Ser feliz no trabalho é uma utopia?

Ainda que seja um objetivo provavelmente almejado por todo mundo, encontrar a felicidade naquilo que se faz todo dia não é algo tão simples.

Há séculos, filósofos, escritores, pensadores e líderes espirituais buscam entender o que é a tão sonhada felicidade e como é possível alcançá-la nas mais diversas áreas da vida.

Neste artigo, optamos por falar sobre uma delas: o trabalho.

Em outros tempos, era comum que operários chegassem a passar 16 horas trabalhando. Depois de muita luta, as jornadas foram reduzidas pela metade, resultando nas oito horas que muitos de nós conhecemos e praticamos hoje.

Ainda assim, isso representa um terço do nosso dia, e metade do tempo que passamos acordados (caso você seja daqueles que ainda sabem o que é ter uma boa noite de sono de oito horas).

Pesquisas apontam que, em média, somamos 90 mil horas de trabalho ao longo de nossas vidas. Nada mais justo do que querer fazer da rotina de trabalho algo prazeroso, certo?

Mas afinal, ser feliz no trabalho é possível?

Está aí a pergunta de 1 milhão de dólares.

Para tentar respondê-la, conversamos com Geisa Carolina Camillo, psicóloga do trabalho especializada em Gestão do Desenvolvimento Humano e Organizacional.

Boa leitura!

O que significa ser feliz no trabalho?

No dicionário, a felicidade é seguidamente descrita como “a qualidade ou estado de feliz; satisfação, contentamento, bem-estar”.

Mas ainda que haja consenso quanto a algumas dessas características, a felicidade segue sendo algo muito particular a cada indivíduo. E na vida profissional não é diferente.

“O trabalho é um dos aspectos da vida da gente, e assim como acontece nos outros âmbitos da nossa vida, não existe uma única coisa que representa essa sensação de felicidade”, explica Geisa, que hoje trabalha como Coordenadora de Desenvolvimento no RH de uma empresa pública de Porto Alegre.

Quando olhamos para os dados, isso se confirma.

Uma pesquisa recente feita pela Robert Half mostrou que, para os 49% que se dizem realizados com seus empregos, os motivos que levam a essa satisfação variam.

Entre os principais, estão: 

  • Bom relacionamento com o gestor direto;
  • Salário adequado;
  • Trabalhar com o que gosta; e
  • Bom clima organizacional.

Você pode estar se perguntando: “Eu me dou bem com meu chefe, ganho um salário que paga as contas e ainda sobra para fazer as coisas que eu gosto… Quer dizer que sou feliz no trabalho?

Bem, se você não tem certeza, é porque provavelmente não se sente tão feliz assim. Mas, então, o que está faltando?

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Felicidade ou significado: para onde olhar?

O fato de não existir uma receita de bolo para a felicidade não quer dizer que ela é impossível de ser encontrada.

Muito pelo contrário: talvez, justamente por se manifestar de diferentes formas e por diversos motivos, a felicidade esteja mais próxima do que imaginamos.

No entanto, a felicidade é uma sensação, um sentimento, e, como todas as emoções, ela não é constante.

Em um artigo publicado no site Harvard Business Review, a palestrante e coach executiva de transição de carreira Susan Peppercorn propõe uma mudança de abordagem:

“Se você definir felicidade como seu objetivo principal, pode acabar sentindo o oposto. Isso porque a felicidade (como todas as emoções) é um estado passageiro, não permanente. Uma solução alternativa é fazer do significado o seu objetivo vocacional”.

Segundo ela, pessoas que focam em um significado, tanto na vida pessoal quanto na profissional, têm mais chances de sentir uma sensação duradoura de bem-estar.

E de acordo com Geisa, é nessa direção que vêm trabalhando os profissionais da chamada Psicologia Positiva, uma nova área dentro da Psicologia que busca estudar os pontos fortes que permitem a prosperidade de indivíduos e comunidades.

“Para trabalhar esse conceito de felicidade nas organizações, partimos desse pressuposto de encontrar um sentido. Qual o sentido do meu trabalho, não só para mim, mas para as pessoas que estão à minha volta? Para os meus colegas, para as pessoas que necessitam da atividade que eu realizo?”, explica.

Geisa Camillo, psicóloga do trabalho

Assim, psicólogos como Geisa contribuem ajudando o trabalhador a entender o seu papel naquela cadeia produtiva, a relevância da entrega daquela empresa e do que ela produz para a sociedade.

“Entender o propósito do lugar onde trabalhamos e conectá-lo com os nossos propósitos pessoais é algo que traz satisfação”, completa.

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Trabalhar com propósito: nem sempre uma realidade, mas não por isso uma utopia

Cada vez mais as pessoas buscam empregos que estejam conectados com o seu propósito de vida.

No entanto, descobrir o que acreditamos ser o nosso propósito nem sempre é algo fácil — inclusive, há muita gente que diz não ter uma vocação para chamar de sua, e que tampouco espera encontrá-la no futuro.

Mas isso não quer dizer que as portas para uma vida profissional feliz estejam fechadas.

Para aqueles que se sentem um tanto perdidos com relação ao significado do seu trabalho, aqui vai uma verdade nada difícil de engolir: muitos empregos que não costumam ser associados a uma carreira com propósito têm algo em comum com aqueles que são —  eles existem para ajudar os outros.

A grande maioria das empresas oferece produtos ou serviços que preenchem alguma necessidade no mundo. E todo colaborador faz parte disso, cada um à sua maneira.

Assim, ter consciência do serviço que você presta pode ajudar a transformar a maneira como você enxerga o seu próprio trabalho.

Quem disse isso foi Emily Esfahani Smith, autora do livro “O poder do sentido: os quatro pilares essenciais para uma vida plena”.

A jornalista defende que é possível encontrar significado em um emprego que não é a sua vocação, seja se conectando ao consumidor ou usuário final, seja se relembrando do propósito maior da empresa onde você trabalha ou pensando em como o seu trabalho ajuda as pessoas que você ama.

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