Skin in the game: entenda o conceito e por que arriscar a própria pele faz a diferença nos investimentos

Skin in the game significa colocar a própria pele em risco, quando você consome e efetivamente confia em um produto que está vendendo, por exemplo. 

Trata-se de um conceito simples, mas também poderoso, que tem aplicações em diversas áreas das nossas vidas.

Nos investimentos, não é diferente.

Ou, por acaso, você investiria em um fundo de investimento cujo gestor tem o próprio patrimônio aplicado em outra empresa? 

A verdade é que nenhum investidor consciente vai aceitar uma carteira sugerida por uma corretora ou consultor de investimentos que vive a filosofia “faça o que eu falo, não faça o que eu faço”.

É por isso que a expressão skin in the game é tão comum no mercado financeiro — porque ela revela conflitos de interesses e incoerências.

Concebido pelo polêmico Nassim Taleb e usado muitas vezes até mesmo por Warren Buffet, o termo traz uma verdade inquestionável: como confiar na proposta de alguém que não investe nela?

Neste artigo, vamos entender:

  • O que é skin in the game?
  • Skin in the game é realmente importante?
  • Skin in the game no livro de Nassim Taleb
  • Origem do termo Skin in the game
  • Skin in the game nos investimentos
  • Por que a Warren tem skin in the game?

Mais do que explicar o que está por trás do skin in the game, este artigo tem o objetivo de fazer você refletir sobre ética, transparência e alinhamento no mundo dos investimentos. 

Vamos juntos? Boa leitura!

Skin in the game: tradução

A tradução literal para o termo skin in the game é relativamente simples: pele em jogo. Mas esse termo não é comum na língua portuguesa. 

Por aqui, costumamos usar a expressão “arriscar a própria pele”.

O sentido literal já é bem esclarecedor, mas o que isso quer dizer na prática? E o que skin in the game significa no mundo dos investimentos?

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O que é skin in the game

o que é skin in the game, ilustração

Skin in the game significa participar daquilo que você recomenda às outras pessoas, ao se envolver intimamente com o produto, por exemplo, porque você acredita nele de fato. Ao fazer isso, você prova que realmente confia naquilo que recomenda, porque você tem a pele em risco. Ou seja: você tem skin in the game.

Essa é uma frase constantemente trabalhada na obra do autor, matemático e analista de risco Nassim Nicholas Taleb

Para ele, eventos imprevisíveis e incertezas são elementos que trazem, ao mesmo tempo, consequências boas e ruins.

Essa linha de pensamento conquistou investidores como Warren Buffett e contribuiu para que Taleb identificasse oportunidades no mercado e arriscasse sua própria pele

No mercado de investimentos, diz-se que ele refez sua fortuna, já que veio de uma família com bom poder aquisitivo, no crash de 1987, também conhecido como segunda-feira negra, que marcou uma queda de 22,61% do Índice Dow Jones, formado pelas principais empresas americanas.

Ele também obteve bons desempenhos nos investimentos em outros momentos incertos, como na bolha da bolsa americana com as empresas pontocom, no início dos anos 2000.

Nessa época, aliás, sua empresa de investimentos, a Empirica Capital, já existia. Certamente, o posicionamento arrojado de Taleb para surfar na crise rendeu frutos para o fundo e deve ter sido repassado como sugestão de estratégia para seus clientes.

Skin in the game na vida prática

Reflexos simples do cotidiano são ótimas soluções para entender o skin in the game. 

Quer ver? Responda essas perguntas:

  • Você levaria seu animal de estimação a um veterinário que não cuida dos próprios animais?
  • Você comeria em um restaurante onde o chef não oferece as refeições para os seus filhos?
  • Você matricularia seu filho em um colégio cujo diretor tem os próprios filhos matriculados em outra instituição?
  • Você investiria seu patrimônio em um fundo ou corretora cujos gestores aplicam o próprio patrimônio em outras empresas?
  • Você consultaria com um dentista com problemas nos dentes?
  • Você daria atenção aos conselhos de um personal trainer sedentário?
  • Você confiaria em um mecânico que não conserta o próprio carro?

Essas situações colocam em xeque alguns elementos básicos da relação de confiança e até princípios éticos.

No mundo da publicidade, algumas situações que revelaram a falta de skin in the game chamaram atenção do público.

Como esquecer, por exemplo, do comercial da Friboi com Roberto Carlos, que passou mais de trinta anos sem comer carne? 

Quando a cantora Anitta, que é patrocinada pela Samsung, foi “acusada” de utilizar iPhone nas redes sociais, a polêmica também foi grande.

A pergunta que não sai da cabeça dos consumidores nestes casos é: se não é bom o suficiente para ele ou ela, por que seria para mim?

Aqui entra outro ponto fundamental: será que existe um conflito de interesse que impede o vendedor de oferecer aquilo que é realmente bom para o cliente?

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Skin in the game no livro de Nassim Taleb

Para Nassim Taleb, a matemática não pode andar separada da filosofia. Juntas, as duas ciências formam uma ferramenta essencial para a gestão de patrimônio: a consciência crítica.

Ninguém pode negar, no entanto, que o matemático e megainvestidor é polêmico e divide opiniões. 

Nascido no Líbano, Nassim viu a riqueza de sua família diminuir consideravelmente na guerra civil de 1975. 

Ainda assim, se formou em algumas das melhores escolas e universidades mundiais.

No mercado financeiro, também teve uma carreira expressiva, com cargos de diretoria administrativa no Credit Suisse, trader proprietário no BNP Paribas e fundador da Empirica Capital.

Seu sucesso, no entanto, foi consolidado por suas estratégias de investimento que aproveitaram as consequências de momentos econômicos incertos nos Estados Unidos.

Ao longo de sua trajetória de sucesso, surgiram também as obras literárias, entre elas uma dedicada ao conceito de skin in the game.

Seus livros de maior destaque são:

Arriscando a própria pele, capa do livro, imagem

Os livros têm linguagem acessível, o que conquistou muitos leitores ao redor do mundo e disseminou ideias como a probabilidade conceitual e a realidade de distribuições enviesadas.

O que significa isso? Que a prática não funciona como no conceito matemático da probabilidade.

Outra ideia que é muito aclamada por seus fãs é a de que eventos muito raros e imprevisíveis geram consequências extremas.

Não poderíamos concordar mais ao observar os efeitos da pandemia de Coronavírus em escala global, não é mesmo?

Origem do termo skin in the game

O termo skin in the game não é um provérbio americano como muitos que escutamos no Brasil, mas a lógica da expressão é frequente em diferentes áreas da vida pessoal e corporativa.

Mas qual foi a origem exata dessa expressão?

É impossível afirmar com certeza. 

Boa parte das pessoas associa os termos a Warren Buffett, enquanto outras fazem referência a Nassim Taleb.

Buffett é lembrado por sempre verbalizar o termo e agir nos negócios com essa premissa, ou seja, investir o próprio dinheiro na Berkshire Hathaway, holding da qual ele é CEO e principal acionista.

Já Nassim Taleb contribuiu muito para o fortalecimento e disseminação do termo ao publicar o livro com o mesmo nome — Skin in the Game, em 1998.

A verdade é que não importa quem veio primeiro, nem quem é a criatura e quem é o criador. 

Quanto mais popularizado o termo estiver, maiores são as chances de que mais pessoas percebam os conflitos de interesses em suas indústrias.

Skin in the game nos investimentos

skin in the game nos investimentos, ilustração

Se Warren Buffet e Nassim Taleb sugerem a filosofia e vivem com ela, sua confiança nessa linha de pensamento já é consideravelmente fortalecida, certo?

Se você concordou, isso significa que você já está usando o skin in the game para tomar algumas decisões, ou pelo menos, definir posicionamentos.

Mas, falando sobre investimentos, como isso se aplica? Vejamos:

Skin in the game mostra a confiança de quem faz recomendações

Se um consultor de investimentos escolheu um fundo de renda variável para aplicar seu próprio patrimônio, é porque ele usou todo seu conhecimento técnico para avaliar e investir naquela opção, não é mesmo?

Nesse sentido, o nível de confiança nos gestores aumenta consideravelmente, certo? 

É necessário avaliar se os objetivos e o perfil do investidor são similares, mas não há dúvidas de que é um ótimo ponto de partida para medir o quão convicto o consultor está de suas recomendações.

Skin in the game é um caminho para analisar os conflitos de interesse

Se uma instituição financeira argumenta que o produto que ela está oferecendo para seu investidor é de fato o melhor em sua categoria, os representantes da empresa também precisam investir nesses produtos, concorda?

Skin in the game é uma forma de garantir a veracidade dos argumentos

Uma instituição que se diz ambientalmente consciente, mas não oferece uma opção de investimento focadas em ações de empresas sustentáveis pode colocar sua argumentação em xeque.

A Warren, por exemplo, tem uma filosofia de equidade de gênero interna, mas isso poderia ser potencializado se o nosso posicionamento pudesse ser compartilhado, certo?

E pode. Com o fundo Warren Equals, nossos clientes podem investir em empresas que, assim como a Warren, se preocupam e já perceberam como políticas de equidade, liderança feminina e combate ao assédio sexual. 

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Por que a Warren tem skin in the game?

skin in the game na warren, ilustração

A Warren tem o skin in the game enraizado em todos os níveis organizacionais. 

Nosso CEO Tito Gusmão, por exemplo, tem grande experiência no mercado financeiro, com passagem pela maior corretora do país, mas, atualmente, ele tem todo o patrimônio aplicado na Warren.

Ele só faz isso porque acredita que a estratégia dos nossos fundos vai trazer a melhor relação de risco e retorno para o seu patrimônio, além de confiar na Warren para fazer seus investimentos diretamente em ações.

Além disso, ele sabe que a Warren é a melhor opção para quem deseja investir com transparência, porque é a única corretora 100% isenta de conflitos.

Isso porque ele entende que o modelo fee based, de taxa única, é o mais vantajoso para o investidor e o que garante a maior transparência e alinhamento com o cliente.

Esse, por sinal, foi o motivo de ele ter ajudado a fundar a empresa, lá atrás, já que esse modelo de investimento, no Brasil, era restrito aos ultra-ricos.

Isso mesmo: os donos dos bancos e das corretoras que atuam no modelo commission-based, conflitado, não investem dessa maneira. Falta skin in the game, concorda?

Finalmente, a Warren não cobra taxa de administração ou de performance em seus fundos, o que é um outro motivo para o Tito querer investir aqui, afinal, sua rentabilidade não é afetada por cobranças excessivas.

Tudo isso mostra que o Tito, assim como os outros gestores da Warren, tem skin in the game — ele investe na empresa que lidera e recomenda para todos seus familiares, amigos e clientes.

Quer fazer como o Tito? Abra sua conta agora mesmo.

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