Em sua primeira reunião do ano, Banco Central mantém Selic inalterada em 13,75%  

Em reunião finalizada nesta quarta-feira (01/02), o Banco Central do Brasil optou pela manutenção da taxa Selic no patamar atual de 13,75%, em decisão unânime e amplamente esperada por economistas e pelos demais participantes do mercado financeiro. Esta é a quarta vez consecutiva em que a taxa é inalterada.

Mas o que justifica essa decisão e como ela vai afetar os seus investimentos?

Entenda os detalhes da decisão a seguir.

O que explica a manutenção da taxa Selic em 13,75%?

Na busca pelo controle da inflação, o Banco Central iniciou, em março do ano passado, um ciclo de alta na taxa de juros Selic, que saiu de 2% a.a., sua mínima histórica, para o patamar de 13,75% a.a., colocando o Brasil como um dos países emergentes com a maior taxa de juros do mundo. 

Depois de doze aumentos consecutivos na taxa básica de juros, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu interromper o ritmo contracionista na reunião do mês de setembro de 2022.

Naquela ocasião, o Banco Central adotou uma postura de predileção pela manutenção do ciclo contracionista por mais tempo ao invés de subir juros para patamares consideravelmente mais elevados. 

Dessa forma, a decisão era amplamente aguardada pelo mercado, que precificava 98% de probabilidade de manutenção da taxa Selic no patamar atual de 13,75%.

A essa altura do campeonato, pelo menos no entendimento do Copom e de boa parte do mercado, outro ajuste residual traria pouco efeito prático, afinal, a economia doméstica já vem desacelerando e existe um “lag” na aplicabilidade da política monetária.

Entenda o que foi levado em conta na definição do Copom.

Como está o cenário externo?

O mundo caminha para um cenário de mais juros e menos crescimento.

O ambiente externo permanece adverso e volátil, com alta variação nos ativos financeiros e um ambiente inflacionário ainda pressionado, embora os últimos dados tenham vindo levemente positivos. 

A política monetária dos países avançados tem caminhado em direção a taxas restritivas e os mercados globais estão cada vez mais sensíveis a fundamentos fiscais.

Bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes vêm adotando uma postura mais dura em relação ao avanço da inflação e isso tem gerado um movimento de aversão a risco e volatilidade mais elevada em índices e moedas.

Em paralelo, hoje o Federal Reserve elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para um intervalo de 4,50% a 4,75%, em decisão unânime e amplamente esperada pelos participantes do mercado financeiro.

O banco central norte-americano reconheceu que indicadores econômicos recentes apontam para um crescimento modesto dos gastos e da produção, embora o mercado de trabalho permaneça robusto e a inflação tenha diminuído um pouco, mas ainda esteja elevada. 

Além disso, foi decidido pela manutenção da redução do balanço do Fed por meio da venda de títulos públicos e hipotecários de posse da autoridade monetária.

O próximo encontro do Fomc ocorrerá no dia 22 de março e o mercado projeta mais um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros. 

De acordo com a ferramenta FEDWATCH da Refinitiv, o mercado precifica atualmente aproximadamente 80% de chances de alta de 25 pontos base na próxima reunião do Banco Central dos EUA.

TextoDescrição gerada automaticamente

Em paralelo, a Europa passa por uma crise energética de enorme proporção, que aos poucos está se transformando em uma crise inflacionária e financeira. Apesar dos dados recentes levemente positivos, a narrativa de recessão ainda é uma realidade. 

A China, por sua vez, passa por um processo de reabertura da economia, que parece cada vez mais próximo e que pode exercer pressão altista nas commodities.

Pensando no cenário doméstico, um dos principais impactos inflacionários poderia se materializar via depreciação cambial. No entanto, a taxa de câmbio situa-se num patamar inferior ao nível de R$ 5,25 observado no Copom de dezembro, já tendo incorporado o prêmio de risco após a aprovação as PEC da Transição. 

Apesar de boa parte do movimento ter decorrido do enfraquecimento global do dólar, isso, aliado aos dados recentes de inflação positivos, representa uma redução dos riscos externos, contrabalançando parcialmente a piora dos riscos internos.

Como a economia brasileira vem se comportando?

No âmbito doméstico, o conjunto dos indicadores mais recentes corrobora o cenário de desaceleração na atividade econômica que era esperado pelo Copom. 

Os dados de inflação mostram uma abertura mais benigna, com desaceleração dos núcleos e dos serviços subjacentes. Caso essa tendência persista, poderia mitigar ou reverter o processo de deterioração das expectativas que vimos recentemente no boletim Focus.

A mediana das expectativas para o IPCA 2024 (que passa a ser o foco dentro do horizonte relevante da política monetária) passou de 3,50% para 3,90%, o que é contrabalançado parcialmente pela elevação das expectativas para a taxa Selic no final de 2023 e 2025, que passaram de 11,75% e 8,50%, respectivamente, para 12,50% e 9,50%. 

Devido aos efeitos defasados da política monetária, boa parte dos efeitos contracionistas sobre a atividade ainda não se materializou e podem ajudar a contribuir de forma significativa com o movimento esperado.

O que disse o Copom?

Em seu comunicado, o Copom reforçou cada um dos riscos percebidos para a taxa básica de juros. 

“Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; (ii) a ainda elevada incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e estímulos fiscais que implicam sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporados nas expectativas de inflação e nos preços de ativos; e (iii) um hiato do produto mais estreito que o utilizado atualmente pelo Comitê em seu cenário de referência, em particular no mercado de trabalho. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma queda adicional dos preços das commodities internacionais em moeda local; (ii) uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada; e (iii) a manutenção dos cortes de impostos projetados para serem revertidos em 2023.”

O que esperar daqui para frente?

Entendemos que provavelmente a taxa Selic deve ser mantida no patamar atual pelo menos até meados do ano e consideramos esta como a taxa terminal de juros deste ciclo contracionista.

Vale ressaltar que a aplicabilidade da política monetária não é imediata, de modo que a economia real provavelmente ainda não sentiu os efeitos deste ciclo de alta da taxa de juros Selic por completo.

Nesse contexto, a equipe Warren Rena segue com o call de que o próximo movimento da política monetária deverá ser de queda da taxa Selic, com relaxamento da política monetária a partir de agosto de 2023, com a taxa Selic chegando a 11% no final do ano.

O principal risco para este cenário seria a piora do arcabouço fiscal do país.

Para finalizar, espero que você tenha gostado do artigo, e aproveito para avisar que estou totalmente aberto a dúvidas e sugestões. Costumo responder perguntas todos os dias no meu perfil pessoal do Instagram (@fredpnobre).

E se você quiser acessar as minhas recomendações individuais de empresas e as carteiras de ações e FIIs da área de análise da Warren, basta se cadastrar na nossa página..


Gostou da leitura? Confira outros artigos que separamos para você: