Selic em 3% ao ano e IPCA negativo: como ficam seus investimentos?

Nesta terça-feira, 12 de maio, fizemos uma transmissão ao vivo especial para debater os impactos do último corte na taxa Selic para 3% ao ano e o IPCA negativo pela primeira vez desde 1998. A Live contou com a participação do Bruno Panerai, Head of Product Solutions e Felipe Beys, Relationship Manager, mediados por Tiago Kaplan, Head de Relacionamento.

Na última reunião do Copom, foi decidido um novo corte, desta vez de 0,75 ponto percentual, na taxa básica de juros, o que a deixou em novo patamar mais baixo da história: 3% ao ano. Na mesma semana, o IBGE divulgou os dados do IPCA referentes ao mês de abril, que apontou uma inflação de -0,31%.

Por que isso acontece?

Felipe Beys reforçou que este movimento não é novidade, afinal, está sendo observado em diversos mercados pelo mundo. Muito em função do alto nível de incerteza que se está vivendo pela pandemia do novo coronavírus e da necessidade de se tentar conter a crise econômica causada por isso.

“Em relação à taxa de juros e à inflação, os números estão em linha com nossos pares na América Latina. Ou seja, outros países que também estão, agora, com três meses de pandemia, com projeção de PIB negativo para o ano”, apontou.

Conforme Bruno Panerai, desde que o Brasil passou a ter uma certa estabilidade de moeda, com o plano Real, vem operando com um tripé macroeconômico: câmbio flutuante, metas fiscais (incluindo a Lei de Responsabilidade) e metas de inflação.

Em relação às quedas maiores do que o esperado para agora, explica:

“Não é como se tivéssemos perdido o controle desse tripé, apenas que o cenário atual faz com que o Banco Central tenha de realizar estes movimentos para manter a inflação controlada, ainda que ainda mais abaixo do que a média projetada inicialmente”, explica.

Além disso, Bruno explica que em meio a esta situação, é difícil tentar prever qual deve ser a política monetária nos próximos anos. E, por isso, o Banco Central sinaliza provável nova queda na próxima reunião do Comitê, não maior do que 0.75 ponto percentual, como esta última.

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Mas quais os impactos destes movimentos na vida do consumidor final?

Antes de abordarmos os efeitos, Felipe pontuou que é importante lembrar que o impacto parece ainda maior pelo fato de termos começado o ano com uma projeção muito otimista para 2020 e a mudança para um cenário muito pessimista foi feita em menos de três meses.

“Em janeiro, a Bolsa Brasileira bateu recorde de alta e, até meados de fevereiro, os mercados operavam em condições normais. Com o avanço da pandemia, todas as economias passaram a rever suas projeções e isso impactou direta e rapidamente as políticas monetárias”, explica Felipe.

A atribuição do Banco Central brasileiro – e de qualquer outro – não é mirar crescimento econômico para o país, mas, sim, garantir a estabilidade da economia, resumidamente falando, claro. Ainda assim, os principais impactos dessas ações devem ser, sim, estimular a economia:

“A gente sabe que essas mudanças, por conta do isolamento e da falta de receita das empresas, tem como objetivo final estimular a economia e, quem sabe, aumentar a demanda agregada das empresas que estão paradas”, aponta Felipe.

Alguns setores, entretanto, reclamam que a baixa da taxa de juros não chega na ponta final e, quem precisa de crédito, se vê empacado em negociações e burocracias em instituições financeiras. Bruno explica que isso ocorre pela relação de risco alto e baixa garantia de retorno observadas pelos bancos, além da necessidade de reformas microeconômicas e de instrumentos facilitadores.

“A complexidade nisso tudo é ter instrumentos para que, quem tem menos acesso a liquidez (como pequenas e médias empresas), consiga financiar suas operações de forma direta com canais diretos do governo, sem depender de negociações com bancos ou outros agentes econômicos”, afirmou Bruno.

As instituições financeiras privadas têm a máxima de mensurar a relação de risco e retorno para liberar linhas de crédito e, neste momento de incerteza e crise econômica, há mais risco e, por isso, são exigidas mais garantias para liberação de crédito. Além disso, é ainda mais complicado de ver soluções para este cenário mudar para o consumidor final enquanto não houver mais concorrência no mercado bancário.

Felipe alerta, ainda, para a importância de gestoras readequarem suas políticas de preços de taxas de administração:

“Fundos com características de renda fixa, que têm por objetivo entregar 100% CDI, por exemplo, devem se readequar. Não tem como a Selic ficar em 3% ao ano e a taxa de administração ficar acima de 2% ao ano. A conta não fecha e o investidor vai perceber quando a rentabilidade final do fundo escolhido cair. E esse movimento já começou”, reforça.

E os investimentos como ficam?

“Não é porque a taxa de juros caiu que todo mundo tem que correr para investir tudo em Renda Variável”, alertou Felipe logo no início do tópico.

Sim, a rentabilidade da Renda Fixa é afetada pelas sucessivas quedas na Selic mas isso não quer dizer que você deva mudar a sua estratégia inicial de investimentos. Como reforçamos com frequência, o mais importante é que se respeite, em primeiro lugar, o perfil de investidor e entender quais são os produtos ideais para você. 

Além disso, o ideal é ter uma diversificação nas suas carteiras, pois existem objetivos que demandam maior liquidez, como a sua reserva de emergência, por exemplo.

Os especialistas da Warren abordaram estes e outros tópicos sobre o assunto durante a Live, portanto, confira a transmissão completa, abaixo, para saber mais:

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