Melhores BDRs para 2021: 7 oportunidades que você precisa analisar  

Para quem tem um bom olho para o mercado internacional e gosta de analisar as maiores empresas do mundo, investigar as melhores BDRs para 2021 pode ser uma ótima ideia.

Os BDRs são ativos negociados na Bolsa de Valores cuja rentabilidade está atrelada a ações estrangeiras. 

É uma oportunidade para quem quer investir em renda variável sem a limitação de escolher apenas as companhias brasileiras listadas na B3.

Quando falamos em ações estrangeiras, é normal pensar de cara nas gigantes americanas da tecnologia, como Facebook, Netflix e Apple, marcas que figuram entre as mais conhecidas do planeta.

Mas a realidade é que o leque de possibilidades é imenso. 

Com os BDRs, o investidor pode apostar na rentabilidade de grandes empresas de diversos setores — basta entender um pouco sobre os fundamentos das ações e descobrir quais as melhores oportunidades.

Neste conteúdo, esperamos ajudar nesse processo. 

Antes de avançar, porém, precisamos esclarecer um ponto importante: é impossível afirmar quais serão os melhores BDRs para 2021, porque isso depende do perfil de investidor, dos objetivos e dos prazos de cada investidor.

Investidores mais agressivos e de longo prazo podem escolher empresas muito diferentes, na comparação com investidores mais conservadores ou com horizonte de investimento de curto prazo.

Aqui, tudo depende do seu grau de tolerância ao risco e da composição do seu portfólio.

Por isso, o objetivo não é, de forma alguma, apontar BDRs que você deve investir em 2021, e sim mostrar como analisar esses ativos, para que você tome as próprias decisões.

Portanto, nada do que abordamos neste texto é uma recomendação de investimento.

Explicaremos melhor o que são os BDRs, como analisá-los e apresentaremos informações sobre as seguintes ações americanas:

  • Amazon
  • Facebook
  • Tesla
  • Johnson & Johnson
  • Nike
  • Google
  • Activision Blizzard

Siga em frente, saiba mais sobre esse tipo de investimento e aprenda a analisar os melhores BDRs para 2021.

O que são BDRs?

entenda o que são bdrs, ilustração

BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são ativos negociados na bolsa de valores brasileira que dão acesso a ações estrangeiras — são emitidos no Brasil, mas têm lastro em ações do exterior. 

Desse modo, o BDR é uma maneira simples e prática de investir em papéis de outro país, sem precisar abrir uma conta em uma corretora internacional e enviar dinheiro para fora.

Podemos traduzir Brazilian Depositary Receipts como Certificados de Valores Mobiliários

Veja bem: não são ações de fato, mas sim certificados, recibos lastreados, títulos de representação.

Isso quer dizer que, investindo em BDRs, você não se torna sócio de fato das empresas correspondentes. A rentabilidade do ativo, no entanto, é obrigatoriamente igual à da ação em questão, somada à variação cambial.

Isso mesmo: outro ponto importante de destacar sobre os BDRs é que o valor das ações estrangeiras é cotado em dólar. Desse modo, o investidor fica exposto à oscilação da ação e também da moeda.

Para entender melhor: imagine que você comprou BDRs do Google, empresa cuja ação valorizou 1% hoje. Se acontecer de o dólar ter subido 1% em relação ao real no mesmo dia, o ganho será de 2%.

Mas pode acontecer também de a ação se valorizar e o dólar desvalorizar, situação em que o resultado da oscilação no dia seria de 0%.

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Como analisar BDRs?

como analisar bdrs, ilustração

Analisar as ações estrangeiras para encontrar os melhores BDRs para 2021 não é muito diferente de avaliar empresas nacionais, com ações negociadas na B3.

Seu objetivo deve ser investigar se a empresa é boa e tem boas perspectivas para o longo prazo.

Ela é bem conduzida e administrada? Seus produtos e serviços são bem aceitos? Quais as perspectivas do mercado em que a companhia atua? Sua participação nesse mercado deve crescer? Ela pode expandir para outros mercados?

Avaliando tudo isso, você pode ter uma ideia sobre os futuros movimentos do preço da ação. Quando a companhia é saudável, competitiva e bem gerida, a cotação tende a subir no longo prazo, acompanhando os seus lucros.

A grande diferença em relação às empresas brasileiras é que as gigantes estrangeiras atuam em um cenário mais competitivo e complexo

A dimensão do mercado analisado é, portanto, muito maior.

Quer entender melhor como analisar uma empresa? Leia nosso guia de análise fundamentalista para saber mais sobre fundamentos e indicadores a levar em conta na sua investigação.

7 BDRs para analisar em 2021

7 opções de bdrs para analisar, ilustração

A seguir, apresentamos uma breve análise de 7 BDRs que você pode considerar como opções de investimento.

É importante deixar claro que:

  1. Os BDRs listados abaixo não são recomendações de investimento;
  2. As informações que apresentamos aqui não se tratam de uma análise fundamentalista completa.

Nosso objetivo, com este artigo, é destacar alguns aspectos que podem servir como ponto de partida para a sua análise.

Outro ponto de atenção é que abordamos a oscilação do preço da ação, não do BDR.

Muitos BDRs sofreram desdobramentos, portanto seu preço individual pode ser bem mais baixo que o custo de uma única ação da respectiva empresa.

Além disso, como destacamos antes, a variação do dólar em relação ao real também faz o preço do ativo oscilar, por isso os gráficos de evolução do preço da ação (em dólar) e do BDR (em real) sempre serão distintos.

Como nosso objetivo é analisar a empresa, deixando de lado a influência do câmbio, optamos por usar apenas o preço das ações nas bolsas em que são negociadas.

Amazon (AMZ034)

A Amazon é uma empresa americana conhecida principalmente pelas vendas virtuais: é possível comprar quase tudo em seus canais, de forma rápida e com logística de entrega eficiente.

A companhia também atua com competência nos mercados de computação em nuvem, streaming de vídeos, dispositivos eletrônicos (Kindle, Echo e outros) e inteligência artificial.

A ação da Amazon (negociada como AMZN na Nasdaq) encerrou 2019 custando US$ 1.874,97, começou o ano em alta, caiu em fevereiro, mas logo se recuperou com uma forte sequência de crescimento.

Em setembro, com as tensões na campanha eleitoral americana, o papel teve uma queda brusca, junto com ações de outras gigantes da tecnologia. 

No saldo geral, porém, seu desempenho em 2020 está sendo excelente: encerrou novembro custando US$ 3.162,58.

Como uma das companhias mais valiosas do mundo, a Amazon continuou fortalecendo suas posições, não apenas no mercado americano, mas mundial.

Em alguns locais, a pandemia acelerou as vendas online, e com investimentos contínuos na melhora da experiência do cliente, a empresa viu sua participação no mercado global crescer.

Para o 2021, especialistas têm boas expectativas quanto ao papel. Entre os 46 analistas ouvidos pela CNN Money, a estimativa média de preço para a ação da Amazon nos próximos 12 meses ficou em US$ 3.800, o que representaria um crescimento de aproximadamente 20%.

Além de ser uma companhia que cria muitos empregos, a Amazon tem grande preocupação com a sustentabilidade — recentemente, foi considerada como a maior empresa compradora de energia renovável do mundo.

Facebook (FBOK34)

Todo mundo conhece o produto do Facebook: a rede social mais popular do mundo. O que nem todo mundo sabe é como a empresa ganha dinheiro: vendendo anúncios digitais.

Sua plataforma permite às empresas anunciarem seus produtos e serviços a um público altamente segmentado, o que torna a mensagem muito mais eficaz.

É uma companhia que já se envolveu em grandes polêmicas — como o escândalo Cambridge Analytica e suas políticas em relação à disseminação de fake news e mensagens consideradas ofensivas —, mas suas ações tiveram um bom desempenho em 2020.

Elas encerraram 2019 custando US$ 208,67, caíram a US$ 149,73 em março, com o início da pandemia. Depois, subiram bem, com um pico de US$ 293,66 em agosto, e fecharam novembro custando US$ 279,70.

O futuro do Facebook, no entanto, é repleto de incertezas. A empresa é acusada pela Comissão Federal de Comércio (FTC) dos Estados Unidos de monopólio pela compra dos aplicativos Instagram (em 2012) e WhatsApp (em 2014).

A alegação é que as aquisições foram feitas para evitar a concorrência no mercado das redes sociais e mensagens instantâneas.

Um dos possíveis desfechos é a venda desses dois ativos. Caso isso aconteça, o evento pode repercutir significativamente no preço das ações.

Para uma análise de longo prazo, convém levar em conta que o Facebook é um sucesso há bastante tempo e tem a principal plataforma de anúncios do planeta. 

Por outro lado, está em um mercado altamente suscetível à disrupção, cujo futuro é difícil prever. Eis aqui uma análise que exige muito cuidado do investidor.

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Tesla (TSLA34)

A Tesla é uma fabricante de carros elétricos de alto desempenho, criada e liderada pelo polêmico e incansável Elon Musk, que também é CEO da empresa de transporte espacial SpaceX e de outros empreendimentos inovadores.

As ações da Tesla estão sendo um fenômeno em 2020. Começaram o ano custando US$ 83,67 (considerando o desdobramento ocorrido em agosto) e, apesar de quedas em fevereiro (pandemia) e setembro (eleições americanas), fechou novembro custando US$ 567,60. E ainda está subindo.

O que está por trás dessa valorização tão alta? O principal motivo é o otimismo crescente dos investidores sobre o futuro da companhia, que por muito tempo focou no desenvolvimento de tecnologia e não nos resultados de venda.

No terceiro trimestre de 2020, a empresa apresentou um lucro líquido de US$ 331 milhões, 131% acima do que foi observado no mesmo período de 2019. É o quinto trimestre seguido com resultado positivo.

A expectativa é que a companhia continue acelerando a produção e entrega. Em 2021, começarão as vendas do caminhão elétrico Tesla Semi e a produção da picape elétrica Cybertruck.

Mas será que há justificativa para a alta de mais de 700% das ações em 2020? Com a inclusão da empresa no índice S&P 500, cresce o interesse pela companhia — e também as acusações de que essa valorização seja parte de uma bolha financeira.

Portanto, muito cuidado ao analisar esse ativo para investir. Aqui, o grande segredo é apostar na diversificação, que reduz o risco específico dos ativos sem comprometer a expectativa de retorno no longo prazo.

Johnson & Johnson (JNJB34)

Enquanto as empresas de tecnologia que apresentamos até aqui são um tanto recentes, a Johnson & Johnson é uma gigante com longa tradição: a companhia foi fundada em 1886.

Seu portfólio de produtos, focado em itens de higiene pessoal, saúde e beleza, é imenso, assim como sua capilaridade no mercado global — suas marcas estão presentes em mais de 150 países.

A trajetória do preço de suas ações, negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), tem sido estável, com desempenho abaixo dos principais índices.

O papel fechou 2019 custando US$ 145,87, não teve uma queda tão grande com o anúncio da pandemia e não demorou a se recuperar. No entanto, encerrou novembro custando US$ 144,68, menos que sua primeira cotação no ano.

A estabilidade chama a atenção porque a farmacêutica Janssen, que pertence à Johnson & Johnson, é uma das empresas que desenvolvem uma vacina contra o coronavírus — o produto mais esperado dos últimos anos.

Apesar de resultados promissores nesse sentido e da conhecida pujança da empresa, analistas são cautelosos quanto ao papel.

Além de os resultados da empresa não terem sido os melhores em 2020, ainda repercutem as desconfianças quanto à segurança de seu talco infantil (produto em que foi encontrada a presença de asbesto) e os riscos jurídicos associados a ele.

Nike (NIKE34)

A Nike é uma empresa que dispensa apresentações. Detentora de uma das marcas mais conhecidas do planeta, foi fundada nos anos 1960 e tem produtos comprados e cobiçados por pessoas do mundo todo.

Sua ação, negociada na NYSE, encerrou 2020 custando US$ 101,31, caiu para US$ 62,80 em março e vem tendo uma boa sequência desde então. Fechou novembro com o preço de US$ 134,70.

As receitas caíram com o coronavírus — 38% no segundo trimestre de 2020 e 1% no terceiro. 

O que justificou o interesse dos investidores no período, porém, foi o crescimento expressivo nas vendas online, o que indica que a companhia pode sair fortalecida da pandemia.

No longo prazo, com o “velho normal” retornando, a Nike deve voltar a ser vista como uma gigante com uma trajetória sólida e uma marca que tem a Adidas como única concorrente no mesmo nível.

Google (GOOG34)

Alphabet é a empresa detentora das ações do Google. Atua em diversos segmentos, mas seus produtos mais conhecidos são o buscador, o serviço de hospedagem de vídeos e streaming YouTube, Gmail, Google Drive, Google Maps e sistema operacional Android.

Assim como no Facebook, a maior fonte de renda do Google são os anúncios veiculados em suas plataformas.

O preço da ação da Alphabet na Nasdaq era de US$ 1.339,39 no fim de 2019. Houve uma queda razoável em março, em seguida boa sequência de alta, nova queda em dezembro e nova recuperação, fechando novembro ao preço de US$ 1.754,40.

Os produtos do Google estão tão presentes na nossa rotina que é quase impensável deixar de contar com eles. 

Além disso, a companhia apresenta ótimos resultados, tendo batido as projeções de analistas em 2020: o lucro líquido no terceiro trimestre do ano foi de US$ 11,2 bilhões.

É uma empresa sólida, com bom histórico de lucros, papel de protagonista na transformação digital vivenciada pelo mundo no século 21 e uma cultura voltada para a melhoria contínua e inovação.

Um dos principais pontos positivos para quem pensa em investir em ações do Google é a concorrência: é líder distante na maioria dos segmentos em que atua.

Activision Blizzard (ATVI34)

A última empresa que recomendamos analisar na sua busca pelos melhores BDRs para 2021 é a Activision Blizzard, holding do segmento de jogos eletrônicos que detém algum tipo de participação em diversos games de sucesso, como Candy Crush, Tony Hawk, Call of Duty, World of Warcraft (WoW) e Diablo.

Na virada de 2019 para 2020, uma ação da companhia custava US$ 59,42. O papel sofreu pouco com o pânico de março e se manteve estável inclusive em setembro, quando as ações das principais empresas americanas de tecnologia caíram.

No fim de novembro, o ativo, negociado na Nasdaq, custava US$ 79,48, um ótimo desempenho no acumulado do ano.

Como um grande player em um mercado já forte mas que não para de crescer, a Activision Blizzard tem resultados expressivos: apenas no quarto trimestre de 2020, registrou US$ 1,95 bilhão em receitas.

Para o futuro, as perspectivas são boas, pois o público dos jogos eletrônicos não para de crescer. A consultoria NewZoo projeta que, até 2023, o mundo tenha 3 bilhões de gamers.

E se esse mercado é competitivo, a companhia possui um histórico de lançamentos de sucesso e uma boa base de fãs fiéis.

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Conclusão

Os BDRs são ativos negociados na bolsa de valores brasileira que têm lastro em ações estrangeiras.

Com eles, você pode apostar na rentabilidade de gigantes americanas como Google, Amazon, Facebook e tantas outras. E o melhor: sem precisar abrir uma conta em uma corretora do exterior.

Mas não esqueça que a rentabilidade de um BDR depende também da oscilação do dólar em relação ao real. 

E lembre-se de diversificar os investimentos e focar no longo prazo, seja qual for o BDR que você escolher para o seu portfólio.

Por fim, não custa lembrar que nenhum ativo citado neste artigo é uma recomendação de investimento. Nosso objetivo foi apenas trazer algumas empresas que merecem a sua atenção, até porque seria impossível apontar os melhores BDRs, sem conhecer exatamente o seu perfil de investidor e os seus objetivos.

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