Banco Central eleva Selic para 4,25%: veja o impacto nos seus investimentos

Em reunião encerrada na tarde desta quarta-feira, 16, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a taxa Selic em 0,75 p.p, atingindo a marca de 4,25%.

A decisão confirmou a tendência indicada na última reunião, em 5 de maio, quando o Copom subiu a Selic de 2,75% para 3,5%

Na ocasião, o comitê avisou que enxergava mais um aumento de 0,75% na reunião encerrada hoje, em virtude da pressão da inflação

Como você provavelmente já sabe, a taxa Selic é o principal instrumento da política monetária do Banco Central. 

A taxa básica de juros da economia serve como referência para todos os outros juros — do financiamento de um carro aos títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional.

Ao definir o seu valor, o Banco Central busca o equilíbrio entre o estímulo à economia — taxas baixas incentivam o consumo — e o controle da inflação — taxas altas desincentivam o consumo e reduzem a circulação de dinheiro, segurando a alta dos preços. 

Mas a Selic também causa um impacto direto sobre os investimentos, tanto de renda fixa como de renda variável.

Vamos entender melhor o cenário de investimentos no Brasil com Selic a 4,25%

Por que o Copom elevou a Selic para 4,25%?

Por que o Copom elevou a Selic para 4,25%, ilustração

No comunicado anterior, o Copom já havia avisado que a pressão inflacionária deveria levar o órgão a elevar a Selic em 0,75 p.p, previsão que acabou confirmada na decisão de hoje.

Ao elevar a Selic, o Copom planeja frear a trajetória da inflação, que atingiu 8,06% no acumulado dos últimos 12 meses, acima da meta do Banco Central.

Os dados são do IPCA, a inflação oficial do país, e foram divulgados recentemente pelo IBGE.

Para se ter uma ideia, o IPCA de maio ficou em 0,83%, o maior resultado para o mês desde 1996. 

Além disso, os analistas ouvidos pelo Relatório Focus mais recente já projetam uma inflação de 5,82% para o fim de 2021.

O Copom falou sobre isso na decisão de hoje: “A persistência da pressão inflacionária revela-se maior que o esperado, sobretudo entre os bens industriais. Adicionalmente, a lentidão da normalização nas condições de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, a despeito da recente apreciação do Real”.

Com a taxa de juros mais elevada, o BC desestimula financiamentos e freia o consumo. Com menos dinheiro circulando na economia, a tendência é de redução no ritmo da inflação.

Esse ciclo recente de alta da Selic foi iniciado em março, quando o Copom elevou a Selic pela primeira vez em seis anos.

No gráfico abaixo, você observa a trajetória de queda da Selic desde 2016, atingindo o menor patamar histórico, de 2%, em 2020. 

Isso ocorreu no auge da pandemia, quando o BC adotou estímulos “extraordinários” para aquecer a economia em um período de grave crise, em que as restrições impactaram praticamente todos os setores, derrubando o PIB brasileiro.

evolução da taxa selic, gráfico

Mercado prevê Selic em 6,25% no fim do ano

CIO da Warren, Celson Placido observa que o aumento de 0,75 p.p veio em linha com o esperado pelo mercado, mas sinaliza que, em algum momento, o Copom vai precisar acelerar a alta da taxa de juros.

“O grande ponto é que o Relatório Focus do Banco Central já projeta uma Selic de 6,25% no final do ano. Ela saiu de 5,75% na semana passada para 6,25% nessa semana. Então, em algum momento, o Banco Central vai precisar acelerar essa alta”, explica Celson.

relatório focus, ilustração
Fonte: Banco Central

Ele também pontua que a aceleração da taxa Selic pode levar a uma queda ainda mais acentuada do dólar, que opera hoje em torno de R$ 5,06. 

A lógica é simples de entender: como a taxa Selic interfere diretamente na rentabilidade dos títulos públicos pagos pelo governo, a elevação desses juros torna o investimento na dívida do governo mais atraente para investidores estrangeiros

Os dólares entram e, com o crescimento da sua circulação no sistema financeiro brasileiro, o real se aprecia. No último relatório Focus, a projeção do dólar foi de R$ 5,18 para o fim deste ano.

Copom projeta nova alta de 0,75 p.p na próxima reunião

No documento divulgado ao mercado e à imprensa, o Copom revelou que espera, para a próxima reunião, mais uma elevação de 0,75 p.p. da Selic, que iria para 5%. 

“Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude”, diz o comunicado.

Mas o órgão também observou que esse ajuste pode ser ainda maior. “Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação”, diz o comunicado.

Uma “redução mais tempestiva dos estímulos monetários” poderia significar, por exemplo, uma elevação de 1 p.p. da Selic, levando a taxa para 5,25%.

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Como ficam os seus investimentos com a Selic a 4,25%?

como investir selic 4,25%, ilustração

Aqui, precisamos partir de um pressuposto simples: em linhas gerais, a elevação da taxa básica de juros torna o investimento em renda fixa mais atraente, enquanto a queda beneficia a renda variável.

Isso acontece porque a Selic é praticamente espelhada pelo CDI, o principal benchmark da renda fixa. Assim, títulos atrelados ao CDI se valorizam quando há elevação da Selic.

O CDI também é considerado a “taxa livre de riscos”, porque, em tese, nenhum investimento pode ser mais seguro do que os títulos públicos do governo.

Assim, a elevação da taxa Selic aumenta a exigência de retorno dos ativos de risco — a renda variável.

Mas aqui entra um outro fator: a taxa de juros real, que subtrai a inflação. 

Com a Selic em 4,25% e a inflação projetada em 5,82% no fim do ano, os investidores ainda precisam assumir risco para obter ganho real, porque estamos em um cenário de juro real negativo. E esse risco está nos ativos de renda variável.

Mesmo assim, Celson observa que o investimento em crédito privado está ficando mais interessante, assim como os títulos indexados à inflação. 

Mas ele também vê um cenário favorável à renda variável, mesmo com a Bolsa perto dos 130 mil pontos: “Ainda acredito que a gente tem alguns ativos, e alguns setores, que vão continuar apresentando um desempenho positivo na Bolsa, muito mais pelo andamento da vacinação, pela abertura do comércio, pela melhora do PIB… motivos focados no mercado doméstico, em resumo”, pontua.

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