Médias móveis são a prancha de surfe do mercado  

Todo mundo já viu alguém surfando, seja presencialmente, seja pela televisão. Basicamente, um surfista está com sua prancha na proximidade da arrebentação para poder buscar o momento em que a onda se cria.

A partir daí, todo o seu trabalho se concentra quando a onda se desenvolve e, perto do momento em que ela se quebra totalmente, o surfista mergulha e consegue sair da onda.

Se ficar de pé na prancha antes da onda nascer, tenho quase certeza de que você vai cair. Se decidir ficar deitado na prancha a onda inteira, muito provavelmente vai capotar para debaixo d’água com prancha e tudo. Se deixar a onda passar, você não surfará.

Este não é um artigo sobre surfe em si, mas a introdução análoga faz referência a um dos indicadores mais utilizados pelo mercado, chamado de médias móveis.

Este indicador leva em consideração a média dos preços de fechamento dos últimos x pregões, a ser definido pelo investidor.

Com isso, teremos uma linha plotada no gráfico que sinalizará como o preço tem se comportado ao longo do tempo. É uma solução básica para investidores que tem dificuldade de entender a tendência atual de algum ativo.

Imagine um ativo que está passando por momentos voláteis e seu preço está variando muito e bem rápido. Acontece com frequência perto da divulgação dos seus resultados, por exemplo.

Com toda a alta da volatilidade, observar como o preço tem se comportado ao longo do tempo pode ser algo bem útil. Basicamente, olhamos para a média móvel e encaramos como ela tem se comportado.

Se ela estiver caindo, sinaliza que as expectativas do mercado sobre aquele ativo só têm piorado. Se ela estiver de lado, estagnada, quer dizer que pode ter encontrado uma região de “preço justo” e está aguardando novas informações. Se a média estiver subindo, significa que o mercado está cada vez mais otimista.

Além disso, se o preço estiver muito afastado da média móvel, significa que o mercado ficou emocional demais e que pode ser uma boa ideia aguardar um movimento de correção – também conhecido como pullback.

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Se o preço está acima da média constantemente ao longo prazo, temos uma tendência de alta. Se o preço está embolado com as médias, temos tendência lateral. Se tivermos o preço abaixo da média constantemente, temos uma tendência de baixa.

Bom, se é assim que acontece normalmente, o que acontece quando um ativo está em tendência de alta/baixa e o preço cruza a média? Aqui que temos a analogia com a onda.

No momento que o preço cruza a média, temos uma boa chance de ver uma onda nascendo para iniciar uma nova tendência.

Se para termos uma tendência de baixa precisamos do preço abaixo da média, este preço tem que cruzar em algum momento, não é mesmo? Este é o sinal de alerta.

Traduzindo, esta modalidade de operação se chama “trend following”, que significa seguir a tendência.

Para pensar em compras, por exemplo, imagine um ativo que está abaixo da média há 6 meses. Um belo dia, o ativo resolve chegar até a média e superá-la. Psicologicamente, as expectativas pessimistas que vinham derrubando o ativo não estão mais presentes, ou a força otimista está começando a superar a pessimista.

Logo, se o mercado continuar assim, o preço tende a continuar subindo. Então, você pode comprar aquele ativo já que ele superou a média.

E o alvo? Não tem. Seu objetivo, como investidor “surfista”, é pegar toda essa onda de alta do ativo. Você só sai se o preço passar para baixo da média novamente, gerando o sinal de venda e de uma tendência de baixa.

Parece demais para ser verdade, por que o mercado todo não faz apenas isso?

Nada no mercado é certo. Utilizar as médias móveis como fator único de tomada de decisão pode ser prejudicial, já que uma média pode emitir sinais falsos.

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Lembra que na tendência lateral temos o preço cruzando a média com frequência? Quando saberemos que um desses cruzamentos é o definitivo?

Pois é. Elas ajudam, mas dificilmente podem ser utilizadas sozinhas, precisam de suporte de outros indicadores, análises e etc.

O mais importante é o sinal de alerta que emite quando o preço rompe a média. Logo, se o movimento seguinte se confirmar como uma tendência, não dá para dizer que foi algo surpreendente.

Se eu te disser que o Ibovespa já trabalhava abaixo da média de 20 dias na época da queda da pandemia em março de 2020 você acredita? Pois é, já tinha sinal de alerta. O que ninguém imaginava era a forma como a queda aconteceria.

As médias móveis, para quem sabe interpretar, são grandes aliadas na análise de um ativo. O melhor de tudo é que podemos colocar várias no nosso gráfico, medindo o tempo que a gente quiser. Vale lembrar que o mercado financeiro tem algumas médias preferidas, como a de 20, 50 e 200. 

Diferença entre média móvel simples (aritmética) e exponencial.

Não estou aqui para te dar uma aula de matemática ou sobre como é calculada a média móvel do preço, mas este detalhe eu preciso compartilhar com você.

Vamos utilizar a média de 20 como exemplo. Se eu tenho uma média móvel aritmética de 20 dias, ela considera os últimos 20 preços de fechamento daquele ativo. Simples assim, todos os pregões são tratados da mesma forma.

Para alguns, isso não faz muito sentido, já que os preços recentes são mais importantes para o entendimento do comportamento atual do mercado. O raciocínio é: o preço de ontem deveria ser mais importante do que aconteceu há 18 dias. Por isso, temos a média móvel exponencial.

Diferente da aritmética, a média móvel exponencial tem uma fórmula mais elaborada e vai dando peso maior aos dados mais recentes, ou seja, os últimos pregões ganham mais relevância. 

Com isso, uma média exponencial tende a se aproximar mais do preço, já que ela sempre está vinculada com peso maior aos preços mais recentes. Quando vemos no gráfico acima, a exponencial claramente sente mais as variações de curto prazo.

Já que te apresentei os conceitos, que tal entrar no homebroker da Warren e colocar uma média móvel no seu gráfico, só para testar? Não se esqueça que o nosso time está sempre disposto a te ajudar. Bons investimentos!

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