Warren Buffett fala sobre retomada econômica, inflação e desafio de escolher ações: confira 3 destaques da live anual

Considerado um dos maiores investidores da história, Warren Buffett foi o protagonista, no sábado, do encontro anual com investidores da Berkshire Hathaway, empresa da qual é CEO e chairman.

Aos 90 anos, o oráculo de Omaha, como é conhecido, tratou de diversos temas de interesse dos investidores com a desenvoltura habitual.

Buffett revelou estar impressionado com a retomada econômica nos Estados Unidos, avisou que a inflação já é perceptível e não demonstrou preocupação com o aumento de impostos proposto pelo presidente Joe Biden.

Sentado ao lado de Charlie Munger, vice-presidente da holding que controla mais de 60 empresas, Buffett também deu sua opinião sobre a dificuldade de fazer stock picking de maneira consistente no longo prazo, com comentários que são verdadeiras lições para o pequeno investidor.

Dono de um patrimônio estimado em US$ 103,7 bilhões, de acordo com a Forbes, Buffett é, atualmente, o sexto homem mais rico do mundo. Ele já chegou a liderar o ranking em alguns anos.

Como a maior parte de sua fortuna foi conquistada graças aos investimentos na Bolsa de Valores com foco no longo prazo, Buffett é considerado, por muitos, o principal ícone a ser seguido no mercado financeiro.

Ficou curioso para conhecer os destaques da reunião anual de Warren Buffett com os investidores da Berkshire Hathaway? 

Separamos alguns dos principais pontos para você ficar atualizado.

Aproveite a leitura!

Warren Buffett enxerga retomada econômica com inflação

buffett e munger na reunião de 2021, ilustração

Buffett afirmou estar impressionado com a recuperação econômica dos Estados Unidos, que vem sendo registrada desde o segundo semestre de 2020.

De acordo com dados divulgados pelo escritório oficial de estatísticas do Departamento de Comércio americano, o PIB dos Estados Unidos cresceu 6,4% no primeiro trimestre deste ano, em números anualizados.

No trimestre anterior, a alta havia sido de 4,3%.

“Esta foi uma recessão muito incomum. Neste momento, os negócios vão realmente muito bem em muitos segmentos da economia”, disse Buffett. Segundo o investidor, cerca de 85% da economia norte-americana está correndo em ritmo acelerado.

Em contrapartida, surgem as pressões inflacionárias. “Estamos vendo uma inflação muito substancial. “É muito interessante. Estamos aumentando os preços, as pessoas estão aumentando os preços para nós e está sendo aceito”, afirmou.

Ele salientou, ainda, que não vê um fim para o fenômeno no curto prazo. “Isso simplesmente não vai parar. As pessoas têm dinheiro no bolso e vão pagar preços mais altos”, projetou.

Com os estímulos do governo e a expansão econômica, as rendas familiares nos EUA tiveram um aumento recorde no mês de março.

As decisões do Banco Central americano, Federal Reserve (FED) foram elogiadas por Buffett. 

 “Quando Powell agiu com a velocidade e decisão com que agiu, isso mudou a situação da economia”, disse Buffett, em referência ao presidente do Fed, Jerome Powell.

Warren ainda destacou que a Berkshire Hathaway é a décima companhia no ranking das empresas com o maior valor de mercado global, avaliado em US$ 587 bilhões. 

No topo deste ranking, estão Apple, Saudi Aramco, Microsoft, Amazon, Alphabet e Facebook. 

“Das seis primeiras, cinco são norte-americanas. Isso não é um acidente, é porque somos fortes e o sistema funcionou inacreditavelmente bem”, disse Buffett, que, na live do ano passado, cunhou a expressão “Never bet against America”, cuja tradução livre seria “Nunca aposte contra os Estados Unidos”. 

Mas será que essa hegemonia vai se manter? 

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As maiores empresas de hoje serão as maiores no futuro?

Buffett e seu sócio Munger. Foto: Reuters
Buffett e seu sócio Munger. Foto: Reuters

Em determinado momento da live, que passou de cinco horas de duração, Buffett apresentou uma relação com as vinte maiores empresas em valor de mercado atualmente.

Confira abaixo a relação de empresas:

as 20 maiores empresas do mundo em março de 2021
As 20 maiores empresas do mundo em março de 2021

Na liderança da lista, vemos a Apple, com valor de mercado superior a incríveis US$ 2 trilhões. Além dela, há outras 12 empresas americanas entre as 20 maiores. 

Conversando com o público que assistia à live de casa, já que o evento foi realizado exclusivamente online pelo segundo ano seguido, Buffett pediu que cada investidor fizesse um exercício de imaginação para projetar quantas das 20 maiores empresas do mundo permanecerão no ranking pelos próximos trinta anos.

“Cinco? Oito? Deem os seus palpites”, pediu Buffett.

Em seguida, ele apresentou a mesma lista das 20 maiores empresas do mundo no ano de 1989:

as 20 maiores empresas do mundo em 1989
As 20 maiores empresas do mundo em 1989

Primeiro, Buffett chamou a atenção para a diferença no valor de mercado das empresas. Segundo ele, esse crescimento exponencial diz muito sobre como o mercado financeiro funciona.

Analisando as listas, Buffett mostrou que nenhuma das empresas listadas entre as 20 maiores do mundo há 32 anos se manteve no topo no ranking atual.

“Havia seis empresas americanas. Agora há 13, mas não são as mesmas. Elas estão vivas, mas não se mantiveram no topo”, disse Buffett.

Lembrando que 1989 é um ano relativamente recente (“não era a idade das trevas”) e que a indústria já estava plenamente consolidada, Buffett chamou a atenção para o fato de que o mercado é dinâmico e tudo pode mudar de forma drástica.

“Estávamos tão seguros de nós mesmos, e Wall Street também estava, em 1989, quanto estamos hoje. Mas o mundo pode mudar de maneiras muito dramáticas”, refletiu.

O que fazer, então? 

Para ele, esse é um ótimo argumento a favor de um portfólio diversificado, que diminua os riscos. Também é um fator que pesa a favor dos ETFs, os fundos de índice, que se dedicam a simplesmente entregar a mesma performance do índice de referência.

Como os índices incluem e excluem ativos segundo critérios pré-definidos, os ETFs garantem uma exposição passiva ao mercado, sem que o investidor precise escolher entre os ativos que serão bem-sucedidos no longo prazo. “O que importa é estar a bordo”, disse Buffett.

Essa opinião de Buffett a respeito dos ETFs não é nova. 

Ele já falou, por diversas vezes, que colocou em testamento para que 90% da sua fortuna seja aplicada em um ETF que siga o índice S&P 500, como o IVV, que, no Brasil, é replicado pelo ETF IVVB11. 

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Na live de sábado, Buffett afirmou que, na sua visão, uma pessoa normal não é capaz de escolher ações e investir de forma consistente para bater o mercado ao longo dos anos. 

O investimento em ETFs seria aconselhável neste caso. “A escolha de ações envolve muito mais do que descobrir qual será a indústria do futuro”, disse.

Buffett não está preocupado com a possível alta de impostos corporativos

Warren Buffett também disse não estar preocupado com a proposta do governo americano de aumentar o imposto corporativo nos Estados Unidos de 25% para 28%.

“É uma ficção corporativa quando as empresas dão declarações sobre o fato de que o aumento do imposto será terrível para todos os investidores”, disse Buffett.

O mega-investidor também revelou que votou em Biden na eleição do ano passado

Complementando Buffett, o vice-presidente da empresa, Charlie Munger, alertou para a trajetória de gastos do governo, já que Biden anunciou recentemente planos de investimentos trilionários. 

“Acho que há uma boa possibilidade de que essa conduta seja mais viável do que todos pensavam. Mas eu sei que se você continuar fazendo isso sem qualquer limite, vai acabar em desastre”, afirmou, em referência ao gasto público descontrolado.

Esses foram os principais destaques que separamos na live anual de Warren Buffett com os investidores da Berkshire. 

Em temas relacionados, Buffett também disse que não enxerga o preço das big techs esticado demais, porque as baixas taxas de juros e o crescimento forte justificam esse valuation.

Ele também comentou que está feliz com o investimento da holding na Apple — atualmente a maior posição da empresa —, rasgando elogios ao CEO Tim Cook. 

Você pode conferir a transmissão completa aqui:

Como sempre, há diversas lições que o pequeno investidor pode obter ao acompanhar as visões de mercado do maior investidor da história. 

Por aqui, vamos continuar de olho nos ensinamentos de Buffett, com quem temos a honra de dividir o nome — embora, no nosso caso, a referência não seja ao mega-investidor, e sim a uma rua em Nova York, cidade onde a Warren deu seus primeiros passos.

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