Como me tornei nômade digital — e o que você precisa para se tornar um também

“Oie, meu nome é Sophia Costa. Sou brasileira, publicitária, mestre em Direitos Humanos e nômade digital“. É assim que eu tenho me apresentado ultimamente para as pessoas que cruzam o meu caminho. 

Escrevo esse texto sentadinha bem bonitinha em uma mesa de canto em um Starbucks no centro de Playa Del Carmen, uma cidade muitíssimo badalada no México. Cheguei em terras mexicanas no final de dezembro, e esse país vai ser minha casa até março.

Antes de México tivemos Inglaterra, Sérvia, Itália, Tailândia, Argentina e Moçambique. Além do Brasil, esses são os países que já chamei de casa, nos altos dos meus 27 anos de vida. 

Nômade de alma, comecei a vida de nomadismo digital antes mesmo de saber que existia um nome e uma comunidade de pessoas que não tem casa fixa e moram pelo mundo.

Segundo a Wikipédia, nômade digital é “um indivíduo que aproveita a tecnologia para realizar as tarefas de sua profissão de maneira remota e, ao não depender de uma base fixa para trabalhar, conduz seu estilo de vida de uma maneira nômade”.

Então, basicamente, nomadismo é um estilo de vida (e não uma profissão). E eu comecei a ser nômade em 2018, totalmente sem querer.

Explico: sou de Brasília, formada em Comunicação Social com habilitação em publicidade pela Universidade de Brasília e, mesmo muito antes de decidir qual seria a minha profissão, era bombardeada com a ideia de ter um trabalho estável em que eu pudesse ganhar muito e trabalhar pouco (o famoso e concorridíssimo concurso público).

A ideia nunca fez muito sentido na minha cabeça, e escolhi uma faculdade onde eu pudesse explorar o meu potencial criativo. 

Ao longo da graduação fui me transformando como pessoa e a ideia de ter um trabalho para o resto da vida, casar, comprar apartamento e viver uma vida previsível foi me agradando cada vez menos. Eu ainda não sabia qual seria a alternativa, mas sabia que aquele modelo não combinava com quem eu era.

Em 2016, logo depois de me formar, viajei sozinha pela primeira vez e para outro país. Essa viagem abriu um mundo de possibilidades na minha cabeça. Descobri, ali em Berlim, como eu amava o movimento e a liberdade. Desde essa viagem até o dia de hoje muitas coisas aconteceram, e uma certeza foi se consolidando cada vez mais forte dentro de mim: eu não tenho vontade de permanecer fixa em nenhum lugar!

Um dia antes de embarcar para África do Sul, em 2018, me ofereceram um trabalho freelancer na minha área, 100% remoto. Nessa época eu não conhecia ninguém que trabalhasse dessa forma e nem sabia se eu ia conseguir conciliar fuso horário + trabalho voluntário, mas topei. Eu sou o tipo de pessoa que diz sim pras experiências, para testar e ver até onde elas me levam.

Acontece que me saí super bem, me adaptei e fiquei encantada com a possibilidade de levar meu trabalho comigo aonde quer que eu fosse. Fiquei três meses viajando pela parte sul da África enquanto eu trabalhava e foi ali que eu descobri a vida do nomadismo, ainda sem sequer saber que existia um nome para esse estilo de vida. 

Hoje, não trabalho mais para essa empresa. Sou produtora de conteúdo full time, tenho infoprodutos, trabalho em parceria com outras marcas e tenho minha própria marca, mas foi tudo uma transição.

Quando as pessoas me perguntam o que fazer para se tornar um nômade digital, eu costumo ressaltar três pontos:

1. Ser nômade e ser mochileiro/viajante não são a mesma coisa

Primeiro de tudo, você precisa entender que nomadismo não tem nada a ver com viajar

Como assim, Sophia?

Quando estamos viajando, nosso compromisso é conhecer, explorar, comer em restaurantes novos, fazer passeios e por aí vai. Se você tentar viver uma vida de viagem enquanto tem que trabalhar, você não vai aguentar um mês.

Nomadismo é sobre viver a sua vida, com trabalho, reuniões e rotina. Por isso eu passo muito tempo nos lugares. Nomadismo, pelo menos para mim, é sobre não ter pressa e, de fato, viver nos lugares e explorar quando tenho tempo. 

2. Para ser um nômade digital, você precisa ser flexível

O segundo ponto é a flexibilidade. Se você é uma pessoa que precisa sempre das condições perfeitas para conseguir trabalhar e ser produtivo, talvez o nomadismo não seja para você.

Nem sempre tenho a cadeira perfeita, a mesa na altura correta, a iluminação que eu gosto, etc. Eu tento sempre procurar lugares que me ofereçam as condições com as quais eu mais me sinto confortável para viver e trabalhar, mas nem sempre isso acontece.

Viver uma vida em movimento demanda flexibilidade e aceitar que às vezes — na maioria das vezes — as coisas não saem exatamente como o planejado. E que tá tudo bem.     

3. Você consegue levar o seu trabalho com você?

O terceiro ponto é o que vai permitir que essa vida aconteça: ter um trabalho 100% online.

Não precisa ser produtor de conteúdo nem influencer. Não precisa ter um Instagram se você não quiser. Para ser nômade você precisa de um trabalho que possa ir com você para qualquer lugar.

Se a sua profissão te dá a possibilidade de um trabalho remoto, você já pode ser nômade tranquilamente. 

Por fim, se você for apaixonado pela liberdade, por conhecer novas culturas, pelo imprevisível, talvez esse estilo de vida seja para você.

Eu falo que não fui eu que escolhi a vida nômade, foi ela que me escolheu. Com esse estilo de vida, eu tenho a minha máxima expressão de liberdade, e isso é o que mais combina comigo no momento.

Quem sabe não combine com você também?