Um guia para quem vai à Chapada Diamantina pela primeira vez  

Venho por meio deste, descomplicar a Chapada Diamantina para você. Depois de ler, reler, salvar e compartilhar esse mini guia introdutório para um futuro chapadeiro raiz, espero que você, leitor, comece a planejar a sua viagem para a Bahia para conhecer esse paraíso na terra.

Parece que é um lugar super isolado e inacessível, mas não! É possível e eu vou te provar.

Meios de transporte até Chapada Diamantina:

Pois bem, há algumas possibilidades que contemplam todos os estilos e bolsos. Vamos lá:

De avião – os aeroportos mais próximos são os de:

• Lençóis (dentro da Chapada Diamantina);

• Vitória da Conquista (esse é melhor se for explorar a Chapada Sul ou se o preço tiver compensando).

De ônibus, as principais empresas que operam nas cidades da Chapada Diamantina são:

• Novo Horizonte (muito ruim, mas é o mais barato e chega praticamente em todas as cidadezinhas da região);

• Emtram (esse ônibus também é barato e leva para as cidades perto do Capão. São ônibus em trânsito, o famoso pinga-pinga, então param muito, mas uma hora chega!);

• Rápido Federal (ônibus convencional e executivo, mais caro, mas mais confortável).

Se a ideia for ir de carro, algumas informações úteis:

• Há rodovias federais e estaduais (BRs e BAs) que dão acesso às cidades da região;

• Você precisa de carro para conhecer a maioria das atrações na Chapada Diamantina. Os principais pontos turísticos são em cidades diferentes e o acesso para algumas trilhas e cachoeiras passam por estradas de terra;

• Outra boa saída é contratar uma agência para fazer os passeios, já elas incluem o transporte até os locais;

• Mas se quiser ficar mais independente, as únicas cidades que alugam carros são Lençóis e Seabra.

Carona:

• É sempre possível, mas o lugar mais comum (e talvez mais fácil) de conseguir é no Capão;

• O jeito mais barato de rodar na cidade ou ir para algum povoado mata adentro é de mototáxi.

Dicas básicas para montar o seu roteiro na Chapada Diamantina

A Chapada não é complicada de decifrar. Você pode até montar seu próprio roteiro independente.

Lógico que existem várias agências que fazem passeios para lá (inclusive faço expedições e trilhas com grupos pequenos, fiquem de olho no meu instagram @eimaetovivo que divulgo as novas datas), mas nada impede que você se aventure por conta própria e economize mais na viagem.

Por isso mesmo seguem 5 dicas básicas para começar montar seu roteiro para a Chapada Diamantina:

1. Escolha uma cidade base.

Ibicoara, Mucugê, Andaraí, Igatu, Lençóis e Capão são as principais. Escolha outras só se for fazer alguma trilha específica. Todas elas tem pousadinhas ótimas e charmosas, para todos os bolsos, umas mais confortáveis, outras com serviços de luxo, mas todas com um café da manhã maravilhoso!⠀⠀⠀⠀⠀⠀

2. Não precisa de guia para tudo

Tem muito passeio que dá para fazer sem guia (os que ficam em propriedades particulares, que é só pagar e entrar; e as trilhas curtas que saem de dentro da cidade). É só pesquisar o que tem ao redor de onde estiver e perguntar para os locais como chegar. Por exemplo: Cachoeira Ribeirão do Meio nas redondezas de Lençóis, as Piscinas do Roncador perto de Andaraí e a Cachoeira do Licuri em Ibicoara.

3. Conte com um carro

Viajar de carro facilita muito porque geralmente os melhores lugares ficam longe um do outro. Mas nada impede de você tentar carona, ir de bike ou pegar um ônibus para a próxima cidade e só lá contratar um guia local (fica mais barato).

4. Guia para trilhas longas

Eu recomendo fazer trilhas longas com guia, principalmente se você não tem experiência. Isso porque você corre menos riscos e também ajuda na economia local. 

5. Camping pode ser uma boa ideia (se for a sua praia)

Para uma experiência mais raiz, você pode acampar em um dos muitos campings nas cidades ou na área verde infinita. É só escolher um metro quadrado e montar sua base. Se tiver um fogareiro de camping e uma panelinha, já pode preparar seu café da manhã, um lanche pra comer durante o dia e um rango antes de dormir e, assim, economizar também nas refeições. Sempre respeitando as regras locais, evitando fazer fogo em áreas proibidas e levando embora todo o lixo que produzir.

5 lugares imperdíveis na Chapada Diamantina

Essas primeiras dicas já te ajudaram? Já abriu a sua mente sobre possibilidades?

Agora, escolhi 5 lugares da Chapada Diamantina que, na minha opinião, são imperdíveis para sua primeira viagem. Também listei algumas dicas de como chegar lá.

1) Fazenda da Pratinha: um complexo de águas azul turquesa, conhecida como o oásis do sertão no coração da Chapada Diamantina. Como é uma propriedade particular, paga-se para entrada e também para curtir alguns de seus atrativos. São duas grutas de água cristalina, sendo que uma delas é possível fazer flutuação e observar os peixes. Há um rio perfeito para se banhar, um restaurante que serve comida a kilo (R$55 o kg) e uma pousada.

A infraestrutura melhorou com o passar dos anos e eles vêm investindo cada dia mais em melhorias. Ainda não está perfeito, mas com certeza vale a visita por causa da natureza que lá habita. Fica localizada no município de Iraquara, a 75km da cidade de Lençóis.

  • Funcionamento: de 8h às 16h
  • Valor da entrada: R$ 60,00 por pessoa (idoso paga meia e crianças até 9 anos não paga)
  • Tirolesa: R$ 20,00
  • Flutuação: R$ 60,00
  • Fotos subaquáticas: R$ 90,00

Dica de ouro: se você visitar entre abril e setembro consegue ver o fenômeno da luz azul entrando na Gruta, que acontece todos os anos no solstício. O melhor horário para observar esse fenômeno é às 15h.

*Vale lembrar que esse horário e valores são do primeiro semestre de 2022.

2) Cachoeira do Buracão: Provavelmente um dos lugares mais surreais que você vai conhecer na vida! É até difícil de descrever, só mesmo indo para sentir a emoção que é estar num lugar como esse, recebendo toda boa energia de uma natureza praticamente intocada.

Para chegar até a queda d’água principal é preciso fazer uma trilha de 3km de nível moderado. Um guia credenciado é obrigatório para adentrar no Parque Nacional, que você encontra facilmente nas agências locais espalhadas pela cidade de Ibicoara, município mais próximo do Buracão.   

  • Distâncias de carro: 30 km de Ibicoara, 106 km de Mucugê e 250 km de Lençóis.

Dica de ouro: Peça para seu guia fazer paradas estratégicas no Rio Espalhado, na Cachoeira Recanto Verde. Na volta, além de ver a Cachoeira do Buracão de cima, relaxe na Cachoeira das Orquídeas antes de ir embora.

3) Poço Azul: a combinação de uma gruta, um poço de água transparente e um feixe de luz azul. É mágico lá dentro!

Uma vez levei alguns amigos do Ceará para conhecer. Um deles trouxe o pai, que tem uma deficiência na perna. Juntos, o ajudamos a descer a escadaria que leva até o fundo da gruta e o filho entrou com ele na água. 

No primeiro momento, ele entrou um pouco em pânico, pois mesmo com colete salva-vidas (uso obrigatório por todos), o nosso cérebro fica receoso mesmo. A água é tão, mais tão cristalina que, ao entrar, a gente se joga num grande vácuo. Mas essa tensão dura pouco, só até começar a flutuar, para não dizer voar sob a água! 

No exato momento que nós entramos na água com o pai do meu amigo, o raio de luz entrou na gruta, revelando o famoso fenômeno da luz azul dentro da gruta. Foi lindo demais! Todos se emocionaram muito!

Além do Poço Azul tem também o Poço Encantado. Se puder ir nos dois, ótimo! Porém, se precisar otimizar seu tempo, com certeza, escolha o Poço Azul, pois é mais interativo: você pode entrar e flutuar, já o Encantado é só para contemplação.

  • Fica localizado no município de Nova Redenção (47 km de Mucugê e 141 km de Lençóis)
  • Funcionamento: de 8h às 17h
  • Entrada: R$ 40 (crianças a partir de 5 anos já pagam o valor integral; não precisa de guia)
  • Tem um restaurante simples e uma lanchonete no espaço
  • Melhor época para ver o raio: entre 01 de abril e 10 de setembro
  • Melhor horário para ver o raio: das 10h às 13h30.

4) Morro do Pai Inácio: Esse é o maior cartão-postal da Chapada Diamantina. Tem um pôr-do-sol com vista para todo o vale. Imperdível!

  • Funcionamento: de 9h às 17h
  • Entrada: R$12,00
  • São 500 m de subida (fácil para moderado)
  • Fica a uma distância de 26 km de Lençóis e não precisa de guia.

5) Cachoeira da Fumaça: A segunda cachoeira mais alta do Brasil, com 340 metros de altura. É, sem dúvidas, um dos cenários mais bonitos da Chapada Diamantina e tem uma visão inesquecível do Vale do Capão.

A vilazinha hippie do Vale do Capão já é um atrativo por si só, com sua mistura de gente (de todo lugar do mundo), comidas, música e natureza. Dá vontade de também comprar um terreno, fazer uma casinha e viver ali pra sempre, como muitos fizeram.

  • Distâncias: 3 km do Capão, 80 km da cidade de Lençóis e 21 km do município de Palmeiras.
  • A trilha para a cachoeira da Fumaça é de 6 km, sendo que 2 km são só de subida. Então é um nível moderado.
  • Não dá para tomar banho na Fumaça, essa trilha é para você contemplá-la por cima. A única forma de você banhar na queda d’água é fazendo uma trilha de 4 dias até chegar nela por baixo (mas deixa essa dica para um próximo artigo). Não se preocupe que água não vai faltar: no caminho tem Riachinho, uma área bem gostosa pra nadar, se refrescar e descansar da trilha.

O bom da Chapada é que qualquer época é boa de ir, tem muita coisa diferente pra fazer. Algumas trilhas valem a pena, mesmo em época de chuva, pois aparecem novas quedas d’água no caminho. Ao contrário do período de seca, que elas simplesmente somem da paisagem.

Outros lugares, como a Pratinha, o Poço Azul e as atrações de água cristalina em geral devem ser evitados na temporada de monções, porque a água fica turva e perde o sentido em visitá-las.

Não tem erro! Quando for pra Chapada Diamantina, a previsão do tempo é seu melhor amigo na hora de definir o que fazer e onde ir.

Ao mesmo tempo, não se apegue a isso, adapte-se, adapte seu roteiro, porque sol, chuva e experiências inesquecíveis nunca faltarão por lá!

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