Rússia e Ucrânia: 5 pontos para entender a crise e o impacto na economia  

A crise entre Rússia e Ucrânia existe há um longo tempo. Mais recentemente, o que estava apenas na ameaça e na troca de acusações entre os presidente dos dois países, acabou se tornando real. Na madrugada do dia 24 de fevereiro, vimos os primeiros ataques russos às cidades ucranianas, no que deve ser o começo de um confronto tenso, que deve impactar o mundo todo.

Neste artigo, busco explicar rapidamente os motivos do conflito e as implicações para os mercados financeiros a partir de 5 tópicos. Vamos nessa?

1. Rússia e Ucrânia: como a crise começou?

A tensão entre a Ucrânia e os russos não é de hoje. O território que hoje é a Ucrânia chegou a ser parte do antigo Império Russo e depois, em 1919, virou uma república da União Soviética (URSS).

Com o colapso do bloco, a Ucrânia selou de vez a independência em um acordo no ano de 1994, sendo, portanto, uma democracia ainda muito jovem. 

A crise mais recente estourou após a anexação da Crimeia, então território ucraniano, pela Rússia, em 2014. Os conflitos na fronteira leste da Ucrânia deixaram mais de 14 mil mortos desde então. 

Ao longo das últimas duas décadas, a Ucrânia vem tentando realizar movimentos de aproximação com a União Europeia e com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Neste contexto, há ainda uma divisão cultural: enquanto a parcela que vive a oeste de Kiev (capital do país) se enquadra mais aos costumes europeus e ocidentais, a outra parcela que vive ao leste enxerga mais proximidade com a cultura russa.

Em resumo, não há uma visão coesa no país sobre esse movimento de aproximação com o ocidente. Os russos, por outro lado, entendem que essa aliança pode se tornar uma ameaça e estão demandando um poder de veto à entrada da Ucrânia na Otan.

2. Você sabe o que é a Otan? Vamos relembrar

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é uma aliança militar intergovernamental constituída em 1949, no contexto da Guerra Fria, reunindo EUA, Canadá e os países da Europa Ocidental contra a “ameaça soviética”.

Os 12 membros fundadores originais da aliança política e militar são: Estados Unidos, Reino Unido, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Islândia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Noruega e Portugal.

Hoje, além destes membros iniciais, integram a Otan os seguintes países: Grécia, Alemanha, Espanha, Polônia, República Tcheca, Hungria, Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Croácia, Albânia, Turquia e Macedônia.

Ou seja, depois da queda da União Soviética, diversas regiões que anteriormente pertenciam ao grupo tornaram-se independentes e agora fazem parte da Otan.

A Ucrânia também tem interesse em fazer parte do grupo, mas os russos buscam impedir, sob a justificativa de que se sentem ameaçados pelo país vizinho e que essa aliança poderia facilitar o ingresso de armamentos e a elevação da tensão nas regiões do leste ucraniano, onde ainda ocorrem conflitos.

3. Como andam as negociações entre Ucrânia, Rússia e Otan?

Ao longo de janeiro e fevereiro, aconteceram diversas reuniões entre representantes do governo russo, da Otan, dos EUA, da França e da Inglaterra, que buscavam medidas diplomáticas para a contenção da invasão russa à Ucrânia, evitando um possível conflito armado.

Estes encontros, até agora, não foram bem-sucedidos e a Rússia está realizando exercícios navais no Mar Negro e Mar Cáspio, ao mesmo tempo em que realiza exercícios militares terrestres ao norte da Ucrânia, em Belarus.

O Ministério da Defesa ucraniano estimou a presença de mais de 115 mil soldados russos na fronteira. No dia 24 de fevereiro, as tropas russas chegaram à Ucrânia via terra, mar e ar.

Tudo isso faz parte de uma demonstração de força que o Ocidente diz ser um precursor de uma invasão e que Moscou nega veementemente, rebatendo os países ocidentais (e principalmente os EUA) com acusações de histeria.

4. Qual o impacto da tensão entre Ucrânia e Rússia para a economia?

O potencial conflito entre Rússia e Ucrânia pode movimentar expressivamente os mercados, considerando, sobretudo, os efeitos da intervenção russa na Ucrânia em 2014, quando houve a anexação da Crimeia. 

Um dos principais efeitos pode ser a elevação do preço do barril de petróleo, já que a Rússia está entre os maiores produtores da commodity do mundo e uma eventual guerra poderia impactar o fornecimento.

Os preços do petróleo já se encontram acima de US$ 100, no maior patamar desde 2014.

A commodity pode permanecer em tendência de alta, principalmente se os conflitos não forem solucionados e isso de certa forma comprometer o fluxo nos mercados físicos. 

Com os primeiros ataques russos, as bolsas estão refletindo o temor de um confronto longo entre os dois países.

Além disso, com a continuação dos ataques por ambos os lados, pode ocorrer uma forte elevação nos preços de gás natural, dado que 30% do GNL consumido na Europa vem dos gasodutos russos, o que agrega poder de barganha ao país. 

As commodities agrícolas também tendem a se valorizar, com destaque para o preço do trigo, já que a Rússia é a maior exportadora global e a Ucrânia está entre as cinco maiores.

Esses fatores associados podem gerar uma pressão inflacionária em âmbito global, impactando diretamente a economia brasileira.

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5. Qual é o nosso cenário base?

Crédito: Wikipedia

Uma guerra não é interessante para ninguém, mas a Rússia está cercando a Ucrânia e fazendo questão de demonstrar toda a sua força militar. Diante de todos esses episódios, o que me parece claro é que a Ucrânia não possui soberania nas suas próprias decisões.

Entre os últimos acontecimentos relacionados à tensão está o fato de que o presidente russo, Vladimir Putin, reconheceu nesta semana a independência das autodeclaradas repúblicas populares de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia.

Seguimos atentos aos próximos episódios e posicionados em empresas de commodities que tendem a se beneficiar do ciclo econômico e descolar dos índices em caso de conflitos mais severos.

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