A inflação atingiu 10,06% em 2021. Passado o susto, e agora?  

Como já esperado, o índice oficial de inflação do Brasil marcou novamente dois dígitos, atingindo 10,06% em 2021

A última vez que havíamos atingido tal patamar foi em 2015, quando o IPCA beirou os 11%.

Apesar de no início de 2021 a projeção para a inflação situar-se abaixo da meta de 3,75%, de acordo com o Boletim Focus, a expectativa do mercado foi sendo revista paulatinamente durante o ano. 

Foram raros os momentos em que a projeção para o ano cedeu. Mas por quê? 

O que pressionou a inflação em 2021?

Aqui, uma sequência de fatos acabou por surpreender o mercado:

  • A demanda mais forte do que o esperado em âmbito global, fruto dos fortes estímulos monetário e fiscal
  • A demora no restabelecimento das cadeias produtivas, tão abaladas pela Covid nos últimos meses
  • O choque no preço da energia, aqui levando em consideração tanto combustíveis quanto energia elétrica
  • O famoso estouro do teto de gastos, a surpresa mais recorrente advinda de Brasília, com aumento nos gastos públicos. 

Essa combinação de fatores somou-se ao fato de um Banco Central mais expansionista, resultando na inflação divulgada para o ano de 2021.

Mas olhando este fato de uma forma mais prática, por que o investidor deve se preocupar com a inflação?

Entenda por que o investidor precisa se preocupar com a inflação

Se estamos investindo hoje para poder consumir mais no futuro, a preocupação com o poder de compra ao longo dessa trajetória é de extrema relevância.

Obter um retorno nominal de 10,0% pode ser muito bom ou muito ruim — o importante é observar qual foi o retorno real deste investimento

E isto é exatamente o que deve ser a grande preocupação do investidor: buscar retornos reais consistentes. 

Mas bem, dado que o ano de 2021 trouxe uma inflação muito acima do esperado, podemos dizer que o perigo passou? 

Veremos que não é bem assim.

O perigo continua morando ao lado

Historicamente, observamos períodos de surpresa inflacionária no Brasil. 

Embora seja contra-intuitivo, conseguimos demonstrar que, na média, um papel indexado à inflação remunera melhor que um papel prefixado de mesmo prazo.

Conceitualmente, um título prefixado conteria em sua remuneração a taxa de juro real do período, mais a inflação esperada para o mesmo período. 

No caso de um título indexado à inflação, estas duas partes do retorno seriam separadas: aqui, temos o juro real segregado da inflação, que é repassada ao título conforme ocorre. 

É o fato da recorrente surpresa inflacionária que nos direciona a possuir parte do portfólio indexada à inflação, defendendo a carteira desse cenário.

Por fim, para o ano de 2022, ainda cremos que será difícil para o Banco Central trazer a inflação de volta à meta. 

Além dos eventos já conhecidos como eleição no Brasil, problemas nas cadeias de suprimentos, etc, a assimetria histórica é a favor de uma inflação surpreendendo para cima, e não para baixo. 

Apesar da desinflação que devemos observar ao longo do ano, não nos esqueçamos que o perigo mora ao lado. 

Gostou da coluna? Leia outros artigos relacionados aqui na Warren Magazine: