Quanto rende a renda fixa? Tire suas dúvidas  

Quanto rende a renda fixa? Essa é uma pergunta frequente para quem está analisando os investimentos em renda fixa.

A resposta, porém, não é tão simples.

Para entender quanto rende a renda fixa, você precisa entender como a rentabilidade dessa classe de ativos é calculada e o que interfere na sua valorização ou desvalorização.

Nesta explicação, há uma sopa de letrinhas, começando pelo CDI, o Certificado de Depósito Bancário, e a taxa Selic, que funciona como a taxa básica de juros da economia.

Vamos entender em detalhes?

Neste artigo, vamos descomplicar a rentabilidade dos investimentos em renda fixa, para que você entenda, com exemplos simples, quanto rende a renda fixa.

Vamos juntos? Boa leitura!

Quanto rende a renda fixa?

Para descobrir quanto rende a renda fixa, a melhor maneira é acompanhar os indicadores como a taxa Selic e o CDI. O valor do CDI hoje é de 11,65% ao ano. Assim, um investimento que rende 100% do CDI está pagando essa taxa de juros anual. 

Essa é uma boa referência, porque, falando de forma genérica, sem conhecer o título de renda fixa que você está pesquisando, é impossível afirmar, com exatidão, quanto rende a renda fixa.

A remuneração depende de uma série de fatores, como o tipo de produto em que você está investindo e as taxas de juros vigentes.

Ficou confuso? Vamos entender melhor sobre o contexto dessa classe de ativos a seguir:

Os tipos de títulos da renda fixa

Para começar, precisamos entender que existem diversos tipos de renda fixa, que podem ser agrupados em três grandes grupos:

E por que é importante entender essa classificação dos títulos de renda fixa? 

Porque a natureza dos produtos já influencia diretamente no seu nível de risco e, consequentemente, na rentabilidade.

Os títulos públicos, por exemplo, são uma forma de “emprestar” dinheiro ao governo, que é considerado o melhor perfil de crédito do Brasil.

Isso porque, embora não seja uma prática recomendada, o governo pode emitir mais papel moeda para quitar suas dívidas.

Já os títulos bancários possuem um risco diretamente relacionado ao seu emissor. A depender do porte da instituição financeira, o produto pode ser mais ou menos arriscado.

Além disso, os títulos bancários possuem proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma instituição privada mantida pelos próprios bancos como garantia de que o investidor vai receber o seu pagamento.

Já os títulos privados não possuem essa segurança, e também estão diretamente expostos à companhia emissora da dívida.

Portanto, note que até mesmo a classificação dos títulos de renda fixa influencia no nível de risco de cada produto, e isso vai impactar no rendimento dos ativos pela clássica relação entre risco e retorno do mercado financeiro.

LEIA TAMBÉM | Qual é o melhor investimento de renda fixa?

Selic e CDI indicam quanto rende a renda fixa

Agora que você já conhece os diversos títulos de renda fixa do mercado financeiro, podemos olhar para os indicadores dessa classe de ativos.

Acompanhe:

CDI

O principal benchmark da renda fixa é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que mencionamos na abertura do artigo. 

Mas o que ele representa na prática?

De acordo com uma determinação do Banco Central, os bancos nacionais não podem encerrar um dia com caixa negativo.

Embora pareça quase impossível que isso aconteça pensando na quantidade de dinheiro que as instituições gerenciam diariamente, há sempre essa possibilidade considerando o balanço diário de saques e depósitos realizados pelos clientes.

Ou seja: se os clientes de um banco realizam mais saques do que depósitos em um dia, isso significa que houve maior retirada de dinheiro. 

Portanto, o saldo dessas operações fica negativo para a instituição financeira.

Para cumprir a regra de manter o caixa positivo, os bancos fazem empréstimos entre si. Essa operação é justamente o Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

Esses empréstimos de curtíssimo prazo também possuem uma taxa de juros embutida, que acaba sendo utilizada como um parâmetro para os investimentos de renda fixa: é a taxa CDI.

Antes de prosseguir com a explicação, precisamos falar sobre outra taxa, a Selic.

Taxa Selic

A Taxa Selic é a taxa básica de juros do Brasil. Ela é definida a cada 45 dias em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e acaba sendo uma referência para muitas outras — inclusive para a própria taxa CDI.

O termo “Selic” é originado do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, que se trata de um programa em que são negociados os títulos públicos brasileiros.

Como a Taxa Selic é aquela que o Banco Central propõe para um determinado momento econômico, os títulos públicos acabam refletindo a proposta de política monetária na negociação junto aos seus investidores.

LEIA TAMBÉM | Selic hoje: confira o valor atual da taxa Selic 

A relação entre CDI, Selic e o rendimento da renda fixa

Portanto, uma boa forma de entender quanto rende a renda fixa é analisar e avaliar os próprios indicadores utilizados como referência para a remuneração dos títulos dessa classe de ativos.

E ambas as taxas de juros que vimos ao longo deste tópico estão diretamente relacionadas — afinal, elas compartilham o mesmo ambiente econômico.

A Taxa Selic é utilizada para os títulos públicos. Portanto, ela vai definir a remuneração de juros do Tesouro Selic, que é o principal produto pós-fixado oferecido pelo governo aos investidores.

De maneira indireta, ela também influencia os títulos prefixados, pois eles acabam se baseando na taxa de juros vigente para que a remuneração acordada não fique fora da realidade.

Já a Taxa CDI é mais utilizada pelos produtos bancários, como o CDB (Certificado de Depósito Bancário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e LCI (Letra de Crédito Imobiliário), entre outros.

Mas não se preocupe com cálculos mirabolantes: o CDI costuma andar sempre muito próximo da Taxa Selic.

Para concluir, reforçamos: para saber quanto rende a renda fixa, a melhor forma é analisar quanto está o CDI no momento da sua avaliação. 

Ou, caso você queira investir em títulos emitidos pelo governo, vale a pena olhar para a Taxa Selic na busca dessa resposta.

Em março de 2022, a taxa Selic está em 11,75% ao ano, e o CDI vale 11,65%. 

Como vimos, são valores muito próximos e que dão um bom indicativo do rendimento dos títulos associados a essa classe de ativos. 

Rendimento da renda fixa em 2021

Quanto rendeu a renda fixa em 2021?

Como vimos, os títulos de renda fixa dependem diretamente das taxas de juros vigentes em um determinado momento econômico. 

Portanto, basta analisar o desempenho do CDI em 2021 e vamos descobrir qual foi o rendimento do principal indicador ao longo do ano. 

Confira os resultados:

Período (2021)Rendimento CDI
Janeiro0,15%
Fevereiro0,13%
Março0,20%
Abril0,21%
Maio0,27%
Junho0,31%
Julho0,36%
Agosto0,43%
Setembro0,44%
Outubro0,49%
Novembro0,59%
Dezembro0,77%
Acumulado 20214,42%

O que podemos perceber ao analisar essa lista é que, ao longo de 2021, o CDI foi aumentando progressivamente a sua rentabilidade.

Isso não aconteceu de forma aleatória. O indicador apenas acompanhou o comportamento da nossa taxa básica de juros, a Taxa Selic.

Vale lembrar que, em janeiro de 2021, a Selic estava fixada em apenas 2,0% ao ano. O menor valor da série histórica.

Por conta de uma forte pressão inflacionária, o Banco Central viu a necessidade de agir para controlar o aumento dos preços.

Quer entender essa lógica? Confira nosso artigo completo: A taxa Selic e a inflação: descomplicamos tudo que você precisa saber 

Dessa forma, ao longo do ano, foi iniciado um novo ciclo de aumento da Taxa Selic. Veja abaixo a atualização da taxa anual em 2021, de acordo com as reuniões realizadas pelo Comitê de Política Monetária.

  • Janeiro: 2,00%
  • Março: 2,75%
  • Maio: 3,50%
  • Junho: 4,25%
  • Agosto: 5,25%
  • Setembro: 6,25%
  • Outubro: 7,75%
  • Dezembro: 9,25%

É importante observar, portanto, que o CDI acompanha de perto os movimentos realizados pela Taxa Selic.

E foi justamente o que verificamos para a renda fixa em 2021.

Histórico de rendimento da renda fixa

Se você acompanha o mercado financeiro brasileiro há algum tempo, sabe que os números de 2021 não representam bem o rendimento histórico da renda fixa.

Por conta da maior instabilidade econômica em relação aos países desenvolvidos e os desafios no controle da inflação, o Brasil costuma apresentar altas taxas de juros, historicamente.

Essa característica popularizou, inclusive, o termo “rentismo” como uma referência para as aplicações de renda fixa por aqui.

Em 2016, por exemplo, todos os meses do ano pagaram mais de 1,0% ao mês para os investidores de renda fixa. Isso, claro, em valores nominais, que não consideram a inflação do período.

Entenda mais aqui: Juro real negativo: o que é e como se proteger 

Visando trazer esse comparativo de forma prática? Veja, a seguir, o rendimento da renda fixa ao longo dos últimos anos. 

AnoRentabilidade do CDI
20214,42%
20202,76%
20195,97%
20186,42%
20179,95%
201614%
201513,23%
201410,81%
20138,05%
20128,41%
201111,59%
20109,74%

Observe como 2020 e 2021 são anos completamente fora da curva para o histórico da renda fixa brasileira.

Esse cenário aconteceu por conta da pandemia, que exigiu uma atuação ativa do governo para estimular a economia nacional, que se retraiu muito com as restrições de circulação para conter o vírus.

Em períodos de crise e inflação saindo de controle, é normal, para o nosso histórico, que o país tenha taxas de juros de dois dígitos. 

É o que aconteceu entre 2014 e 2016, por exemplo.

LEIA TAMBÉM | As perspectivas para a Renda Fixa em 2022 

Como encontrar títulos da renda fixa que rendem mais?

Se os números históricos te deixaram animados para voltar a ter rendimentos fortes com os seus títulos dessa classe de ativos, saiba que é possível incrementar a sua rentabilidade a qualquer momento.

O que acontece é que o CDI é uma referência para os títulos bancários, mas não significa que todos os produtos do setor ofereçam a mesma remuneração.

O pagamento de juros, afinal, depende de uma série de fatores. O principal deles é o risco de crédito do emissor. Ou seja, a chance de não honrar com o pagamento do título.

De uma forma geral, é bem simples entender essa relação. Há maior risco em um CDB de um banco pequeno em relação a outro de um banco grande.

Para compensar esse risco, os bancos menores oferecem títulos bancários com taxas mais atrativas.

Se um grande banco, como Banco do Brasil, por exemplo, oferece um CDB pagando 90% do CDI, um banco menor pode adotar a estratégia de apresentar uma rentabilidade de 110% do CDI.

Se a oferta for igual para os dois bancos, afinal, ninguém vai querer investir no banco pequeno, pois há maior risco. 

Contudo, se esse risco é compensado por um retorno maior, ele pode se tornar atrativo.

Outro fator que pode influenciar na oferta dos melhores rendimentos da renda fixa é o prazo do ativo. 

Quanto mais longo for o vencimento, ao menos em tese, melhor deve ser a remuneração para o investidor.

A liquidez é mais uma característica que afeta os juros de um título. 

Se você consegue resgatar com facilidade o seu dinheiro, então há menor risco para o investidor. Logo, as taxas de juros não precisam ser tão elevadas quanto títulos sem essa possibilidade.

É função do investidor analisar o risco do emissor e também as demais características dos ativos antes de buscar uma melhor rentabilidade na renda fixa.

Nesse processo, tome cuidado para não olhar apenas para a rentabilidade, ignorando os demais fatores que elencamos neste artigo.

Neste artigo, explicamos o que fazer para descobrir quanto rende a renda fixa. Esperamos que o conteúdo tenha sido útil e possa ajudá-lo na sua jornada como investidor.

Antes de finalizar, precisamos lembrar que, na nossa plataforma, você tem acesso aos produtos de diversas categorias dentro da renda fixa. 

Você pode criar uma carteira de investimentos diversificada e escolher os ativos que mais fazem sentido para o seu perfil. Quer começar? Abra sua conta e invista em minutos.


Se você gostou do artigo, talvez também se interesse por: