E se os personagens de Harry Potter fossem investidores? Descubra no que eles investiriam  

Há 41 anos, em 31 de julho de 1980, nascia Harry Potter, o bruxo da saga de J. K. Rowling que se tornaria um dos maiores fenômenos culturais da história.

Os sete livros que compõem o enredo fazem de Harry Potter a série literária mais vendida da história

Foram mais de 500 milhões de cópias vendidas desde o lançamento do primeiro livro, em 26 de junho de 1997, com tradução para 73 idiomas.

Os números são superlativos e fizeram a marca Harry Potter ultrapassar o valor de US$ 15 bilhões em 2008. 

Se você nasceu a partir dos anos 1990 ou convive com pessoas dessa faixa etária, provavelmente deve conhecer alguém que é fã do universo criado por J. K. Rowling.

Eu mesmo costumo dizer que comecei a gostar de ler quando conheci os primeiros livros da série, ainda no Ensino Fundamental. Esse primeiro contato levou ao hábito da leitura — que talvez tenha culminado na escolha pela profissão de jornalista.

Como a série é de fantasia, também vamos nos permitir, aqui, um exercício de imaginação, para brincar com os personagens da saga e com a memória de quem cresceu acompanhando os livros e filmes.

Nossa pergunta central neste artigo é simples: no que os personagens de Harry Potter investiriam se fossem investidores?

Qual seria a aplicação preferida de Albus Dumbledore, o mais inteligente bruxo de sua geração?

E Rony Weasley, que nunca ficou famoso por estudar muito em Hogwarts, no que ele investiria?

Tentarei entrar nessa brincadeira a seguir.

Expresso de Hogwarts partindo. Vamos embarcar?

Albus Dumbledore: toda a sabedoria do investimento passivo

alvo dumbledore, ilustração

Reconhecido como um dos maiores bruxos da história e o mais poderoso de sua geração, Dumbledore teve uma influência incalculável sobre diversas gerações.

Como diretor de Hogwarts, Dumbledore era referência não apenas para todos os alunos e professores da instituição, mas também para o Ministério da Magia, cujo cargo de ministro ele recusou mais de uma vez.

Poucos tentaram tanto quanto ele. Poucos avançaram tanto sobre todos os campos de conhecimento da magia.

E é justamente por ter acumulado esse conhecimento extraordinário que Dumbledore talvez decidisse investir seu dinheiro em ETFs, o investimento passivo. 

Ciente de que os mercados são eficientes na maior parte do tempo e de que é difícil, caro e pouco eficiente tentar superar os melhores índices, Dumbledore talvez montaria sua carteira de forma bem diversificada com alguns ETFs que lhe garantissem uma exposição ideal dentro do mundo da renda fixa e da renda variável

Aqui na vida real, Warren Buffett, o maior investidor de todos os tempos, já orientou a família a depositar sua herança em um ETF que acompanhe o S&P 500, o maior índice do mercado norte-americano. É a sabedoria de quem sabe como é difícil superar o mercado com consistência no longo prazo.

Extremamente generoso, Dumbledore também usaria parte de sua fortuna acumulada para apoiar projetos voltados à inclusão social e à redução de desigualdades. 

E é claro que ele nunca se furtaria de investir em ideias promissoras de seus jovens alunos, ou de confiar na força de vontade de quem busca uma segunda chance. 

Empresas nascentes, por exemplo, poderiam atrair sua atenção, desde que os valores por trás do negócio fizessem sentido para ele.

Severus Snape: lealdade, força mental e risco controlado

Um dos personagens mais enigmáticos da série, Snape tinha uma habilidade incomum para blindar a própria mente contra interferências externas.

Só assim ele conseguiu desempenhar um papel de “agente duplo” por tanto tempo, mesmo que levantasse suspeitas de ambos os lados — Harry e Bellatrix não me deixam mentir.

Com tamanho auto-conhecimento e força para controlar os pensamentos, Snape seria um mestre das finanças comportamentais, reconhecendo e se protegendo contra todos os vieses cognitivos que pudessem atrapalhar sua trajetória de investidor.

Mas Snape também ficou marcado na série pela sua lealdade a quem amava. 

— After all this time?

— Always.

Isso poderia ser traduzido, nos investimentos, como uma extrema convicção para ir até o fim perseguindo os seus objetivos.

No mundo dos investimentos, isso significaria não vender suas posições em meio a uma crise. Snape seria capaz de manter sua estratégia, apesar da turbulência e volatilidade do mercado.

Mas quem vive o papel de agente duplo não o faz sem correr muitos riscos — até onde seja possível controlar. Mestre nessa arte, Snape também saberia encontrar oportunidades para se expor a ativos arriscados, como ações e criptomoedas, sem colocar tudo a perder.

Minerva McGonagall: o privilégio de enxergar em outras perspectivas

minerva mcgonagall, ilustração

Além de uma bruxa extremamente talentosa, a professora de Transfiguração também era um animago: ela conseguia transformar a si mesma em um gato quando desejava.

Essa habilidade talvez permitisse que a Minerva investidora observasse o mundo de diferentes perspectivas e pontos de vista, uma habilidade muito desejada por investidores que analisam o mercado de ações.

Você já ouviu alguém falando sobre “pensar fora da caixa” e “furar a própria bolha”? 

Ao se transformar em um gato, a diretora da Grifinória teria acesso a um ponto de vista completamente diferente, que lhe permitiria uma visão inédita da realidade e também uma visita a lugares desconhecidos.

Mas é improvável que ela fosse utilizar essa capacidade para correr muitos riscos. 

Extremamente disciplinada e meticulosa, Minerva provavelmente montaria uma carteira sólida e robusta, com grande exposição à renda fixa.

Ao correr riscos na renda variável, aí sim talvez ela decidiria buscar oportunidades aproveitando os privilégios da sua versão animago.

Sibila Trelawney: é possível prever o futuro?

Mesmo no mundo da magia, a adivinhação nunca foi uma disciplina que ocupou o mesmo lugar das ciências tradicionais.

Para muitos, essa matéria nunca passou de puro charlatanismo. Na visão deles, quem tenta adivinhar o futuro nada mais é do que uma fraude.

Mas Sibila Trelawney, professora da disciplina em Hogwarts, pensa diferente e torce o nariz para quem não enxerga verdade na adivinhação. 

Aqui na vida real, talvez a adivinhação fosse tratada como homeopatia ou astrologia: áreas de conhecimento em que faltam comprovações científicas.

E no mundo dos investimentos?

Para tentar prever o futuro, Sibila talvez apelasse à análise gráfica, segundo a qual o comportamento dos preços dos ativos no passado pode ajudar a explicar seus próximos passos no futuro.

Seria Sibila Trelawney uma trader à procura de sinais gráficos, para tentar prever o humor do mercado nos próximos minutos, horas ou dias?

Eu suspeito que sim.

Rubeo Hagrid: primeiro os pets, depois eu

hagrid, ilustração

Hagrid nunca chamou muita atenção pelas suas habilidades de bruxo — e nem poderia, já que foi expulso de Hogwarts no terceiro ano.

Com sangue de gigante por parte de mãe, Hagrid nutria uma afeição pouco recomendada por animais exóticos, demonstrando um encantamento que crescia de forma diretamente proporcional à violência dos animais.

Cachorros de três cabeças, aranhas gigantes, dragões, hipogrifos… a lista é longa. 

Ao organizar suas finanças para investir, Hagrid talvez tivesse dificuldade para priorizar a si mesmo, tamanha a sua devoção pelos “pets”.

Um mimo aqui, uma ração premium ali, um passeio que estava fora dos planos para fazer a vontade dos animais… Hagrid precisaria controlar esse instinto protetor para investir em si mesmo — e no seu futuro —, caso desejasse ter sucesso como investidor.

Fazer dinheiro sobrar no fim do mês pode ser um desafio gigante quando todo gasto parece muito pequeno para o que os pets realmente merecem.

Mundungo Fletcher: o que vem fácil, vai fácil

Com uma reputação prejudicada pelos seus constantes delitos, Mundungo nunca demonstrou grande interesse pelo trabalho honesto.

Seu negócio era outro: comprar e vender itens de procedência duvidosa por baixo dos panos, sempre procurando o próximo otário que aceitaria seus “produtos”.

Se fosse um investidor, Mundungo certamente manteria essa mentalidade. Investimentos honestos e tradicionais? Nada disso. 

Onde é possível ganhar mais em pouco tempo, de preferência deixando os outros para trás?

O “investidor” Mundungo muito provavelmente cairia na armadilha de quem promete ganhos irreais com pouco risco. 

Opções binárias, traders de elite, pirâmides… tudo isso atrairia o lado mais ganancioso de Mundungo.

Não é preciso ir longe para entender que a história não teria final feliz, né?

Lúcio Malfoy: ideias ultrapassadas para as piores motivações

Lúcio Malfoy, ilustração

Preconceituoso e elitista, Lúcio Malfoy pode ser descrito como um símbolo do atraso, ao desprezar elfos domésticos e se posicionar contra direitos de bruxos que não são “puro-sangue”, por exemplo.

No mundo dos investimentos, Malfoy não abriria mão dessas ideias ultrapassadas. 

Pelo contrário: faria uso delas para para explorar aqueles que, em sua visão, não são dignos o bastante.

Aqui na vida real, talvez ele não fosse um investidor, e sim um lobista interessado em lucrar a partir do tráfico de influência. 

Trabalhando nos bastidores e corrompendo quem toma decisões, Malfoy faria lobby para aprovar leis em benefício próprio ou do seu negócio. 

Ele seria aquele sujeito que você quer longe do seu dinheiro. Aquele que, quando se envolve com um negócio, você já sabe que precisa ficar com o pé atrás — e esconder sua carteira.

Fred e George Weasley: uma reserva de emergência para empreender

Extremamente talentosos em fazer rir, Fred e George mostraram, desde muito cedo, uma propensão para empreender. 

A educação tradicional não lhes chamava a atenção, porque eles não pretendiam seguir nenhuma carreira que exigisse diplomas e certificados.

Mas empreender custa caro, e a família Weasley nunca dispôs de recursos para financiar o sonho dos gêmeos.

Ao vencer o Torneio Tribruxo, no quarto ano, Harry entrega a premiação de mil galeões para os gêmeos. 

Para quem nunca teve muito, essa seria a oportunidade para ostentar e gastar tudo.

Mas eles mostraram que o bom-humor pode vir acompanhado de uma visão estratégica para lidar com o dinheiro. 

Tiveram a cabeça no lugar para montar uma reserva de emergência que lhes permitisse dar início ao negócio.

Tudo fica mais fácil quando você empreende sabendo que, caso não haja renda nos primeiros meses, você terá uma reserva para financiar os custos básicos.

Na vida real, Fred e George talvez não fossem investidores, mas certamente seriam empreendedores de sucesso — como foram na série. 

Dificilmente a capacidade de inovar e o talento genuíno não são recompensados para quem decide empreender.

Hermione Granger: disciplina para montar o portfólio ideal 

hermione granger, ilustração

A aluna mais inteligente do seu ano e uma das mais competentes da escola. Obcecada pelos livros e sedenta por conhecimento, demonstrava habilidade incomum para aprender rápido.

Se fosse uma investidora, Hermione levaria toda a disciplina que aprendeu nos estudos para as finanças: devoraria livros sobre investimentos, faria cursos e buscaria um aprendizado constante.

Como resultado, ela estaria sempre muito segura de suas decisões e confiante no sucesso do seu portfólio com foco no longo prazo.

Sabe aquela pessoa que ajuda os outros, tira dúvidas dos amigos e parece saber até mais do que o seu assessor, o gerente do banco ou o professor? 

Essa seria a Hermione.

E por conhecer tanto do mercado financeiro, Hermione ficaria muito atenta aos conflitos de interesse da indústria.

Por isso, ela com certeza optaria por uma corretora sem conflitos de interesse, como a Warren, na qual ela teria segurança de que o patrimônio estaria bem investido, alinhando os seus interesses aos da corretora.

Rony Weasley: quando o básico funciona

Rony, por outro lado, nunca se destacou pelo interesse pelos livros.

Mas isso não significa que ele não soubesse tomar as decisões corretas em momentos decisivos — não preciso lembrar do jogo de xadrez no primeiro livro, nem da destruição da Horcrux no sétimo, né?

Muito próximo de Hermione, ele certamente seria assessorado para dar um destino seguro e confiável aos seus investimentos.

Por isso, também vejo Rony investindo com segurança em uma corretora sem conflitos de interesses. 

Lá, ele definiria seus objetivos de vida e deixaria a parte complexa com a corretora — desde que soubesse que os interesses estão alinhados.

Conforme fosse aumentando seu conhecimento sobre o mercado de ações, Rony talvez decidisse se tornar sócio de algumas empresas cujos produtos e serviços conhece muito bem, confiando no modelo de negócios no longo prazo.

Apaixonado por quadribol, talvez ele encontrasse oportunidades para investir em empresas do ramo por meio de uma bolsa de valores, seja uma rede de loja de vassouras, uma fabricante de balaços e pomos dourados ou uma fornecedora de equipamentos para a prática do esporte favorito dos bruxos.  

Harry Potter: onde não falta coragem, sobra risco

Ao longo dos sete livros da série, coragem nunca faltou ao protagonista de J. K. Rowling.

Associado a Godric Gryffindor, um dos professores fundadores de Hogwarts, justamente pela lealdade e coragem que demonstrava nos momentos de maior dificuldade, Harry certamente saberia correr riscos ao investir.

Em busca de uma boa relação entre risco e retorno com foco no longo prazo, ele certamente teria uma carteira diversificada, mas com um peso considerável para a renda variável.

Seja por meio de ações, fundos de investimento, BDRs, FIIs ou ETFs, o fato é que ele não teria medo de correr riscos — desde que entendesse que os resultados poderiam compensar.

Se você chegou até aqui, tenho certeza de que é um grande fã de Harry Potter, assim como eu.

Espero que você tenha gostado do artigo e entrado na brincadeira. Nem preciso dizer que deu vontade de reler a saga pela décima vez depois de escrever, né?

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