Carnavais ao redor do mundo: 9 folias para conhecer fora do Brasil  

Todo ano é a mesma história: fevereiro mal chegou e a gente já começa a tirar as fantasias do armário — ou sai correndo pra comprar o que der no centro da cidade.

Ao som daquela playlist pra lá de animada, aproveitamos cada brecha para desfilar em frente ao espelho, ensaiando quais serão os trajes de cada um dos cinco dias (no mínimo) de folia.

Fantasias e purpurinas em mãos, todo ano, milhões de pessoas aguardam ansiosamente a chegada da bendita sexta-feira, quando as estradas, os aeroportos e as ruas se enchem, e é dada a largada de uma das maiores celebrações da cultura popular: o Carnaval.

Claro que estamos falando do Carnaval brasileiro, das escolas de samba e blocos de rua, do calor e do suor, do axé, do frevo e das marchinhas; da festa mundialmente reconhecida como a maior e melhor de todas.

Mas, felizmente, Carnaval não é privilégio só nosso.

No mundo todo, são várias as celebrações que levam o mesmo nome, algumas inclusive mais antigas e com origens diferentes da festa pagã que, no Brasil, foi se transformando até chegar no Carnaval que conhecemos hoje.

Para entrar no clima de festa, e já pensando nos planos para o Carnaval de 2023, reunimos 9 carnavais para você conhecer fora do Brasil e alimentar ainda mais o seu espírito folião!

Boa leitura!

1. Carnaval de Barranquilla, patrimônio da humanidade

Obra Mestra do Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade: é assim que a Unesco definiu o Carnaval de Barranquilla, na Colômbia.

Bem parecida com a brasileira, a festa colombiana acontece em fevereiro, 40 dias antes da Páscoa. Começando no sábado e terminando na terça-feira, oficialmente são quatro dias de celebração com muitas cores e sons.

Misturando tradições europeias, africanas e indígenas, o Carnaval de Barranquilla é conhecido por seus carros alegóricos, foliões fantasiados e personagens folclóricos.

Foliões fantasiados de Marimonda, um dos personagens do Carnaval de Barranquilla

Um dos mais famosos é Joselito, personagem que simboliza a alegria e cujo funeral marca o fim do Carnaval. É tradição que, na terça-feira, pessoas encenem o enterro de Joselito — existem até concursos para eleger a melhor apresentação!

Além do Carnaval, você também pode aproveitar a viagem para conhecer os diversos pontos turísticos históricos da cidade, praias paradisíacas e parques nacionais que ficam a poucas horas de Barranquilla.

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2. Notting Hill, o famoso Carnaval londrino

Apesar da fama por seus dias chuvosos e céus cinzentos, quando o assunto é Carnaval, Londres não deixa a desejar.

Até porque os ingleses, ao contrário de outros países do hemisfério norte, não comemoram a data em fevereiro: esperam até agosto para fazer a festa no auge do verão, com céu azul e temperaturas deliciosas girando em torno de 25ºC.

É esse o clima do famoso Carnaval de Notting Hill, uma das maiores festas de rua da Europa. 

Todos os anos, este clássico bairro da capital inglesa recebe milhares de turistas que visitam a cidade para curtir um domingo e uma segunda-feira nada convencionais: as ruas são tomadas por trios elétricos, multidões fantasiadas e desfiles muito parecidos com os das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Desfile em Notting Hill. Foto: Reuters

Durante dois dias no ano, o país que é berço de grandes nomes do rock se rende à música originária de suas ex-colônias caribenhas, como o reggae jamaicano e o calipso, tradicional de Trinidad e Tobago.

Infelizmente, tudo começou por causa da discriminação que estes imigrantes sofreram quando desembarcaram em Londres, depois da Segunda Guerra Mundial.

A partir dos anos 1960, para denunciar o racismo e o preconceito, estas comunidades passaram a realizar protestos anuais — que envolviam, é claro, muita música e dança.

Mas, com o tempo, o que era uma manifestação se tornou uma das maiores festas populares do continente europeu. Visto por este ângulo, o Carnaval de Notting Hill se assemelha a muitos outros carnavais, tendo como base, além da alegria, a resistência.

Como a folia dura só dois dias, vale a pena se planejar para conhecer mais da metrópole britânica. Para os cinéfilos, visitar as locações do clássico “Um lugar chamado Notting Hill” pode ser uma ótima pedida.

3. Trinidad e Tobago: o primeiro Carnaval caribenho, o segundo maior do mundo

Fantasias majestosas, com penas coloridas e muito brilho, desfilando em meio a trios elétricos ao som de soca: é mais ou menos esse o cenário do Carnaval de Trinidad e Tobago — para nós, brasileiros, algo como uma mistura de Salvador com Rio de Janeiro.

Considerado o segundo maior carnaval do mundo, atrás somente do carioca, a folia trinitária acontece oficialmente em fevereiro e reúne centenas de milhares de pessoas para uma grande celebração.

Mas os locais não esperam até lá para entrar no clima: ainda em dezembro, logo depois do Natal, já é possível encontrar festas e se contagiar pelo espírito carnavalesco.

Desfile no Carnaval de Trinidad e Tobago

Como aconteceu em diversos países da América Latina, o Carnaval foi originalmente levado à ilha por colonizadores franceses. Num primeiro momento, escravizados nativos e africanos eram proibidos de participar das festividades, e por isso faziam suas próprias.

Eventualmente, com a abolição da escravidão, o ambos os carnavais acabaram se misturando, e o evento ficou marcado como um momento de celebração da liberdade e da emancipação da população ex-escravizada.

Como você vai ver em seguida, o Carnaval de Trinidad e Tobago foi se popularizando tanto que chegou às ilhas vizinhas, como a Jamaica.

“Endless vibrations”, de 1975, é considerada a primeira música do ritmo soca.

4. Carnaval em abril? Na Jamaica, sim!

Se março é o mês da ressaca pós-Carnaval para os brasileiros, para os jamaicanos é apenas o início dos preparativos para a folia!

Ou talvez seja a continuação: em fevereiro se comemora o Mês do Reggae na Jamaica, e por isso o Carnaval fica para depois.

Inspirada no Carnaval de Trinidad e Tobago, a celebração jamaicana foi criada por fãs da festa da ilha vizinha.

Nos anos de 1988 e 1989, por conta de um furacão e posteriormente das eleições na Jamaica, um grupo de amigos não pode comparecer à folia de Trinidad e, assim, decidiu organizar o seu próprio Carnaval.

Foto: Reprodução/DWP Studios | Dwayne Watkins

Ainda que em março já seja possível encontrar atividades carnavalescas, o Carnaval jamaicano só começa oficialmente em abril, depois da Páscoa e durante a estação mais seca no país — as temperaturas chegam facilmente aos 30ºC, o que dá aquele gostinho de folia no Brasil.

Pelas ruas da capital, Kingston, assim como nas cidades de Ocho Rios e Montego Bay, você encontra desfiles, festas e concursos de fantasias, tudo regado a uma fusão musical única que mistura soca e calipso, sons típicos do leste caribenho, e músicas dos salões de baile jamaicanos.

As festas, em sua maioria, são pagas, mas é possível assistir aos desfiles da calçada de forma gratuita.

Para o descanso pré ou pós-folia, a ilha oferece belíssimas praias, hotéis all-inclusive e a calorosa hospitalidade do povo jamaicano.

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5. O clássico Carnaval de Veneza

Como tudo na Itália, o Carnaval de Veneza é um verdadeiro clássico: o primeiro registro de um carnaval na região é de 1094 — sim, mais de 900 anos atrás!

O evento foi estabelecido como uma forma de oferecer à população, especialmente a mais pobre, alguns dias de festa, nos quais o objetivo era um só: a diversão.

As tradicionais fantasias e máscaras utilizadas pelos foliões garantiam o anonimato, proporcionando temporariamente uma “igualdade” entre pessoas de diferentes classes sociais.

Mascarados no Carnaval de Veneza

Assim, todos se sentiam livres para fazer o que bem quisessem, tanto pessoal quanto publicamente.

Quando pensamos em Carnaval, Veneza não é exatamente o que primeiro vem à mente, não só pelo tipo de festa, mas também pelo clima: em fevereiro, faz bastante frio na Itália.

De qualquer forma, vale a pena conferir o espetáculo que acontece em uma das cidades mais charmosas do mundo.

O desfile que sai da praça de San Marco e as gôndolas decoradas que navegam pelos canais de Veneza são alguns dos pontos altos do evento.

As fantasias que remetem à antiga nobreza são outra marca registrada do Carnaval veneziano, mas, infelizmente, elas podem acabar pesando muito no bolso, pois costumam sair na faixa dos € 300.

Já as máscaras são um pouco mais acessíveis (as originais custam em torno de € 30), e permitem que você entre no clima da festa italiana sem comprometer o orçamento!

Pronto para curtir um Carnaval diferente?

6. Mardi Gras: o Carnaval de New Orleans

Carnaval nos Estados Unidos? Tem, sim, e não é pouco!

Um dos carnavais mais famosos do mundo, o Mardi Gras é uma celebração tradicional de New Orleans, cidade americana fundada por colonizadores franceses.

A festa começa em seis de janeiro, Dia de Reis, e se estende até a quarta-feira de cinzas, coincidindo com o fim do Carnaval brasileiro.

Reza a lenda que, devido ao sucesso da produção de algodão e cana-de-açúcar na região, no século XIX, fazendeiros desfilavam pela cidade, distribuindo dinheiro e até mesmo joias para a população.

Desfile em New Orleans. Foto: Getty Images

A isso misturaram-se as tradições carnavalescas da Europa e a influência da cultura das Antilhas, local de origem dos escravizados que trabalhavam nas plantações. O resultado é o que hoje conhecemos como o Mardi Gras (“terça-feira gorda”, em francês).

Além de pequenas bandas de sopro que tocam pelas ruas, numa espécie de cortejo parecido com os blocos de rua brasileiros, a festa também conta com desfiles de carros alegóricos e, claro, muita gente fantasiada.

Mardi Gras e a tradição dos “colares de contas”

Uma das tradições que mais chama a atenção no Carnaval de New Orleans é a dos colares de contas coloridos, os chamados beads.

Os ornamentos são distribuídos e colecionados pelos foliões, que exibem os acessórios no corpo ao longo dos dias de festa. 

Foliões exibem seus beads no Carnaval de New Orleans. Foto: Getty Images

7. Maslenitsa: celebrando a chegada da primavera na Rússia

Sim, até na Rússia tem Carnaval! E sim, é Carnaval na neve.

A Maslenitsa, considerado o equivalente russo do Carnaval, é um dos feriados religiosos eslavos mais sagrados.

A celebração acontece na forma de uma grande festa na qual a população se despede do longo e gelado inverno e dá boas-vindas à primavera.

Ao longo de uma semana, geralmente ao final de fevereiro ou em março, as pessoas dão adeus ao inverno enquanto enchem a barriga de panquecas — assim como o Carnaval, a Maslenitsa antecede um período sagrado de privações.

Mulheres russas com seus blinis

O nome Maslenitsa é inspirado na manteiga (maslo, em russo), principal ingrediente do blini, famosa panqueca típica da ocasião.

Na capital Moscou, as festividades costumam acontecer perto da Catedral de São Basílio, um dos cartões postais da cidade. E ainda que a comemoração seja pelo fim do inverno, os termômetros ainda marcam temperaturas baixíssimas, inclusive negativas.

Mas isso não impede que os russos se reúnam em locais públicos para assistir a desfiles e celebrar com música, dança e diversas brincadeiras.

Por isso, caso você resolva testemunhar esse Carnaval gelado com seus próprios olhos, é bom se agasalhar!

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8. Carnaval abaixo de zero: as festas em Lucerna e Basileia, na Suíça

Não é só na Rússia que o Carnaval acontece em paisagens brancas e a temperaturas negativas.

As cidades suíças Lucerna e Basileia são famosas por sua folia. Na primeira, o Carnaval já leva mais de 500 anos de história, e dura seis dias, começando na chamada “quinta-feira suja” e se encerrando na terça-feira de Carnaval.

Assim como os russos, os suíços não se deixam abalar pelas baixas temperaturas: em Lucerna, as ruas da cidade são decoradas com pinturas e máscaras, e o que marca o início do Carnaval é a explosão de toneladas de papel picado.

Nos dias seguintes, famílias se reúnem logo cedo para assistir aos desfiles de carros alegóricos, estandartes e bandas mascaradas. Não fosse o frio, poderíamos até dizer que tem alguma semelhança com a folia brasileira.

Cerimônia para afugentar maus espíritos na Basileia. Foto: Michael Springmann

O Carnaval na Basileia (Basler Fasnacht), ainda que mais curto do que o de Lucerna, é considerado um dos mais populares da Europa. A festa começa na madrugada de domingo para segunda-feira de Carnaval e tem duração de 72 horas.

Na quarta-feira de cinzas, com todas as luzes da cidade apagadas, as pessoas saem às ruas com lanternas e máscaras para espantar os maus espíritos da região ao som de tambores e flautas.

Pra fechar com chave de ouro, em cerca de uma hora de trem você pode ir de uma cidade à outra, em uma viagem que permite apreciar a paisagem de tirar fôlego dos alpes suíços enquanto você descansa ou se prepara para mais um dia de festa.

9. Quebec e o maior Carnaval de inverno do mundo

Não poderíamos deixar de fora da lista uma das festas mais aguardadas todos os anos pelos canadenses: o Carnaval de Quebec!

Mais um para a série dos carnavais abaixo de zero — e aqui o povo não se abala mesmo; inclusive, há quem vá para festa na rua com roupas de banho!

Ao longo de três semanas, desfiles noturnos, shows, atividades esportivas e concursos de esculturas de neve tomam conta da cidade, que reúne milhares de locais e turistas.

O Carnaval tem até um mascote: Bonhomme, um carismático boneco de neve que ganha seu próprio palácio para morar durante o inverno. É nesse palácio que ocorrem as festas de  abertura e de encerramento do evento.

Bonhomme, o mascote do Carnaval de Quebec. Foto: Audet Photo

A região onde Quebec se localiza foi colonizada por franceses, e é daí a origem do famoso carnaval canadense: a tradição da Quaresma, o período sagrado de privação antes da Páscoa, emigrou para o Canadá junto com os franceses.

Assim, a ideia de uma festa dedicada à diversão e ao prazer também é característica do Carnaval de Quebec.

Planejando o seu próximo Carnaval

E então, já decidiu qual será o seu próximo destino para curtir a folia?

Opção é o que não falta e, provavelmente, saudade de viajar também não. Que tal começar a se planejar para fazer diferente e pular Carnaval no exterior em 2023?

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