
A dúvida sobre quanto rende 1 milhão na poupança costuma aparecer em momentos específicos da economia brasileira. Em períodos de juros elevados, a caderneta volta a ganhar visibilidade por ser simples, amplamente conhecida e isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas. Para muita gente, ela funciona como uma forma direta de manter valores elevados sem complexidade operacional.
Ainda assim, quando o montante aplicado é alto, como R$ 1 milhão, olhar apenas para essa simplicidade não basta. O resultado final depende de regras próprias de cálculo, do comportamento da Taxa Referencial (TR), do tempo em que o dinheiro permanece aplicado e, sobretudo, da comparação com outras alternativas disponíveis no mercado financeiro.
Ao compreender esses fatores de forma conjunta, fica mais fácil avaliar se a poupança atende ao objetivo esperado ou se existem opções mais adequadas para organizar um patrimônio desse porte.
Indice
O rendimento da poupança segue regras definidas em lei e aplicadas de forma igual em todas as instituições financeiras. Não existe diferença de taxa entre bancos nem possibilidade de negociação individual.
Existem dois cenários possíveis:
Em 2025, com a Selic em torno de 15% ao ano, vale a primeira regra. Isso significa que, mesmo com juros elevados, o rendimento base da poupança permanece limitado, variando pouco mês a mês.
Em investimentos atrelados ao CDI ou diretamente à taxa básica de juros, a elevação da Selic tende a se refletir de forma direta no desempenho. A poupança funciona de maneira diferente.
A partir do momento em que a Selic ultrapassa 8,5% ao ano, o rendimento deixa de acompanhar a taxa e passa a ser limitado por regra. Isso cria um descolamento entre a poupança e o restante da renda fixa em ambientes de juros elevados.
Mesmo com a Selic em níveis historicamente altos, o rendimento mensal da poupança permanece praticamente estável, o que impacta o resultado final em prazos mais longos.
A Taxa Referencial é um índice calculado pelo Banco Central e utilizado como complemento no rendimento da poupança. Durante muitos anos, a TR permaneceu próxima de zero, o que fez com que a poupança rendesse praticamente apenas os 0,5% mensais.
Com a elevação dos juros, a TR voltou a registrar valores positivos. Isso melhora o rendimento nominal da poupança, levando o resultado mensal para algo próximo de 0,6% a 0,7% ao mês em determinados períodos.
Ainda assim, a TR não elimina a limitação estrutural da poupança. Ela apenas suaviza a diferença em relação a outros investimentos que acompanham a Selic de forma mais direta.
Entender quanto rende 1 milhão na poupança passa por observar o comportamento do investimento em diferentes recortes de tempo. O valor mensal ajuda a dimensionar o fluxo de recursos gerado, enquanto o resultado anual e a evolução ao longo dos anos mostram como o capital se comporta com o efeito dos juros ao longo do tempo.
Ao analisar esses números em conjunto, fica mais fácil ter uma visão realista do desempenho da poupança em um cenário de juros elevados e entender suas limitações quando comparada a outras alternativas.
Com a Selic acima de 8,5% e a TR positiva, o rendimento mensal de R$ 1.000.000 aplicado na poupança costuma ficar entre:
O crédito ocorre apenas na data de aniversário do depósito. Caso o dinheiro seja retirado antes dessa data, o rendimento do período não é pago.
Com essas regras em mente, fica mais fácil visualizar como o valor evolui ao longo do tempo.
Ao longo de um ano completo, o efeito dos juros compostos começa a aparecer, ainda que de forma moderada.
Em um cenário de Selic elevada, o desempenho anual da poupança para R$ 1 milhão tende a ficar entre R$ 60.000 e R$ 83.000, levando o saldo para algo próximo de R$ 1,06 milhão a R$ 1,083 milhão.
Quando se observa apenas o valor mensal, a diferença entre a poupança e outras aplicações começa a ficar mais clara.
| Prazo | Valor aproximado |
| 1 mês | R$ 1.005.000 a R$ 1.006.700 |
| 6 meses | R$ 1.041.000 |
| 1 ano | R$ 1.060.000 a R$ 1.083.000 |
| 2 anos | R$ 1.174.000 |
| 5 anos | R$ 1.435.000 |
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Ao observar o rendimento mês a mês, a diferença entre a poupança e outras aplicações de renda fixa fica mais evidente. Mesmo em um cenário de juros elevados, a caderneta apresenta limitações estruturais, enquanto investimentos atrelados à taxa básica ou ao CDI tendem a refletir melhor esse ambiente.
A tabela abaixo ajuda a visualizar essa diferença de forma objetiva.
| Investimento | Rendimento mensal aproximado* | Tributação |
| Poupança | R$ 5.000 a R$ 6.700 | Isento (PF) |
| Tesouro Selic | ~R$ 12.000 | IR regressivo |
| CDB 100% do CDI | ~R$ 11.000 a R$ 12.000 | IR regressivo |
| LCI/LCA | ~R$ 7.000 a R$ 9.000 | Isento (PF) |
*Valores aproximados, sujeitos a variação de taxas e prazos.
Ao avaliar quanto rende 1 milhão na poupança, é fundamental diferenciar ganho nominal de ganho real.
Em diversos anos recentes, a poupança apresentou ganhos reais modestos. Em alguns períodos, o rendimento nominal ficou muito próximo da inflação, o que significa preservação parcial do poder de compra, mas pouco avanço patrimonial.
Esse comportamento reforça a importância de observar o resultado real, especialmente em prazos mais longos.
A poupança é considerada uma aplicação de baixo risco e conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.
No caso de um investimento de R$ 1 milhão, isso significa que apenas parte do valor está automaticamente protegida. Para manter todo o montante dentro do limite garantido, seria necessário dividir o dinheiro entre diferentes bancos.
Esse ponto costuma ser ignorado, mas se torna relevante quando se fala em valores elevados.
Apesar das limitações, a poupança pode cumprir um papel específico dentro da organização financeira, especialmente quando o objetivo é:
Para patrimônios elevados e objetivos de médio e longo prazo, a poupança tende a apresentar limitações importantes.
Em ambientes de juros elevados, existem investimentos que acompanham melhor esse cenário.
O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros e apresenta alta liquidez. Mesmo com a incidência de Imposto de Renda, tende a apresentar desempenho superior ao da poupança quando a Selic está elevada.
O Tesouro IPCA+ combina inflação com uma taxa fixa definida no momento da aplicação. É indicado para quem busca a preservação do poder de compra no médio e longo prazo, ainda que possa oscilar no curto prazo.
Os Certificados de Depósito Bancário pagam um percentual do CDI e costumam superar a poupança em cenários de Selic elevada. Contam com proteção do FGC até R$ 250 mil por instituição e sofrem incidência de Imposto de Renda.
As Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio funcionam de forma semelhante aos CDBs, mas são isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas. Mesmo com taxas menores, podem apresentar resultado final superior ao da poupança.
Além do rendimento, existem diferenças estruturais importantes entre esses investimentos:
| Característica | Poupança | Tesouro Selic | CDB | LCI/LCA |
| Liquidez | Imediata | Alta | Varia | Varia |
| Acompanha Selic | Parcial | Sim | Sim | Sim |
| Imposto de Renda | Não | Sim | Sim | Não |
| Proteção FGC | Sim* | Não | Sim | Sim |
| Limite de rendimento | Sim | Não | Não | Não |
*Até R$ 250 mil por CPF e instituição.
Para quem possui R$ 1 milhão, a diversificação é um elemento importante na organização do patrimônio. Em vez de concentrar todo o valor em um único tipo de aplicação, distribuir os recursos entre diferentes classes de ativos ajuda a lidar melhor com cenários econômicos distintos e a reduzir riscos desnecessários.
Essa distribuição contribui para equilibrar pontos fundamentais da estratégia financeira, como:
Ao cumprir funções diferentes dentro da carteira, cada investimento passa a atuar de forma complementar. Isso diminui a dependência de um único tipo de aplicação e melhora a eficiência da carteira ao longo do tempo, sem exigir decisões extremas ou mudanças frequentes de estratégia.
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As dúvidas abaixo reúnem as perguntas mais comuns sobre quanto rende 1 milhão na poupança, considerando o cenário de juros elevados e as regras atuais de funcionamento da aplicação.
Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Na prática, isso significa que R$ 1 milhão aplicado na poupança gera entre R$ 5.000 e R$ 6.700 por mês, dependendo do valor da TR no período.
Em um ano completo, R$ 1 milhão aplicado na poupança tende a gerar entre R$ 60.000 e R$ 83.000 em rendimento nominal, levando o saldo para algo próximo de R$ 1,06 milhão a R$ 1,083 milhão, considerando Selic elevada e TR positiva.
Mantido o mesmo cenário de juros, R$ 1 milhão aplicado na poupança pode chegar a aproximadamente R$ 1,17 milhão em dois anos, já considerando o efeito dos juros compostos.
Em um horizonte de cinco anos, o valor acumulado tende a ficar em torno de R$ 1,43 milhão, considerando rendimento nominal e manutenção das regras atuais da poupança.
Até certo ponto. Quando a Selic ultrapassa 8,5% ao ano, o rendimento da poupança deixa de acompanhar a taxa e passa a ser limitado a 0,5% ao mês + TR. Isso faz com que outros investimentos atrelados ao CDI acompanhem melhor a alta dos juros.
Em alguns períodos, sim. Mesmo apresentando rendimento positivo, a poupança pode ter ganho real baixo, especialmente quando a inflação sobe. Isso significa que o dinheiro cresce nominalmente, mas avança pouco em poder de compra.
Para objetivos de curto prazo e liquidez imediata, a poupança pode cumprir um papel pontual. Para valores elevados e prazos mais longos, outras alternativas tendem a apresentar desempenho mais alinhado ao cenário de juros.
O rendimento segue regras definidas por lei e é o mesmo em todos os bancos. Além disso, a poupança conta com a proteção do FGC até R$ 250 mil por CPF e instituição, o que não cobre integralmente um valor de R$ 1 milhão.
Investimentos como Tesouro Selic, CDBs atrelados ao CDI, LCIs e LCAs tendem a apresentar desempenho superior à poupança em cenários de juros elevados, mesmo considerando impostos e prazos.
A poupança pode ser usada como parte da organização financeira, mas concentrar valores elevados nela tende a limitar a evolução do patrimônio ao longo do tempo.
Em média, o rendimento mensal da poupança com R$ 1 milhão gira em torno de R$ 5.000 a R$ 6.700. Esse valor pode ser suficiente para algumas realidades, mas é sensível à inflação e não cresce de forma proporcional aos juros.
A poupança segue sendo uma aplicação conhecida, simples e acessível. Ainda assim, quando o objetivo é estruturar um patrimônio de forma mais eficiente, olhar além dela se torna essencial.
Com acesso a diferentes investimentos, acompanhamento constante e decisões alinhadas aos próprios objetivos, é possível organizar o dinheiro de forma mais estratégica e consciente.