Stock picking na Bolsa de Valores: o que é e como fazer

Fazer stock picking na Bolsa de Valores significa escolher ativos a preços baixos e vendê-los quando estiverem valorizados. Trata-se de uma estratégia de investimentos comum no mercado de ações, na qual o investidor tenta sempre encontrar as melhores oportunidades, e vai girando a carteira conforme muda de opinião e os preços oscilam.

Considerado uma estratégia de investimentos avançada, o stock picking não é recomendado para qualquer investidor, em especial àqueles que estão dando seus primeiros passos no universo da renda variável.

É necessário não apenas conhecer o mercado de ações, mas também possuir experiência para selecionar os ativos, descobrir oportunidades, analisar as ações e saber quando mudar as posições.

Deu para notar que não é uma missão simples, concorda? Justamente por isso que muitos investidores preferem delegar a gestão do seu portfólio de ações para gestores especializados no assunto.

Mas, se você se sente preparado para avançar, nós te ajudamos.

Neste artigo, nós vamos conhecer o stock picking em detalhes, passando pelos principais pontos dessa estratégia de investimento na Bolsa. 

Juntos, passaremos pelos seguintes tópicos: 

  • O que é stock picking
  • Princípios do stock picking
  • Quais as análises mais utilizadas no stock picking?
  • Qualquer um pode fazer stock picking?
  • Fazer stock picking vale a pena?
  • Como fazer stock picking na prática

Boa leitura!

O que é stock picking

Entenda o que significa o stock picking, ilustração

Stock picking é o nome dado a uma estratégia de investimentos que consiste em fazer uma seleção de ações, para ganhar com a sua valorização. Em inglês, stock é o nome dado para as ações de empresas americanas, e picking pode ser traduzido como “seleção”. Quem faz stock picking busca simplesmente escolher as ações para as quais vê o maior potencial de valorização, considerado o risco e o retorno de cada investimento, além das oscilações de mercado.

A carteira de ações de um stock picker, portanto, pode variar bastante, conforme ele enxerga as oportunidades na Bolsa de Valores. Seu objetivo, em geral, é superar o mercado e valorizar o próprio patrimônio encontrando boas alocações.

Como você deve ter notado, estamos falando de gestão ativa do portfólio. Mas você sabe o que é isso em detalhes?

Qual a diferença da gestão ativa para a gestão passiva do portfólio de ações?

Na gestão passiva, o investidor busca acompanhar o benchmark do mercado, que, no caso da Bolsa de Valores, são seus principais indicadores como o índice Ibovespa, da Bolsa brasileira, e o S&P500, do mercado de ações norte-americano.

Por outro lado, na gestão ativa, a ideia é superar o benchmark selecionando ações que têm potencial de valorização, de empresas sólidas e com bom desempenho no mercado, ou de empresas descontadas em relação ao próprio valor.

Comparando esses dois posicionamentos em relação ao mercado, talvez você considere a gestão ativa mais atraente, não é mesmo?

Só que, no stock picking, o investidor faz essa análise, em geral, por conta própria ou com auxílio de análises de terceiros. Há, inclusive, quem tente seguir os passos de outros investidores ou dicas em fóruns da internet. É aí que mora um dos maiores riscos.

Aqui na Warren, a gestão dos nossos fundos de renda variável também é ativa: estamos sempre em busca da otimização dos resultados e performances das nossas alocações, buscando gerar valor aos cotistas por meio da melhor relação entre risco e retorno, respeitando a estratégia de cada fundo. Para isso, contamos com uma equipe de especialistas e muita inteligência de dados para tomar as decisões.

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Princípios do stock picking

O grande princípio do stock picking, simplificando a estratégia ao máximo, é comprar barato e vender caro. Para isso, é preciso identificar quando as ações têm potencial de valorização — além de perceber quando elas chegaram a um nível em que fica difícil continuar crescendo. 

Para fazer isso, há uma série de técnicas e estratégias que podem ser utilizadas, dependendo do perfil de cada investidor.

Quer iniciar seus estudos? Separamos algumas questões que os stock pickers costumam analisar ao investir. 

Investimento em boas empresas

Para encontrar as melhores empresas para comprar suas ações, é preciso avaliar seus indicadores financeiros como um negócio — que é exatamente o que as ações são: a menor parte de uma empresa.

Margem de lucro, retorno sobre o patrimônio líquido e grau de endividamento, por exemplo, são informações que empresas de capital aberto devem divulgar de forma pública para seus investidores, todos os trimestres.

Avaliar o mercado que ela atua, seu potencial de crescimento, possíveis oportunidades, dentre outras informações divulgadas em canais de notícias também ajuda na avaliação de seu potencial de crescimento.

É claro que vai depender da boa administração do negócio para que essas oportunidades sejam realizadas, mas são informações que podem indicar sua possibilidade de valorização, já que, em última análise, o preço da ação é aquilo que o mercado aceita pagar pela geração de caixa futuro de determinada empresa.

Historicamente, empresas financeiramente saudáveis tendem a valorizar no longo prazo e, se estiverem com preços de ações atraentes, podem ser uma boa opção para o stock picking.

Ações com preços de oportunidade

Os preços atraentes que citamos no tópico anterior são o próximo elemento que costuma ser analisado para o stock picking. Mas a pergunta é: como saber se a ação está subvalorizada para ser uma oportunidade de compra?

Uma das principais estratégias é fazer o valuation da empresa, que é um processo de análise para identificar o valor real do negócio e então, saber se sua ação está com um preço atrativo ou não.

O valuation de uma empresa é um estudo complexo. Existem vários livros e cursos no mercado que ensinam técnicas como o fluxo de caixa descontado e análise de múltiplos..

Entre os múltiplos mais conhecidos, podemos destacar:

  • Índice Preço/Lucro (P/L): é o indicador usado na análise fundamentalista que aponta a relação entre o preço da ação e o lucro por ação da empresa em questão;
  • EV/Ebitda:  mostra a relação entre o valor de firma da empresa e uma estimativa da geração de caixa, para entender quanto os investidores estão pagando pela geração de caixa da companhia
  • P/VPA: mostra a relação entre o preço da ação e o valor patrimonial por ação, indicando quanto os investidores aceitam pagar pelo patrimônio da empresa.

Quais as análises mais utilizadas no stock picking?

Usando esses princípios do stock picking, os investidores podem usar diversas análises, sua experiência, percepção e até seu “feeling de mercado”.

Entre as mais conhecidas abordagens, no entanto, está a análise fundamentalista e aquela utilizada por Warren Buffett, o value investing.

Análise fundamentalista

A análise fundamentalista fornece uma série de ferramentas para guiar os investidores e permitir que eles descubram ações abaixo do que elas realmente valem — ou empresas com grande potencial de crescimento.

Nessa estratégia, algumas das principais informações utilizadas na tomada de decisão, são:

  • Geração de caixa da empresa;
  • Endividamento;
  • Market share;
  • Lucro líquido;
  • Taxa de crescimento no mercado;
  • Competidores do negócio;
  • Perenidade do setor;
  • Situação econômica do país;
  • Potencial de crescimento;
  • Crescimento da receita do negócio.

Algumas métricas e indicadores, como o P/L, também podem ser utilizados na análise fundamentalista, especialmente para comparar duas empresas que seriam foco da estratégia do investidor.

Além da análise fundamentalista, os investidores que praticam posições de curto prazo também usam análises técnicas, com gráficos, para encontrar padrões que ajudem a estimar os preços futuros e tendências de negociação.

As duas abordagens, no entanto, podem ser unificadas em qualquer uma das posições, afinal de contas, enquanto a primeira foca na qualidade da empresa, a segunda traz insights para as negociações de preço de compra.

Value investing

Outra estratégia conhecida é o Value Investing e, claro, é impossível falar dela sem mencionar um dos seus mais ilustres praticantes, Warren Buffett, que tem ótimos resultados aplicando essa estratégia.

Value investing significa investir em valor. Na prática, consiste em encontrar ações que estejam subvalorizadas, ou seja: ofertadas com o preço abaixo do que elas efetivamente valem.

Isso não acontece porque elas estão escondidas nas prateleiras ou nenhum investidor e player do mercado está enxergando, mas sim porque a oscilação natural da renda variável faz com que, em determinados momentos, elas sejam ofertadas com preços de oportunidade — principalmente em meio a crises generalizadas.

Em outras palavras, é a lei da oferta e demanda atuando no mercado e que faz os ânimos dos investidores alternar entre otimismo e pessimismo, ou, bullish e bearish.

Para colocar o value investing em prática, é preciso considerar que o foco está no longo prazo, ou seja, na possibilidade daquela empresa gerar lucros no futuro.

Aqui, é claro, também é preciso usar os dados em favor da análise. 

Use o próprio valuation e analise múltiplos como o EV/Ebitda ou P/L para identificar oportunidades e, claro, o bom senso para usar a boa e velha estratégia de comprar e manter a posição.

Aqui, vale lembrar: nunca tome qualquer tipo de decisão de investimento com base em apenas um indicador. Faça uma análise ampla, do contexto.

Os investidores que aplicam a análise fundamentalista e value investing, nessas diferentes abordagens são classificados como:

  • Growth investors: que priorizam e valorizam o potencial de crescimento do valor da empresa no longo prazo;
  • Value investors: que tem um foco maior em analisar se o preço das ações de uma empresa hoje está alinhado com sua saúde financeira na atualidade, além, é claro, se sua compra representa uma oportunidade.

Qualquer um pode fazer stock picking?

Você pode fazer o stock picking? ilustração

Para fazer stock picking, é preciso, em primeiro lugar, ter acesso a um home broker e, principalmente, ter disciplina e tempo disponível para dedicar à análise de todas as informações que definem uma boa ação, além das conhecidas pelos indexadores.

Isso significa acompanhar comunicações das empresas, ler seus balanços e notícias do seu mercado de atuação. São tantas opções de stock picking que corretoras e bancos de investimentos, muitas vezes, segmentam seus times para buscar opções em diferentes setores.

Superar os especialistas não é uma tarefa fácil, mas há quem tenha disposição para estudar e tomar as próprias decisões.

Você não se identifica com esse perfil?

A alternativa que exige menos tempo de dedicação e ainda se aproveita das oportunidades de ações é aplicar seus recursos em um fundo de investimento com gestão ativa.

Na Warren, temos opções no mercado internacional e nacional, inclusive com foco em setores e iniciativas que são muito valorizadas na atualidade, como empresas sustentáveis e que demonstram responsabilidade com as políticas de igualdade de gênero.

Conheça os fundos de ações da Warren:

Fazer stock picking vale a pena?

Como uma administradora de fundos que oferece a gestão ativa, acreditamos que esse é um dos caminhos para ter uma boa performance na carteira de ativos.

Mas, também como uma gestora ativa de fundos que tem um background e tecnologias dedicadas à execução dessa estratégia, precisamos dizer que esse não é um processo simples, e exige dedicação para fazer uma boa gestão de risco.

Por isso, a resposta mais sincera para essa pergunta é: depende.

Estudos como o de Tasopoulos e Yoon de 2007, revisado e publicado na Vanguard, mostram que, historicamente, apenas uma pequena porcentagem dos fundos de gestão ativa conseguem bater o benchmark.

Esse, aliás, é um dos principais argumentos dos administradores de fundos de investimentos gestão passiva (ETFs), que miram os índices. São ativos que replicam os principais índices do mercado, como o Ibovespa e o Small.

Escolher suas ações, uma a uma, portanto, exige esforço, dedicação e conhecimento para fazer um valuation adequado. Para os investidores que não dispõem de tempo, pode ser uma opção pouco prática e que não vai ajudar a realizar seu planejamento financeiro.

Porém, como se sabe, a diversificação é o caminho mais seguro para buscar melhores performances e proteger seu patrimônio. Assim, alocar parte do seu dinheiro em fundos de gestão ativa de ações pode ser a alternativa para se beneficiar de um stock picking mais eficiente e técnico.

LEIA MAIS | Os três pilares para investir em renda variável

Como fazer stock picking na prática?

Aprenda a fazer stock picking, ilustração

Se a ideia é prosseguir e experimentar o stock picking, é importante criar um cronograma para se preparar tecnicamente para a dinâmica, assim como entender as melhores práticas para sua execução. Então, aqui vão algumas dicas. 

Acompanhe a economia

Para conhecer as oportunidades e os desafios que as empresas de capital aberto foco do seu stock picking vão enfrentar, é preciso acompanhar a economia com um olhar analítico.

Isso vai ajudar a entender se as perspectivas de crescimento do negócio serão turbinadas com mudanças do cenário econômico. Essa visão vai ajudar a escolher as ações de longo prazo.

Aprenda como funciona o mercado de ações

O mercado de ações vai muito além de ter acesso ao home broker, comprar e vender ações. Vai além, inclusive, das estratégias mais comuns que as pessoas costumam ouvir dos seus familiares e amigos, como o day trade e swing trade.

É preciso acompanhar os indicadores, suas influências nos papéis, o movimento do mercado, quem são seus principais players que podem afetar as operações, ofertas de IPO, análise fundamentalista, value investing, análise técnica dos gráficos e muito mais.

Quando você se sentir confortável com as informações e achar que domina o mercado de ações, então, é hora de continuar estudando, porque essa é uma das premissas do setor: parar de estudar não é uma opção.

Descubra como analisar os fundamentos de uma ação

É possível usar vários indicadores, gráficos e caminhos para a análise de uma ação, como é o caso do EBITDA, EBIT e P/L. Conheça cada uma delas, assim como os meios mais fáceis para obter informações sobre a qualidade das empresas.

Um investidor pode criar uma rotina de acessos para consultar diferentes fontes de informação que vão ajudar a fazer sua análise dos fundamentos do stock picking, incluindo, aí, a leitura de relatórios e a assinatura de casas de análise.

Saiba diferenciar valor e preço para encontrar oportunidades

Por falar nos fundamentos do stock picking, vale lembrar que boa parte do seu sucesso consiste em identificar oportunidades de compra das ações, ou seja, quando elas valem mais do que estão sendo negociadas.

Aí mora a diferença entre valor de uma ação e o preço negociado. Então, muito cuidado com as armadilhas de informações sobre os valores de ações.

É preciso saber diferenciar se uma ação está com um bom preço para ser adquirida e mantida a longo prazo, ou parece barata, mas pode ficar mais ainda. Para isso, busque informações como o grau de endividamento da empresa.

Aqui vai uma dica extra para essa análise: em um cenário econômico favorável, um grau de endividamento pode indicar que a empresa contraiu crédito para expandir o negócio aproveitando oportunidades no curto prazo.

Porém, um endividamento elevado em um cenário econômico de incertezas ou durante um bear market na Bolsa de Valores, pode ser um indicativo de crises financeiras que podem se agravar.

Crie uma conta em uma corretora de valores

É claro que o investidor também precisará do acesso ao home broker para criar suas posições e, claro, acompanhar o movimento do mercado.

Escolher um banco ou corretora que tenha outros produtos alinhados com o seu perfil é essencial, afinal de contas, é preciso usar a diversificação como fator de proteção do patrimônio, não é mesmo?

Monte sua carteira diversificada

A carteira de ações deve ser diversificada considerando diferentes mercados e setores, assim como todos seus os investimentos.

A diversificação nas ações vai aumentar suas possibilidades de ganho com o stock picking, porque você estará investindo em mais empresas, que podem trazer o retorno acima do benchmark.

Foque no longo prazo

Sim, ações são para o longo prazo. Considerando as movimentações do mercado, o longo prazo é que vai proporcionar os melhores rendimentos, seja no stock picking, seja em estratégias tradicionais ou mesmo nos fundos de ações.

Quanto mais tempo você mantiver uma posição em boas ações, melhores tendem a ser os seus retornos sobre o investimento.

O stock picking é para você? Se você ainda tem dúvidas ou está só começando e querendo saber como investir na bolsa, você pode começar investindo nos fundos da Warren.

Além de soluções de renda variável, você também terá outras opções para fazer sua diversificação e um time de especialistas prontos para contribuir para sua estratégia. Abra sua conta e comece a investir. É grátis.

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