O que se passa com o Bitcoin?  

Não, diferente de nós, o Bitcoin não está derretendo por causa do calor. Há outros motivos específicos que envolvem o mercado de capitais. 

Entre os dias 20 e 21 de janeiro, a criptomoeda teve uma queda de quase 8%, perdendo o patamar de US$39 mil.

Não se assuste com este gráfico. Mais adiante eu mostro o motivo.

Bom, nós sabemos que os criptoativos já são bastante voláteis em um cenário estável. Mas acrescente a isso diversos contextos de estresse e você terá um risco ainda maior. Isso ocorre pela falta de referencial para as criptomoedas como um todo, diferente de outros investimentos, como empresas que possuem dividendos e/ou fluxo de caixa. A organização descentralizada faz com que não se tenha acionistas, mas colaboradores-donos, que podem mudar na medida que as criptos são negociadas. 

Explicada a natureza das criptomoedas, é possível entender o motivo pelo qual tivemos essa “derretida” repentina do Bitcoin nas últimas 24 horas.

O início do movimento é uma fuga de capital para os ativos considerados mais seguros, causada pelo aumento da taxa de juros dos bancos centrais.

Esse aumento de juros faz com que os títulos emitidos pelos governos se tornem mais atrativos, pois passam a pagar mais ao investidor.

Além do aumento da taxa de juros causando a saída dos investidores dos ativos mais arrojados, também há o avanço da variante Ômicron pelo mundo, causando uma maior incerteza e medo, o que tem influência direta nos mercados. 

Outro ponto forte que influenciou a queda do Bitcoin e das outras criptoativos foi o anúncio do Banco Central da Rússia sobre a proposta de banimento de atividades de mineração e negociação de criptomoedas. A autoridade monetária ressaltou os perigos à estabilidade financeira do país e afirmou que os ativos são pirâmides financeiras.

E tem mais: outra possível influência, embora pareça que não tenha ligação direta, é o confronto territorial entre Rússia e Ucrânia. Ambas estão entre os países que mais mineram criptomoedas. Um possível conflito pode afetar os interesses e o desenvolvimento dessa classe de ativos.

O preço da energia é muito baixo na região, o que faz com que seja um dos locais mais atrativos para se abrir mineradoras de criptomoedas, visto que o processo de mineração gasta muita, mas muita energia. 

Devo me preocupar? 

Se você não tem problema com volatilidade e o investimento está ajustado com o seu apetite de risco, não precisa ficar nervoso. É normal que haja volatilidade no curto prazo e esse sobe e desce pode ser bom para que comprarmos com o famoso “desconto”.

Além disso, a visão de longo prazo para as criptomoedas se assemelha com outros ativos voláteis, como as ações, visto que o criptoativo tende a subir à medida que a iniciativa tem sucesso.

Se você se assustou com o primeiro gráfico deste artigo, olhe esse abaixo e veja que o “derretimento” de 8% representa pouco impacto quando observamos janelas maiores:

Além disso, há a parte do fluxo de adoção: como ainda são ativos com poucos adeptos e curtos históricos, os investidores tem maior receio. 

Se você não conhece muito sobre Cripto, ou conhece e está pensando em investir, leia a matéria sobre criptomoedas e nosso fundo Warren Cripto (43.945.482/0001-65) aqui na Magazine.

Pode ser um belo início para quem quer investir em criptomoedas com diversificação, mas que não quer ficar se estressando com as cotações diárias. Claro que é preciso ter apetite e perfil de risco adequado para isso.

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