Copom confirma tendência e eleva Selic para 3,5%: como ficam os seus investimentos?

Confirmando a expectativa do mercado financeiro e uma tendência indicada pelo próprio Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na última reunião, a taxa Selic foi elevada para 3,5% na reunião encerrada no fim de tarde desta quarta-feira.

Na reunião anterior, na qual o comitê elevou a taxa Selic para 2,75%, um novo aumento de 0,75 p.p já havia sido sinalizado.

A principal justificativa para esse ciclo de alta dos juros é a pressão inflacionária, já que a taxa Selic é a principal ferramenta utilizada pelo Banco Central para cumprir as metas da política monetária.

Mas a elevação da taxa Selic também afeta de forma decisiva os seus investimentos, tanto de renda fixa, como de renda variável

Principalmente com a possível elevação para 4,25% na próxima reunião, já sinalizada pelo Copom.

E o que fazer neste cenário? Chegou a hora de voltar para renda fixa? Como ficam os investimentos na Bolsa de Valores?

Vamos responder essa e outras perguntas neste artigo. Boa leitura!

Antes de continuar: o que é a taxa Selic?

entenda o que é a taxa Selic, ilustração

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, que serve como referência para todos os juros praticados no país. Isso vai do financiamento da dívida pública por parte do governo aos financiamentos que você acessa no dia a dia.

Ela é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para conduzir a política monetária.

A política monetária tem como principal missão garantir o poder de compra do real, a moeda dos brasileiros. 

Como você sabe, o poder de compra da moeda é corroído pela inflação ao longo dos meses. A inflação é sentida pelo aumento dos preços dos produtos e serviços, mas tem como consequência justamente essa desvalorização da moeda.

Movimentando a taxa Selic, o Copom pode decidir aquecer a economia, quando baixa os juros e estimula o consumo, ou esfriar a economia, quando eleva os juros e torna o acesso ao dinheiro mais caro.

Soma-se, nesse pêndulo de equilíbrio constante, a inflação, que tende a cair quando o juro sobe, porque o dinheiro passa a circular menos na economia, e subir quando o juro cai, porque o dinheiro a juros baixos circula facilmente.

Agora que você entendeu a influência vital da taxa básica de juros na política monetária, vamos entender como a Selic afeta os investimentos.

O valor da Selic é praticamente espelhado pelo CDI, uma taxa referente ao valor que os bancos pagam para fazer empréstimos diários entre si. 

O CDI é o principal benchmark dos investimentos em renda fixa. Ele é considerado o retorno esperado para investimentos livres de risco, já que títulos públicos como o Tesouro Selic pagam 100% da taxa Selic.

Quando essa taxa cai abaixo da inflação do período, chegamos a um cenário de juro real negativo, em que a taxa básica de juros é inferior à inflação.

Esse cenário já é realidade há alguns anos em economias desenvolvidas, na Europa e na América do Norte, onde a estabilidade dos governos permite que eles paguem muito pouco, ou quase nada, para quem empresta dinheiro a eles. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, o FED manteve a taxa básica de juros entre 0% e 0,25%.

No Brasil, o cenário de juro real negativo é recente, e foi alvo de críticas por parte de economistas, já que o Brasil é um país emergente e de dívida alta, que precisa de dinheiro para financiar os próprios gastos.

Como o CDI é o principal benchmark da renda fixa, os títulos de renda fixa passam a pagar menos quando a Selic cai. 

Para quem deseja obter ganho real — acima da inflação —, a alternativa que resta é a renda variável, como o investimento em ações.

Na renda variável, os riscos são maiores e a volatilidade também, mas o potencial de retorno dos investimentos também é superior.

Então, em resumo, de maneira geral, é possível dizer que:

  • Quando a Selic sobe, a renda fixa fica mais atraente
  • Quando a Selic cai, a renda variável fica mais atraente

Ficou claro? Vamos voltar a esses pontos na sequência do artigo. Antes, vale a pena entender as projeções do mercado financeiro para a taxa Selic.

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Mercado precifica alta e espera Selic em 5,5% no fim do ano

Mercado precifica alta e espera Selic em 5,5% no fim do ano, ilustração

Entre os agentes do mercado financeiro, há a expectativa de que a Selic chegue ao patamar de 5,5% no final do ano. 

É o que confirma o CIO da Warren, Celson Placido: “O relatório Focus do Banco Central ajustou para 5,5% na semana retrasada. A gente já trabalhava com a Selic em 5,5%. Vai depender muito da inflação. A gente acha que, no segundo semestre, vamos ter uma inflação menor, e ela deve parar ali na casa de 5,5%. É isso que a gente espera e aguarda para o final de 2021”.

Confira abaixo os dados mais recentes do Boletim Focus, documento elaborado pelo Banco Central com base na opinião do mercado financeiro, que traz a expectativa da inflação, medida pelo IPCA, do PIB, do dólar e da Selic:

relatório focus, gráfico
Relatório Focus do Banco Central

Celson analisa que a pressão inflacionária — com o IPCA chegando a 6,10% nos últimos 12 meses — se deve, em boa parte, aos preços administrados. Por isso, ele vê uma tendência de arrefecimento na inflação no segundo semestre.

Ele também pontua que a elevação da Selic não deve afetar a recuperação da economia, porque o foco do Copom, neste momento, deve ser o fiscal. Ou seja: o endividamento brasileiro.

“Temos pressão inflacionária. IGPM acima de 30%, IPCA acima de 5%, mas eu diria que é muito por causa dos preços administrados. Quando a gente analisa, vemos principalmente o combustível, por conta de dólar e petróleo para cima. Isso afetou e vai seguir afetando no primeiro semestre. No segundo semestre, acho que a gente tem um cenário melhor e um efeito desinflacionário aí, com câmbio mais baixo”, afirma o CIO da Warren.

Celson também faz críticas ao Copom por levar o país a um cenário de juro real negativo. “Copom acerta em elevar a Selic, até para corrigir um erro passado. Não faz sentido nenhum um país emergente ter juros reais negativos. E não vejo isso prejudicando a retomada econômica”, diz.

“A gente tem a discussão sobre estagflação e sobre dominância fiscal. Hoje a maior preocupação é sobre o risco fiscal e isso gera uma espiral inflacionária negativa. Em que sentido: quando você tem um problema fiscal, o mercado exige que você pague mais pelos títulos públicos. Simples assim. Se você não vai conseguir pagar suas contas, se tem um risco fiscal, não adianta juros a 2%. Não vejo isso prejudicando a retomada, a preocupação tem que ser com o fiscal”, argumenta.

O que disse o Copom?

Em seu comunicado, o Copom fez comentários de atenção à situação fiscal. “Novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem pressionar ainda mais os prêmios de risco do país. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, afirma o release divulgado à imprensa.

Como já vem fazendo há algumas reuniões, o Copom também reforçou a importância do andamento das reformas que pretendem controlar o endividamento. “O Copom reitera que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.”

Trajetória da taxa Selic

Entender a trajetória da taxa Selic é uma boa estratégia para interpretar os movimentos do mercado.

A taxa Selic chegou a 14,25% em 2015 e 2016, durante o governo Dilma, quando o Brasil viveu um cenário de estagflação: inflação alta e recessão.

A Selic foi elevada a esse patamar para conter a inflação, e passou a cair quando houve uma mudança na política fiscal do governo, quando Michel Temer assumiu a presidência após o impeachment de Dilma.

Com uma sinalização de corte de gastos e reformas fiscais para conter o endividamento, a Selic iniciou uma trajetória de queda, como você pode observar no gráfico abaixo.

trajetória da taxa selic, gráfico

Essa trajetória de queda também tinha o objetivo de estimular a economia, que não consegue engatar uma aceleração após a recessão de 2015 e 2016.

O mais recente ciclo de queda da taxa Selic foi intensificado durante a pandemia, quando o Copom iniciou um “grau extraordinário de estímulo monetário” para estimular a economia em meio às restrições de circulação. 

Esse movimento de queda e manutenção da Selic em 2%, o menor patamar histórico, foi encerrado na última reunião do Copom, em março, quando a taxa foi ajustada para 2,75%. Agora, a Selic sobe para 3,5% e caminha para encerrar o ano na casa dos 5,5%, segundo projeções do mercado.

Para onde vai a Selic?

No comunicado divulgado à imprensa, o Copom avisou que pretende elevar a Selic para 4,25% na próxima reunião, com um novo aumento de 0,75 p.p.

“Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica. O comitê enfatiza, entretanto, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”, diz a nota.

“Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom ressalta que essa visão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, projetou o comitê.

Tudo leva a crer, portanto, que, na próxima reunião, a Selic será elevada para 4,25%. 

Como investir com a Selic a 3,5%?

Como investir com a Selic a 3,5%, ilustração

No início do artigo, explicamos que a elevação da taxa básica de juros torna o investimento em renda fixa mais atraente, enquanto a queda beneficia a renda variável.

A lógica faz sentido, mas tudo precisa ser analisado dentro do contexto do juro real — a taxa de juros de um investimento, após descontar a inflação.

Mesmo com a taxa Selic a 3,5%, o Brasil se mantém em cenário de juro real negativo, e não terá juro real alto pelos próximos meses, na avaliação do nosso CIO, Celson Placido.

Por isso, a estratégia de investimento não muda: segue sendo necessário se expor à renda variável para obter ganho real.

Com juro real baixo, estratégia dos investidores não muda

“Não muda a estratégia, investidores precisam tomar mais risco. Porque mesmo que eleve a taxa Selic para 5,5%, o juro real veio para ficar baixo. Então vai ficar entre 0,5% e 1%. Temos inflação no Brasil de 4% a 5% ao ano. Com juro nominal de 5,5%, vai continuar tendo que tomar mais risco”, explica Celson.

Ele acrescenta que o investidor está amadurecendo essa ideia de forma gradativa no país. “O investidor está aprendendo sobre isso. Mais empresas abrindo capital, mais empresas buscando dividida, emitindo dívida, o que é interessante. Temos uma dependência cada vez menor de FGTS para construção, por exemplo, e isso é positivo. Mais gente empreendendo, mais crédito privado, que é extremamente interessante para o investidor pessoa física e para o país crescer”, pontua Celson, com a ressalva de que “as reformas precisam ser aprovadas aqui no Brasil, isso precisa caminhar para reduzir o tamanho do endividamento.

A migração de investidores brasileiros para a Bolsa de Valores é um sinal claro do interesse por tomar risco em um cenário de juros reais negativos, e esse movimento não deve ser encerrado tão cedo. 

De acordo com dados da B3, a Bolsa Brasileira, os investidores pessoa física já possuem R$ 482 bilhões em ações na B3.

Veja, no gráfico abaixo, a evolução do número de CPFs com investimento em Bolsa: 

número de investidores na bolsa, gráfico

E a renda fixa, como fica nesse cenário? Como sempre esteve: uma alternativa de investimento para o curto prazo e para investidores de perfil conservador, que não aceitam perder dinheiro, mesmo que isso signifique reduzir o potencial de rentabilidade.

Além disso, ela continua sendo uma ferramenta importante de diversificação para reduzir a volatilidade do portfólio.

Quer descomplicar o investimento em renda variável? Na Warren, nós sugerimos as melhores carteiras diversificadas entre renda fixa e renda variável, de acordo com o seu perfil de investidor e os seus objetivos de curto, médio e longo prazo. 

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