes do Google, que sofreram quedas drásticas no orçamento de mídia durante a pandemia. 

Na divulgação, a Alphabet anunciou que a receita geral da empresa encerrou o segundo trimestre em US$ 38,3 bilhões. 

Deste número, 66% veio de anúncios do Google e YouTube, 12% de anúncios online vendidos por parceiros, 8% de seus negócios na nuvem e 14% de sua loja de aplicativos para smartphones e de outras empresas menores. 

O lucro trimestral foi de US$ 6,96 bilhões (US$ 10,13 por ação). Um resultado acima da estimativa dos especialistas, que era de US$ 5,645 bilhões, ou US$ 8,29 por ação.

Após a divulgação do balanço, as ações da Alphabet tiveram alta de 0,65%.

LEIA MAIS | Como e por que investir em ações americanas?

Facebook: superando expectativas apesar do boicote

No último mês, o Facebook sofreu um boicote sem precedentes, que atraiu o apoio de empresas, como Unilever, Starbucks e Coca-Cola Co (KO.N). 

As companhias cobravam que a plataforma tomasse providências contra a propagação de conteúdo racista e discurso de ódio, o que resultou em uma queda expressiva no seu valor de mercado.

Mesmo assim, o Facebook superou as estimativas dos analistas no seus resultados financeiros do segundo semestre.  Devido à pandemia de Covid-19, as empresas passaram a priorizar seus recursos de marketing na plataforma, de modo que usavam suas ferramentas de publicidade digital para aumentar as vendas online.

O crescimento da receita foi o mais lento de todos os tempos, reportado em 11%. Mesmo assim, superou as expectativas dos analistas, que previam uma redução de 3%, segundo dados do Refinitiv, do IBES. 

Quase toda a receita do Facebook vem das vendas de anúncios, que aumentaram 10% no período, para US$ 18,3 bilhões. Além disso, os usuários ativos mensais subiram para 2,7 bilhões, acima das estimativas de 2,6 bilhões.

O presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, disse em abril que o Facebook controlaria os custos este ano em resposta à pandemia, sem “pisar no freio” de investimentos estratégicos. 

Os custos e despesas totais aumentaram 4%, para US$ 12,7 bilhões no segundo trimestre, em comparação com os US $ 12,5 bilhões previstos pelos analistas.

Já o lucro líquido foi de US$ 5,2 bilhões, ou US$ 1,80 por ação. O esperado pelos  analistas era um lucro de US$ 1,39 por ação no período. 

Após a divulgação do balanço, as ações do Facebook subiram 6,18%

LEIA MAIS | Apple x Microsoft: duas gigantes que não pararam de crescer

O que essas empresas têm em comum?

Todas elas são empresas de tecnologia, um setor que está sob os holofotes desde a rápida recuperação que tiveram em tempos de pandemia. 

Alguma delas já estão há bastante tempo no mercado, já enfrentaram algumas crises e sobreviveram. Muitas outras já não estão mais dando as caras no noticiário, e isso está bem associado à forma como essas companhias são criadas e como sobrevivem no mercado.

Igor Cavaca, analista de renda variável da Warren, explica que, quando observamos a estrutura de mercado dessas empresas, conseguimos extrair alguns fatores que determinam sua perpetuidade.

“A primeira refere-se à diferenciação de produtos. Todas criaram um produto que, até aquele momento, não existia no mercado ou tornaram mais eficiente uma operação. Isso significa que elas terão um pequeno monopólio até o momento em que alguém conseguir fazer algo parecido. Nesta condição, elas conseguem extrair mais recursos do mercado”.

O segundo fator gira em torno da Integração Vertical. Igor dá como exemplo o caso da Apple, que atua em todas as etapas de desenvolvimento do produto, como a criação, o design, até a experiência que o consumidor tem quando entra em uma loja física. 

“Essa experiência faz com que aquela máxima de que “o cliente é rei” seja verdade. A Apple busca te oferecer a melhor experiência. E o que isso implica? Quando você é bem atendido, você vai voltar!”.

O terceiro ponto é que todas essas empresas são globais.  Se você está no comando de uma empresa grande e significativa, é natural aspirar torná-la uma gigante a nível global. 

“Por fim, o quarto ponto é a localização. Sim, todas essas empresas vieram do famoso Silicon Valley. Passaram até a criar outros “Silicon Valleys” pelo mundo. E sabe por que isso é importante? Porque todas as novas inovações continuam surgindo de lá”.

Gosta do mercado financeiro? Assine a Warren Pills e receba uma newsletter inovadora com conteúdo leve e informativo todas as semanas.

Mas o que isso tem a ver com você e seus investimentos?

O impacto dos resultados nos seus investimentos, ilustração

No centro de uma polêmica envolvendo o presidente Donald Trump, as quatro gigantes do mercado de tecnologia testemunharam perante o Congresso americano, no dia 30 de julho, para justificar o motivo pelo qual elas não podem ser acusadas de monopólio global. 

Os quatro CEOs responderam a perguntas dos parlamentares da Câmara, que investigam as práticas de negócios de suas empresas há mais de um ano. A suspeita é que elas destroem a concorrência e prejudicam os consumidores. 

O que o Congresso está tentando entender é se essas empresas têm comprado seus concorrentes em suas fases iniciais e absorvido a maioria das inovações que estão para surgir. 

Neste caso, essas empresas teriam um potencial muito grande de monopólio, determinando preços mais altos aos consumidores. Mas isso são cenas para os próximos capítulos.

Tem interesse em investir nessas ações? O fundo Warren USA tem a missão de superar o índice S&P 500, com exposição às maiores empresas do mundo. A exemplo de todos os outros fundos da Warren, ele não tem taxa de performance, nem de administração.

Abra sua conta e comece a investir com a Warren. É grátis.

Se você gostou deste conteúdo, nós achamos que você também vai se interessar por: