Intervenção do governo faz Petrobras derreter, e Ibov cai quase 5%  

A última semana de fevereiro começou tensa na Bolsa de Valores brasileira, com queda de 4,87% do índice Ibovespa, puxado principalmente pelas ações da Petrobras, que despencaram -21,51% (PETR4) e -20,48% (PETR3) nesta segunda-feira (22). 

O movimento ocorre após o presidente Jair Bolsonaro ter anunciado, na sexta-feira (19), uma mudança no comando da companhia.

Na prática, o anúncio da substituição do atual presidente da Petrobras Roberto Castello Branco pelo general Joaquim Silva e Luna, combinado com as críticas do governo à política de preços dos combustíveis, quebrou a confiança do mercado financeiro.

A reação foi praticamente imediata, com gestoras recomendando a venda do ativo e diversos investidores desfazendo suas posições na companhia. 

Apenas nesta segunda-feira, as ações da Petrobras movimentaram mais de R$ 600 milhões, contra cerca de R$ 100 milhões de volume nas ações do Banco do Brasil (BBAS3), que aparece na terceira posição do ranking de ações mais negociadas da Bolsa no pregão de hoje. 

Em valor de mercado — calculado pela multiplicação do valor da ação pelo número de ações no mercado —, a Petrobras perdeu mais de R$ 100 bilhões desde sexta-feira.

Mais do que derreter as ações da Petrobras, o movimento de Bolsonaro reacendeu o alerta para o risco do intervencionismo do governo nas empresas estatais — e também motivou economistas a iniciarem revisões para o PIB e para a taxa Selic, já que toda a agenda econômica do governo foi colocada em dúvida.

Mas por que exatamente isso ocorre, e o que o investidor pode fazer para se proteger nesse cenário?

É isso que vamos abordar neste artigo. Boa leitura!

Por que o mercado reage mal às intervenções? 

por que o mercado reage mal, ilustração

Ainda pela manhã, quando o estrago nas ações da Petrobras já era visível pelos índices futuros e pela negociação das ADRs no mercado americano, nosso CIO, Celson Placido, ofereceu uma boa explicação para a forte reação do mercado financeiro diante da mudança na gestão da empresa.

“Já vimos isso no passado recente, com interferência no setor elétrico, com uma marretada de preço da energia para baixo. Com isso, nenhuma empresa investiu no setor e quase tivemos um novo apagão, que não ocorreu porque tivemos a maior recessão da história”, compara, antes de prosseguir para o exemplo da Petrobras.

“Em 2014, houve interferência na Petrobras, com controle de preços da estatal para ‘segurar a inflação’. Não deu certo, todos nós vimos: em 2015 o IPCA foi de dois dígitos. A interferência governamental gera incertezas sobre o tamanho do prejuízo que pode ocorrer. É imprevisibilidade”, pontua Celson.

Ele também lembra que a intervenção do governo altera as regras do jogo, tornando o mercado mais concentrado. “Demonstra uma menor competitividade, um mercado mais fechado, porque, se existe uma empresa que não está interessada no lucro, mas sim em vender pelo menor preço, como as empresas privadas vão oferecer o mesmo produto ou serviço? Melhor não competir, porque é desleal”, resume.

E quem paga essa conta?

Essa resposta você já sabe. “Somos nós que pagamos essa conta, porque a união é sócia e controladora das estatais. Quando essas empresas geram prejuízo, como foi no passado recente, o controlador, no caso a união, precisa aportar dinheiro. O seu, o meu, o nosso dinheiro”, explica Celson.

Antes de prosseguir, confira as ações que foram destaque no pregão de segunda-feira.

Maiores altas do dia

Abaixo, as ações do índice Ibovespa que registraram as maiores altas do dia:

  • Lojas Americanas (LAME4): +19,88%
  • Embraer (EMBR3): +7,40%
  • Cielo (CIEL3): +4,76%
  • PetroRio (PRIO3): +3,71%
  • Klabin (KLBN11): 3,21%

Maiores quedas do dia

Agora, conheça as ações que mais sofreram no dia, com destaque negativo para a Petrobras. 

  • Petrobras (PETR4): -21,51%
  • Petrobras (PETR3): -20,48%
  • Banco do Brasil (BBAS3): -11,65%
  • Ultrapar (UGPA3): -7,83%
  • Via Varejo (VVAR3): -7,57%

Incerteza também sobre a política econômica

Mais do que repercutir sobre as ações de empresas estatais, a intervenção do governo sobre a gerência da Petrobras causou incerteza a respeito da agenda econômica do governo.

Não é novidade para ninguém que o mercado financeiro acompanha de perto o risco fiscal e vê com bons olhos o andamento da reforma tributária e da reforma administrativa, entre outras reformas consideradas essenciais para reduzir o endividamento do país e aumentar a capacidade de investimento.

Com a decisão de intervir na Petrobras, no entanto, o governo dá um sinal contrário à agenda econômica mais liberal, encabeçada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. 

Como resultado, o mercado financeiro precifica um cenário com mais riscos e incerteza, o que pode culminar em efeito cascata, com mais pressão sobre o dólar, sobre a taxa básica de juros da economia (a Selic), e sobre o próprio PIB, que mede a riqueza do país.

No Boletim Focus divulgado hoje, por exemplo, o mercado elevou a projeção da Selic, atualmente em 2%, para 4% ao final de 2021.

Como investir nesse cenário?

como investir no cenário de incerteza, ilustração

A estratégia de investimento recomendada nesse cenário é a mesma que já vinha sendo recomendada pela Warren: diversificação

“Sigo repetindo a importância da diversificação e de não ficar exposto apenas a mercados brasileiros. Oportunidades de investimento sempre existirão, o que você tem que pensar é no seu perfil de risco, no quão tolerante ao risco você é”, explica Celson.

Analista de renda variável da Warren, Igor Cavaca tem o mesmo pensamento. “Baseado nesse cenário, fica imprescindível usar a diversificação para reduzir os riscos de nossa alocação. E não só a diversificação entre empresas, mas também entre países”, detalha.

Igor cita como exemplo os fundos de renda variável da Warren, especialmente o Warren Equals e o Warren Green: “Temos até 30% da carteira alocada em ativos do mercado estrangeiro. Isso faz com que, nesses momentos de crise interna, a volatilidade da carteira seja menor, permitindo entregar um maior alfa”, explica.

“Além disso, devido às carteiras possuírem um objetivo de investimento em ativos ESG, no qual o “G” refere-se à governança, os ativos ficam menos expostos à intervenção externa, dado que possuem um bom sistema de governança e administração e tendem a possuir uma menor exposição de risco atrelada a esses eventos”, conclui.

A lição que fica, portanto, é a de sempre: procurar bons ativos e investir com foco no longo prazo, dentro de uma alocação que faça sentido para o seu perfil de risco, com diversificação não apenas entre classes de ativos, mas também de forma global, com moedas e empresas estrangeiras.

A boa notícia é que, na Warren, você tem acesso a essa diversificação completa. Quer começar? Abra sua conta agora mesmo.

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