Como investir em tempos de inflação? Hora de falar sobre crédito privado  

Como pudemos acompanhar o mercado, temos inflação nos últimos 12 meses de 10,54% e uma taxa Selic de 11,75% ao ano. O Banco Central já encomendou mais um possível ajuste de 1% na taxa Selic para a próxima reunião do Copom, o que a colocará em 12,75% ao ano, e o mercado ainda prevê um ajuste de 50 bps na reunião subsequente.

São níveis surpreendentes para quem, em agosto de 2020, viu a taxa de juros bater o patamar de 2% ao ano.

Fonte: Banco Central

Quando olhamos a média da Selic e Inflação medida pelo IPCA desde 2000, a média é de 12,3% e 6,5% ao ano, respectivamente. Portanto, podemos perceber que o Brasil caminha para níveis médios históricos da Selic. 

Para o IPCA, os patamares de hoje também estão bem acima da média, o que exige ainda mais de uma política monetária contracionista por parte do Bacen, levando ao aumento da Selic.

Fazendo alusão ao pensamento de segundo nível (“second level thinking”, no livro de Howard Marks, “The most important thing”), a pergunta mais importante para o investidor neste momento é: como ganhar dinheiro com isso? Como surfar a onda da inflação?

Para responder a essa pergunta, vamos primeiro comparar a classe de renda fixa (papéis atrelados ao CDI e inflação) com outras classes, principalmente a renda variável (Ibovespa) e poupança. 

O índice IDA-DI representa as debêntures atreladas ao CDI e monitoradas pela Anbima com precificação diária e prazo superior a 1 mês.

Conforme o gráfico, no acumulado de 12 anos, a renda fixa (representada pelo CDI, o IDA-DI e o IPCA+5%) supera a bolsa (Ibovespa) e a poupança. Nessa janela, a própria poupança se aproxima do Ibovespa. 

É claro que numa janela mais curta, como de 2017 a 2020, o Ibovespa superou a renda fixa, por se tratar de uma janela bem favorável à classe (recuperação da crise de 2015 e 2016, juros baixos, PIB e fatores micro das empresas). 

O ponto mais importante aqui é avaliar as classes ao longo do ciclo todo, englobando a alta e a baixa para termos uma melhor comparabilidade. Não quero dizer que uma classe é melhor que outra, mas sim complementares e com perfis de risco e retorno diferentes, de forma que uma alocação diversificada é sempre o melhor caminho. 

Quando olhamos a volatilidade, temos que a renda fixa representada pelo IPCA +5%, além de gerar retornos maiores e consistentes, tem uma volatilidade bem menor que a bolsa. O primeiro resultou em uma volatilidade de 0,26% aa contra 25% do Ibovespa.

Considerando a inflação ao investir

Apresento, então, os ativos de crédito privado. O crédito privado corresponde a títulos de dívida emitidos pelas companhias buscando captar recursos financeiros para financiar suas atividades. 

Na prática, você está emprestando dinheiro para as empresas em troca de uma remuneração fixa. A maioria dos papéis são pós-fixados (%CDI, CDI+ ou IPCA+), nos quais você recebe o benchmark mais um prêmio, associado ao risco de crédito daquela companhia. Os principais instrumentos são as debêntures, CRAs, CRIs e FIDCs.

A linha azul e grande campeã dessa comparação, é uma curva com retorno de IPCA + 5%, cujo retorno pode ser encontrado em papéis de crédito privado sem grandes esforços. Além disso, temos papéis isentos de imposto de renda para a pessoa física, como as debêntures incentivadas e CRAs, que garantem um retorno líquido ainda maior.

Fonte: Anbima. Data base: 28/03/2022

Conforme o gráfico, que representa todas as debêntures no mercado secundário, os spreads em CDI+ para Ratings de AAA, AA e A no prazo de 4 anos são 1,35%, 1,53% e 1,63%, respectivamente. Fazendo a conversão para IPCA+, isso equivale à IPCA+ 6,20%, 6,40% e 6,5%.

Quais são os riscos?

O principal risco é o de crédito, ou seja, o risco da companhia não pagar sua dívida. De forma a mitigar tal risco, é necessária uma análise profunda sobre o modelo de negócios da companhia, governança, setor, momento, caráter, situação econômica e financeira, entre outros. 

Em nossa atual conjuntura, investir no crédito privado dá a chance de você ganhar com a inflação ou a Selic. Em termos nominais, com a Selic e a inflação alta, você tem uma expectativa de retorno ainda maior. 

Como qualquer investimento, há risco. E para você garantir a segurança do seu patrimônio ao investir, avalie com cuidado cada investimento, sem perder de vista a boa e velha diversificação.

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