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Como pensar sobre risco em uma carteira de investimentos?

Publicado por
Bruno Martins

Se você já fez cadastro em alguma corretora de investimentos ou banco, já deve ter respondido a um questionário sobre seu perfil de investidor

Exigido por regulação, ele serve para que o distribuidor (o vendedor do produto, neste caso) se comprometa a oferecer ao cliente somente produtos que façam sentido para ele

No entanto, este questionário não consegue ser tão profundo quanto deveria a fim de conseguir refletir a real necessidade e/ou capacidade do investidor tomar risco.

A única pessoa que consegue ter uma boa medida disso é o próprio investidor.

Pensar no risco da própria carteira de investimentos é algo simples e complicado ao mesmo tempo. 

Simples porque é fácil entender que determinadas perdas nos afligem. 

Difícil porque é trabalhoso quantificar a quantidade de perda que aceitamos. 

Mais do que isso: pensar que o cenário de perda de patrimônio, mesmo que em pequena medida, pode existir, tende a inibir quase que completamente a tomada de risco por parte do investidor. 

Mas por que isso ocorre?

Uma das possibilidades que costumo levantar é que o investidor brasileiro é focado no curto prazo.

Isso pode ser herança de diversos fatores, mas imagino que o período de alta inflação vivenciado por boa parte da população — e que são a maior parte do público investidor da atualidade — é o que mais impacta. 

Aqui, olhar o extrato da sua conta de investimentos e ver que o valor do investimento hoje é menor do que o observado ontem é uma tentação ao resgate do investimento. 

Mas quanto tempo o investidor deveria esperar para ter serenidade de que resgatar um investimento é a decisão correta para se tomar?

Aqui na Warren Asset, vemos o mundo dos investimentos pelo prisma dos fatores de risco

Em resumo, todo ativo financeiro está exposto a um ou mais fatores de risco (Valor, Qualidade, Tamanho, Momento e Baixa Volatilidade), os quais compõem sua remuneração. 

Pontuo aqui é que os fatores possuem propriedades estatísticas distintas, fazendo com que os ativos financeiros se comportem de maneira não necessariamente previsível. 

A beleza está em como combiná-los!

Pense em um fator de risco com expectativa de remuneração de inflação +1,0% ao ano e outro com expectativa de remuneração de inflação +3,0% ao ano. 

À primeira vista, o segundo fator é muito mais interessante; afinal, a remuneração é maior, certo?

Pense agora que o primeiro fator de risco remunera em inflação +1,0% ao ano com volatilidade de 1,0%, enquanto o segundo fator remunera em inflação +3,0% com volatilidade de 10,0%. 

Agora a escolha ficou mais complexa, não?

A ideia aqui é notar que os fatores de risco possuem características, como retorno esperado e volatilidade.

É a combinação de fatores que torna um ativo e, por construção, uma carteira de ativos interessante. Podemos combinar fatores mais e menos voláteis a fim de chegar ao retorno esperado com uma volatilidade controlada.

Voltando à pergunta do início, observar como a remuneração dos fatores se distribuiu ao longo do tempo nos auxilia a pensar em como analisar o risco de uma carteira de investimentos.

Do ponto de vista de uma carteira de renda fixa, poderíamos analisar os fatores de risco de inflação, duration, crédito privado, etc.

Cada um deles possui um retorno esperado, bem como uma distribuição de frequência de retorno ao longo do tempo. É a composição dos fatores que compõem nossa carteira de investimentos que determina parte do nosso risco.

Tendo noção de quanto tempo cada fator necessita para pagar seu retorno esperado, é possível entendermos quanto tempo devemos esperar para tomar a decisão de resgatar ou não um investimento.

Aqui fica claro porque, na média, investir em ações demanda mais tempo em termos de convergência de retorno do que o investimento em estratégias multimercado, por exemplo.

Quanto mais e mais complexos forem os fatores de risco que compõem a carteira do investidor, maior tende a ser o tempo que o investidor deve aguardar para que o seu portfólio performe como o esperado.

Por fim, ajustar o risco de sua carteira de investimentos passa primeiramente por entender quanto tempo o investidor possui para que sua carteira convirja ao retorno esperado. A paciência é uma grande ajuda na gestão de risco.


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