Investindo em ano de eleição: uma reflexão com base nos pleitos anteriores  

Não há dúvida de que as eleições são o episódio mais importante para a economia e para os mercados. 

Mas será que vale a pena traçar uma estratégia de investimentos com base na expectativa das eleições

Uma das máximas do mercado financeiro é que a Bolsa de Valores reage com a expectativa e realiza com o fato. Ou, em uma versão mais popular: a Bolsa sobe no boato e cai no fato.

Muitos acreditam que podem aproveitar a volatilidade dos mercados para agir de forma especulativa, comprando e vendendo ativos no período cheio de boatos e expectativas que precedem as eleições presidenciais. 

Mas será que as pesquisas eleitorais são um bom indicador para comprar ou vender ações?

Para tentar responder essa pergunta, convido você, meu caro leitor, para uma viagem ao passado. 

Vamos olhar o período de 120 pregões anteriores e 120 pregões posteriores que ocorreram nas últimas oito eleições presidenciais diretas, após a redemocratização do Brasil.

As conclusões dessa jornada você confere ao final do artigo. Acompanhe!

De olho nas últimas oito eleições presidenciais

Durante a primeira eleição direta, após a redemocratização do Brasil, em 1989, o mercado financeiro passou por um enorme aumento da volatilidade. 

O então presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) previu, em uma reunião com 120 líderes empresariais, que, se um dos candidatos vencesse o pleito, pelo menos 800 mil empresários deixariam o Brasil.

Com o risco associado à eleição, o Ibovespa caiu 50% nos 120 pregões anteriores à eleição, não sem antes passar por intensa volatilidade. 

No fim, o candidato preferido do mercado venceu, mas logo ficou evidente que era uma incógnita o que ele pretendia fazer com a economia, então assolada pela hiperinflação.

Então o presidente eleito assumiu, implantou aquele que seria considerado o mais absurdo plano econômico da nossa história, e o Ibovespa teve uma queda de 75%. 

Note que esta queda se deu sobre um índice que já tinha caído 50% antes da eleição. 

O tempo passou e o presidente eleito acabou sofrendo impeachment. O vice assumiu e conseguiu implantar o Plano Real, feito que acabou capacitando seu ministro da Economia para ser o candidato vitorioso da próxima eleição presidencial, em 1994.

Nos 120 pregões anteriores ao primeiro turno, o Ibovespa passou por intensa volatilidade. No entanto, no dia da eleição, ele estava quase ao mesmo nível daquele de 120 pregões anteriores. 

O candidato considerado a favor do mercado venceu as eleições, mas, mesmo assim, o Ibovespa entrou em um período de forte queda após a eleição, chegando a cair mais de 50%.

Na eleição de 1998, mesmo com forte possibilidade da reeleição do presidente, posteriormente confirmada, o Ibovespa não deixou de apresentar forte volatilidade, e uma queda de quase 50%. 

Após a eleição, a queda foi parcialmente revertida.

Na eleição de 2002, a possibilidade de vitória do candidato de oposição, tão temido pelo mercado, se confirmou. 

Nos pregões anteriores ao primeiro turno, o preço das ações caiu quase 40%. Após a eleição, o índice recuperou parte das suas perdas. 

A partir de 2002, dificilmente se consegue perceber qualquer aumento de volatilidade ou movimento no preço das ações que possa ser explicado apenas pelo fenômeno das eleições, conforme podemos observar no gráfico abaixo:

De olho nas próximas eleições

Falar sobre o passado é muito simples, já projetar o futuro é uma atividade que costuma ser extremamente ingrata com todos aqueles que tentam. 

Não vou cair na tentação de prever o efeito das próximas eleições na cotação das ações. 

Porém, devemos considerar que os dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de votos são conhecidos do mercado. 

Um foi presidente por 8 anos e o outro é o atual ocupante da cadeira presidencial.

Ainda não se pode descartar a possibilidade de um candidato da chamada terceira via chegar ao segundo turno. 

Entretanto, se isso acontecer, não deverá ser um candidato com propostas econômicas que possam assustar o mercado financeiro

Sendo assim, é pouco provável que a volatilidade pré e pós eleições seja algo além daquela que acontece normalmente no mercado de capitais. 

Porém, existe um fato que é incontestável no mercado de capitais: a diversificação e a disciplina nos investimentos resultam em um importante prêmio para as pessoas que seguem esta estratégia.

Vamos imaginar dois amigos que decidiram investir a mesma quantidade de R$ 1 mil todos os meses, após a redemocratização do Brasil. 

O primeiro ficou muito assustado com o Plano Collor e desistiu da estratégia. Já, o segundo se manteve firme no seu propósito.

Considerando aquele que continuou investindo R$ 1 mil e tivesse obtido um desempenho igual ao Ibovespa, hoje ele teria o valor de R$ 7,2 milhões. Para chegar a este valor deflacionei pelo IPCA os valores anteriores ao Plano Real, quando vivíamos uma hiperinflação.

Assim, não sei qual será o comportamento da Bolsa pré e pós eleições. 

Porém, acho que a melhor estratégia é não se preocupar com as eventuais flutuações que vierem a ocorrer. 

Por isso, sugiro manter uma estratégia de compras mensais constantes de uma boa carteira de ações, um bom fundo de ações ou um ETF diversificado como o IBOV11 ou PIBB11.

Sem dúvida alguma, as eleições presidências mexem com o humor do mercado. A boa notícia é que elas mexem cada vez menos.

Gostou do artigo do Jurandir? Talvez você também se interesse por outros que ele publicou aqui na Warren Magazine:


Na Warren, você consegue investir de acordo com os seus objetivos. Além de montar sua carteira sem pagar taxa de corretagem, ainda tem acesso a alguns dos melhores fundos do mercado, geridos pela nossa equipe. Abra sua conta e comece agora mesmo.