Planos de ano novo: como encontrar coragem para perseguir seus sonhos  

Esta semana espremida entre o Natal e a virada do ano parece especial para fazer um balanço de nossas vidas

Podemos refletir sobre os sucessos e os fracassos do ano que passou e projetar as mudanças que pensamos em fazer no ano que se inicia.

Bem, eu sei que é difícil pensar em fazer planos quando estamos acabando um ano tão atípico, um ano em que nossos melhores projetos foram todos colocados de pernas para o ar. 

A vontade é de iniciar o novo ano ao som do refrão da música do Zeca Pagodinho – “Deixa a vida me levar/ Vida leva eu!”. 

Faz sentido planejar?

Afinal de contas, será que adianta mesmo fazer planos, se a vida pode nos pregar tantas surpresas como neste ano que finda? 

Eu acredito que sim. É muito importante planejar para realizar sonhos.

Isso é o que diferencia um sonhador de um realizador. 

Para quem se pensa velho demais para sonhar, mais do que a idade cronológica, o que determina a juventude é a capacidade de fazer planos.

É muito comum haver quem utilize a imprevisibilidade da vida para dizer que não vale a pena se planejar. 

Aí entra, talvez, uma incompreensão do que seja um plano: ele não é uma linha reta entre o ponto A e o B. 

Plano é saber que queremos sair de A e chegar em B, entendendo que para isso teremos que fazer vários desvios, várias adaptações pelo caminho.

É como um timoneiro de um barco a vela, ele precisa saber onde está e aonde quer chegar, mas sabe que para isso depende do vento. 

Não é porque ele não controla o vento que vai desistir de controlar o barco. 

O ano de 2020 mostrou que a realidade se impõe aos planos; muitas pessoas tiveram que mudar tudo, ir em uma direção não planejada.

Sim, foi um ano muito difícil, desanimador até. Mas é bom lembrar que frequentemente são as dificuldades, as pedras no caminho que nos fazem mudar a rota da nossa vida.

Uma parábola sobre prosperidade

Ao longo do tempo, as parábolas vêm sendo utilizadas para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas. Elas nos ajudam a refletir sobre como nos comportamos em nossas vidas e, muitas vezes, nos induzem a mudanças. 

Um exemplo é a parábola inspirada na tradição Sufi transcrita a seguir.

Um monge perambulava com seu aprendiz por uma montanha quando avistou uma casa muito pobre. Dirigiu-se até o casebre para pedir um pouco de água e ver quem morava naquelas paragens tão ermas. 

Lá encontrou uma família que vivia em estado de profunda miséria

Ao perguntar àquelas pessoas como conseguiam viver numa montanha tão pobre, ficou sabendo que tinham uma velha vaca que dava o leite que lhes sustentava. 

Das sobras, faziam algum queijo que vendiam em um povoado próximo para, com o dinheiro, comprar as poucas coisas de que precisavam para viver.

Ao sair de lá, o aprendiz disse ao mestre que sentia muito pela miséria da família e perguntou se não poderiam prestar alguma ajuda

O monge disse ao aprendiz para jogar a vaquinha no precipício à frente. O discípulo, completamente desorientado e extremamente contrariado, seguiu o conselho do mestre.

Depois daquele dia, o rapaz passou a carregar um grande remorso e nunca deixou de orar por aquela pobre família. 

Muito tempo depois, resolveu voltar até a montanha para ver se a família ainda estava lá e se haveria como reparar o que ele julgava ter sido uma grande injustiça cometida no passado.

Ao chegar à montanha, encontrou as mesmas pessoas vivendo de forma muito próspera. 

Ele se aproximou lentamente e pôde reconhecer todos os membros da família. Contou a eles que tinha estado ali muitos anos antes acompanhado do antigo mestre e perguntou como tinham melhorado tanto de vida

O chefe da família recordou a noite em que, logo após a visita do rapaz e do mestre, a pobre vaquinha tinha caído no precipício. 

Desesperados, ele e o filho foram para o vilarejo trabalhar. No começo, sofreram muito, mas lá aprenderam novos métodos de cultivar a terra, cuidar de ovelhas, fazer outros queijos e tecer a lã. 

Primeiro o pai e depois o filho voltaram para as montanhas e, com o conhecimento adquirido, aprimoraram o cultivo no solo árido.

Lentamente a vida foi melhorando e, como o antigo aprendiz pôde ver, a família passou a ter mais conforto e fartura.

Muitas vezes na vida nos comportamos como a família com a velha vaquinha. Ficamos conformados com uma situação suportável, sem coragem de buscar o novo. Aceitamos viver em situações apenas razoáveis por medo de fracassar ao tentar algo melhor.

O fracasso pode nos impulsionar para melhorar, porém o medo de arriscar nos condena a uma vida medíocre

Quantas pessoas passam a vida em trabalhos que apenas lhes sustentam ou em relacionamentos que não lhes satisfazem, apenas por medo de apostar no novo e falhar?

Uma situação “mais ou menos” é muito pior do que uma “péssima”. Podemos viver a vida toda em um casamento mais ou menos, em um emprego mais ou menos e ser mais ou menos felizes

Já quando a situação é péssima, dificilmente nos acomodamos. Precisamos nos encher de coragem e agir para melhorar.

Se sua vida está mais ou menos, busque a coragem que você tem (mesmo que ela esteja tão bem escondida que você chegue a pensar que ela não existe) e persiga o novo, mesmo sabendo que as chances de fracassar são grandes.

O sucesso é doce, e o fracasso é amargo; mas só reconhecemos verdadeiramente a doçura quando experimentamos o sabor amargo. 

O fracasso é o sucesso com sinal trocado. Tanto um quanto outro podem ser excelentes professores, desde que tenhamos ouvidos para o que eles têm a dizer.

Não conheço uma só pessoa que não tenha fracassado ao perseguir o sucesso. Só não fracassa quem nunca tenta, quem se contenta em viver mais ou menos.

Não fique paralisado pelo medo

O ano que está acabando jogou muitas das nossas vaquinhas no precipício. Trouxe, para muitos, enorme sofrimento, e sobre isso nada se pode fazer. Tudo que podemos agora é decidir o que faremos com as marcas que esta crise deixou nas nossas vidas.

Vamos permitir que ela destrua nossos sonhos? Ou ela vai redobrar nossa disposição e nossa garra para fazer 2021 e todos os anos seguintes serem melhores do que o ano que passou?

É importante não nos deixarmos paralisar pelo medo

Precisamos derrubar as cercas da opinião alheia e correr atrás dos nossos sonhos enquanto é tempo.

Desejo a você um 2021 de muita coragem para lutar por seus sonhos.

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