Fatores fantásticos, onde habitam? Igor Cavaca, da Warren Asset, descomplica o investimento em fatores

Quando pensamos nas principais figuras no mundo dos investimentos, nomes como Warren Buffett, Ray Dalio, George Soros e Peter Lynch costumam ser os primeiros que vêm à mente. 

Esses gestores são reconhecidos como gênios do mercado, com estratégias complexas e exclusivas das quais poucas pessoas acabam tendo acesso.

Mas se eu te dissesse que é possível determinar o modus operandi desses gestores. O que você pensaria?

Talvez você, assim como eu, acompanhava há alguns anos o programa “Arquivo X“, uma série sobre agentes especiais do FBI que investigavam eventos paranormais. 

Em todos os episódios que assisti, sempre me despertou a atenção a frase ao final: “the truth is out there” (do inglês, “a verdade está lá fora”). 

Hoje, na posição de mestre em Economia e Gestor da Warren Asset Management, gasto uma quantidade de tempo considerável realizando pesquisas quantitativas. Quando eu encerro as minhas buscas, me deparo com o mesmo tipo de pensamento. 

A verdade está lá fora, em algum lugar.

Investir é uma arte. Investir é uma ciência. No embalo da nossa campanha “#InvestirDescomplicou”, quero te mostrar que é possível decompor a rentabilidade dos investimentos do “oráculo de Omaha” por meio do Factor Investing, o investimento em fatores. 

E, antes de mais nada, a primeira coisa que você deve saber sobre o investimento em fatores é que, se você é cliente da Warren, essa estratégia já faz parte da inteligência por trás de nossos fundos próprios em sua carteira.

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O que é o investimento em fatores?

Fatores são a base de todas as carteiras. São as forças que geram os retornos das ações, títulos ou outros ativos. Portanto, a estratégia de Factor Investing se baseia no estudo e na identificação dos fatores que impulsionam o risco e o retorno dos investimentos. 

Ao capturar (ou evitar) determinados fatores de forma objetiva, é possível melhorar os retornos da carteira, reduzir o risco e aumentar a diversificação.

O primeiro modelo multifatorial foi criado em 1993, em artigo publicado pelos pesquisadores Eugene Fama e Kenneth French. O modelo se baseava em 2 fatores, além do convencional de mercado: tamanho e valor. 

Fama e French haviam encontrado evidências de que ações com menor valor de mercado (as chamadas “small caps”) apresentavam um melhor desempenho do que as ações com maior valor de mercado (as conhecidas “large caps”). 

Além disso, também foi observado um melhor desempenho nas ações em que a relação “valor de mercado/valor patrimonial” era menor.

Conhecidos por serem pais do “Factor Investing”, Fama e French abriram as portas para a busca de outros fatores

Entender como eles funcionam pode ajudar você a capturar o potencial de obter um retorno extra com risco reduzido, assim como investidores institucionais e gestores ativos de fundos de investimentos fazem há anos. 

Embora as bases empíricas do investimento em fatores tenham sido estabelecidas há décadas, o seu principal avanço ocorreu em 2009. Neste ano, foi publicado o texto “Avaliação da Gestão Ativa do Fundo de Pensão do Governo Norueguês – Relatório Global”. 

Este artigo inovador analisou o desempenho de um dos maiores fundos soberanos do mundo após perdas pesadas por conta do agravamento da crise financeira global em 2008.

Escrito pelos professores de finanças Andrew Ang, William Goetzmann e Stephen Schaefer, o relatório mostrou que o desempenho dos gestores ativos do fundo não refletia suas verdadeiras habilidades

Isso poderia ser explicado em grande parte pela exposição implícita do fundo a uma série de fatores. Com base em suas descobertas, eles recomendaram uma estratégia de longo prazo incorporando uma exposição explícita de fatores comprovados para maximizar os retornos.

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Fatores fantásticos, onde habitam?

O investimento baseado em fatores está enraizado no mundo acadêmico. Já foram identificados mais de 600 fatores que podem influenciar o risco e o retorno dos investimentos, conjunto conhecido como “factor zoo” (em português, zoológico de fatores). 

Para a nossa análise, há cinco fatores que valem a pena serem destacados.

Fator de valor

É baseado na crença de que ações com preços baixos em relação aos seus fundamentos tendem a se valorizar no futuro para refletir adequadamente o valor real da empresa. 

Algumas das ferramentas utilizadas para rastrear esse fator são múltiplos, como preço sobre lucro, além de valor contábil e fluxo de caixa livre.

Fator de qualidade

Ações de alta qualidade por conta de métricas — como fortes fluxos de caixa ou alta lucratividade — geralmente superam empresas de qualidade inferior.

Fator de tamanho 

Empresas menores em conjunto, com o tempo, tendem a oferecer um retorno maior do que empresas maiores.

Fator de momentum 

Ações que recentemente superaram um índice (como o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira) tendem a continuar apresentando desempenho superior e o mesmo se aplica ao contrário. 

Os vencedores continuam ganhando, os perdedores continuam perdendo.

Fator de volatilidade 

Descreve a propensão de ações de baixa volatilidade superarem as ações de alta volatilidade em uma base ajustada ao risco.

Esses fatores são persistentes em todos os ciclos de mercado e em todas as regiões do mundo e, portanto, são considerados geradores “críveis” ​​de retornos das ações no longo prazo.

Uma estratégia de investimento baseada em fatores envolve fazer uma alocação em um fator específico, com o objetivo de capturar o prêmio de mercado associado a esse fator. 

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O investimento em fatores na Warren Asset Management

Nosso trabalho, como gestores de investimentos, é entender o que está impulsionando o desempenho, considerando os riscos que estamos assumindo e entendendo como podemos gerar melhores retornos.

O investimento em fatores pode ser uma ferramenta útil para a diversificação. É uma maneira para os investidores estabelecerem exposições mais precisas a riscos e oportunidades complementares.

Uma abordagem comum no investimento em fator é oferecer estratégias multifatoriais que buscam capturar os prêmios associados a mais de uma característica de ação. 

Dessa forma, a combinação de fatores — como tamanho e lucratividade — em uma ou mais estratégias em um portfólio pode potencialmente produzir melhores resultados para os investidores.

Na Warren Asset, parte de nossas estratégias está baseada em alocação por fatores. No fundo Warren Green, alocamos em empresas reconhecidas pelas práticas ESG, com investimentos focados na sustentabilidade. 

Além do fator ESG, esses ativos também são impactados por outros fatores, tais como momentum e qualidade.

Warren Green

Um outro fundo capaz de agregar bastante valor quando combinado com fatores ligados ao mercado acionário é o Warren Omaha. Neste fundo, temos diversos ativos, como fundos quantitativos, macro e de criptoativos. São estratégias descorrelacionadas com os principais fatores geradores de retorno no mercado acionário, o que torna o Omaha um ótimo ativo para sua construção de portfólio. 

Trata-se de um trabalho árduo de testar extensivamente as reações do mercado aos fatores, buscando agregar o máximo de performance, regulando a exposição de risco e lembrando sempre da diversificação.

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