Paixão de longa data: minha relação com a música e a bateria  

No Dia Mundial do Rock, a Warren Magazine me convidou para contar sobre a minha relação com a música e, mais precisamente, com a bateria. 

A minha conexão com a música é antiga, começou ainda na infância. 

A minha mãe sempre amou música e tocava piano desde os quatro anos. Era um daqueles bonitões, todo de madeira, super pesado.

Lembro que toda a vez que a gente se mudava (e foram muitas vezes), o desafio era carregar o tal do piano.

Cresci vendo ela tocar e incentivando os filhos a seguirem o mesmo caminho.

Só que eu fui ficando mais velho e, como bom rebelde, não fiz aquilo que a mãe queria.

Ao invés de seguir os passos de Chopin, Beethoven e Mozart, acabei indo para um lado um pouco mais “barulhento”, digamos assim. Eu vi na bateria a oportunidade de me aproximar do universo da música. 

Eu tinha uns 12 anos quando comecei a tocar. 

Juntei uns trocos, pedi um pouco de dinheiro para os pais e comprei minha primeira bateria. Era uma bem furreca, não lembro nem a marca.

Na época, morávamos em Sapucaia do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, e tínhamos uma garagem. Então todo dia era uma barulheira. Meus vizinhos deviam amar, eu sei.

Lembro da primeira música que aprendi a tocar, era uma dos Rolling Stones, a Honky Tonk Women.

Fiquei um tempo tocando sozinho, mas logo soube de um vizinho que tocava violão, outro que tocava baixo, aí fomos nos juntando para tocar juntos.

Sempre gostei de tocar rock e metal — e, como bom roqueiro, eu tinha um cabelo enorme.

Passei alguns meses treinando em casa, depois comecei a fazer aula numa escola no centrão de Porto Alegre. Eu pegava um trem em Sapucaia depois do almoço e ia para a aula.

Apesar de não ter seguido o caminho que a minha mãe imaginava, ela gostava de saber que eu estava no meio da música. Ela era fã de rock, fomos juntos no primeiro show do Metallica em Porto Alegre, uns 20 anos atrás.

Desde que comecei a tocar bateria, já tive muitas bandas. Algumas covers, outras de música autoral, como a Stereoplasticos. E já toquei em tudo o que é tipo de lugar e para diferentes tamanhos de público.

Stereoplasticos no programa Papo Clip.

Já abri show da Comunidade Nin-Jitsu (uma banda gaúcha que fez bastante sucesso no início dos anos 2000) para mais de 20 mil pessoas, mas também já toquei para uma senhora, uma criança e uma vaca (é sério, era realmente essas três “personas” assistindo a um show meu numa cidade de interior).

Em Porto Alegre, me apresentei com banda autoral na maior parte das vezes, em lugares undergrounds da cidade, como Beco, Ocidente, Garagem Hermética e Doctor Jekyll.

Mais tarde, a música me levou ao mundo dos investimentos.

Foi assim: depois do aquecimento para tocar no Doctor Jekyll (uma casa clássica de rock de Porto Alegre), isso lá em 2006, o guitarrista da minha banda leu um artigo no jornal sobre a rede de supermercados Pão de Açúcar. 

Aí eu fui comentar sobre a notícia e, em vez de dizer Pão de Açúcar, eu disse o código da ação da empresa na Bolsa.

Meu amigo achou curioso eu saber aquilo de cabeça, e contou que começaria a trabalhar em uma corretora nos próximos dias. Sugeriu que eu trocasse uma ideia com os gestores e me colocou em contato com eles. 

E eu fui, achando que ia só trocar uma ideia com pessoas que entendiam do mercado de ações. 

Cheguei para a conversa usando jeans e camiseta (o que é o normal para mim, me visto assim até hoje). Conversamos umas duas horas, papo vai e papo vem e, no final, fui convidado para trabalhar na corretora, onde permaneci até criar a Warren.

Eu conto essa história com detalhes em outro artigo que escrevi para a Warren Magazine.

Hoje em dia, não toco mais bateria com frequência porque moro em apartamento, então a minha bateria fica na Warren. Mas eventualmente rola uns shows da The Bêntures, formada por colaboradores da Warren.

Nosso show mais recente foi no final de 2021, num encontro de toda a empresa.

Logo, logo, vou me mudar com a família para uma casa, e a bateria vai comigo. Aliás, sabem quem mais vai comigo? O piano da minha mãe.

Ela faleceu no ano passado e eu herdei ele.

Meus filhos, Antônio e Serena, estão fazendo aula e vão poder usá-lo. Ou seja, novas conexões estão vindo aí…

O que há em comum entre tocar um instrumento e empreender 

Pense na música: tem todo o lado romântico, que é o que a gente consome. Melodia perfeita, harmonia entre os instrumentos, nenhum erro.

Mas nos bastidores o que ocorre é muito treino, muita repetição, até tornar aquilo agradável para quem vai ouvir.

A arte de empreender é assim também. Você precisa se dedicar muito para entregar o melhor produto, a melhor experiência, o melhor ambiente de trabalho.

Tem um “quê” de coragem também que é comum entre as duas artes.

A verdade é que, em cima de um palco ou no papel de empreendedor, você está exposto: se você falhar, todo mundo vai ver. Nos dois casos, a prática constante é o único antídoto.

E então, o que você achou da leitura? Aproveite para conferir a minha playlist em comemoração ao Dia Mundial do Rock.

Ah, deixo o meu convite para você me acompanhar nas redes: Instagram, Linkedin e Twitter.

Até a próxima!


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