As 5 cachoeiras mais bonitas na Chapada Diamantina  

Depois de listar no último artigo as 5 atrações mais imperdíveis para quem vai visitar a Chapada Diamantina pela primeira vez, além de várias dicas para qualquer iniciante já começar raiz, resolvi fazer o meu top 5 cachoeiras preferidas na Chapada Diamantina. 

Com tantos anos de Chapada nas costas, já conheci vários lugares de tirar o fôlego, mas sempre tem aqueles que ficam guardados no coração. Então já salva aqui esse artigo, manda para quem você levaria pra essa viagem e anotem todas as sugestões.

Cachoeira do Herculano

São três magníficas quedas d’água de quase 100 metros de altura. Elas ficam dentro de um cânion arredondado que mais parece um corte no meio da montanha. Sem dúvida, é uma das cachoeiras mais bonitas da Chapada Diamantina, cenário de um daqueles filmes que você fica na dúvida se é real ou efeito especial.

A trilha para a cachoeira do Herculano deve começar cedo pela manhã, pois para curtir bem a chegada, tomar banho no poço da cachoeira e voltar tranquilo, leva praticamente o dia inteiro.

São 3,5 km de trilha (7 km ida e volta) entre pedras, leito de rios, subidas e descidas. Por isso, considero o nível da trilha moderado. Apesar da distância, tem muita intensidade na caminhada.

A estrada para o povoado de onde começa a trilha é de terra, mas dá para passar de carro tranquilo.

Tem um bom lugar para acampar no início da trilha, mas se preferir fazer bate-volta, o povoado de Colônia (município de Itaetê) fica a 80 km de Andaraí e 92 km de Ibicoara (cidades com melhor infraestrutura na região).

Cachoeira da Fumacinha

Para quem já me acompanha no instagram @eimaetovivo, não é segredo que amo esse lugar. Só quem já conseguiu chegar até aqui sabe da energia forte que emana perto da cachoeira da Fumacinha.

Pensa numa queda de 90 metros, dentro de um cânion estreito e todo forrado de limo em tons de verde que vão do musgo ao fluorescente, de acordo com a luz do sol.

Ela é linda, selvagem, intocada, parece coberta por um veludo cuidadosamente tecido pela própria mãe natureza. É de deixar sem palavras!

A trilha também ajuda nesse encanto que a Fumacinha transmite para todos os que a “conquistam”. Digo conquistam, pois não é uma trilha fácil: são 18 km de caminhada (ida e volta) no meio do cânion do Riacho das Pedras, literalmente entre pedras e mata atlântica preservada.

É intenso, mas também mágico ouvir e sentir a fauna e flora isolados de qualquer contato que não seja daquela natureza. 

Lembro da primeira vez que fui. A trilha ainda era feita por dentro do leito do rio e estava chovendo. Cruzamos o rio várias vezes com água na canela, no joelho, no peito. Tensos, mas também inflados de vontade de chegar nesse lugar, que na época era quase um mistério. 

De longe, avistávamos uma caverna, que parecia a entrada de uma daquelas imponentes catedrais góticas do século sei lá quando. 

A gente não conseguia ver a cachoeira, só muita fumaça (de água) saindo de dentro da fenda. Assustador, ao mesmo tempo que magnético. Um paradoxo!

Adentramos o nevoeiro e, com doses de cansaço e adrenalina, ouvimos um grito “veeeeem!”. Era nosso guia mostrando o caminho até mais perto da cachoeira.

Passo a passo a invisibilidade ia abrindo caminho, revelando as pedras pra gente pular, uma a uma, como mágica. Quando vi pela primeira vez, fiquei emocionado. Sei que aquela visão foi uma epifania pra mim e essa experiência foi um marco na minha vida de trilheiro.

Essa aventura não é comum, isso foi há muitos anos. Hoje, a trilha é mais segura, toda feita margeando o leito do rio. Segue sendo desafiadora, mas com um guia experiente, é totalmente possível de ser feita. 

Dica: no caminho, faça paradas estratégicas no Lagão, Poço da Pedra Lascada, Poço do Encontro e Poço da Cachorra para repor as energias e se refrescar tomando um banho menos gelado que o da Fumacinha!

  • Distâncias: 30 km de Ibicoara / trilha: 18 km (ida e volta por baixo)
  • Existe também a opção de fazer por cima. São 2 dias de trekking, mais ou menos 25 km de caminhada, começando por cima, passando pelos Gerais do Mochombongo, acampando na mata e no outro dia fazendo a trilha por baixo #ficaadica.

Cachoeira do Buracão

Essa já virou um Clássico, com “C” maiúsculo mesmo, pois nunca deixará de ser top. A paisagem é exuberante (eu tento achar adjetivos complexos, mas é pouco).

A trilha passa pela mata, por um rio, desce pedras e cruza um cânion por dentro da água, isso mesmo… nadando! (mas calma, não criemos pânico! O uso do colete é obrigatório, o parque mesmo fornece o equipamento para todos). 

A cachoeira é de tirar o fôlego, sério, de ficar alguns segundos paralisado de boca aberta e se perguntando “por que eu não vim nesse lugar antes?”.

O poço do buracão é enorme, ótimo para banho e, se a cachoeira não tiver muito forte (época de chuva), dá para ir até debaixo dela e lavar a alma.

Todo mundo que levo na Chapada tenho que trazer aqui. É uma trilha democrática, que a maioria das pessoas conseguem fazer, e também uma experiência que não deixa de ser uma aventura completa. 

A trilha ainda tem o bônus de três outras cachoeiras e um mirante para o vale:

  1. Buracãozinho – uma mini réplica do buracão (seu coração já acelera daqui, mas, acredite, você chega nem perto de imaginar o que vem pela frente);
  1. Cachoeira do Recanto Verde – que parece cenográfico, pois não vemos o rio onde se forma e deságua essa cachoeira. Ela sai do além e vai para alguma outra dimensão. Mas se você chegou até aqui, está muito próximo do objetivo final!
  1. Cachoeira das Orquídeas – recomendo passar por nela na volta, pois é um lugar bem gostoso para lanchar sem pressa, tomar um sol nas pedras e relaxar nas piscinas que se formam em volta das cascatas.
  1. Mirante do Capão Redondo – na estrada de volta para Ibicoara, vale a parada nesse mirante para garantir aquela foto massa na ponta da pedra. O visual é lindo, com vistas para o capão inteiro, as montanhas da chapada e o céu chapadeiro de fundo!
  • Distâncias: 30 km de Ibicoara
  • Trilha: 6 km (ida e volta)
  • É obrigatório ir com guia credenciado (é fácil achar guias na cidade de Ibicoara, em uma das muitas associações de guias locais ou agências de turismo).

Pôr do sol na Piabinha

A Piabinha fica dentro do Projeto Sempre Viva, localizado em Mucugê. 

A Cachoeira é uma delícia, tem um lajedão de pedra embaixo e um “mezanino” em cima que dá para assistir ao pôr do sol com vista para o Vale. Eu amo esse lugar porque me desacelera e me faz sentir aquela calmaria de estar na natureza.

Depois de uma trilha intensa, de um dia cheio de aventuras, chegar aqui, tomar um banho de leve no véu que se forma na piabinha, e depois subir e apenas contemplar o final do dia não tem preço.

Algumas dicas:

  • A trilha é super leve e autoguiada.
  • Se chegar mais cedo para aproveitar todo o Parque, você pode conhecer o museu do garimpo e tomar banho na Cachoeira do Tiburtino.
  • Para assistir ao pôr do sol, suba pela lateral direita da Cachoeira da Piabinha (atenção para a cheia, só dá para subir sem risco se o nível de água estiver ok).
  • Entrada é R$ 20

Cachoeira da Garapa

Essa é pouquíssimo explorada, apesar de ser de fácil acesso. Quem mais visita a Garapa são os locais, o que torna a experiência ainda mais autêntica e gostosa.

São várias quedas d’água no leito do Rio Garapa (esse nome é por conta da cor da água que parece caldo de cana, aqui chamada de “garapa”).

É um verdadeiro parque aquático natural (reservada suas devidas proporções), pois cada nível da cachoeira tem uma formação diferente.

Algumas têm piscinas naturais para relaxar, outras têm cascatas pequenas, mas fortes, ótimo para fazer massagem, tem pedra lisa inclinada que dá para escorregar feito tobogã e outras mais planas, perfeitas para tomar sol deitado mesmo de dentro da água.

O desafio é ir subindo aproveitando cada nível até chegar numa caverna que fica bem acima.

O lugar em si já é lindo e provavelmente diferente de tudo que você já viu por aí (a não ser que já tenha ido em Marte!), pois as pedras nessa parte da Chapada são rosas, a água avermelhada e a areia branquinha. Das loucuras criativas que só a Chapada Diamantina consegue combinar.

  • Distância: 8 km de Andaraí
  • Como chegar: a estrada de acesso fica do outro lado da pista, praticamente em frente à entrada do Pantanal Marimbus (estrada do Roncador).

Não queria fechar antes de falar o que pode parecer óbvio, mas sempre vale lembrar: curta cada lugar de corpo e mente presente.

Claro que tem que tirar bastante foto para registrar a viagem e depois ter material para recordar e compartilhar com as pessoas que a gente ama. Mas tem lugares, como esses, por exemplo, que é preciso dedicar um tempo para absorver tudo aquilo que vocês está vendo e deixar ser tomado pelo sentimento que vier no seu coração.

Garanto que alguns minutos de “conversa” com a natureza te proporcionará insights e memórias ainda mais bonitas que qualquer foto que conseguir captar.

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