Pensando na aposentadoria

A geração prateada e a aposentadoria: no que investir para aproveitar a fase da melhor forma?

Publicado por
Jurandir Sell

Se você, assim como eu, já passou dos 50 e conseguiu acumular uma boa reserva financeira, está de parabéns.

Você viveu anos extremamente desafiadores! 

Sobreviveu a índices de inflação astronômicos, congelamento de preços, planos econômicos malucos, trocas constantes da moeda nacional, tablitas e até congelamento das aplicações financeiras no terrível Plano Collor.

Depois de tudo isso, agora seria justo viver tempos mais tranquilos, porém, os desafios não param. 

A pandemia da Covid-19, além dos enormes custos e mudanças no nosso estilo de vida, ainda desarranjou a economia.

Para evitar uma recessão, os bancos centrais ao redor do mundo reduziram as taxas de juros e injetaram dinheiro nas economias, o que elevou a liquidez global a níveis históricos. 

Assim, esse excesso de dinheiro gerou um grande aumento nos preços dos ativos de risco, como aconteceu com as criptomoedas, que ilustram bem esse efeito.

No Brasil, neste período, a taxa básica de juros da economia (Selic), chegou ao menor nível da sua história, a 2% ao ano — um nível significativamente inferior à inflação. 

Já o Ibovespa, após ter apresentado uma enorme queda com o início da pandemia, com a baixa da Selic, iniciou uma forte alta que levou o índice para suas máximas nominais históricas.

Diante desse cenário, muitos brasileiros mudaram um velho comportamento: alocar todos os seus recursos em aplicações pós-fixadas vinculadas a taxa Selic ou a seu alter ego, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), e passaram, finalmente, a investir em ações e em ativos com maior risco, como os fundos multimercados. 

Quando começamos a vencer a pandemia e a situação parecia estar voltando ao normal, veio a guerra entre a Rússia e a Ucrânia com reflexos econômicos em todo o mundo. 

O preço do petróleo subiu e, com ele, a inflação mundial, que já vinha aquecida, agora vem retornando as suas máximas históricas. 

Nos Estados Unidos, a inflação anual bateu em 8,8%, a maior desde 1981, e na Alemanha chegou a 7,4%, a maior desde a queda do muro de Berlim.

No Brasil, a inflação medida pelo IPCA acumula alta de 12,13% nos últimos 12 meses, e a inflação de abril é a maior desde 1996

Para tentar contê-la, o remédio é a elevação das taxas de juros, o que vem acontecendo em todo o mundo. 

Esse panorama derruba as bolsas e todos os mercados de riscos que estavam aquecidos devido às baixas taxas de juros.

E aqui no país não foi diferente: a Selic, que estava em 2% ao ano em março do ano passado, agora já chegou a 12,75% e ainda deve subir. 

Com a alta da taxa básica de juros, vimos a queda dos preços dos ativos de risco e, com eles, prejuízos em muitos fundos de investimentos que investem nesses mercados.

Neste momento, a vontade de muitas pessoas da geração prateada é retornar à segurança dada pelas aplicações vinculadas a dupla SELIC/CDI, ou ainda para os investimentos em imóveis.

Mas será que é uma boa escolha? Acompanhe meu raciocínio abaixo.

Investir em produtos atrelados à Selic e CDI ou em imóveis, é uma boa escolha?

Eu não acho que isso seja a melhor opção agora.

Vou expor minhas razões a seguir:

A geração dos baby boomers viu um enorme crescimento das cidades. Tomando meu caso como exemplo, quando nasci, em 1961, a população brasileira somava 74 milhões de pessoas e mais da metade vivia em zonas rurais. 

De lá para cá, a população subiu para 214 milhões de pessoas, segundo estimativas do IBGE, e atualmente 86% delas vivem em cidades.

Ou seja, durante as minhas seis décadas de vida, a população urbana cresceu 453%, saindo de 33 milhões para 184 milhões de pessoas.

Assim, quem comprou imóveis nas cidades conseguiu, de uma maneira geral, rentabilizar seus investimentos

No entanto, as projeções apontam que a população brasileira vai crescer, no máximo, mais 12%, para em seguida entrar em uma forte contração

Além disso, não são esperadas novas migrações do campo para as cidades.

Ter um percentual elevado de investimentos imobiliários na terceira idade, então, não me parece muito acertado, pois os imóveis têm baixa liquidez, sofrem depreciação e os terrenos urbanos não devem se valorizar como no passado.

Por outro lado, se refugiar apenas na SELIC também não me parece uma boa opção. 

Quando a SELIC caiu, muitas pessoas que tinham suas carteiras concentradas em ativos pós-fixados viram sua renda cair para níveis inferiores à inflação.

Então, para aqueles que conseguiram acumular uma boa reserva e querem hoje usufruir do patrimônio acumulado, onde eu recomendo investir? 

Vou contar agora!

No que investir para usufruir do patrimônio acumulado

Eu gosto muito dos títulos públicos Tesouro IPCA+ com juros semestrais.

São títulos 100% garantidos pelo Tesouro Nacional e que pagam juros semestrais de 6% ao ano ou 2,95% ao semestre, e tanto os juros quanto o valor do principal são corrigidos pela inflação medida pelo IPCA no dia 15 de cada mês.

Acontece que esses títulos não são vendidos pelo valor nominal, mas sim pelo valor de mercado. 

Quando a taxa de juros está abaixo de 6%, os títulos são vendidos com ágio. Em novembro de 2019, o ágio do Tesouro IPCA chegou a quase 50%, o que reduzia a rentabilidade de quem adquirisse um título naquela época para 3,17% ao ano.

Atualmente, o ágio médio é inferior a 4%, ou seja, quem comprar um Tesouro IPCA+ com juros semestrais vai garantir uma renda de longo prazo de quase 6% ao ano, mais a proteção total contra a inflação.

Os investimentos em títulos pós-fixados vinculados a SELIC/CDI são muito bons para a reserva de imprevistos, mas não são bons para garantir renda e proteção contra a inflação.

Além dos títulos públicos, uma possibilidade é investir em fundos imobiliários.

Criados para quem deseja se expor ao mercado imobiliário e receber uma renda passiva sem necessariamente comprar um imóvel, os fundos imobiliários estão se popularizando no Brasil.

Eu acredito que na vida, existe o momento de plantar e o momento de colher

Quando somos jovens, podemos correr riscos para ver nosso patrimônio aumentar, porém, quando chega o momento da colheita devemos reduzir nossos riscos, elevar a liquidez dos nossos ativos e garantir uma renda regular.

Ficou interessado? 

Converse com seu especialista de investimentos que ele pode lhe ajudar a montar a carteira ideal para você aproveitar sua adolescência prateada.


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